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Márlon

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Um recurso farto e de acesso fácil é o uso da intenção para ter sonhos lúcidos. Além disso é comprovado por pesquisas ser um dos principais fatores de indução dos sonhos lúcidos. Antecipadamente, posso adiantar que está presente em algumas das principais técnicas de indução, mas é importante explorar ao máximo esse fator.

O uso da Intenção

Vamos entender o que é a intenção que se quer tratar por aqui. Conforme São Tomáz de Aquino¹, a intenção deve ser entendida aqui como um ato da vontade, originado da razão e que se destina a um fim. Do mesmo modo que um desejo munido de mobilização mental em busca desse objetivo: ter um sonho lúcido. Assim, estamos tratando aqui de uma espécie de entrega a uma aspiração e para isso o mais importante será exatamente saber sentir esse desejo e o quão determinante ele deve ser. Nesse sentido o uso da intenção para ter sonhos lúcidos ganhará mais força.

O Papel da Imersão para Turbinar sua Intenção

Como a intenção requer esse combustível de energia, para desejar com intensidade ter sonhos lúcidos, uma sugestão: mergulhe em atividades que envolvam sonhos lúcidos. Então, especialmente aquelas relacionadas ao desenvolvimento da habilidade de ter sonhos lúcidos. Sendo assim, um sugestão interessante é participar de debates com outros sonhadores lúcidos, seja através de fóruns, grupos e comunidades e com uma boa frequência.
Uma boa tática para ajudar a fortalecer a intenção é ler ou estudar sobre sonhos lúcidos. Nesse caso, aqui mesmo no site há uma vasta quantidade de conhecimento sobre o tema.

Saber usar a intenção pode ser uma chave poderosa para ter sonhos lúcidos.

O que há por trás do valor da intenção

Observando uma das principais pesquisas sobre a avaliação de técnicas para indução de sonhos lúcidos, verifiquei que a intenção é um dos fatores mais frequentes. De fato, quando analisamos técnicas como MILD, Incubação, Tholey, Autossugestão, WILD, WBTB, entre outras, a intenção sempre é um elemento delas. Não apenas isso, pois a intenção por si só, também é verificada nessa pesquisa, como um fator considerável para ter sonhos lúcidos.

Referências Bibliográficas

Abagnano, N. Dicionário de Filosofia. tradução por Alfredo Bosi. 4 ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2000
STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.

Há uma duvida recorrente entre os interessados por sonhos lúcidos: é possível ter um sonho dentro de um sonho? Em primeiro lugar, essa é uma dúvida com bastante procura, haja vista que apareceu diversas vezes, no Fórum e especialmente no Grupo do Facebook. Além disso, certamente o filme Inception (A Origem) causou boa parte dessas dúvidas e inclusive por isso já foi tema por aqui.

Sonho em camadas?

Relembrando o filme A Origem, de Christopher Nolan, vamos recordar exatamente a situação questionada. Assim, nesse filme os personagens fazem um mergulho, partindo de um sonho lúcido comum, passando a dormir novamente durante essa narrativa onírica e adentrando um sonho dentro de outro. De acordo com o filme e a concepção de “sonhos em camadas” do senso comum, essa experiência traria diferentes efeitos ou consequências, se comparado ao sonho lúcido comum.

Aparentemente ter um sonho em camadas, poderia trazer fenômenos estranhos. Por exemplo, diferentes experiencias com tempo, mais especificamente, para aquele que tivesse um sonho dentro de outro, passaria a vivenciar o tempo de maneira mais rápida, comparando-se com o tempo no estado desperto.

É um sonho dentro de outro ou apenas sonhamos com isso?

Apesar da quantidade de relatos sobre vivências do sonho em camadas, não existe qualquer resultado que comprove a existência dos desse tipo de sonho. Ora, a explicação mais plausível até agora é de que apenas sonhamos com esse tema. Só para ilustrar, o caso do sonho em que nos tornamos um artista fenomenal ou uma pessoa dotada de inteligência genial… em ambos os casos fica claro que tal evento não chegou a acontecer, mas apenas sonhamos com aquilo.

