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Comprovação científica dos sonhos lúcidos

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       O Brasil possui pelo menos um centro de pesquisa sobre o estudo da consciência nos sonhos. Está localizado em Natal, pela UFRN, sob a égide do neurocientista Sidarta Ribeiro e o pesquisador Sérgio Arthuro Mota Rolim.

Sérgio Arthuro Mota Rolim desenvolve pesquisa  na área dos sonhos lúcidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

       Nosso entrevistado, Sérgio Arthuro Mota Rolim, possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2004), com iniciação científica na área de sono, memória e ansiedade. É mestre em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo Escola Paulista de Medicina (2007), trabalhando com a influência dos ritmos biológicos no sono e na memória. Atualmente, é estudante de doutorado da UFRN e pesquisador do Instituto do Cérebro e do Hospital Universitário Onofre Lopes (UFRN), no Rio Grande do Norte, onde pesquisa modelos de regulação do sono e sonhos.
http://www.neuro.ufrn.br/incerebro/team.php?id=1

1) Quando e como surgiu a idéia de um projeto de pesquisas envolvendo sonhos lúcidos?
 Rolim: Comecei a me interessar em neurociência no segundo ano do curso de medicina na UFRN em 2000, quando assisti as aulas de neurofisiologia do professor John Araujo. Fiz iniciação científica com ele no tema sono, memória e ansiedade em estudantes de medicina. Em 2004 me formei e em 2005 fui fazer o mestrado em neurociência na UNIFESP = Escola Paulista de Medicina, estudando a influência dos ritmos biológicos no sono e na memória. Em 2006 conheci o Sidarta Ribeiro que é meu atual orientador de doutorado. Nessa época eu tava terminando o mestrado e já pensando em fazer o doutorado aqui em Natal com ele. Um dia, de férias do mestrado em Natal, por acaso, achei uma edição especial sobre sonhos na mesa do John e vi que tinha um artigo do Sidarta e também um do Stephen Laberge. Quando soube que era possível fazer movimentos com os olhos para indicar o sonho lúcido fiquei bastante interessado no tema e fui conversar com o Sidarta que rapidamente propôs orientar meu PhD nessa tema.

Um dia, de férias do mestrado em Natal, por acaso, achei uma edição especial sobre sonhos na mesa do John e vi que tinha um artigo do Sidarta e também um do Stephen Laberge. Quando soube que era possível fazer movimentos com os olhos para indicar o sonho lúcido fiquei bastante interessado no tema(…).






2) Qual é o objetivo e tema da pesquisa? Problemas, idéias e hipóteses envolvidos?

 Rolim: a minha pergunta principal do doutorado é saber se existe alguma diferença no padrão de ativação cerebral durante o sonho lúcido em comparação com o sonho não lucido. Temos resultados preliminares que indicam que durante o sonho lucido podemos ter uma ativação no lobo frontal (que explicaria uma maior auto-consciência, um maior controle do sonho lucido) e também no lobo ocipital (que poderia explicar porque os sonhos lúcidos são mais vívidos visualmente). Além disso, desenvolvemos um questionário sobre sonhos e sonhos lúcidos e aplicamos pela internet: quase 3600 pessoas responderam e estamos analisando os dados. Aproveito para convidar todos os leitores para responderem o questionário acessando o link http://www.cb.ufrn.br/sonho/

Imagem extraída da pesquisa realizada por Ursula Voos, mostrando os registros de atividades cerebrais, em três diferentes estados: acordado, em sonho lúcido e sonho comum da fase REM.

3) Quais as principais dificuldades encontradas? Além do Bruno Grego, existem outros voluntários que conseguem ficar conscientes nos sonhos?

