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Quando nossos poderes falham

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    É interessante notar nessa área de estudo que apesar de ela ter ganho respaldo perante a comunidade científica, apenas a partir da década de 80, existe um crescimento vertiginoso de uns anos para cá. Algumas grandes universidades e institutos estão direcionando atenções e é divertido saber que cada onironauta, de alguma maneira, pode contribuir na exploração disso tudo.

O que é Real? Não seria a realidade do sonho uma manifestação peculiar da nossa própria realidade mental? Na imagem, poster promocional do filme Total Recall – O Vingador do Futuro, baseado em um conto do espetacular Philip K. Dick.

    Métodos como o MILD, criado por LaBerge ou o Tholey, criado por Paul Tholey, são ferramentas muito preciosas e que devem ser exploradas por todo aquele que deseja se aprofundar nos sonhos lúcidos ou no mínimo aperfeiçoar suas experiências.

    Particularmente eu subestimava o uso desses métodos. Assim como muitas pessoas, com experiências desde a infância, achava que não tinha necessidade de seguir alguma rotina em especial… até que após um longo período sem conseguir ficar consciente nos sonhos, resolvi experimentar o MILD. Daí pra diante foi só alegria e culminou na empolgação dos meus estudos, da filosofia e claro, também desse blog que procuro cuidar com carinho.

Preste atenção em temas recorrentes nos seus sonhos: casas, gatos ou cachorros, mar, montanhas ou fogo… eles podem servir como ferramentas na indução de sonhos lúcidos, como deixa bem claro o método do psicoterapeuta alemão Paul Tholey, no seu método de Tholey.

     O Diário de Sonhos deve fazer parte da sua rotina. Vai fortificar tua capacidade de reconhecer a estrutura da realidade do sonho. É indispensável experimentar. Pelo menos 1 sonho por dia, uns 5 dias da semana, mesmo que comece por curtos fragmentos. Esses fragmentos, invariavelmente vão crescer e em poucos dias se transformarão em grandes narrativas, epopéias com uma grandiloquência surpreendente.

     Os reality checks servem como ótimos suplementos. Por si só não são de grande valia, mas são capazes de dar um empurrãozinho especial quando já estamos fazendo uso de um método e do Diário.

     Por fim, planeje experimentos. Dos mais simples como voar mundo afora, atravessar paredes ou lançar raios… até experiências com memória, criatividade, solução de problemas, aprimoramento de habilidades motoras e quem sabe a própria consciência. Estabeleça um plano e anote ele no Diário. A sensação de ficar consciente no sonho, tentar lembrar o que tinha planejado e resgatar essa memória é fabulosa. Compõe um despertar monumental da consciência, durante o estado mental dos sonhos.

     Mas lembre-se, quanto mais familiarizado com a estrutura da realidade dos sonhos, melhores serão as chances de perceber que está sonhando…! Por isso anote 😉

    Esse é um tema que está rendendo uma boa troca de idéias – graças a onironauta Zeti que iniciou o debate – entre os onironautas que frequentam o Fórum de Sonhos Lúcidos… mas afinal, sonhos lúcido é o mesmo que controlar os sonhos?

Saito no Limbo em Inception – A Origem… ficou sem consciência, pois ficou sem memória, perdido sem  conseguir recordar. Que instigantes elementos mais, envolvem a construção e manutenção da nossa consciência?

    Trata-se de uma confusão bem comum tanto entre os interessados em sonhos lúcidos, como o leigo no assunto de sonhos conscientes. Vou mais longe… não é incomum verificar grandes pesquisadores querendo relacionar controle do sonho com grau de lucidez!… Mas será confusão mesmo? Será que capacidade de interferir na narrativa de um sonho, está diretamente relacionado ao grau da consciência durante o sonho?

    Vamos começar pelo que é mais pacífico entre os onironautas. Os sonhadores lúcidos que já tiveram a oportunidade de se sentir consciente num sonho, mas não conseguiram interferir na narrativa ou realizar simples desejos, como sair voando, fazer alguma criatura desaparecer ou apaziguar um cenário aterrador…

No estado mental dos sonhos lúcidos, podemos nos defrontar com situações inusitadas,  coisas que não queremos ver, personagens que não  conseguimos nos livrar… a cena da imagem é do excelente desenho japonês Páprika, com uma bela abordagem sobre sonhos.