De acordo com o neurocientista Sidarta Ribeiro apenas não há qualquer pesquisa nesse sentido, pelo menos com resultados sólidos e conhecidos. Porém o neurocientista não descarta a possibilidade desse tipo de vivência existir e responde alegando que não sabemos quantas camadas um sonho pode ter.

Considerando a explicação mais simples e razoável até agora, parece ser intuitivamente pouco provável a chance de existir de fato o sonho em camadas. Porém não necessariamente está identificando o que acontece na realidade. Ainda assim, é também a opinião de Stephen LaBerge em uma exposição em que é questionado justamente sobre o tema de se experimentar um sonho dentro de outro sonho.

Stephen LaBeerge responde sobre a questão se é possível um sonho dentro de um sonho…

A técnica MILD é uma das técnicas mais recomendadas para ter sonhos lúcidos. Certamente isso vale tanto para iniciantes, como para sonhadores lúcidos experientes. Principalmente por se tratar de uma técnica simples e com bom grau de eficiência, a técnica MILD é o “feijão com arroz” para quem deseja praticar sonhos lúcidos.

O vídeo disponibilizado no Canal Sonhos Lúcidos, apresenta uma tradução bem fiel à descrição da técnica criada por Stephen LaBerge. Sobretudo sobre os passos elencados por Stephen LaBerge, para favorecer a indução da lucidez durante a experiência do sonho. Todavia, vale destacar, um cuidado em especial, no que se refere a qualidade do sono, o qual é tratado ao final do vídeo.

Vídeo sobre a Técnica MILD

Vídeo explicativo sobre a Técnica MILD para ter sonhos lúcidos.

Comentários sobre a Técnica MILD

A Técnica MILD também pode ser usada com um despertador. Apesar de não mencionado no vídeo ou no livro de Stephen LaBerge, utiliza-se entre os praticantes, um despertador para nos acordar por volta da 5a ou 6a hora de sono. Por outro lado, não é interessante ficar insistindo por um longo tempo com essa técnica, se for o caso de existir alguma dificuldade para se voltar a dormir. Sendo assim, sempre dê atenção para sua qualidade do sono. E se perceber que possui dificuldade para voltar a dormir ou com qualquer outra técnica que envolva a interrupção do sono normal, simplesmente passe a evitar esse tipo de técnica.

Afinal existem riscos na prática de sonhos lúcidos? Quais riscos ou perigos podem estar envolvidos no desenvolvimento dessa habilidade? Dito isso, não é incomum encontrar alegações estranhas sobre a aplicação de técnicas de indução, gerando ainda mais dúvidas, especialmente para quem está apenas iniciando. Todavia o alerta também deve servir para os mais experientes.

Os riscos na prática de sonhos lúcidos
Os riscos na prática de sonhos lúcidos.

O que dizem os especialistas?

Os riscos na prática de sonhos lúcidos já foram tema aqui no site e de fato, os monges tibetanos e a Dream Yoga ou Yoga dos sonhos são provas cabais da maneira como os sonhos lúcidos podem ser enriquecedores. Mas, como estamos no ocidente e a indução de sonhos lúcidos por técnicas é algo relativamente novo, certamente as coisas podem caminhar de maneira diferente. Ainda assim, o que se verifica entre os especialistas é majoritariamente o encontro de resultados positivos na prática do sonho lúcido. Mas não é uma unanimidade!

Sonhos lúcidos como algo benéfico

Além do histórico secular do uso dos sonhos lúcidos no oriente, existem diversas pesquisas que indicam resultados positivos para o perfil dos sonhadores lúcidos. De conformidade com esses estudos, foram verificados que ter sonhos lúcidos pode ser indicador de: boa saúde mental, bem estar, autoconfiança, pessoas socialmente ousadas, corajosas, entusiasmadas, calorosas, criativas, resilientes ou bem adaptáveis com relação ao estresse pós-traumático.

A tradição secular da prática de sonhos lúcidos por monges tibetanos
Existe uma tradição secular na prática de sonhos lúcidos por monges orientais.