Rolim: Inicialmente, queríamos induzir sonhos lúcidos em quem não tinha frequentemente. Tentamos fazer sugestão pre-sono (n=8) e incubação de estímulos do ambiente no sono = dávamos pulsos de luz por um abajur ao lado na cama na hora que o sujeito entrava em sono REM (n=8) p tentar induzir fazer com que esse estímulo entrasse no sonho e servisse como dica p o sujeito saber que estava sonhando, ou seja, ter um sonho lúcido (além de 16 controles que não passaram por nenhuma das técnicas). Como só conseguimos induzir um sonho lucido de todas essas tentativas, optamos por pegar pessoas que já tinham sonho lucido frequentemente (como o Bruno Grego). Fizemos também uma colaboração com o Daniel Erlacher que fez pós-doutorado com o Laberge e que trabalha na Alemanha. Ele mandou 6 registros de EEG de sujeitos que tem sonhos lúcidos frequentes para analisarmos.

Daniel Erlarcher é um pesquisador que serve de referência na área dos sonhos lúcidos e colabora  nas pesquisas do Dr. Rolim.


4) Como aconteceu o processo de recrutamento do(s) voluntário(s) para o laboratório?

 Rolim: no começo, recrutávamos pessoas que trabalhavam no nosso laboratório em outras linhas de pesquisa e que não tinham sonho lucido frequente. Depois, recrutamos somente os sonhadores lúcidos frequentes por boca a boca mesmo… O ideal seria termos verba para trazer os sonhadores lúcidos de todo o Brasil e do mundo para dormirem no nosso laboratório e tentarem ter um sonho lucido. Mas como não temos verba para isso, decidimos estudar os sonhadores lúcidos locais mesmo. De qualquer forma, fica o convite para quem tem sonho lucido frequente, tempo, dinheiro e interesse para vir para Natal nos ajudar!

Sonhadores Lúcidos parecem ser preciosos para que as pesquisas possam fluir com mais facilidade.


5) O que mais lhe fascina no estudo dos sonhos lúcidos? Você já teve alguma experiência nesse estado mental? Como foi?

 Rolim: Comecei a estudar sono com o professor John porque sempre fui de dormir muito = 10 hs, acordar tarde e sonhar muito, mas tive poucos sonhos lúcidos, uns 10. O interessante é que ouvi falar sobre sonho lucido pela primeira vez em 2003 no filme waking life (que aproveito para indicar), mas não dei muita importância porque não me lembrava de ter tido um sonho lucido. Sé depois de ler o artigo do Laberge em 2006 como falei antes, foi que comecei a ter sonhos lúcidos. Lembro que no primeiro fiquei com medo e acordei logo. No segundo já não tive mais medo mas acordei logo porque fiquei muito feliz, daí tirei a obvia conclusão que o segredo é ficar calmo. Nos últimos sonhos lúcidos consegui controlar e voar = não tem nada melhor no mundo! a não ser estudar claro kkkkk

Dr. Rolim já teve sonho seus sonhos lúcidos e curtiu muito a sensação de voar conscientemente nos sonhos.




6) Até pouco tempo atrás, essa área era um terreno pouco explorado, mas nos últimos anos parece ter ganho mais atenção da comunidade científica. A que se deve isso?

 Rolim:: Excelente pergunta.. não sei! Que vcs acham? Talvez como provocação diria que é porque a realidade está dura ou chata demais e esse universo dos sonhos, ou a matrix onírica, seja mais divertido… gostaria de saber a opinião dos leitores nos comentários





7) Existem pesquisas relacionando o estudo dos sonhos lúcidos com o desenvolvimento de habilidades motoras, na psiquiatria para ajudar no tratamento de certas psicoses… que benefícios você entende como possíveis, com as pesquisas envolvendo o estudo da consciência nos sonhos?

Rolim: Para mim os sonhos lúcidos são importantes por 5 motivos: 1 – filosófico e existencial = autoconhecimento, 2 – recreacional = diversão, 3 – aprendizado = possibilidade de simular ações num ambiente virtual plenamente seguro, como numa matrix, 4 – cientifico = para entendermos o que é a consciência, e daí termos uma melhor idéia das doenças que perturbam a consciência como no caso da esquizofrenia e 5 – terapêutico = no caso dos pesadelos recorrentes, aprender a ficar lucido nos sonhos pode diminuir o medo e a ansiedade relacionado a esses sonhos ruins

8) As máscaras de indução de sonhos aparentemente não se revelaram tão eficientes… será possível uma tecnologia eficiente para indução de sonhos lúcidos? Como seria?

