Author

Márlon

Browsing

   O texto de hoje merece uma atenção bem especial. Trata-se de uma entrevista com o pesquisador brasileiro Alexandre Valença, o qual defende sua tese na área de sonhos lúcidos e com o bônus de um link (disponibilizado pelo entrevistado) para quem quiser colaborar, respondendo ao questionário. Cada pessoa que disponibilizar um tempo para responder, estará dando uma valiosa contribuição para o avanço do nosso tão estimado tema.

   Nosso entrevistado, Alexandre Valença é Psicólogo Clínico, Professor de Psicologia pela Universidade Santa Úrsula e Estácio, Mestre em História da Ciência, das Técnicas e Epistemologia pelo HCTE / UFRJ (2013). Doutorando pelo HCTE/ UFRJ, na linha de pesquisa de Epistemologia – Teorias da Mente, pesquisando as relações entre sono, aprendizagem, memória e processos criativos. Coordenador do Grupo de Reflexão Interdisciplinar Fórum Atenas, fundado em 1998, formado por profissionais e pesquisadores de diversos campos de conhecimento como Filosofia, Psicologia,Engenharia, Medicina, Antropologia e Astronomia,entre outros. O Grupo tem entre seus temas de estudo principais: Consciência,Epistemologia, Inteligência Artificial e Criatividade. Palestrante.

O link com o questionário, para colaborar com a pesquisa:

http://www.hcte.ufrj.br/sonhos-lucidos.htm

“O questionário que está online é uma ferramenta poderosa para o estudo epidemiológico dos sonhos lúcidos (SL) no Brasil”. 

1) Qual a origem do seu interesse pelo tema dos sonhos lúcidos? Quando e de que maneira isso aconteceu?

Bom começo! Gosto dessa questão porque ela remete a uma certa crise que tive ainda no meio do meu mestrado. E esta crise foi fundamental para mudar o tema e o rumo de toda minha pesquisa. A história é longa, então, vou contar a versão “remix”, como costumo dizer. No meio dessa “crise”, insatisfeito com o tema que eu estava desenvolvendo, resolvi participar de um Congresso de Neurociência que aconteceria em Belo Horizonte. Nunca tinha ouvido falar de sonhos lúcidos, até então. Isso devia ser 2011. Lá, entre muitas apresentações de trabalhos e palestras, o Sidarta Ribeiro comentaria o filme “Waking Life” (que recomendo a todos) e, em algum momento, o Sidarta mencionou a expressão “sonhos lúcidos”. Aquela junção de palavras, expressava um paradoxo fascinante – sonho e lucidez – ocorrendo de forma simultânea. Obviamente, não pude deixar de questionar o Sidarta sobre o tema. Daí, depois saímos para umas cervejas, falamos mais sobre sonhos lúcidos e o interesse pelo tema só aumentou.

Quando voltei para o Rio de Janeiro, pesquisei alguns artigos e levei a ideia pro meu orientador, Luis Pinguelli Rosa, que foi bem receptivo ao tema, já que gosta de desafios. O Pinguelli é um dos fundadores da linha de pesquisa que aborda Teorias da Mente e Estudos sobre a Consciência no HCTE/UFRJ, um programa de pós-graduação interdisciplinar, formado por pesquisadores de diversas áreas como Física, Astronomia, História, Engenharia, Matemática, Antropologia, Biologia, entre outros. O Sidarta acabou sendo co-orientador no meu Mestrado.

Assim, começava minha pesquisa sobre os sonhos lúcidos. Vale salientar que minha pesquisa sempre teve uma perspectiva interdisciplinar. No mestrado, o trabalho apontava as relações entre sonhos, aprendizagem, memória e criatividade desde a Antiguidade até a Neurociência contemporânea, passando por Freud e a neurofisiologia do sono. Agora, no doutorado, a pesquisa está mais focada nos sonhos lúcidos, mas sem perder a perspectiva interdisciplinar.

2) Já experimentou um sonho lúcido? Como foram suas experiências? (Caso sim, fique à vontade para relatar – ou não – a primeira e/ou uma bem marcante).

Já experimentei alguns e é uma sensação fantástica. Os mais incríveis foram – sem dúvida- poder experimentar a sensação de voar!  Esse é um dos maiores atrativos dos sonhos lúcidos: poder realizar coisas que – normalmente – não podemos realizar na nossa vida de vigília. Não é à toa que voar está entre os temas favoritos entre os onironautas, no mundo todo, como indicam algumas pesquisas. Mas, a maioria dos meus sonhos lúcidos tem curta duração.