     Para os sonhadores lúcidos que já tiveram a experiência de ficar lúcidos num sonho, sem conseguir controlar o sonho, fica clara a independência que parece existir entre os dois elementos. Está claro que podemos manter essa consciência, sem entretanto tomar as rédeas da narrativa. Tyler que é um onironauta experiente, cita por exemplo o “controle passivo”, como uma boa técnica para prolongar o sonho lúcido, sem o despertar prematuro. O que vai de encontro ao que Stephen LaBerge alerta no seu livro Sonhos Lúcidos: para não ficar tentando, num desperdício de energia, forçar o controle do sonho, causando um prematuro despertar(erro bem comum entre os onironautas iniciantes).

    De fato, parece que temos então, um bom indício de uma certa relação entre consciência X controle, porém ao mesmo tempo, vamos percebendo que estamos trabalhando com objetos distintos.

Como não erguer Mjolnir se eu sei que tudo isso é meramente um sonho meu??? Na imagem, o bom e digno filme do Thor 😉

    Agora, surge outra questão fascinante, se é possível manter a consciência num sonho, sem controle da narrativa… será possível controlar um sonho sem estar consciente nele?!? Como seria um sonho assim?

           Uma das onironautas com grande potencial para desbravar a consciência nos sonhos, talvez em especial o método FILD é a Elisete. Atua como professora de piano e teclado na Escola de Música Rafael Bastos. Era tecladista na banda Plug-In e agora prossegue seus estudos em música, buscando seu bacharelado em piano pela UDESC.

É frequente encontrar entre os onironautas, grandes apreciadores de algum tipo de arte, seja a música, pintura, poesia, etc..

           O relato que segue dessa onironauta, merece especial  atenção. Causa empatia logo de início. Serve de exemplo também no esforço pelas anotações(eu também tenho que tomar vergonha e ser mais disciplinado nisso).

           A exemplo do onironauta Felipe, nosso guitarrista e colaborador do blog, segue os relatos e rotinas preciosos, diretamente das anotações pessoais da Elisete:

Elisete Vieira é professora de piano pela Escola de Música Rafael Bastos em Florianópolis. Onironauta iniciante nos sonhos lúcidos, apresentou um relato contagiante sobre suas investidas na anotação de seus fragmentos de sonhos até atingir sua primeira lucidez.

           ”

EXPERIÊNCIA 1

            Na noite em que iria testar o método(FILD), eu fui dormir um pouco tarde e não dormi muito bem. Tenho 2 gatinhos, sendo que um deles estava meio inquieto e vez ou outra miava dentro do quarto, e eu, com o sono meio leve, despertava logo. Então eu acordava e dormia várias vezes até que decidi fechar a porta do quarto com eles fora. Dormi e sonhei, mas foi sonho “piloto automático”. Nada de consciência. Não consegui concentração pra aplicar nenhum método por estar cansada, e deixei pro outro dia. Este que vou relatar é apenas um de vários fragmentos que tive:

Sonho (12/03/2012): A GAROTA CHATA – Parte I
      “Estava como que num lugar público, tipo um refeitório ou um restaurante meio antigo. Eu estava em pé diante de um banco e uma turma ao redor da mesa conversando. Eu também conversava com eles. Atrás de mim um espaço de chão que separava outra mesa com bancos.

       Veio uma moça passar pelo espaço de chão atrás de mim. Dava pra ela passar folgadamente, mas por birra ou por querer todo o espaço pra ela, começou a passar por trás de mim como se fossem pessoas em pé dentro de um ônibus lotado. Eu estava de costas para ela, sentia o que ela fazia e empurrava-a para trás, mas ela continuava passando e pressionando, só pra me encher a paciência.
       Até que não sei como me livrei dela e comecei a dizer algo como: “Sai” (algo assim), e ao mesmo tempo apontava um objeto pra ela (parecia uma varinha do Harry Potter rsrs), onde cada vez que eu dizia “sai” apontando este objeto, apareciam umas manchas brancas no peito dela, e ela recuava.

Algo assim. Nada de sonho lúcido, só no automático.”