 Rolim: Ainda no doutorado, ou talvez no pós-doutorado, gostaria de tentar induzir o sonho lucido com técnicas como TMS = transcranial magnetic stimulation ou TDCS = transcranial direct current stimulation (em colaboração com o Bruno Grego que está estudando essa técnica), que servem para estimular áreas específicas do cérebro de forma não invasiva, sem dor. Como o sonho lucido está relacionado a uma ativação frontal, a ideia é estimular a região frontal durante o sono REM para ver se dá para induzir um sonho lucido

Bruno Grego, biomédico e doutorando, é sonhador lúcido colaborador nas pesquisas do Rolim, sob orientação de Sidarta Ribeiro.

9) O material bibliográfico para pesquisa desse tema não é muito fácil de se encontrar, especialmente os mais técnicos, de caráter científico. Pode dar alguma orientação de fontes ou sites que costuma pesquisar?

 Rolim: Acho que pesquisando por lucid dream no pubmed = http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=lucid%20dream ou no google scholar dá para pegar muitos artigos científicos sérios sobre o tema. Gostaria de terminar a entrevista com uma citação que sempre lembro e falo do Nietzsche: “Nos primórdios do nascimento da cultura, o homem acreditou que estava descobrindo um segundo mundo real no sonho, e aqui é a origem de toda metafísica. Sem os sonhos, a humanidade nunca iria inventar tal divisão do mundo… em corpo e alma… bem como acreditar em fantasmas, e aparentemente também, em deuses…”

Nietzsche, FW (1878) – Humano demasiado. O que vocês acham heim!? Muito obrigado pelo convite e um grande abraço!     


Grande doc! Agradeço demais pela entrevista e também em nome de todos interessados e sonhadores lúcidos frequentadores do www.sonhoslucidos.com  obrigado mesmo!

     Bruno Grego, 29 anos, biomédico, doutorando em Neurociências pelo Instituto do Cérebro – UFRN, na linha de pesquisa de neuroestimulação e transtornos de ansiedade.

     O que me chamou a atenção no Bruno, foi  uma reportagem do Globo Repórter, apresentando-o como  um sonhador lúcido que já havia conseguido realizar contato, a partir do estado mental dos sonhos, com os pesquisadores que o monitoravam no laboratório do sono da UFRN.

Bruno Grego, biomédico, doutorando em neurociências pela UFRN é um sonhador lúcido e já conseguiu se comunicar a  partir do estado mental dos sonhos, com os pesquisadores que o monitoravam.

      Bruno colabora com uma pesquisa científica impressionante, na qual ele apresenta não só a habilidade de se tornar consciente durante um sonho(sonho lúcido – nosso tema aqui no blog), mas também de se comunicar(através de movimentos oculares) com os cientistas do laboratório que o monitoram.

      A pesquisa é desenvolvida pelo doutorando Sérgio Rolim, orientado pelo professor, Ph.D, Sidarta Ribeiro, no programa de pós-graduação em Neurociências da UFRN. Segue na íntegra, a entrevista que o Bruno gentilmente concedeu ao blog:

Como foi teu primeiro sonho lúcido?  Já conhecia o assunto quando conseguiu ficar consciente no sonho pela primeira vez?

(Bruno): O primeiro sonho lúcido que me lembro ocorreu aos 5, 6 anos de idade, eu estava em frente minha casa e ao tentar atravessar a rua percebi que podia voar com o corpo paralelo ao solo, atravessei a rua voando e ao chegar do outro lado voltei a caminhar, foi uma experiência tão real que passei mais de um ano afirmando e tentando convencer todo mundo que tinha voado de verdade, até perceber que havia sido um sonho. Na época não sabia nada sobre o assunto, o que me causava uma certa confusão entre experiências realmente vividas ou sonhadas.  

