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Norman Malcolm

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  Daniel Dennett, um dos mais conhecidos filósofos da mente da atualidade, apresentou em 1978 um instigante questionamento em seu texto: “Os Sonhos são experiências?”¹. Seu tema, com referências ao livro Dreaming de Norman Malcolm(1959), reacendeu a chama da questão dos sonhos e sua relação com a consciência. Afinal, teriam os sonhos a validade de experiências? Acerca da natureza dos sonhos lúcidos: a possibilidade de ser um tipo de sonho no qual a pessoa “sonha que está sonhando”.
Imagem baseada no filme animado japonês Páprika(2006). Na história, desenvolveu-se um aparelho que permite os psicólogos, entrarem nos sonhos de seus pacientes para prestar maior auxílio. Mas afinal, Dennet estaria certo e máquinas assim não fariam o menor sentido?!…
   O texto elabora uma alternativa, denominada por Dennett de Teoria da Biblioteca dos Cassetes, contra o ponto de vista do senso comum ou como é chamada na obra, a “Concepção Aceita”, na qual, os sonhos deveriam ser considerados como experiência. Um de seus argumentos, ergue-se no sentido de que a própria memória está comprometida e não estaríamos vivenciando aqueles relatos, mas na melhor das hipóteses, conseguindo trazer da memória alguns eventos ali gravados e reproduzidos no despertar. Desse modo, os sonhos não seriam tecnicamente experimentados, mas apenas recordados, extraídos de nossa biblioteca mental.
  
   Dennett contra-argumenta também, frente ao texto de Kathleen Emmett² de que o sonho lúcido seria o fenômeno que comprovaria a validade dos sonhos como experiência. Para Dennett, o sonho lúcido estaria enquadrado nesse processo de produção de memória inconsciente. Dessa maneira, vez por outra esse processo gravaria traços de si mesmo no registro: “por meio da fantasia literária de um sonho dentro de um sonho”. Não seria novidade alguma, afinal o filósofo afirma, pelo menos a partir das Meditações em Descartes, o poder dos sonhos(que é um dos argumentos cartesianos), leva-nos a compreender como é possível ser contada qualquer história nesse mundo. Qualquer história!…
Livro do filósofo Daniel Dennet, no qual apresenta uma teoria que contraria a idéia do senso comum sobre sonhos.
   Outro interessante argumento proposto por Dennett contra a Concepção Aceita, segue no sentido de uma explicação mais razoável com relação a “sonhos precognitivos” ou sonhos premonitórios. Resumidamente, o filósofo apresenta uma série de casos onde existiriam implicações de que a narrativa  dos sonhos estaria sendo acionada retrospectivamente, ou seja logo após o despertar. O conteúdo onírico levaria até o ponto final, com flagrante semelhança ao estímulo de vigília para resultar em mera coincidência. A Concepção Aceita não ofereceria alternativa senão a existência de sonhos precognitivos.
   No próximo post, vou apresentar mais detalhadamente o argumento, no qual Dennett oferece uma explicação mais simples para os “sonhos precognitivos”.

Referências Bibliográficas:

(1)DENNET, Daniel C. Brainstorms: Ensaios Filosóficos Sobre Mente e Psicologia. São Paulo: UNESP, 1978.

(2)EMMETT, Kathleen.: Oneiric Experiences. Philosophical Studies 34. Dordrecht: D. Reidel Publishing Company, 1978.