EXPERIÊNCIA 2 (manhã de 13/03) – Parte II
        “Fui dormir um pouco mais cedo na noite seguinte. Quando vi que o gatinho “falador” começou a dar os primeiros miados eu já tirei os dois do quarto e deixei-os fora no ato. Rsrs. Apaguei a luz, fui pra cama, dei uma lida a mais no método e deitei. Eu apenas inverti a ordem de um dos passos, mas mesmo assim sei que funcionou. Rsrs.

         Deitei logo de cara movimentando os dedos, ao invés de dormir e acordar pra fazer isso. Hehe. Mas acho que valeu, porque fiquei fazendo isso por uns poucos minutos e o meu corpo já começou a ter espasmos, daqueles que temos quando o corpo está começando a relaxar. E quando isso acontece comigo eu já sei que vou dormir rapidinho. Antes de adormecer, fiquei calmamente dizendo pra mim mesma: “vou me lembrar de me perguntar como cheguei naquele lugar, fazer o reality check, ter consciência de que estou sonhando e de ficar calma”.

       Repeti mais umas duas vezes essa última frase, alimentando o sentimento de que nada poderia me fazer mal. Não deu outra, segundos depois dos espasmos eu quase apaguei direto, não fosse um pequeno probleminha: quando senti que ia ter uma paralisia do sono eu acordei imediatamente, nem deixei paralisar. kkkkk. Fiquei com o coração acelerado por uns segundos e me sentindo uma boba: “Como pôde ficar com medo sua boboca?”.

        Resolvi tentar de novo, mas desta vez usei não apenas a consciência dos dedos, mas me lembrei de algo que o meu professor de piano me ensinou: que a gente deve se perceber bem na musculatura enquanto toca, pra ver se não está tocando de forma inadequada e previnir assim, tendinites da vida.
        
        O principal é estar completamente relaxado pra tocar, mesmo nos trechos onde a musculatura é mais exigida. Aí comecei a perceber cada músculo do meu corpo, começando a soltar cada um deles, relaxando. Dos pés à cabeça. De repente minha respiração começou a diminuir, e quando vi, escuro total. Não sei quanto tempo levou essa parte, acho que foram as que antecedem a fase REM (posso estar falando bobagem, me corrija se estiver). Acho que foi porque meu primeiro despertar foi às 10:30h e fui dormir perto das 2h por causa da parada que dei em funçao da paralisia.

         Quando despertei, estava acordada porque olhei as horas no celular e tava 10:30h sem problemas. Mas me vinham diversos flashes de imagens ou sequências de sonhos, e o que fiz foi ir deixando rolar e ao mesmo tempo tentando controlar pra não esquecer. Eu memorizava alguns e deixava rolar ao mesmo tempo. Até que vi que despertei mesmo e aproveitei pra anotar, porém anotei apenas palavras-chaves. Voltei a dormir e vieram outros. Fiz o mesmo. Aí o relato segue, primeiramente dos flashes:

O MINOTAURO E A VERDADE (1º sonho)
     “Havia uma parede onde apareciam como que reproduzidos por um datashow, símbolos de animais. Eram enfileirados e vinham de baixo pra cima, um de cada vez. Às vezes eram inseridos novos símbolos. Entendi que aquilo representava os símbolos de competidores que estavam sendo selecionados naquela hora para um tipo de competição.

       Cheguei num local (parecia uma pracinha na cidade onde trabalho, Florianópolis) e os animais estavam jogando jogo-da-velha (era essa a tal competição). Vi que havia um competidor jogando com um minotauro, e o competidor venceu.

        O minotauro não gostou muito e começou a esbravejar. Todos falavam pra ele se acalmar e ele continuava esbravejando, até que tive que ir bem perto dele e gritar a todos os pulmões: “As pessoas não ouvem a verdade a não ser que se fale alto!”. Nisso me encontrei numa padaria próxima ao local da competição, e alguém que viu a cena veio me perguntar porque dissera aquilo. Não me lembro muito bem da resposta.

O GRITO (2º sonho)
Imediatamente ficou escuro e eu gritei “Você!”, a alguém que eu não via e não sabia quem era, e que havia me feito alguma pergunta que também não me lembro.