Photo by Darius Bashar on Unsplash

Infelizmente, os sonhos lúcidos são menos frequentes do que nós gostaríamos. E eu, até agora, preferi não me dedicar mais fortemente às técnicas de indução. Aliás, mais à frente, podemos voltar à questão das técnicas de indução, que é um aspecto que vale ser mais investigado.

De toda forma, esse estado híbrido de consciência, onde podemos vivenciar certo controle sobre conteúdos oníricos, é instigante e marca quem já teve essa experiência. Conheço algumas pessoas que tem SL frequentemente e com um bom nível de controle sobre eles. O que fascina nos sonhos é que, quando estamos vivenciando determinadas situações nos sonhos,as emoções são intensas, e os fatos parecem reais (ao menos na grande maioria das vezes). Desta forma, os SL, que possibilitam manipular elementos do sonho, podem ser utilizados como pura diversão também. Como se fosse “mais um ambiente virtual”, onde podemos experimentar coisas que não são possíveis normalmente. Mas, assim como os “games”, precisamos investigar se uma exposição repetida/ frequente pode gerar ou estar correlacionada com algum malefício.

3) Qual o objeto principal da sua tese? Poderia nos contar sobre alguns objetivos e hipóteses levantadas?

Vou tentar explicar tudo numa linguagem bem coloquial, sem “academicismo”, já que o espaço aqui é de divulgação científica. A tese está dividida em duas frentes: uma investigação teórica, de caráter interdisciplinar, capturando dados sobre os processos oníricos desde a Antiguidade, começando na Mesopotâmia – onde temos o registro do que é considerado o primeiro “livro dos sonhos” –  até a Neurociência contemporânea, passando por Freud, Jung, neurofisiologia do sonho, e por relações com aspectos místicos e religiosos como os encontrados no Tibete e no xamanismo, por exemplo. Esse corpo teórico, bastante amplo e interdisciplinar, é fundamental para uma abordagem de um fenômeno complexo como os sonhos lúcidos.

As informações extraídas desse amplo levantamento indicaram alguns caminhos, algumas lacunas e novas questões para as quais não tínhamos respostas evidentes. Aí, entra a segunda frente da pesquisa: o questionário online sobre os sonhos lúcidos para tentar elucidar algumas dessas lacunas. Felizmente, Marlon, tivemos sua grande receptividade para divulgar a pesquisa e o link para o questionário aqui. Esse espaço é fundamental porque seu blog é, sem dúvida, uma referência no tema e para todos onironautas.

Então, um dos objetivos da tese é produzir um amplo painel do onironauta brasileiro. Pretendemos também, identificar  características psico-socio-ambientais-comportamentais que possam estar relacionadas com a ocorrência e frequência dos sonhos lúcidos, por exemplo.  Esses dados, dependendo da amostra, podem ser amplificados e vão dialogar com pesquisas semelhantes que estão ocorrendo em outros países.

Photo by Alex Holyoake on Unsplash

Temos, naturalmente, hipóteses de trabalho, mas… prefiro não mencionar as hipóteses, já que essa informação poderia contaminar de alguma forma as respostas  dos participantes da pesquisa. Contudo, tão logo os resultados estejam consolidados,  prometo divulgar aqui no site.

4) Em uma perspectiva acadêmica, na sua área, como é adentrar nessa seara? Quais as maiores dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento dessa pesquisa?

Penso que as pesquisas sobre o tema têm trazido cada dia mais respaldo e interesse sobre os sonhos lúcidos. No campo das pesquisas científicas, os sonhos lúcidos ainda são um tema relativamente recente. Vale lembrar que as primeiras publicações do LaBerge aceitas em revistas científicas são da década de 1980. Além disso, acredito que o interesse pelos SL aumentou, sensivelmente, nos últimos anos. Mas, não percebo nenhum tipo de resistência ou desconfiança quanto ao fenômeno dos sonhos lúcidos, diferentemente do que ocorria até a publicação das pesquisas de LaBerge, que tornaram-se uma referência. Um quadro bem diferente das décadas anteriores, quando o fenômeno dos SL era visto com desconfiança, como algo contraditório por definição e, por isso, inexistente ou bastante duvidoso. Mas, após os experimentos realizados em laboratório, com alto nível de controle de variáveis e observação dos correlatos neurofisiológicos, os sonhos lúcidos são uma“realidade”.

