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Márlon

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Uma revolução no estudo dos sonhos: pela primeira vez, de dentro de um sonho lúcido, pessoas respondem aos cientistas. Primeiramente, deve ficar claro que estamos tratando de sonhadores lúcidos. Ou seja, são pessoas que conseguem sonhar e saber que estão sonhando. Só que dessa vez a comunicação não foi unilateral.

Imagem do filme Minority Report, em destaque com a presença dos “Precogs”. O filme é baseado num conto de Philip K. Dick.

A pesquisa

Essa pesquisa envolveu laboratórios de quatro países: Alemanha, França, EUA e Países Baixos (antiga Holanda). Anteriormente todas pesquisas, desde o pioneirismo de Hearne e LaBerge (fins dos anos 70), sempre envolveram a comunicação partindo do sonhador, isoladamente. Por exemplo, códigos pré-combinados entre os voluntários que iriam sonhar e fazer essas sinalizações, com os olhos, para os pesquisadores.

Agora, essa pesquisa envolveu 36 sonhadores lúcidos. Conforme a publicação desse estudo, alguns tinham pouca experiência com sonhos lúcidos, outros eram sonhadores lúcidos experientes e havia um participante com narcolepsia que era sonhador lúcido frequente.

Cena do excelente filme “Source Code”. Em destaque quando o protagonista interpretado por Jake Gyllenhaal, em estado vegetativo conversa com os pesquisadores.

Resultados: de um sonho, pessoas respondem aos cientistas

Foram confirmadas 29 respostas dadas pelos sonhadores lúcidos. Bem como foram verificadas habilidades durante essas “conversas” com os pesquisadores. Por exemplo, foi perguntado a uma voluntária (alemã de 26 anos), enquanto sonhava (estado REM) quanto era 1+2. Ao passo que respondeu (sinalizando com os olhos) após 14 segundos ser 3. Além disso, vale destacar que os voluntários não sabiam que perguntas seriam feitas e ficaram evidenciadas as habilidades interessantes. Ou seja: a percepção de novas informações, mantendo esse dado com a memória, calculando e expressando respostas volitivas.

Algumas curiosidades

Bastante interessante observar a maneira como os sonhadores percebiam as perguntas. Ao mesmo tempo que os cientistas faziam as questões para os voluntários, esses recebiam, por vezes através de objetos nos sonhos. Por exemplo, por meio de um rádio ou com a mensagem se sobrepondo ao sonho em si, como algo externo. Por fim, vale destacar que há um debate sobre se tratar de fato de fase REM do sono com a presença da consciência ou um estado dissociado, no qual a pessoa está de fato sonhando, submetida a atonia muscular típica de fase REM, mas com o cérebro apresentando algumas características de outros estados.

Referências Bibliográficas

Konkoly K R. et al., .Real-time dialogue between experimenters and dreamers during REM sleep. Current Biology, 2021. DOI:https://doi.org/10.1016/j.cub.2021.01.026

Existem fatores externos que naturalmente influenciam a indução de sonhos lúcidos. Ou seja, considere desde já, como uma noite bem dormida, a sua memória e o ambiente em que você está praticando, podem interferir nos seus planos.

Seu Sono ou fatores externos nos sonhos lúcidos

A princípio, quando se trata de identificar fatores externos que possam influenciar nas suas chances de indução de sonhos lúcidos, será preciso chamar a atenção para os pontos críticos que influenciam o seu sono. Ainda assim, poder dormir bem será sempre um fundamento desse objetivo. Logo depois, a própria capacidade de recordação também está sujeita ao sono bem regulado. Por fim, como o ambiente também irá impactar no seu sono e no despertar.

Acima de tudo fica nítido a maneira como esses temas estão conectados. Ainda mais, não são importantes apenas para ter sonhos lúcidos, mas sempre vão resultar em qualidade de vida. Nesse sentido, dormir mal, pode causar sérios danos a saúde: problemas cardíacos, circulatórios, imunológicos, entre outros!***

Capacidade de Recordação como fatores externos nos sonhos lúcidos

Primeiramente é importante ressaltar que é perfeitamente possível ter um sonho lúcido em uma noite e não lembrar na manhã seguinte. Sobretudo no caso de uma noite de sono encurtada! Conforme seu sono for mais breve, menos fases REM você terá.