O MONGE (3o sonho)
Esse foi o mais divertido de todos. Quando me lembrava dele eu ria pacas! Do nada me vi num local que não me lembro, onde havia um monge tibetano tocando bateria na maior paulera e empolgação. kkkkkk

SOLILÓQUIO (4º sonho?!)
Ainda acordada, sem fazer força alguma pra pensar, me fluíram alguns pensamentos:

a) “É engraçado esse negócio de preencher os sonhos com o subconsciente” (acho que tá errado, é o inverso né? Mas na hora foi exatamente isso que pensei, e decidi não alterar na hora de escrever… kkk);
b) “Fiz o reality check das mãos e estava totalmente acordada!” (porque no meio dos flashes eu realmente fiz isso, e 5 dedos normais e perfeitos em cada mão)

A MENININHA QUE QUERIA SONHAR MAIS (5º sonho)
Não via, mas ouvia uma menininha dizendo pra sua mãe:

– Quero dormir mais horas pra ter mais sonhos!
– Não, chega. Senão isso vai interferir na sua qualidade do sono!

Nesse flash eu achei que a garotinha era eu, pois já estava beirando 8 horas de sono e queria realmente tentar prorrogar. Tudo isso eu estava completamente acordada e enquanto rolavam os flashes eu ouvia uma música na minha mente do Tears for Fears, versão do cantor Gary Jules, chamada “Mad World”.

O VÔO SÚBITO ( desta vez totalmente lúcida!)
     “Não haviam compromissos naquela manhã (dia 13) e aproveitei pra esticar mais o soninho. Era em torno de 11:30h quando voltei a dormir. Havia ido ao banheiro no intuito de acordar, mas estava muito sonolenta ainda.

        Parecia que eu precisava de exatamente mais meia hora de sono. Deitei, dormi e tudo rapidamente ficou escuro. Ouvi alguém falando uma palavra mas não lembro qual é. Porém a impressão física que tive era de um vácuo nos ouvidos. Depois ficou escuro de novo por um tempo e de repente me vi sobrevoando uma região, tipo um pequeno bairro, cheia de casas lindas e coloridas, o céu meio preto-azulado com estrelas lindas e brilhantes, árvores ao lado das casas.

        Quando comecei a sonhar isso eu já estava em pleno ar, não precisei decolar! Subitamente ao início do sonho lúcido me vi perguntando: “Estou consciente? Estou consciente?”. Estava meio confusa por já entrar no sonho voando, mas mesmo assim decidi fazer o reality check das mãos.

        Meio desajeitada por estar voando, pude percebê-las embaçadamente, e aí em seguida despertei. Fiquei mais um tempo na cama sem pensar em nada, observando meu corpo, sem mexê-lo, pra ver se dava pra continuar.

    

          De alguma maneira eu sabia que essa fora a experiência da manhã, e que tinha mesmo acabado. Olhei o relógio: 12:08h! Havia se passado pouquinho mais de meia hora para ter tido esta experiência, sem mencionar que estava muito diferente quando despertei às 11:30h. Estava muito mais leve, alegre e motivada. ” “

   Após diversas queixas sobre sonhos de onironautas frustrados com situações que desejavam acordar e não conseguiam, eis que finalmente fui surpreendido pelo mesmo tipo de sonho.

Experiência de Calabouço Mental ou Limbo Onírico pode ser algo bem instigante.

   Tenho uma boa hipótese sobre a causa do problema e vou começar relatando brevemente, como foi a experiência e em seguida apresentarei minha idéia sobre a possível causa da experiência desagradável.

   Fui dormir, por volta das 21h, completamente cansado, exausto e cheguei a brincar com meus familiares, sobre quem havia me chapado com alguma coisa, pois o sono era esmagador! Não conseguia fazer mais coisa alguma e só queria saber de dormir o sono dos justos.

Os sonhos:

    Numa casa enorme, bem decorada, eu estava numa sala, com grandes sofás confortáveis. Percebi que se tratava de um sonho. Sequer houve gatilho ou reality check. Simplesmente soube. Comecei a brincar de movimentos de Kung Fu, bem ao estilo Matrix.



Ainda não entrei numa escola de Kung Fu, mas tem sido uma das minhas diversões prediletas em meus sonhos lúcidos.

    Depois saí dali e fui abrir uma porta. Adentrei em outro recinto e pouco depois tudo se apagou. Porém eu logo em seguida percebi que estava em outro sonho. E assim se sucederam vários outros rápidos falsos despertar. Minha consciência se mantinha firme atravessando os diversos sonhos até que após um sonho mais longo eu tive receio de quanto tempo eu estava ali preso nesse verdadeiro labirinto mental. Parecia ter passado muito tempo e isso me assustou um pouco. Resolvi despertar. E o resultado foi cair em outro falso despertar. Mais um sonho, bem ao estilo das diversas queixas de alguns onironautas e do filme Walking Life(filme obrigatório para todo interessado em sonhos lúcidos).