As questões em pauta hoje , me parecem, estão na busca de melhor compreensão e delineamento do fenômeno, a busca de “causas” e/ou “correlações” com uma série de fatores e condições que favorecem sua ocorrência e frequência,que também investigamos através do questionário que está aqui no blog. Paralelamente a estes aspectos, há a necessidade de melhor compreensão dos correlatos neurofisiológicos envolvidos. Esta parte está relacionada com a questão que você levantou sobre as dificuldades envolvendo as pesquisas sobre SL. Vou retomar a questão na sequência.

A maior dificuldade para quem pesquisa sonhos lúcidos está no fato – como diversas pesquisas indicam – que os SL não são frequentes para a maioria dos indivíduos. Ou seja, as pessoas até têm SL, mas não frequentemente. Os números sobre ocorrência e frequência dos SL mudam bastante de país para país, conforme apontam diversas pesquisas. No entanto, a discrepância entre esses números pode ter relação, também, com questões metodológicas, sobre a própria definição do que é um “sonho lúcido”. Basta estar lúcido durante o sonho ou é necessário ter a habilidade de manipular/ controlar elementos do sonho? Essa discussão, que está presente no meu trabalho, é fundamental para delinearmos com clareza o que estamos chamando de “sonho lúcido”.

Voltando ao cerne da sua pergunta: temos, basicamente, duas grandes dificuldades envolvendo a pesquisa de sonhos lúcidos. Uma refere-se à questão da baixa frequência de SL na população em geral. A metodologia científica “pede” que nós tenhamos uma amostra grande o suficiente para que ela seja representativa e possamos ampliar os resultados. A outra dificuldade é que muito do que ainda podemos descobrir sobre os SL depende de uma maquinaria sofisticada, capaz de mapear a atividade cerebral durante a ocorrência dos sonhos lúcidos, o que exige um ambiente laboratorial, com o controle de diversas variáveis.

Nesse caso, duas dificuldades:

  1. a) O alto custo envolvido nessa maquinaria;
  2. b) Conseguir que indivíduos tenham SL num ambiente de laboratório, um ambiente controlado que não facilita o relaxamento dos sujeitos envolvidos no experimento.
Photo by Steve Roe on Unsplash

 

Sabemos que mesmo sonhadores lúcidos experientes, que tem SL frequentemente, encontram dificuldades de alcançarem a lucidez num ambiente de laboratório.

Outra questão é que o sonho (ainda) é uma experiência privada. É uma experiência de primeira pessoa.

Além disso, precisamos de mais investimento para pesquisas nessa área. Precisamos desenvolver parcerias para ampliar os estudos e acesso aos equipamentos necessários para aprofundar os aspectos neurofisiológicos envolvidos nos sonhos lúcidos.

Eu diria que essas são as maiores dificuldades.

5) Existem outras pesquisas instigantes, por exemplo, aquelas referentes ao aprimoramento de habilidades motoras. Alguma aposta sua, sobre futuras pesquisas promissoras na área dos sonhos lúcidos?

A parte de possíveis aplicações dos SL é muito instigante. Mas, também me traz preocupações, inclusive éticas. “Explorar” os sonhos, ocupar e direcionar esse “tempo” que é um tempo precioso, envolvido em processos fundamentais para nossa saúde e bem-estar, merece cuidado.

Sobre pesquisas futuras, pretendo, brevemente, investigar e comparar SL, meditação e imaginação ativa como “ferramentas” para o desenvolvimento de habilidades. Além disso, muitas ideias devem surgir com os resultados do questionário sobre os SL e da tese.

Nós falamos muito dos possíveis benefícios advindos dos sonhos lúcidos,mas precisamos investigar possíveis malefícios também. Por exemplo, se uma frequência acentuada de sonhos lúcidos pode trazer algum malefício ou distúrbio. Outra questão a ser conferida num futuro próximo é: se o sono e os sonhos “normais” (não lúcidos)estão envolvidos e favorecem os processos de aprendizagem , memória e criatividade ( como apontam pesquisas), uma alta frequência de SL pode prejudicar esses processos?

Então, até aqui, as pesquisas têm focado, sobretudo, nos benefícios. Temos uma ênfase nas possibilidades de utilização dos SL como “ferramenta” para o desenvolvimento de habilidades (cognitivas e motoras) e como recurso terapêutico no tratamento de pesadelos,decorrentes de estresse pós-traumático (como vítimas de violência, guerras, etc). Contudo,ainda temos que averiguar, cuidadosamente, possíveis disfunções e / ou correlações “mórbidas” dos SL com algumas alterações psíquicas. A “intensidade” dos SL é outra questão a ser conferida.