Onde afinal está o risco na prática de sonhos lúcidos?

Diante de tantos indicadores bons, onde estariam os riscos em ter sonhos lúcidos? A princípio o problema está na maneira pela qual as pessoas se desgastam nessa busca. De fato, existem técnicas nada recomendáveis. Sou um dos críticos da Técnica CAT por exemplo, na qual o método envolve a privação de sono e por um período prolongado! A saber, as técnicas mais consagradas necessitam de cuidados ou pelo menos de atenção para um dos maiores fundamentos para quem se interessa em ter sonhos lúcidos: a qualidade do sono.


De acordo com a vasta* quantidade de resultados em pesquisas publicadas, referente aos prejuízos em função da privação de sono, o débito crônico de sono, qualquer coisa que envolva esse tipo de risco, deve ser evitado. De tal forma que se trata evidentemente de pessoas que estejam agindo de maneira descuidada com relação a sua higiene de sono. Mesmo que seja para ter sonhos lúcidos. Se acaso ainda exista dúvidas quanto a extrema gravidade em se prejudicar a qualidade do sono, recomendo uma leitura saborosa: Por que nós dormimos, de Mathew Walker.

Conclusão

Se existem riscos em ter sonhos lúcidos, o perigo para os interessados está na maneira como será essa indução. Caso haja ignorância ou descontrole nessa prática, como técnicas mal aplicadas, ansiedade, perda de sono, estresse ou qualquer comprometimento da qualidade do sono, deve-se suspender as tentativas de ter sonhos lúcidos. O problema até agora não se mostrou estar no sonho lúcido em si, mas sim nas tentativas distorcidas que possam trazer prejuízos para os praticantes. Por conseguinte, sempre é bom lembrar que os sonhadores lúcidos bons e experientes, tratam com carinho a qualidade do sono porque sabem que precisam chegar nas fases finais de uma jornada normal de sono. Como já foi bem esclarecido por aqui, os melhores e maiores sonhos lúcidos sempre acontecerão nas fases REM tardias, ou seja no ciclo final de uma bela noite de sono.

Referências Bibliográficas

Doll, E., Gittler, G., and Holzinger, B. (2009). Dreaming, lucid dreaming andpersonality. Int. J. Dream Res. 2, 52–57. doi: 10.11588/ijodr.2009.2.142

Gackenbach, J. (1988). “The psychological content of lucid versus nonluciddreams,” in Conscious Mind, Sleeping Brain: Perspectives on Lucid Dreaming, eds J. Gackenbach and S. LaBerge (New York, NY: Plenum), 181–220.
doi: 10.1007/978-1-4757-0423-5_9.

LaBerge, S. (2014). “Lucid dreaming: paradoxes of dreaming consciousness,” inVarieties of Anomalous Experience: Examining the Scientific Evidence, eds E. Cardeña, S. J. E. Lynn, and S. E. Krippner (Washington, DC: American Psychological Association), 145–173. doi: 10.1037/14258-006

* WALKER. M. Por que nós dormimos. A nova ciência do sono e do sonho. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2018

Seja bem-vindo ao Canal Sonhos Lúcidos! Antes de mais nada, agora contando com toda a força da equipe Sonhos Lúcidos. Sendo assim, fizemos esse vídeo de introdução ao Canal Sonhos Lúcidos, para divulgar melhor nosso trabalho. Desse modo serão apresentados as cinco principais mídias que compõe nosso trabalho de pesquisa, divulgação e reunião de onironautas. Tudo isso para tornar ainda mais forte o desenvolvimento do nosso adorado tema.

Seja bem-vindo ao Canal Sonhos Lúcidos!

Principais Mídias

O site www.sonhoslucidos.com é a mídia mais antiga. Em síntese, foi criada em 2008, reúne uma vasta quantidade de conhecimento, na forma de entrevistas, as últimas pesquisas nas áreas da neurociência, psicologia e filosofia da mente. Além disso, também estão presentes as informações necessárias e importantes para desenvolver a habilidade de ficar consciente nos seus sonhos. Em suma: técnicas, métodos, cuidados, diários de sonhos, técnicas de controle e muito mais.