Despertar e algumas reflexões

    Finalmente consegui acordar. Despertei ainda bem cansado. Não tanto quanto fora dormir e meu primeiro interesse foi descobrir quanto tempo havia se passado desde o início do sono até aquele despertar. Apesar de ainda ser noite, minha esposa dormindo ao lado, eu apostava em algo em torno de 5h ou 6h da matina…

    Encontrei meu relógio de pulso digital e para minha surpresa ainda era 00:36h !!! Uau! Isso significava que ficara preso naquele verdadeiro Calabouço Mental Onírico em sonhos das primeiras fases REM…  mas como aquilo tinha acontecido? Como era possível? E minha consciência nos sonhos… parecia estar um pouco estranha. Não conseguira sequer pensar nas minhas experimentações com memória, coordenação motora ou nível de consciência…

   Refleti um pouco sobre como eu ainda estava bem cansado, louco para cair na cama de novo e como estava minha qualidade de sono.

   De fato eu havia tido uma sequência de vários dias dormindo no máximo 7h de sono. A maioria menos que isso. Meu ideal pelo que tenho notado, fica por volta de 8h até 9h de sono.

Uma hipótese promissora

   A melhor resposta para o problema possivelmente era: eu havia tido um incrível rebote de REM. Também conhecido como ricocheteio de REM. Eu diria que fui ricocheteado, mesmo consciente, de um falso despertar para outro, em função daquela sequencia de noites mal dormidas. O acúmulo de débito de sono provoca uma antecipação da fase REM no ciclo do sono.
 
  Resumindo, quando ficamos com o sono muito atrasado, por noites mal dormidas ou má qualidade do sono, ao conseguirmos finalmente ter um dia para dormir de maneira decente, mergulhamos rapidamente na fase REM. É por isso que não é incomum tirar uma soneca de tarde, mal fechar os olhos e já ser inundado com sonhos.

 Outro elemento interessante de toda experiência foi a consciência alterada. Jamais cogitei estar num sonho e querer acordar. Norlmalmente eu me sinto forte e tenho pleno domínio de minha capacidade de reflexão, desejo de fazer experimentações e no mínimo de lambuja, brincar um bocado!

 Os cenários mudavam rápido naqueles sonhos. Apesar de um e outro sonho se prolongarem, a sucessão de sonhos chamou a atenção. E quando finalmente eu passei a me preocupar com o tempo que eu estava por lá, feito um batedor errático, tive dificuldade de despertar rsrsrsrs pior: eu quis despertar!…

Método CAT pode favorecer a entrada no “Limbo”.

 Vale lembrar que o método CAT visa explorar esse tipo de efeito. Eu diria que realmente é um método bem promissor, mas senti minha consciência ou força mental enfraquecida, em função do débito de sono acumulado. Mas é especulação minha, teria que experimentar rigorosamente os passos do método para ter certeza.

Conclusões

Para os interessados em mergulhar numa espécie de Limbo, recheado de falsos despertar(não, não são sonhos em camadas) ou talvez numa emulação de Calabouço Mental… eu sugiro que após o período por volta de uma semana de débito de sono, como o Método CAT sugere, experimente tentar os sonhos lúcidos em seguida.

Foi a melhor montanha-russa que já experimentei na vida! A consciência alterada ou falta de força mental talvez seja o que melhor simule a sensação de limbo. Lembra muito a cena final(ou inicial), do filme Inception- A Origem, quando o Mr. Cobb(Leonard DiCaprio) está com o Saito(bem velhinho – Ken Watanabbe) frente-à-frente numa mesa, em pleno limbo, tentando recuperar a memória do que haviam combinado.