Uma aposta para o futuro? Que as pesquisas envolvendo os SL vão colaborar na compreensão de alguns distúrbios psíquicos. A possibilidade de “comunicação” com o sujeito que está sonhando e a leitura de dados dos correlatos neurais da atividade onírica em “tempo real”, é um caminho que me parece muito promissor.

 

 

6) É possível identificar áreas diversas desenvolvendo estudos, artigos e experimentos sobre a consciência nos sonhos. Neurofisiologia, psicologia, filosofia, psiquiatria, ciência do sono, entre outras. Tens vivenciado um pouco dessa interdisciplinaridade?

A interdisciplinaridade está presente na minha vida há muito tempo. Coordeno um grupo de estudos interdisciplinar, o Fórum Atenas – Filosofia – Ciências – Artes, que está completando 20 anos! Então, vivencio a interdisciplinaridade antes mesmo dela virar uma referência no meio acadêmico. Aliás, vale uma reflexão sobre a Interdisciplinaridade: principalmente nos últimos 10 anos CAPES/CNPQ (agências fomentadoras de pesquisas) e MEC mantêm um discurso de apoio e incentivo à interdisciplinaridade. O discurso, infelizmente, está longe de um apoio concreto, principalmente nos últimos tempos.  A formação nas Universidades ainda é altamente disciplinar e pouco espaço para os egressos de programas de pós-graduação interdisciplinares. Os concursos para novos docentes nas universidades produziram pouco espaço (vagas) para pesquisadores oriundos de programas interdisciplinares.

Isso acaba gerando um gap enorme entre o discurso de CAPES/ CNPQ / Ministério da Educação, e o espaço real para a interdisciplinaridade nas Universidades brasileiras. Os concursos para novos docentes/ pesquisadores continuam – na sua imensa maioria – exigindo uma formação extremamente conservadora com o pesquisador tendo que ter feito sua graduação- mestrado e doutorado – no mesmo curso. Então, se você é astrônomo ou psicólogo de formação (graduação) ,mas fez seu mestrado e/ ou doutorado em programa interdisciplinar, poderá encontrar dificuldades, infelizmente. Os programas de pós-graduação interdisciplinares estão gerando pesquisadores com enorme dificuldade de encontrarem espaço nas Universidades. Espero que esse quadro mude.

Mas, voltando ao cerne da sua questão. A minha pesquisa é marcada pela interdisciplinaridade. O trabalho começa trazendo a visão das sociedades antigas sobre os sonhos, começando com um livro encontrado na Mesopotâmia, escrito há milhares de anos, ainda em placas de argila, em escrita cuneiforme.A partir daí, produzimos um painel sobre a visão das sociedades antigas – como Grécia, Egito, China sobre os sonhos. Daí, passamos pelas abordagens da Psicanálise freudiana, da psicologia analítica de Jung, da Fisiologia, Filosofia e da Neurociência contemporânea. Então, é um trabalho profundamente interdisciplinar.

7) Uma das ferramentas do seu trabalho é o questionário que será divulgado aqui no site/Fórum/Grupo Facebook. Poderia nos informar da importância ou contribuição para o estudo dos sonhos lúcidos e outras áreas?

Esse questionário é uma parte de grande relevância para a pesquisa como um todo. O questionário, posso afirmar, é o mais amplo já realizado sobre os sonhos lúcidos no mundo. Foi uma opção bastante pensada realizar um questionário mais extenso, mais complexo, que pudesse aprofundar diversos aspectos ainda nebulosos sobre os sonhos lúcidos. Temos certeza que os resultados poderão nos ajudar bastante a compreender melhor diversos aspectos envolvendo os sonhos e os sonhadores.

O questionário que está online é uma ferramenta poderosa parao estudo epidemiológico dos SL no Brasil. Por quê? Porque, através dele produziremos um amplo painel envolvendo diversos aspectos dos sonhos lúcidos na população brasileira e, além disso, poderemos identificar fatores / características dessa amostra que possam ser generalizadas, dialogando com outras pesquisas realizadas em diversos países e, desta forma, contribuir para melhor compreensão dos sonhos lúcidos.