Os resultados com voluntários em laboratórios do sono, conforme destaca Hobson[1], apresentam um percentual de 95% de sonhos relatados, sempre que essas pessoas foram acordadas durante a fase REM do sono. Tal estágio tem sua importância porque é nele que acontecem os sonhos mais intensos e vívidos. Assim sendo, a fim de otimizar os fatores externos nos sonhos lúcidos, aproveite todas as fases REM que sua noite de sono lhe oferecer. Em contrapartida nas fases REM tardias (a partir da 6a hora de sono) os períodos de sonhos intensos e vívidos serão dramaticamente maiores.

Seu Ambiente, seu Reino!

Tanto quanto seu bom sono ou sua memória, o ambiente que você dorme reserva uma importância crítica nas suas intenções de alcançar a lucidez nos sonhos. Em síntese, considere que seja possível dormir em um ambiente dotado de boas recomendações de higiene de sono. Dessa forma, deixe de lado celulares, televisões ligadas ao dormir, janelas que trazem iluminação externa,temperatura ambiente muito aquecida e camas e travesseiros desconfortáveis. Inegavelmente dê toda atenção possível para as melhores recomendações de higiene de sono.

Referências Bibliográficas


[1] HOBSON, A. Dreaming: a very short introduction. New York: Oxford Press Inc. 2005. Kindle Edition. posição, 369.
*** WALKER. M. Por que nós dormimos. A nova ciência do sono e do sonho. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2018.

Um recurso farto e de acesso fácil é o uso da intenção para ter sonhos lúcidos. Além disso é comprovado por pesquisas ser um dos principais fatores de indução dos sonhos lúcidos. Antecipadamente, posso adiantar que está presente em algumas das principais técnicas de indução, mas é importante explorar ao máximo esse fator.

O uso da Intenção

Vamos entender o que é a intenção que se quer tratar por aqui. Conforme São Tomáz de Aquino¹, a intenção deve ser entendida aqui como um ato da vontade, originado da razão e que se destina a um fim. Do mesmo modo que um desejo munido de mobilização mental em busca desse objetivo: ter um sonho lúcido. Assim, estamos tratando aqui de uma espécie de entrega a uma aspiração e para isso o mais importante será exatamente saber sentir esse desejo e o quão determinante ele deve ser. Nesse sentido o uso da intenção para ter sonhos lúcidos ganhará mais força.

O Papel da Imersão para Turbinar sua Intenção

Como a intenção requer esse combustível de energia, para desejar com intensidade ter sonhos lúcidos, uma sugestão: mergulhe em atividades que envolvam sonhos lúcidos. Então, especialmente aquelas relacionadas ao desenvolvimento da habilidade de ter sonhos lúcidos. Sendo assim, um sugestão interessante é participar de debates com outros sonhadores lúcidos, seja através de fóruns, grupos e comunidades e com uma boa frequência.
Uma boa tática para ajudar a fortalecer a intenção é ler ou estudar sobre sonhos lúcidos. Nesse caso, aqui mesmo no site há uma vasta quantidade de conhecimento sobre o tema.

Saber usar a intenção pode ser uma chave poderosa para ter sonhos lúcidos.

O que há por trás do valor da intenção

Observando uma das principais pesquisas sobre a avaliação de técnicas para indução de sonhos lúcidos, verifiquei que a intenção é um dos fatores mais frequentes. De fato, quando analisamos técnicas como MILD, Incubação, Tholey, Autossugestão, WILD, WBTB, entre outras, a intenção sempre é um elemento delas. Não apenas isso, pois a intenção por si só, também é verificada nessa pesquisa, como um fator considerável para ter sonhos lúcidos.

Referências Bibliográficas

Abagnano, N. Dicionário de Filosofia. tradução por Alfredo Bosi. 4 ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2000
STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.

Há uma duvida recorrente entre os interessados por sonhos lúcidos: é possível ter um sonho dentro de um sonho? Em primeiro lugar, essa é uma dúvida com bastante procura, haja vista que apareceu diversas vezes, no Fórum e especialmente no Grupo do Facebook. Além disso, certamente o filme Inception (A Origem) causou boa parte dessas dúvidas e inclusive por isso já foi tema por aqui.