A primeira experiência marcante de Bruno com os sonhos foi aos 5-6 anos de idade, quando  sonhou que podia atravessar a rua em frente da sua casa voando.

2. Segue algum método em especial? Reality Check predileto? Costuma anotar teus sonhos?

(Bruno): Eu costumo fazer um diário dos sonhos, ter uma boa higiene do sono e principalmente volto a dormir por aproximadamente 1:30h depois de acordar espontaneamente de uma noite de sono reparadora, nesse período os sonhos lúcidos são mais frequentes. Quanto ao reality check, tento sempre lembrar como fui parar no local do sonho.                            

3. Soube que a média da tua frequência está em 2 sonhos lúcidos por semana. As experiências com sonhadores lúcidos em laboratório dependem exclusivamente de ti ou há mais gente? Considerando a partir do momento que tu iniciou a contribuição nas pesquisas, qual foi o maior lapso de tempo sem um sonho lúcido? E qual teu recorde numa semana?

(Bruno): Eu sou apenas um dos sujeitos da pesquisa desenvolvida pelo aluno de doutorado Sérgio Rolim sob orientação do professor Sidarta Ribeiro. Há toda uma equipe responsável pelos experimentos, cuidando desde a parte da colocação dos eletrodos, até a parte de análise dos registros eletroencefálográficos. Quando iniciei os experimentos, em outubro do ano passado, comecei a fazer um diário de sonhos, tinha uma higiene do sono relativamente boa e treinava em casa os movimentos oculares durante os sonhos lúcidos, nessa época cheguei a ter quatro sonhos lúcidos por semana, mas nas férias perdi a disciplina, parei com o diário e fiquei mais de um mês sem ter um sonho lúcido, ou sem ter a recordação de ter tido um.  

HUOL – Hospital Universitário Onofre Lopes/UFRN – onde são realizadas as experiências com sonhos lúcidos ou  da consciência nos sonhos.

4. Nas pesquisas de Alan Hobson e Ursula Voss, na Universidade de Frankfurt, treinaram 20 estudantes de psicologia e recrutaram 6 dos sonhadores lúcidos com maior incidência de sonhos lúcidos. Pagaram 50 euros por noite… Interessado?!  Essa rotina de sonhador lúcido de laboratório é muito desgastante? Pode descrever um pouco dela(como te recrutaram, o início e quais dias no instituto)?

(Bruno): 50 euros, to dentro!haha. Sérgio Rolim e eu fizemos mestrado juntos em São Paulo no Instituto do Sono, quando vim para Natal nos reencontramos, ele me contou sobre sua pesquisa e eu sobre meus sonhos lúcidos, marcamos um experimento e deu certo. Algumas pessoas acham que eu durmo todos os dias no laboratório, outras acham que esse é meu trabalho, dormir e ter sonhos lúcidos, seria excelente, mas não é nada disso. Os experimentos são esporádicos e consistem em chegar no laboratório mais ou menos no horário em que se costuma dormir; colocar os eletrodos da polissonografia, que é um exame utilizado na medicina do sono, baseado na técnica de eletroencefalografia (EEG) que permite identificar qual fase do sono o indivíduo se encontra; combinar os movimentos oculares com o pesquisador que irão indicar que está tendo um sonho lúcido e dormir, se tiver um sonho lúcido durante o experimento basta fazer o movimento ocular, não é desgastante, acho que é mais cansativo para os pesquisadores que passam a noite acordados.                                                                      

Apesar de ser uma área nova sendo explorada(comprovação acontecer na década de 70) pela ciência, diversas universidades, laboratórios e centros de pesquisa passaram a voltar suas atenções sobre o estudo da consciência nos sonhos.

5. Já utilizou algum tipo de suplemento para intensificar as fases REM? Qual tua opinião sobre isso?

(Bruno): Nunca utilizei, mas acho interessante desde que seja utilizado num contexto científico e previamente analisado por um comitê de ética. Acho que existem outras formas de se induzir sonhos lúcidos não farmacológicamente, por exemplo, utilizando técnicas de neuroestimulação durante o REM, como o tDCS (transcranial Direct Current Stimulation) que consiste na aplicação de uma corrente elétrica de baixíssima intensidade no córtex cerebral, através de dois eletrodos no escalpo, de forma segura e indolor, esse é o próximo passo nas pesquisas do nosso grupo.  