 

 

Vale lembrar que temos um estudo epidemiológico desenvolvido pelo Rolim (Sergio Arthuro Motta Rolim) para sua tese, em 2012.  Foi um trabalho pioneiro aqui no Brasil e sua pesquisa já trazia dados instigantes que colaboraram, juntamente com informações de outras pesquisas, para a criação desse questionário. Será valioso comparar alguns dados das duas pesquisas e também com outros estudos realizados em diversos países.

Quero aproveitar para agradecer, mais uma vez, o importante espaço para divulgar o questionário aqui no site. Aliás, esse site é, sem dúvida, de absoluta relevância na divulgação de tudo que acontece no “mundo dos sonhos lúcidos”. O site é uma referência e o Márlon incansável no trabalho de atualização, trazendo todas as novidades nas pesquisas, sempre antenado nos novos artigos, técnicas de indução, filmes & cia.

Bom,voltando ao questionário. Apesar de termos avançado bastante nas pesquisas sobre os sonhos e, especialmente, sobre os sonhos lúcidos nos últimos anos, muitas questões permanecem em aberto. Por exemplo, como mencionei anteriormente: existem características / fatores psico-socio-ambientais– comportamentais correlacionados com a ocorrência/ frequência de sonhos lúcidos nos indivíduos? Se sim, que fatores/ características seriam esses? É possível estabelecer relações de “causalidade”? Quais as “correlações” possíveis? Gênero, idade, qualidade e quantidade de sono, crenças, escolaridade, estados de humor, sonhos em “primeira pessoa’, nível de controle, intensidade do sonho, etc…. São muitas possibilidades!  E elas estão investigadas em nossa pesquisa e envolvidas neste questionário. Há uma pesquisa recente de LiatAviram e NiritSoffer-Dudek, por exemplo, apontando a relevância da questão da “intensidade” do sonho lúcido.

Essas são (entre muitas outras) questões instigantes, porque temos dados de pesquisas anteriores, em diversos países,com dados de ocorrência e frequência de sonhos lúcidos bem diferentes nas suas populações. Temos estudos em diversos países e com diferentes grupos de indivíduos, desde estudantes universitários até atletas de alta performance, da China ao Brasil.

Sabemos que ter sonhos lúcidos é uma habilidade que pode ser treinada, mas…ainda sabemos pouco sobre este ponto. A pesquisa busca saber, por exemplo, se os indivíduos costumam usar as “técnicas de indução” e se sentem que elas são eficientes. Queremos averiguar hábitos de sono, características pessoais, crenças dos indivíduos, etc. Claro que estaremos capturando uma experiência subjetiva, um relato de primeira pessoa, e o ideal é que possamos cruzar esses dados com investigações experimentais, em ambientes controlados. Mas, conhecemos a dificuldade de, mesmo um sonhador lúcido experiente, alcançar a lucidez num ambiente experimental. Então, o questionário é fundamental para coletar aspectos relevantes da experiência dos indivíduos, que podem colaborar para a compreensão deste fenômeno complexo.

Acredito que teremos informações novas, que fomentarão outras novas pesquisas e dados que podem corroborar achados envolvendo aprendizagem, desenvolvimento de habilidades, criatividade, entre outros.

O questionário investiga aspectos da manipulação e controle sobre os conteúdos oníricos, tempo médio dos sonhos, frequência, uso das técnicas de indução, pesadelos, nível de controle, etc. Mas, prefiro não falar muito do conteúdo questionário, até para não influenciar nas respostas. O melhor mesmo – para quem está curioso – é entrar no link e respondê-lo! Tenho certeza que quem tem interesse por sonhos lúcidos vai se sentir animado com as questões e não vai sentir o tempo passar. E, tenho certeza, que será uma colaboração importante para entendermos mais esse “estado híbrido de consciência” como a Ursula Voss, uma das mais importantes pesquisadoras sobre o tema, também gosta de chamar.

Então, finalizo convocando os amigos do site: participem e divulguem a pesquisa. rs.

Agradeço e desejo ótimos sonhos lúcidos para todos!

    Um novo estudo (2017), conduzido por Denholm J. Aspy¹, pela Universidade de Adelaide, procurou realizar um comparativo, em termos de eficiência, envolvendo três métodos de indução de sonhos lúcidos bem conhecidos:  reality checks (testes de realidade), MILD e WBTB.