Sonho em camadas?

Relembrando o filme A Origem, de Christopher Nolan, vamos recordar exatamente a situação questionada. Assim, nesse filme os personagens fazem um mergulho, partindo de um sonho lúcido comum, passando a dormir novamente durante essa narrativa onírica e adentrando um sonho dentro de outro. De acordo com o filme e a concepção de “sonhos em camadas” do senso comum, essa experiência traria diferentes efeitos ou consequências, se comparado ao sonho lúcido comum.

Aparentemente ter um sonho em camadas, poderia trazer fenômenos estranhos. Por exemplo, diferentes experiencias com tempo, mais especificamente, para aquele que tivesse um sonho dentro de outro, passaria a vivenciar o tempo de maneira mais rápida, comparando-se com o tempo no estado desperto.

É um sonho dentro de outro ou apenas sonhamos com isso?

Apesar da quantidade de relatos sobre vivências do sonho em camadas, não existe qualquer resultado que comprove a existência dos desse tipo de sonho. Ora, a explicação mais plausível até agora é de que apenas sonhamos com esse tema. Só para ilustrar, o caso do sonho em que nos tornamos um artista fenomenal ou uma pessoa dotada de inteligência genial… em ambos os casos fica claro que tal evento não chegou a acontecer, mas apenas sonhamos com aquilo.

De acordo com o neurocientista Sidarta Ribeiro apenas não há qualquer pesquisa nesse sentido, pelo menos com resultados sólidos e conhecidos. Porém o neurocientista não descarta a possibilidade desse tipo de vivência existir e responde alegando que não sabemos quantas camadas um sonho pode ter.

Considerando a explicação mais simples e razoável até agora, parece ser intuitivamente pouco provável a chance de existir de fato o sonho em camadas. Porém não necessariamente está identificando o que acontece na realidade. Ainda assim, é também a opinião de Stephen LaBerge em uma exposição em que é questionado justamente sobre o tema de se experimentar um sonho dentro de outro sonho.

Stephen LaBeerge responde sobre a questão se é possível um sonho dentro de um sonho…

A técnica MILD é uma das técnicas mais recomendadas para ter sonhos lúcidos. Certamente isso vale tanto para iniciantes, como para sonhadores lúcidos experientes. Principalmente por se tratar de uma técnica simples e com bom grau de eficiência, a técnica MILD é o “feijão com arroz” para quem deseja praticar sonhos lúcidos.

O vídeo disponibilizado no Canal Sonhos Lúcidos, apresenta uma tradução bem fiel à descrição da técnica criada por Stephen LaBerge. Sobretudo sobre os passos elencados por Stephen LaBerge, para favorecer a indução da lucidez durante a experiência do sonho. Todavia, vale destacar, um cuidado em especial, no que se refere a qualidade do sono, o qual é tratado ao final do vídeo.

Vídeo sobre a Técnica MILD

Vídeo explicativo sobre a Técnica MILD para ter sonhos lúcidos.

Comentários sobre a Técnica MILD

A Técnica MILD também pode ser usada com um despertador. Apesar de não mencionado no vídeo ou no livro de Stephen LaBerge, utiliza-se entre os praticantes, um despertador para nos acordar por volta da 5a ou 6a hora de sono. Por outro lado, não é interessante ficar insistindo por um longo tempo com essa técnica, se for o caso de existir alguma dificuldade para se voltar a dormir. Sendo assim, sempre dê atenção para sua qualidade do sono. E se perceber que possui dificuldade para voltar a dormir ou com qualquer outra técnica que envolva a interrupção do sono normal, simplesmente passe a evitar esse tipo de técnica.

Afinal existem riscos na prática de sonhos lúcidos? Quais riscos ou perigos podem estar envolvidos no desenvolvimento dessa habilidade? Dito isso, não é incomum encontrar alegações estranhas sobre a aplicação de técnicas de indução, gerando ainda mais dúvidas, especialmente para quem está apenas iniciando. Todavia o alerta também deve servir para os mais experientes.

Os riscos na prática de sonhos lúcidos
Os riscos na prática de sonhos lúcidos.

O que dizem os especialistas?