PS: para quem ainda não leu, a reportagem sobre sonhos lúcidos da revista Exame está no site: Reportagem sobre sonhos lúcidos

É  muito fácil se deixar levar pela narrativa do sonho e isso equivale a dizer que nossa consciência é tragada pela força do sonho em si. Parece uma contradição, pois tudo que acontece no sonho faz parte da nossa mente. Os personagens que aparecem, o cenário, o enredo louco… e muitas vezes, até nós podemos deixar de ser aquele personagem e assumir outra forma. Perdi a conta de formas de ser que já assumi sonhando: árvore, mulher, zumbi, Hulk, cachorro, o Denzel Whashington, … até história sem um EU  o_O

Nos sonhos podemos perder a consciência facilmente e nos transmutarmos em qualquer outro personagem. Um dos meus prediletos foi uma árvore que na próxima “encarnação” queria ser uma árvore “Dodô” que no sonho, era sábia e imortal 😉

A natureza do sonho é o resultado do que está pulsando aleatoriamente em nossa mente enquanto dormimos. Caso as preocupações sejam fortes demais, o negócio é se preparar para o combate. Pois os pesadelos não tardarão a surgir. Melhor ainda: usar o pesadelo para compreender o que de fato acontece. Quem sabe, lutar por uma solução(Elias Howe que o diga!).

Acometido por pesadelos nas duas últimas noites, não perdi as oportunidades para refletir bem  sobre os mesmos e também claro para ficar lúcido 😉

Acometido por certas preocupações, eis que nas duas últimas noites, tive no meio de dois grandes sonhos, situações críticas em que fui agredido. E… eu não estava lúcido…

Vou relatar como reagi a esse último em que eu era um membro da máfia:

“Estava envolvido num duelo de quadrilhas de mafiosos. Uma quadrilha vinha tentando metralhar um dos nossos. Eu como novato, nao sabia  bem como reagir. Os inimigos vinham, invadiam a frente do lugar e disparavam as metralhadoras tentando pegar “aquele um dos nossos”. Dessa vez viram um retrato de quem eles queriam e dispararam. Atacaram com violência atirando e conseguiram finalmente pegar ele.
Dessa vez eu era um membro da máfia, em meio a uma guerra violenta.
Nosso chefe ficou furioso e corremos atrás. Eles escaparam por um bueiro pequeno. O chefe queria sair à caça deles. Eu estava querendo era ir embora e estava preocupado pois minha família, minha esposa me esperavam. A frustração do cabeça da quadrilha era intimidante e resolvi seguí-lo. Mas no caminho fui convencendo ele que não valia a pena somente nós partir pro confronto. Que precisávamos de mais canos de arma! Que qualquer ajuda era bem-vinda nessa guerra.
Então quando passamos pelo Queixada(amigo da época da escola), convidei ele para se unir a nós. Ele e o pai dele pareciam ter ficado lisonjeados de entrarem para aquela família da Máfia. Eles tinham peixes muito exóticos ali e eu ia alimentando com pequenos pedaços de algodão doce. Disseram que não tinha problema e eu ia jogando. A irmã do Queixada pediu para eu dar cobertura enquanto ela saia de casa se juntando a nós.
Já formávamos um grupo melhor. Essa irmã do Queixada era estilo Trinity, uma guerreira de primeira.
 
Com a chegada da Trinity, tudo parecia melhorar!
 
Ao chegarmos na base da quadrilha inimiga encontramos um sistema de defesa terrível. Havia uma montanha russa com muitas metralhadoras que atiravam para todo lado. E nossa primeira tentativa fora um fracasso. Mas pelo menos ninguém morrera.
 
Uma vasta quantidade de armas nos esperava na base inimiga.
 
 
Na segunda tentativa exploramos a própria montanha russa, instalando explosivos e metralhadoras escondidas, tudo muito sorrateiramente.
Ao chegarmos novamentene, eles pareciam ter adivinhado nosso plano e não atacaram mais frontalmente como antes. Nossso plano fora por água abaixo. Os ataques vieram de outros lados e logo ficamos em situação difícil. Parecia  que estava tudo perdido quando eu percebi que era sonho. Comecei a pegar aqueles capangas pelas mãos e a desintegrar eles. Fazia murchar como pequenos balões.
A consciência me atravessou e eu sabia que nada no sonho podia me fazer mal e que eu dominava tudo. 
 