6. Qual foi teu sonho lúcido mais intenso? Por quê?

(Bruno): Foi um sonho que tive há dois anos atrás, começou como um pesadelo, eu estava num avião que caiu no mar e ao sair do avião percebi que não me afogava, eu podia fazer mergulhos muito profundos sem equipamento e ao chegar ao fundo do mar encontrei uma plataforma submersa, percebi que havia outras muito distantes como se fossem a base de uma ponte gigante que não existia e ao tentar chegar até a próxima, descobri que além de poder mergulhar eu podia nadar muito rápido. Esse sonho lúcido foi muito intenso pra mim, pois nunca nadei muito bem e na infância tinha pesadelos recorrentes com tsunamis, a possibilidade de conhecer melhor esse novo ambiente num contexto seguro, me fez perder um pouco do medo do alto mar e até me interessar por esportes náuticos. Acho que os sonhos lúcidos têm, entre outras, uma função terapêutica, como uma técnica de imersão da terapia cognitiva comportamental em paciente com fobia específica, na qual o paciente é exposto de forma segura ao agente causador do seu medo.  

Assim como muitos sonhadores lúcidos, Bruno Grego também tinha pesadelos fortes na infância. No caso dele, com tsunamis. Um sonho lúcido marcante o fez se livrar dessa relação desagradável com o mar.

7. Tens alguma aptidão ou afinidade especial com a área artística? Acredita que há alguma relação especial entre a incidência de sonhos lúcidos com isso?

(Bruno): Não que eu saiba, já tentei tocar contrabaixo, mas não deu muito certo, também não me recordo de ter tirado mais do que 8 em nenhum trabalho de educação artística na escola, mas sempre gostei de dormir, haha. Sinceramente acho que criatividade tem mais a ver com sonhos lúcidos do que estritamente aptidões artísticas, geralmente artistas tem uma imaginação fértil, mas independente do campo de atuação, eu acho que pessoas criativas com alta capacidade imaginativa tendem a ter mais sonhos lúcidos.

Para Bruno, a possibilidade de uma maior incidência de sonhos lúcidos está muito melhor relacionada com a criatividade do que com vocação artística.

8. Sobre o controle ou a manipulação do sonho, considerando já estar lúcido num sonho, existe alguma técnica que tem funcionado bem pra ti por lá? Tanto para interferir, encontrar pessoas, objetos, mudar cenários e prolongar os sonhos?

(Bruno): Essa é uma área que não domino muito bem, aliás vou ler algumas técnicas no site pra ver se consigo manipular mais meus sonhos. Nos meus sonhos lúcidos eu consigo muito mais perceber que estou sonhando, do que mudar o contexto,  o que consigo com uma certa frequência é retomar um sonho que estava tendo antes de acordar, mesmo com uma interrupção mais longa como uma ida ao banheiro, mas não sei explicar como faço, apenas volto a dormir.

9. Tua qualidade do sono é boa? Quanto tempo de sono em média é o ideal pra ti?

(Bruno):Sim, durmo em média 6 horas, acordo e volto a dormir por mais 1:30h.

10. Que dicas e orientações tu recomenda, tanto para aquele que ainda não experimentou, como para quem quer aumentar a frequência de sonhos lúcidos?

(Bruno):Eu acho que dois fatores são importantes para ter sonhos lúcidos: disciplina e a motivação, disciplina ao fazer o diário dos sonhos e ter uma higiene do sono boa, já a motivação cada um tem a sua, alguns querem ter o prazer de ter experiências impossíveis, viajar pra lugares diferentes, outros querem reencontrar entes queridos, o importante é pensar no que te motiva antes de dormir. Ter um sonho agradável é, muitas vezes, o motivo de um dia inteiro de bom humor, então por que não fazer isso de forma deliberada?