Os riscos na prática de sonhos lúcidos já foram tema aqui no site e de fato, os monges tibetanos e a Dream Yoga ou Yoga dos sonhos são provas cabais da maneira como os sonhos lúcidos podem ser enriquecedores. Mas, como estamos no ocidente e a indução de sonhos lúcidos por técnicas é algo relativamente novo, certamente as coisas podem caminhar de maneira diferente. Ainda assim, o que se verifica entre os especialistas é majoritariamente o encontro de resultados positivos na prática do sonho lúcido. Mas não é uma unanimidade!

Sonhos lúcidos como algo benéfico

Além do histórico secular do uso dos sonhos lúcidos no oriente, existem diversas pesquisas que indicam resultados positivos para o perfil dos sonhadores lúcidos. De conformidade com esses estudos, foram verificados que ter sonhos lúcidos pode ser indicador de: boa saúde mental, bem estar, autoconfiança, pessoas socialmente ousadas, corajosas, entusiasmadas, calorosas, criativas, resilientes ou bem adaptáveis com relação ao estresse pós-traumático.

A tradição secular da prática de sonhos lúcidos por monges tibetanos
Existe uma tradição secular na prática de sonhos lúcidos por monges orientais.

Onde afinal está o risco na prática de sonhos lúcidos?

Diante de tantos indicadores bons, onde estariam os riscos em ter sonhos lúcidos? A princípio o problema está na maneira pela qual as pessoas se desgastam nessa busca. De fato, existem técnicas nada recomendáveis. Sou um dos críticos da Técnica CAT por exemplo, na qual o método envolve a privação de sono e por um período prolongado! A saber, as técnicas mais consagradas necessitam de cuidados ou pelo menos de atenção para um dos maiores fundamentos para quem se interessa em ter sonhos lúcidos: a qualidade do sono.


De acordo com a vasta* quantidade de resultados em pesquisas publicadas, referente aos prejuízos em função da privação de sono, o débito crônico de sono, qualquer coisa que envolva esse tipo de risco, deve ser evitado. De tal forma que se trata evidentemente de pessoas que estejam agindo de maneira descuidada com relação a sua higiene de sono. Mesmo que seja para ter sonhos lúcidos. Se acaso ainda exista dúvidas quanto a extrema gravidade em se prejudicar a qualidade do sono, recomendo uma leitura saborosa: Por que nós dormimos, de Mathew Walker.

Conclusão

Se existem riscos em ter sonhos lúcidos, o perigo para os interessados está na maneira como será essa indução. Caso haja ignorância ou descontrole nessa prática, como técnicas mal aplicadas, ansiedade, perda de sono, estresse ou qualquer comprometimento da qualidade do sono, deve-se suspender as tentativas de ter sonhos lúcidos. O problema até agora não se mostrou estar no sonho lúcido em si, mas sim nas tentativas distorcidas que possam trazer prejuízos para os praticantes. Por conseguinte, sempre é bom lembrar que os sonhadores lúcidos bons e experientes, tratam com carinho a qualidade do sono porque sabem que precisam chegar nas fases finais de uma jornada normal de sono. Como já foi bem esclarecido por aqui, os melhores e maiores sonhos lúcidos sempre acontecerão nas fases REM tardias, ou seja no ciclo final de uma bela noite de sono.

Referências Bibliográficas

Doll, E., Gittler, G., and Holzinger, B. (2009). Dreaming, lucid dreaming andpersonality. Int. J. Dream Res. 2, 52–57. doi: 10.11588/ijodr.2009.2.142

Gackenbach, J. (1988). “The psychological content of lucid versus nonluciddreams,” in Conscious Mind, Sleeping Brain: Perspectives on Lucid Dreaming, eds J. Gackenbach and S. LaBerge (New York, NY: Plenum), 181–220.
doi: 10.1007/978-1-4757-0423-5_9.

LaBerge, S. (2014). “Lucid dreaming: paradoxes of dreaming consciousness,” inVarieties of Anomalous Experience: Examining the Scientific Evidence, eds E. Cardeña, S. J. E. Lynn, and S. E. Krippner (Washington, DC: American Psychological Association), 145–173. doi: 10.1037/14258-006

* WALKER. M. Por que nós dormimos. A nova ciência do sono e do sonho. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2018