Photo by Magda Ehlers from Pexels

      Existem algumas considerações sobre o estudo que merecem atenção. Apesar  de não ter sido o foco da pesquisa, a técnica WILD foi considerada mais complexa, exigindo maior experiência para indução do sonho lúcido e também levando em conta possíveis efeitos adicionais/colaterais como a paralisia do sono. Particularmente eu apontaria ainda nesse possível “combo”, a possibilidade de alucinações hipnagógicas/ hipnopômpicas. Ressaltando que é curioso notar que para boa parte das pessoas interessadas em sonhos lúcidos – e aqui estou me referindo a uma parte dos frequentadores do Site/ Fórum/ Grupo do FaceBook –  essas experiências parecem não causar qualquer apreensão, ao invés disso, parecem até desejarem que aconteçam.

    A pesquisa dividiu e fez um comparativo entre as seguintes técnicas de indução: Reality Checks, MILD e WBTB, separando-as em 3 grupos da seguinte maneira:

  • Grupo 1 praticando Reality Checks isoladamente;
  • Grupo 2 aplicando Reality Checks com a Técnica WBTB; e
  • Grupo 3 utilizando Reality Checks com WBTB e MILD.

   Os resultados indicaram maior eficiência para o Grupo 3 que praticou Reality Checks, conjugado com as técnicas de indução WBTB e MILD. Vale ressaltar que mais de 60% dos voluntários dessa pesquisa, declararam-se não praticantes de qualquer técnica de indução de sonhos lúcidos até o início dos experimentos. Verificou-se uma intensificação na capacidade de recordação dos sonhos, para os praticantes da técnica MILD. A técnica MILD, de acordo com as conclusões do estudo, mostrou-se bastante apropriada para aqueles sem experiência prévia com técnicas de indução.

     Uma descoberta em especial referente a técnica MILD chama atenção: os voluntários, quando decidiram voltar a dormir e levaram menos de 05 minutos para cair no sono, foram aqueles com maior índice de ocorrência de sonhos lúcidos. A pesquisa aponta essa descoberta como o maior fator indicativo de incidência de sonhos lúcidos. Resumindo: no momento que o voluntário/sonhador, o qual estava aplicando a técnica MILD, resolvesse deitar para dormir, caso levasse menos de cinco minutos para entrar no sono, as chances de ter um sonho lúcido aumentavam consideravelmente.

Referências Bibliográficas:

1 – Reality Testing and the Mnemonic Induction of Lucid Dreams: Findings From the National Australian Lucid Dream Induction Study (2017) American Psychological Association 2017, Vol. 27, No. 3, 206–231 1053-0797/17/$12.00 http://dx.doi.org/10.1037/drm0000059.

Existe uma dúvida cruel entre os sonhadores lúcidos: “mas afinal qual é a melhor técnica de de indução de sonhos lúcidos”? Frequentemente essa questão surge nos comentários, fórum e grupo do Facebook, inclusive já foi tema por aqui. Contudo, dessa vez retorno ao assunto, destacando os resultados das pesquisas de laboratório, referente ao nível de eficiência.

A resposta mais simples a essa questão, continua sendo: “aquela que funciona melhor para você”. Constantemente isso já vem sendo defendido no site há um bom tempo. Nesse sentido, seguem algumas novas reflexões e considerando os 12 anos de experiência, em pesquisas através do site ( e minhas pesquisas acadêmicas).

Em 2011 (ver aqui) fiz um levantamento sobre as Técnicas mais conhecidas: MILD, Tholey, WBTB, Incubação, Reality Checks, WILD e DEILD. Simultaneamente e por experiência própria, continuo sugerindo que se experimente por um tempo cada uma delas e seja feita uma avaliação do que é mais efetivo, de acordo com a própria individualidade e as dificuldades/peculiaridades da rotina de cada um.

amylou

Em suma, uma pesquisa conduzida por Tadas Stumbrys, Daniel Erlarcher e outros ¹ realizou uma análise de diversas técnicas de indução de sonhos lúcidos, experimentadas em laboratório, para determinar a eficiência desses métodos de indução. Logo, fiz uma adaptação em relação a metodologia que utilizaram para graduar, em diversos níveis esse grau de sucesso. Nesse meio tempo, fiz minha adaptação, devendo-se considerar as letras A como bom grau de eficiência e letra B, como razoável grau de eficiência e  Letra C, como sendo baixo grau de sucesso. Como resultado, segue algumas das principais técnicas de indução:

Bom grau de eficiência na indução de sonhos lúcidos:

A – Tholey/ Autossugestão, Reflexão e Intenção

A – Autossugestão

A -Sugestão pós-hipnótica

A- WILD

Razoável grau de indução de sonhos lúcidos:

B – Estímulos luminosos

B – MILD

B –Intenção

B – Reflexão/Testes de Realidade

Baixo grau de indução de sonhos lúcidos:

C- SOM

C- Água

Assim, chama a atenção como é importante a intenção e autossugestão. Analogamente, o Método de Tholey, quando bem aplicado, reúne não apenas a autossugestão, mas também intenção e reflexão, explicando seu bom nível de eficiência para indução da lucidez nos sonhos. Ao passo que curiosamente a técnica WILD sempre foi uma das mais acessadas e pode ser vista na página inicial, entre as mais populares/visitadas.  Por outro lado a sugestão pós-hipnótica, certamente deve render um novo post aqui no site.

Fonte Bibliográfica:

(1) – STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.

    Essa semana me deparei com a informação de que o site www.sonhoslucidos.com irá, daqui dois meses, completar DEZ (10) anos de atividade. Difícil acreditar que já passou tanto tempo desde a primeira impostação com a imagem do Morpheus de Matrix!…

    Comemorar é comigo mesmo e portanto já vou antecipar um vídeo rodado na sexta-feita do dia 01/12/2017. Filmado e editado pela Rozana Percival – mais conhecida como Bia Gatuz –  no evento aqui na Uninter de Curitiba (PR). Conforme o texto anterior, tratou-se da I SIEPA – Seminário Interdisciplinar de Estudos em Psicologia Anomalística, orquestrada pelo Dr. Fábio Eduardo da Silva.

    Coube a mim, graças ao convite da Cláudia Basso e a confiança do Dr. Fábio Eduardo da Silva, apresentar o tema dos sonhos lúcidos e deixo aqui o material para todos onironautas e/ou interessados. A palestra é pequena, mas envolve uma espécie de introdução e algumas pinceladas em temas como a filosofia da mente, experimentos neurocientíficos, psicologia, psicolofisiologia e outros. Tenho certeza que vão gostar.

Nos dias 01 e 02 de dezembro de 2017 em Curitiba, irá acontecer o I SIEPA – Seminário Interdisciplinar de Estudos em Psicologia Anomalística: Contribuições da Psicologia Anomalística para a Clínica psicológica.

1o-siepa-limpo

Trata-se de um evento voltado para temas relacionados a Psicologia Anomalística e também associados a Clínica Psicológica. De caráter interdisciplinar, o seminário terá o seguinte programa:

01/12 sexta-feira:

18h00 – 18h15 – Abertura e apresentação do GIEPA e da Psicologia Anomalística – Dr. Fábio Eduardo da Silva;

18h20 – 18h50 – Depressão e Experiências Anômalas na clínica psicológica – Me. Vasco Carneiro (PR);

18h55 – 19h25 – Diagnóstico diferencial entre Experiências Anômalas /Espirituais e Transtornos Mentais – Dr. Jeverson Rogério Costa Reichow – UNESC – (SC);

19h30 – 20h00 – Prevalência e relevância das Experiências Anômalas na prática profissional da psicologia: um estudo de levantamento em curso – Dr. Fábio Eduardo da Silva – Inter Psi USP e Uninter (PR) e Bela. Ana Claudia Paim da Silva – iNeuropsi (PR);

20h05 – 20h20 – Intervalo;

20h20 – 20h50 – Temperamento e Caráter: como integrar a personalidade na compreensão das Experiências Anômalas? – Dra. Leticia Oliveira Alminhana – PUCRS (RS);

20h55 – 21h25 – Psicologia Anomalística e formação profissional* – Dr. Wellington Zangari – Inter Psi USP;

21h30 – 22h00 – Sonhos Lúcidos e Experiências Fora do Corpo – Esp. Claudia Basso, Bel. e Lic. Márlon Jatahy.

02/12 Sábado;

8h45 – 9h15 – Grupo de Estudo e Pesquisa em Psicologia Anomalística e Psicologia da Religião, Experiências Anômalas e diagnóstico diferencial na disciplina de psicopatologia* – Ma. Rafisa Moscoso Lobato Mendonça Martins – Universidade CEUMA – MA;

9h20 – 9h50 – Espiritualidade e bem-estar: existe necessariamente um link?* – Dr. Everton de Oliveira Maraldi, Inter Psi USP, (SP);

9h55 – 10h10 – Intervalo;

10h10- 10h40 – Psicologia Anomalística e Clínica Psicológica* – Dr. Fátima Machado – Inter Psi USP;

10h45 – 11h15 – Fenomenologia da experiência religiosa: normalidades e (a)normalidades – Dr. Adriano Furtado Holanda – UFPR (PR);

11h20 – 11h50 – Filosofia Cínica e Psicologia Anomalística: aproximações possíveis – Dr. Everson Araujo Nauroski – Uninter (PR);

11h55 – 12h15 – Encerramento;

* Participação virtual

Local do evento:  Uninter – R. Saldanha Marinho, 131 – Centro, Curitiba – PR, 80410-150
Auditório central – Acesso somente com inscrição e documento de identidade.

