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Filmes sobre Sonhos

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     Existem alguns filmes que estão diretamente relacionados aos sonhos lúcidos: Waking Life, Sonhando Acordado, Inception, Páprika, Vanila Sky e Morte nos Sonhos. Deve haver outros, mas são os que conheço e que merecem ser assistidos. Já fiz um texto sobre o Inception e agora vou me referir ao Waking Life.
    
     Waking Life é o filme que trata mais fortemente do tema da consciência nos sonhos. O tratamento artístico e da história vai totalmente de encontro a natureza do assunto. A narrativa foi criada de modo a ficar mais parecida possível com um sonho.

Waking Life é talvez o filme que melhor se aproxime da natureza dos sonhos lúcidos.

     Waking Life é sessão obrigatória para todos interessados em sonhos lúcidos porque ele é um filme sem grandes pretensões, objetiva tratar do tema do ponto de vista de alguém que sonha. Essa perspectiva não é de alguém com experiência, pelo contrário, sequer sabe da possibilidade de sonhar lucidamente.
  
      O protagonista é levado a percorrer caminhos que o levam a pistas sobre o que de fato está acontecendo. E leva junto quem assiste a história, a procurar entender o que se passa naquela realidade.
    
     Percebe-se a arte e o mergulho nos sonhos o filme inteiro. Nem um pouco comercial, o filme normalmente surpreende desde o início seja pelo estilo ou pela história. É obrigatório para todos que curtem o tema dos sonhos lúcidos.

      Vale destacar que a imagem do flme é uma mistura de filmagem com atores, reestrutrada com o traço de animação de 30 diferentes artistas, manipulando computação gráfica. Trata-se da técnica conhecida como “Rotoscópio”, utilizada também no filme A Scanner Darkly.

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     Tenho que ressaltar a existência de outros filmes que apesar de não abordarem, como tema central os sonhos ou a
consciência nos sonhos, mas acabam se tornando de grande relevância na área,
porque dizem respeito as reflexões sobre a realidade. Sobre o tecido do
real… mas afinal, o que é a realidade?! São filmes como: Matrix, Contra o Tempo – Source Code, A Cidade das Sombras, 13º Andar, entre outros.

     Por fim, quanto ao título do filme(sem tradução oficial), “Waking Life” é uma referência baseada numa máxima do filósofo, poeta e ensaísta espanhol George Santayana:

 “A sanidade é a loucura empregada para o bom uso. Uma vida despertada é um sonho controlado”. *
 *Santayana, George (1989). Interpretations of Poetry and Religion. Cambridge: MIT Press. p. 156

      Eu sou apaixonado por cinema. Mais como diversão. E já que a temática dos sonhos veio mais forte do que nunca no cinema(sem considerar Waking Life que só fui conseguir em dvd), vou aproveitar esse espaço que é um prato cheio pra unir o útil ao agradável.
       Desde “A Morte nos Sonhos” – Dreamscape, com Dennis Quaid que não via um filme tão espetacular e emocionante envolvendo a temática dos sonhos… pelo menos no sentido de uma história tão espetacular e envolvente, sob a forma de uma bela ficção científica.

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Inception ou A Origem(título em português não ficou legal) nos leva ao universo dos sonhos de uma maneira diferente, com uma história especialmente bem contada. Faz a gente viajar junto com os personagens no que parece ser uma viagem rumo ao infinito de possibilidades dos sonhos.
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Há uma carga filosófica que lembra Matrix, mas opera numa área diferente. Não pretende surpreender com o que é real ou não. Quer dizer, não é o objeto principal. A trama nos seduz porque o que o personagem quer é algo que causa empatia a toda e qualquer pessoa: voltar pra sua família. Poder ter seus filhos de volta.
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Gostei da exploração do sentimento de culpa. O protagonista se degladia grande parte do filme contra ele mesmo em função de um sentimento que carrega. Leonardo DiCaprio faz isso de modo exemplar. Talvez ganhe o Oscar pelo filme A Ilha do Medo ou talvez por esse filme.
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A direção do Christopher Nolan é das melhores que já vi(se não ganhar o Oscar agora vai ser muita sacanagem). Conduz o filme como um grande maestro conduz sua orquestra. O ritmo é embriagante, mas sem exagerar!  O Cavaleiro das Trevas já havia sido assim e o que eu achava quase impossível de superar, na sua história em termos de direção, ele vem e faz ainda melhor, com toda maestria.
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Curte o tema dos sonhos? Gosta do diretor? Ou pelo menos adora uma boa história?Então corre pro cinema. Agora, caso não esteja muito afim de pensar, deixe pra outra hora porque é daqueles filmes com um mínimo de exigência cerebral(coisa que anda faltando muito ultimamente em Hollywood).
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Para quem já viu o filme:
(não leia se ainda não assistiu)

Pra mim o grande mérito do Nolan é conseguir conteúdo surpreendente, instigar reflexões num filme hollywoodiano, com orçamento de blockbuster, pinta de blockbuster, renda de blockbuster e alma de filme autoral.

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Uma idéia implantada na gente quando criança ou uma educação inserida numa cultura recheada de preconceitos e discriminações, produzem os efeitos mais devastadores que a gente vê e pode imaginar. Parece mesmo que as idéias podem mesmo se propagar como um vírus e assombrar de forma chocante.

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O que arrasava o Cobb era a idéia de culpa pela morte da Mal. E de fato ele realmente foi um bocado inconsequente ao tentar implantar a idéia nela. Mas o filme não mostra se ele tinha muita opção naquela situação. Foi a única solução que encontrou para levar a Mal de volta ao mundo real.
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A maneira como implantam a idéia no herdeiro, aproveitando-se da relação conturbada com o pai(nada amável) é feita de maneira sublime.
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Assim, apesar do peaozinho rodando no final, sigo a linha do Rubens Ewald Filho em que o mais simples deve ser o mais provável e não o mais estapafúrdio(apesar do diretor deixar sinais pra isso).
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Típica hora em que saco a minha Navalha de Ockham e fico com a teoria mais simples e evidente. Cobb nem ficou ali para olhar o peão porque ele já tinha se livrado de seus fantasmas e principalmente da idéia de sua culpa.

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Para grande parte do público no entanto… ficou a carência de uma certeza, algo mais concreto, sem qualquer sombra de dúvida. Ah! A dúvida! Mesmo que a esmagadora maioria dos sinais apontassem para um final feliz, eis que não mostrar o peão caindo no final tem a capacidade de nos contaminar a ponto de começar a duvidar de tudo novamente!…