Assim como para os astronautas, para os desbravadores da mente no estado dos sonhos, disciplina e motivação são fatores determinantes para conseguir ficar consciente nos sonhos.

Bruno ainda acrescenta: “Os experimentos continuam a ser realizados no HUOL em Natal, coordenados pelo Sérgio Rolim, assim como o levantamento do padrão dos sonhos na população através do questionário:
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/10/pesquisa-investiga-o-padrao-dos-sonhos-lucidos-participe.html ,  quem tiver o interesse em ajudar na pesquisa por favor responda o questionário e faço um convite aos sonhadores lúcidos para dormirem uma noite no laboratório aqui em Natal, obrigado. “

     Um feito extraodinário realizado por alguns onironautas feras em manter a consciência nos sonhos: conseguiram se comunicar de dentro dos seus sonhos, durante complexos exames de ressonância magnética e monitoramento cerebral.

O objetivo da pesquisa foi verificar os registros das atividades cerebrais de sonhadores lúcidos que avisaram quando iniciaram movimentos com suas mãos enquanto sonhavam.

     O objetivo do aparato tecnológico em cima dos sonhadores lúcidos, era flagrar o comportamento do cérebro, quando os onironautas decidiam fazer movimentos com as mãos nos sonhos. Que diferenças seriam provocadas na ativação cerebral, uma vez que os voluntários estavam conscientes, mas ainda no estado mental dos sonhos?

     Foram seis voluntários que ao se submeterem aos exames, conseguiram realizar a comunicação, com os olhos, avisando que estavam sonhando e conscientes. Em seguida avisaram do início das experiências e iniciaram movimentos com as mãos, ainda sonhando.

    Para assombro de muitas pessoas, os registros das atividades cerebrais colhidos se equivalem ao de uma pessoa movimentando a mão!.. Porém esses sonhadores se encontravam no estado REM do sono. Estavam sonhando e como são sonhadores lúcidos, foram capazes de assumir a narrativa do sonho, realizando os movimentos com as mãos.

Cypher: eu disse que lá dentro aquele bife suculento era tão ou mais prazeroso que aqui fora!

    O mapeamento pela ressonância magnética e demais equipamentos de medição, captaram os registros de atividade cerebral dos movimentos das mãos, realizados pelos sonhadores.
    Martin Dresler do Instituto Max Planck na Alemanha faz interessantes observações sobre os resultados:
    “Sonhar não é apenas olhar para um filme do sonho. As áreas do cérebro que representam movimentos específicos do corpo são realmente ativadas.”
     
     O cientista aponta uma interessante perspectiva para os sonhos lúcidos:
     “O sonhador lúcido tem insights em um estado muito complexo: dormindo, sonhando, mas estando consciente do estado de sonho. Isso pode nos dizer muito sobre os conceitos de consciência”.

 Fontes:


Globo.com: cientistas conseguem ler sonhos em estudo alemão.

Diário da Saúde

Info Abril: por que os sonhos parecem tão reais?

Newscientist

Current Biology: estudo original!

       Sexta-feira passada, dia 14 de outubro, no programa Globo Repórter, foi ao ar uma reportagem sobre o estudo dos sonhos lúcidos que é realizado no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
       Segue link com o vídeo da reportagem:
Vídeo da reportagem no Globo Repórter sobre Sonhos Lúcidos.

Reportagem do Globo Repórter do dia 14/10/2011 sobre sonhos lúcidos, conforme link acima.

       A reportagem é bem introdutória sobre o estudo dos sonhos lúcidos, mas é muito bem feita, de linguagem acessível e muito interessante para tomar conhecimento de que o Brasil não está comendo poeira nessa área de pesquisa. Especialmente porque há gente de peso envolvida diretamente nesse estudo, como o neurocientista Sidarta Ribeiro, a quem com certa frequência cito nos textos aqui no blog. 

Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde se desenvolvem os estudos sobre sonhos lúcidos, apresentados na reportagem.

