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Sair do Corpo

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Uma das mais consagradas técnicas de indução da consciência nos sonhos é o Método WILD. Trata-se de um método um pouco elaborado, mas que provoca experiências bem impressionantes… no mínimo, para o incauto, pode ser chocante!…

Que tal umas experiências psicodélicas e vibrantes? O método WILD é uma boa pedida! Ghost Rider 2 tbém pode dar uma mãozinha(especialmente na telona do cinema!).

Nosso cérebro atravessa diversas fases e ciclos diferentes em uma boa noitada de sono. Mesmo numa soneca, principalmente quando o débito de sono estiver presente, certas atividades cerebrais podem surgir rapidamente e pegar de surpresa o dorminhoco com espetáculos psicodélicos e oníricos!

Foi meu caso na manhã de hoje. Tinha adormecido por volta das 23h e despertei 5 da matina… voltei a dormir e senti depois de algum tempo, a atonia muscular da fase REM me dominar. Meu corpo naquela rigidez característica… comecei a observar sombras e vultos… sim, eu estava pegando um WILD facinho facinho ;P

Quando praticamos o WILD estamos sujeitos a sentir a rigidez do sono, o corpo submetido a  paralisia do sono e algumas vezes podem acontecer alucinações hipnagógicas – alucinações visuais e/ou auditivas bem intensas e malucas!

    Depois de algum tempo eu já percebia o quarto. Ainda mergulhado na penumbra, mas eram flashes que foram se acentuando e eu pretendia aproveitar ao máximo aquela experiência.

    Comecei a experimentar deslizar para a frente. Eu estava dormindo de lado, com o tronco um pouco inclinado, do lado esquerdo para baixo, braços confortavelmente acomodados. Travesseiro ortopédico ideal para deixar a cabeça na altura dos ombros.

Sandman é o que há de melhor em quadrinhos envolvendo o tema dos sonhos.

    Dessa vez não deslizei como das últimas vezes(fiz pouco WILD até hj), mas meio que me impulsionei para frente, senti-me flutuando e perambulei sobrevoando o quarto para lá e para cá. Estava muito bom! Dá sempre uma bruta sensação de liberdade isso!

    Aqui cabe ressaltar que o quarto no qual eu estava na verdade era onde moro, mas nessa experiência, eu simplesmente aceitei ou acreditei estar na casa dos meus pais!… Nunca tinha acontecido algo parecido comigo.  Digo, no sentido de ter uma falsa memória sobre onde eu estava dormindo.

Consciência presente, raciocínio ok, pois eu estava fazendo minhas experiências, mas a memória falhara! Quantas portas misteriosas escondem a nossa arquitetura da mente e/ou cérebro?

    Minha consciência estava presente. Eu sabia o que era aquela experiência, havia atravessado diversas fases típicas do método WILD, mas minha memória pregava uma peça! Minha capacidade de raciocínio não estava embotada, pois do quarto fui curtir o que eu sabia se tratar de uma simulação mental da realidade.

    Bem, eu de fato encontrei nessa minha criação mental, meu pai preparando algo na cozinha. Umas folhinhas verdes sobre a mesa(ele é louco por chimarrão). Percebi uma toalha florida e num murinho na sala outra toalha pequena e o que parecia ser um cabo de vassoura encostado. Passei por ali e derrubei a “vassoura”. Ahá! rsrsrsrs

   Acordei em  seguida.

   Nosso estado mental durante os sonhos funciona de maneira alterada. Não é incomum o relato de onironautas que fazem experimentos durante seus sonhos lúcidos, nos quais questionam a própria idade e acabam errando!…

   Antônio Damásio, um renomado neurologista(estou lendo dois livros dele: “O Mistério da Consciência” e “E o Cérebro Criou o Homem”), parece defender bem a idéia de níveis de consciência. Dois tipos de consciência: o self objeto e o self objeto-conhecedor ou apenas conhecedor. Grosseiramente, pelo que entendi até aqui(li poucas páginas até agora), o primeiro seria aquela consciência sobre nosso próprio ser ou nossa presença… a maneira como nos percebemos, enquanto a segunda consciência, mais elaborada – e consequência da primeira, estaria relacionada a apreensão das coisas exteriores…

Leitura formidável para os ineressados na arquitetura do cérebro, mente e a consciência.

  Eu realmente estava consciente, tinha capacidade raciocínio, sabia que estava apenas em meio a minhas criações mentais, mas acreditava piamente estar dormindo em outro lugar!! É ou não é, totalmente excelente?! Consciência ok, raciocínio ok, memória… fail!!

  Por fim, cabe deixar claro que nosso cérebro pode estar sujeito a experiências tão ou mais marcantes que essa. Certas áreas podem ser fisiologicamente estimuladas e provocar as sensações mais inusitadas possíveis.

  De acordo com estudos da neurociência, como o de Penfield, estímulos na região temporoparietal do cérebro, são capazes de provocar reações como a de existência de um corpo gêmeo, de sair do corpo etc.. Parece haver uma espécie de mapa do corpo, programado nessa parte do cérebro. Certos estímulos nessas áreas(ou a falta de) podem provocar essas experiências.

   Independente das últimas teorias a respeito da consciência, fica o convite para experimentar essa técnica bacana que é o WILD. Prepare-se para presenciar estados mentais alterados e se deliciar com surpresas vívidas e marcantes, proporcionadas por essa criação fabulosa que é o nosso cérebro.

Fontes:

http://lnco.epfl.ch/media/videos

http://www.psych.ualberta.ca/GCPWS/Penfield/Tour.html

DAMÁSIO, Antônio. E o Cérebro Criou o Homem. Companhia das Letras – São Paulo: 2011.