O Fórum dos Sonhos Lúcidos chegou para organizar os mais de 2 mil comentários que bombardearam de dúvidas, sugestões, críticas e as fantásticas trocas de experiências entre os onironautas. Sendo assim, na época ainda havia a comunidade do Orkut, o nosso fórum chegou para botar ordem nos tópicos mais surpreendentes e ajudar na articulação entre os sonhadores lúcidos.

O Grupo dos Sonhos Lúcidos reúne uma quantidade brutal de interessados e praticantes de sonhos lúcidos. A fim de dar os primeiros esclarecimentos, há uma equipe de voluntários que doam parte do seu tempo para sanar dúvidas, orientações. Ao mesmo tempo em que as trocas de figurinhas entre os onironautas enriquece o desenvolvimento do tema.

Pela nossa conta oficial do Instagram está no front para alcançar ainda mais pessoas interessadas pelo tema.Nesse sentido, sabemos como ainda não é tão comum encontrar pessoas para conversarmos no dia-a-dia sobre sonhos lúcidos. Por isso, além desse contato, com informações rápidas e dinâmicas,fortalecemos nossa coesão de pessoas que se interessam em aprender mais sobre essa instigante habilidade e sobre os desdobramentos que estão por vir.

Há ainda uma conta de Grupo do Whatsapp, que também conta com engajamento de muitos onironautas, com participação sempre diária, repassando sempre com cuidado informações importantes, orientações e muitas dicas.

Essa noite eu tive um sonho lúcido ou não? À primeira vista pode parecer uma questão simples. Contudo, gosto dessa dúvida porque ela sempre será recorrente se você é um interessado no tema dos sonhos lúcidos. Por isso… é possível ter um sonho lúcido e não lembrar dele? Ou “se você não lembra se ficou lúcido, você não ficou”.

Memória

Primeiramente, reparem nas duas últimas frases. Desse modo, já é possível notar a presença de uma palavra em especial: “lembrar”. Sendo assim, por maior que seja o grau de lucidez que você atinja no seu sonho lúcido, sempre estará sujeito a sua capacidade de recordação ou como anda sua memória referente aos sonhos. Por outro lado, também será importante dar boa atenção para a qualidade do sono. Afinal, uma qualidade ruim de sono, sempre poderá comprometer suas lembranças oníricas.

Além disso, existe um fator químico importante para dar atenção, por ser capaz de interferir na retenção da memória dos sonhos, especificamente na região do hipocampo: a noradrenalina. Por isso é importante saber que ela é responsável pela nossa capacidade de prestar a atenção. Mas durante a fase REM do sono será muito baixa e ao despertarmos, seremos inundados por essa substância, transferindo nossa atenção aos novos eventos do estado desperto.

Formas de Despertar

Por outro lado e referente a capacidade de recordação do sonho, a maneira como despertamos, também pode interferir o quanto conseguiremos lembrar do que sonhamos. Dessa maneira, os resultados com voluntários em laboratórios do sono, conforme destaca Hobson[1], apresentam um percentual de 95% de sonhos relatados, sempre que essas pessoas foram acordadas durante a fase REM do sono. Sendo assim, deve-se destacar ser importante não se distanciar do momento em que as experiências oníricas acontecem. Ou seja, quanto mais próximos acordarmos das nossas fases REM do sono, mais chances teremos de reter nossos sonhos na memória ao despertar.

Por isso minha recomendação: sempre que acordar, evite se mexer e imediatamente já comece a recordar o que sonhou e já anote. Nesse sentido, será fundamental manter um bom ritual para acordar; experimente manter um notebook ou algum tipo de ferramenta de anotação bem próximo para que você possa alcançar, com pouco movimento do corpo.

Referências Bibliográficas

[1] HOBSON, A. Dreaming: a very short introduction. New York: Oxford Press Inc. 2005. Kindle Edition. location, 369.