       Uma agradável surpresa, é ver um onironauta ali em ação no laboratório do sono: Bruno Grego é o nome dele. Relata na reportagem ter uma bela média de dois sonhos lúcidos por semana. A melhor novidade: que já conseguiu se comunicar, durante o estado mental dos sonhos, com os pesquisadores do laboratório! Bruno é biomédico, 29 anos e está fazendo seu doutorado(curioso pacas para saber se é relacionado a essa área).

Bruno Grego é o onironauta voluntário que já conseguiu êxito em se comunicar de dentro do seu sonho, com os pesquisadores do laboratório do sono.

        Outra informação que achei bem interessante da reportagem é que há parceria nesses estudos com os pesquisadores alemães. Daniel Erlarcher é um dos nomes que mais encontro nos artigos científicos, com as pesquisas mais recentes e instigantes. A experiência que o Sidarta Ribeiro se refere na reportagem, sobre o experimento com as moedinhas sendo arremessadas num copo, já foi publicada aqui em primeira mão no blog.

        O Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte está fazendo uma importante pesquisa sobre os sonhos. Quem puder contribuir respondendo ao questionário deles, segue o link:
Pesquisa sobre os sonhos lúcidos

   Fonte:
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/10/biomedico-consegue-se-comunicar-com-cientistas-durante-sonho-lucido.html

      Eu havia preparado um texto inspirado num artigo excelente da revista Scientific American, sobre alguns estados alterados da mente como o Estado Vegetativo, “Estado Minimamente Consciente” e os Sonhos Lúcidos. Infelizmente esqueci a revista( e as anotações) e agora vai pela memória mesmo. Depois acrescento, retifico e cito a fonte, assim que recuperar a revista.

Escala de atividade metabólica cerebral em diferentes estados mentais: consciência normal, morte cerebral, sono profundo, sono REM, anestesia Geral, recuperação de anestesia, estado vegetativo e recuperação de estado vegetativo.

      Uma das coisas que mais me surpreendeu naquele artigo, foi tomar conhecimento que uma pessoa que saiu do coma e entrou em estado vegetativo, pode perfeitamente exibir as seguintes ações:

    – abrir os olhos
    – sorrir, chorar ou rir
    – balbuciar ou falar algumas palavras
    – acompanhar com os olhos alguns movimentos
    – reagir a barulhos 
    – possuem ciclos do sono e de vigília!…

      Reparem que são manifestações de alguém que ainda está enquadrada num Estado Vegetativo, ou seja: não possuiria consciência!… Pelo menos ainda de acordo com o paradigma atual da medicina.

      Tudo isso significa que é perfeitamente possível uma pessoa estar acordada, falar algumas coisas, rir, chorar e ainda assim não estará consciente… temos então uma pessoa acordada, mas inconsciente. De fato talvez na área política seja mais fácil encontrar pessoas nesse estado. o_O

Vigília normal(consciente), Morte Cerebral e Estado Vegetativo. No estado vegetativo há perda de 50% até 60% da atividade metabólica. Na morte cerebral a atividade é ausente.

      Eu diria que o Estado Vegetativo parece exatamente o contra-ponto da situação do sonho lúcido. Pois quando temos um sonho lúcido, estamos adormecidos, conservamos a presença da consciência e estamos invadindo o estado do sono com ela.
      

Bibliografia(e imagens):

http://hmb300neurowiki.intodit.com/page/loss-and-altered-states-of-consciousness-2

      O estado mental dos sonhos conscientes ou lúcidos é uma área que vem sendo desbravada pela ciência, mais especificamente a partir da década de 70. De lá para cá, as investidas nesse campo tem conseguido alguns resultados surpreendentes, servindo até mesmo para inspiração em temas de vários filmes. Uma possibilidade fascinante, apontada por Silvio Scarone(¹), da Universidade de Estudos de Milano, é a que traça uma estreita relação entre o estado mental dos sonhos lúcidos e a possibilidade de tratamento de psicoses e outros transtornos.
      Quando conseguimos ficar conscientes durante um sonho, de acordo com as pesquisas em laboratórios do sono(²), estamos normalmente dentro do que se chama fase REM “fásico”. Isso significa que não estamos falando de “sono leve”, mas sim sono intenso e profundo. Porém nesse estado, cria-se um distinto padrão de atividade cerebral, que possui bastante semelhança com os padrões verificados na psicose e algumas condições psiquiátricas.

Comparativo de uma análise topografica de atividade cerebral entre os estados mentais quando acordados(o superior), no estado do sonho lúcido(meio) e em fase REM comum(não lúcido).

    De acordo com a pesquisadora Ursula Voss, da universidade da Alemanha, essas descobertas confirmam a conexão já presente nos livros de neurociência, de que quando sonhamos lucidamente, o cérebro esta num estado dissociado. Essa dissociação é normalmente caracterizada pela perda de controle consciente sobre o processo mental, como o pensamento lógico ou reações emocionais. 
   Ora, já é bem sabido por boa parte dos onironautas interessados pelo tema dos sonhos lúcidos, como está presente o embotamento da capacidade de raciocínio e tomada de decisões durante os sonhos. Nos sonhos lúcidos se supera esse embotamento.
   A comparação que se estabelece é que em algumas condições psiquiátricas esse “estado dissociado” também é conhecido por ocorrer quando as pessoas estão despertas.
   
   “No campo da psiquiatria, o interesse dos sonhos dos pacientes tem diminuído progressivamente tanto no campo clínico quando das pesquisas. Mas esse novo trabalho parece mostrar que nós devemos estar aptos para fazer comparações entre os sonhos lúcidos e algumas condições psiquiátricas que envolvam uma anormal dissociação da consciência quando acordados, como acontece na psicose, despersonalização e pseudoconvulsões”, afirma Silvio Scarone, da Universidade de Estudos de Milano.

    Não é a toa a quantidade de estudos e livros publicados nas últimas décadas referente ao estudo dos sonhos lúcidos. Algumas condições de certos pacientes passaram a ser alvo de interesse, pelo tratamento com terapia dos sonhos em algumas clínicas. É o caso por exemplo de pessoas que sofrem de pesadelos constantes. Em alguns casos podem ser ensinadas a sonhar lucidamente.

    “Por um lado, a base das pesquisas com sonhos, poderia agora aplicar seu conhecimento para pacientes psiquiátricos, com o objetivo de construir uma ferramenta útil para psiquiatria, revitalizando o interesse nos sonhos para o tratamento de seus pacientes”, diz Scarone. “Por outro lado, as investigações da neurociência poderiam explorar como ampliar seus trabalhos para as condições psiquiátricas, usando abordagens das pesquisas do sono para interpretar informações de casos de psicose e outros estados dissociados do cérebro-mente.”

     Outra verificação interessante dessa pesquisas, foi que as desilusões paranóides e outros fenômenos alucinatórios, ocorrem quando os estados dissociativos dos sonhos envolvem repetição de situações de ameaça a serem concretizadas na vigília.

     “Exposição para eventos de real ameaça supostamente ativam o sistema onírico, no qual produz simulações realísticas dos eventos ameaçadores em termos de percepção e comportamento” explicou Scarone. “Essa teoria funciona com base no ambiente e com o cérebro humano envolvido com eventos perigosos e frequentes que ameaçam a reprodução humana. Isso teria sido uma séria pressão seletiva para as populações ancestrais da espécie humana e teria ativado totalmente os mecanismos de simulação de ameaça.”

Fontes e Referências Bibliográficas:

– NEUROCIÊNCIA da Mente e do Comportamento. LENT, Roberto(Coordenador).
 Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

 (1) http://www.physorg.com/news168024914.html e

(2) LaBerge, Stephen.O Mais Alto Grau de Consciência.

. Revista Viver Mente&Cérebro- Edição Especial – n.4: Duetto 

 (3) http://two.xthost.info/superkuh/Library/Lucid%20Dreaming

_%20A%20State%20of%20Consciousness%20with%
20Features%20of%20Both%20Waking%20and%20Non-Lucid%20Dreaming_%20voss_jSleep.pdf

 😉