Mais informações no site:

I SIEPA – Seminário Interdisciplinar de Estudos em Psicologia Anomalística: Curitiba – 1 e 2/12/2017

Provavelmente a minha situação seja a de muitos interessados em ter sonhos lúcidos. Alguns já experimentaram ótima frequência de incursões em sonhos conscientes e agora mal lembra qual foi o seu último. A sugestão que segue servirá tanto para aqueles que nunca tiveram um sonho lúcido, como para os mais experientes.

janela-suspensa

 

Vou sugerir um plano para voltar a ter sonho lúcido. Também num próximo post, será analisado em detalhes as técnicas e rotinas aplicadas, como isso ocorreu e por fim, verificar quanto tempo isso irá levar.

A aplicação do plano abaixo envolve o uso de alguns minutos durante o dia e não há como abrir mão disso. Existirão as seguintes atividades:

1 – Diário de Sonhos

2 – Reality Checks ou Testes de Realidade

3 – Uso de uma Técnica (Incubação, MILD, Tholey, WBTB… ).

 

1 – Diário de Sonhos

Mantenha o seu Diário ao lado da sua cama. A primeira coisa a ser feita sempre que acordar, será anotar o que estiver na sua memória, referente aos sonhos que lembrar. Especialmente nos primeiros dias, todo e qualquer fragmento de sonho será muito importante de anotar.

Essas anotações irão ficar maiores com o decorrer dos dias. De acordo com uma pesquisadora renomada na área dos sonhos, a psicóloga Gayle Delaney, logo ao fim da primeira semana será difícil anotar tudo o que está recordando, portanto será preciso escolher.

A importância de anotar é fundamental, pois é possível ocorrer de ter um sonho lúcido e não lembrar. Outro motivo é a nossa habilidade de reconhecer a estrutura do próprio sonho. Quanto mais for fiel ao exercício de anotar, mais será exercitado a habilidade de reconhecer aquela realidade.

cadeira-sala-sombras

 

2 – Reality Checks ou Testes de Realidade

No meu caso eu gosto e prefiro o “reality check” das mãos. É muito eficiente e simples. Durante o dia, basta olhar para sua mão e se questionar, reflexivamente: “estou sonhando ou não?”.

Enquanto fizer o seu reality check, olhe a sua volta questionando se há algo estranho e como chegou até aquele lugar. Se reparar algo bizarro ou perceber lapsos de memória irá flagrar que está num sonho. Faça pelo menos 5 vezes  ao dia.

Caso, tenha sonhos recorrentes(Ver Tholey), pode ainda algumas veze durante o dia, imaginar/visualizar o tema do sonho recorrente, como se ele estivesse acontecendo naquele momento. E ao mesmo tempo, lembre-se de fazer seu reality check questionando se está sonhando ou não.

 

coruja-livros-corvo-e-lobo

 

3 – Escolha uma Técnica ou Método de Indução

 

Pode ser a Incubação, MILD, Tholey, WBTB, WILD, etc.. uma rápida pesquisada nesse site e será possível encontrar diversas técnicas de indução. Escolha a que lhe parecer mais interessante ou compatível com sua rotina.

 

Existe uma pesquisa que procurou fazer uma análise das técnicas de indução mais eficientes. As mais altas notas de eficiência ficaram com: Incubação e Tholey. Farei uma revisão dessa pesquisa num próximo post. Particularmente eu gosto muito da Incubação, MILD e Tholey. Pelo menos para mim elas possuem grande eficiência.

 

Fontes:

https://sonhoslucidos.com/sonhoslucidos/importancia-do-diario-de-sonhos/

https://sonhoslucidos.com/sonhoslucidos/all-about-dreams-o-livro-de-ouro-dos/

https://sonhoslucidos.com/sonhoslucidos/proposito-na-inducao-de-sonhos-lucidos/