Dizimei alguns dos inimigos com meu toque destintegrador e então resolvi virar um Super Sayagin, dos DragonBallz. Tive que me esforçar. Eu queria minha aura brilhante e nada… gemia e gritei, meio com medo que meu corpo gritasse na cama. Mas a aura brilhou e eu me ergui no ar soltando raios poderosos.
Destrui tudo e encontrei umas sementinhas mágicas da série animada. Vieram umas crianças da linhagem inimiga oferecendo as sementinhas, explicando quais faziam mal e tudo ficou bem. Acordei.”
         Nos dois sonhos, o que me fez surtar, surgindo a consciência, foi a agressão a alguém que eu amava ou protegia. No outro sonho a agressão fora direta contra minha esposa. Imaginem como minha consciência brotou forte 😉  Mas deixarei o relato para o tema de sonhos criativos(foi um sonho totalmente sci-fi! hehehehe).

Recado final – uma dica para quem estiver interessado em acessar um site sobre “significado dos sonhos” : https://www.segredosdosonho.com.br/significado-dos-sonhos/

     
        Imagine-se estar numa praia, sol, céu azul, mar cristalino, caminhando  sobre uma agradável areia macia e  de relance você repara que sua mão parece ter tantos dedos que você mal consegue contar!… 
  Inspirado numa queixa de uma onironauta(Lena Chan) resolvi fazer um texto especial sobre os motivos que podem levar a gente a fracassar em fazer coisas simples nos sonhos, como voar!…
        Dedos grandes, pitocos, finos, gordinhos, longos como um spaguetti… e aí aquela certeza acachapante te invade visceralmente: estou sonhando! A euforia toma conta e rapidamente você procura se controlar, pois a essa altura o sol já cedeu espaço a uma escuridão esmagadora, não há céu, não há mar a areia virou um chão cinzento e duro. 
        Num lampejo de esperança você junta as duas mãos-cacho-de-bananas e as esfrega. Esfrega e esfrega desejando que tudo volte a brilhar como estava antes. E consegue. 
      Agora mantendo a serenidade, resolve fazer um pequeno vôo. Dá uma corridinha um salto com força e… aquela incontrolável vontade de voar se transforma num corpo de cabeça pra baixo, quase estático, flutuando em câmera-lenta, há poucos centímetros do chão. Que lástima… e então acorda.
Como explicar a presença da nossa consciência no sonho, mas a incapacidade de exercer o controle sobre ele?
          
          Como explicar essa incapacidade de não conseguir sequer dar uma voadinha num sonho que deveria ser todo seu??? Podemos enumerar diversas situações parecidas de sonhos nossos e de outros onironautas:
– “não consigo atravessar uma parede!”
– “o raio não saia da minha mão…”
– “os carros não explodiam”
– “eu não conseguia pousar!…”
           Talvez a maior parte da resposta já tenha sido dada nos textos em que procuro explicar que existe diferença entre controlar um sonho e ficar consciente. Nesse exemplo da praia, existe absoluta consciência de tudo ser apenas um sonho.  O reality check(teste de realidade) das mãos servindo bem, mas “neca de pitibiribas” em termos de manipulação ou controle dos sonhos…
    
       Uma hipótese bem ventilada por sites norte-americanos é que isso estaria diretamente relacionado com o grau de lucidez alcançado. Simplificando: um grau de lucidez mais intenso lhe permitiria controlar facilmente o seu sonho. Eu discordo disso radicalmente. Meu argumento vai no sentido de que podemos controlar os sonhos mesmo sem a lucidez. 
        Ora, se isso é possível e de fato acontece, de controlarmos a narrativa do nosso sonho, interferindo e manipulando, qual o sentido de querer alegar que o controle não acontece por faltar um grau maior de consciência? Parece de fato não existir relação alguma entre algum hipotético “grau de consciência” e sua capacidade de  controlar seu sonho.
        Minha hipótese vai no sentido de que nós podemos controlar mais ou menos nossos sonhos, de acordo com o grau de intensidade da nossa autoconfiança. Mas não há novidade alguma nisso. Eu brinco alegando dizer “minha” hipótese. Tenho certeza que muitos outros onironautas já devem ter percebido isso. Pelo menos boa parte daqueles que já se encontraram nessa situação, de estar consciente num sonho, mas incapaz de controlar coisa alguma no sonho. 
           Essa idéia da falta de autoconfiança remete de modo perfeito para uma cena do Matrix, em que o Neo está conversando com uma das crianças, uma dos “iniciados” do Oráculo e esse lhe dá uma bela explicação: