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    Um novo estudo (2017), conduzido por Denholm J. Aspy¹, pela Universidade de Adelaide, procurou realizar um comparativo, em termos de eficiência, envolvendo três métodos de indução de sonhos lúcidos bem conhecidos:  reality checks (testes de realidade), MILD e WBTB.

Photo by Magda Ehlers from Pexels

      Existem algumas considerações sobre o estudo que merecem atenção. Apesar  de não ter sido o foco da pesquisa, a técnica WILD foi considerada mais complexa, exigindo maior experiência para indução do sonho lúcido e também levando em conta possíveis efeitos adicionais/colaterais como a paralisia do sono. Particularmente eu apontaria ainda nesse possível “combo”, a possibilidade de alucinações hipnagógicas/ hipnopômpicas. Ressaltando que é curioso notar que para boa parte das pessoas interessadas em sonhos lúcidos – e aqui estou me referindo a uma parte dos frequentadores do Site/ Fórum/ Grupo do FaceBook –  essas experiências parecem não causar qualquer apreensão, ao invés disso, parecem até desejarem que aconteçam.

    A pesquisa dividiu e fez um comparativo entre as seguintes técnicas de indução: Reality Checks, MILD e WBTB, separando-as em 3 grupos da seguinte maneira:

  • Grupo 1 praticando Reality Checks isoladamente;
  • Grupo 2 aplicando Reality Checks com a Técnica WBTB; e
  • Grupo 3 utilizando Reality Checks com WBTB e MILD.

   Os resultados indicaram maior eficiência para o Grupo 3 que praticou Reality Checks, conjugado com as técnicas de indução WBTB e MILD. Vale ressaltar que mais de 60% dos voluntários dessa pesquisa, declararam-se não praticantes de qualquer técnica de indução de sonhos lúcidos até o início dos experimentos. Verificou-se uma intensificação na capacidade de recordação dos sonhos, para os praticantes da técnica MILD. A técnica MILD, de acordo com as conclusões do estudo, mostrou-se bastante apropriada para aqueles sem experiência prévia com técnicas de indução.

     Uma descoberta em especial referente a técnica MILD chama atenção: os voluntários, quando decidiram voltar a dormir e levaram menos de 05 minutos para cair no sono, foram aqueles com maior índice de ocorrência de sonhos lúcidos. A pesquisa aponta essa descoberta como o maior fator indicativo de incidência de sonhos lúcidos. Resumindo: no momento que o voluntário/sonhador, o qual estava aplicando a técnica MILD, resolvesse deitar para dormir, caso levasse menos de cinco minutos para entrar no sono, as chances de ter um sonho lúcido aumentavam consideravelmente.

Referências Bibliográficas:

1 – Reality Testing and the Mnemonic Induction of Lucid Dreams: Findings From the National Australian Lucid Dream Induction Study (2017) American Psychological Association 2017, Vol. 27, No. 3, 206–231 1053-0797/17/$12.00 http://dx.doi.org/10.1037/drm0000059.

Voltando a essa questão um tanto dramática, a qual já foi tema por aqui.   Dessa vez retorno ao assunto, destacando as pesquisas de laboratório, referente ao nível de eficiência.

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Imagino que a resposta mais simples a essa questão, continue sendo: “aquela que funciona melhor para você”. E ora, isso já vem sendo defendido aqui no site há um bom tempo. Partindo desse ponto, fazendo algumas novas reflexões e considerando os 10 anos de experiência, em pesquisas através do site (e para o site) –  existem de fato alguns fatores que não podem deixar de ser ressaltados.

Em 2011 (ver aqui) fiz um levantamento sobre as Técnicas mais conhecidas: MILD, Tholey, WBTB, Incubação, Reality Checks, WILD e DEILD. Apenas por experiência própria ou opinião pessoal, continuo sugerindo que se experimente por um tempo cada uma delas e seja feita uma avaliação do que é mais efetivo, de acordo com a própria individualidade e as dificuldades/peculiaridades da rotina de cada um.

 

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Uma pesquisa conduzida por Tadas Stumbrys, Daniel Erlarcher e outros ¹ realizou uma análise de diversas técnicas de indução de sonhos lúcidos, experimentadas em laboratório, para determinar a eficiência desses métodos de indução. Fiz uma adaptação em relação a metodologia que utilizaram para graduar, em diversos níveis esse grau de sucesso. Nessa minha adaptação, deve-se considerar as letras A como bom grau de eficiência e letra B, como razoável grau de eficiência. Letra C, como sendo baixo grau de sucesso.  Resumidamente, segue algumas das principais técnicas de indução:

 

Bom grau de eficiência na indução de sonhos lúcidos:

A – Tholey/ Autossugestão, Reflexão e Intenção

A – Autossugestão

A -Sugestão pós-hipnótica

A- WILD

 

Razoável grau de indução de sonhos lúcidos:

B – Estímulos luminosos

B – MILD

B -Intenção

B – Reflexão/Testes de Realidade

 

Baixo grau de indução de sonhos lúcidos:

C- SOM

C- Água

 

Chama a atenção como é importante a autossugestão. O Método de Tholey, quando bem aplicado, reúne não apenas a autossugestão, mas também intenção e reflexão, explicando seu bom nível de eficiência para indução da lucidez nos sonhos. Curiosamente a técnica WILD sempre foi uma das mais acessadas e pode ser vista na página inicial, entre as mais populares/visitadas.  A sugestão pós-hipnótica, certamente deve render um novo post aqui no site.

 

Fonte Bibliográfica:

(1) – STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.

    Essa semana me deparei com a informação de que o site www.sonhoslucidos.com irá, daqui dois meses, completar DEZ (10) anos de atividade. Difícil acreditar que já passou tanto tempo desde a primeira impostação com a imagem do Morpheus de Matrix!…

    Comemorar é comigo mesmo e portanto já vou antecipar um vídeo rodado na sexta-feita do dia 01/12/2017. Filmado e editado pela Rozana Percival – mais conhecida como Bia Gatuz –  no evento aqui na Uninter de Curitiba (PR). Conforme o texto anterior, tratou-se da I SIEPA – Seminário Interdisciplinar de Estudos em Psicologia Anomalística, orquestrada pelo Dr. Fábio Eduardo da Silva.

    Coube a mim, graças ao convite da Cláudia Basso e a confiança do Dr. Fábio Eduardo da Silva, apresentar o tema dos sonhos lúcidos e deixo aqui o material para todos onironautas e/ou interessados. A palestra é pequena, mas envolve uma espécie de introdução e algumas pinceladas em temas como a filosofia da mente, experimentos neurocientíficos, psicologia, psicolofisiologia e outros. Tenho certeza que vão gostar.

Procurando por novas técnicas de indução de sonhos lúcidos, deparei-me com uma bastante promissora. Chama-se “START”: Socially  Triggered  Awareness  Reality  Test. Ao traduzir: Teste de Realidade da Consciência Desencadeada Socialmente.

Resumindo, ela está baseada no uso em alguma parte do vestuário, pelo sonhador, de uma frase que irá desencadear um reality check. Pode ser uma camiseta com a frase pedindo para perguntar “Ask me if I’m dreaming”.

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Exemplo de camiseta na qual aplica a Técnica Start para indução de sonhos lúcidos.

A Técnica Start:

1 – Antes da conversa que irá desencadear a Técnica Start, prepare algo que possa ser usado ou vestido, com boa visibilidade e com as palavras: “Ask me if I´m dreaming”, no nosso português – Pergunte-me se estou sonhando. Um bom exemplo poderia ser uma etiqueta adesiva, com as palavras escritas. Outra alternativa, vestir uma camiseta com a frase.

2 – Vá para sua faculdade, escola, trabalho ou qualquer ambiente que favoreça uma boa interação social, utilizando a roupa ou objeto com a frase.

3 – De vez em quando alguém lhe perguntará se você está sonhando, seja um amigo, estranho ou conhecido…

4 – Quando alguém lhe questionar se está sonhando, faça um reality check – teste de realidade, seja observando sua mão, observando a hora no relógio etc.. – e caso sua mão esteja distorcida ou o relógio surtado, certamente você saberá que está sonhando.

5 – Após o teste de realidade, aproveite a oportunidade para conversar com a pessoa que lhe perguntou. Pode ser interessante, afinal não é todo dia que descobrimos pessoalmente, alguém que também se interesse pelos sonhos lúcidos.

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Através da Técnica Start, proposta por Daniel Love, os sonhadores lúcidos terão oportunidade de interagir e conversar sobre o tema.

Uma questão central dessa técnica diz respeito as principais regiões que são ativadas no cérebro quando conversamos. Seriam antagônicas às regiões quando estamos sonhando. Essa relação, de acordo com Love, poderia beneficiar a potencialidade de atingir a lucidez durante o sonho.

Ainda não experimentei a Técnica Start, mas pelo que li a respeito e porque o autor dela é um pesquisador de longa data e autor de livro sobre o tema, aposto minhas fichas e claro, estou ansioso para experimentá-la.

 

Referências Bibliográficas:

https://www.thelucidguide.com/single-post/the-START-Technique-Socially-Triggered-Awareness-Reality-Test

http://www.world-of-lucid-dreaming.com/socially-triggered-awareness-technique.html

https://teespring.com/stores/thelucidshop

 

A Técnica dos Testes de Realidade ou Reality Checks é uma das técnicas mais conhecidas para ter sonhos lúcidos. Encontrada no livro “Exporing the World of Lucid Dreaming” de LaBerge,  parece uma adaptação do Método de Tholey. Ainda não tinha voltado minha atenção para ela por apreciar muito as orientações de Tholey, porém considerando que a adaptação é feita por Stephen LaBerge, imagino que assim como eu, existirão outros interessados por ela.

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1 – Planejar quando testar sua realidade

Escolha de cinco a dez diferentes situações durante o dia para testar seu estado ou realidade. Deverão ser circunstâncias parecidas de alguma maneira com os seus sonhos. Toda que vez que estiver em contato com algo que lembre traços ou elementos dos sonhos, teste sua realidade. Seja na situação de algo surpreendente ,estranho, que o emocione ou alguma experiência incomum… teste sua realidade. Se você tem sonhos com temas recorrentes, aproveite-os sempre quando ocorrerem no estado desperto.

Por exemplo,  caso tenha sonhos com ansiedade, relacionados com altura, deve-se fazer o teste de realidade quando estiver no alto de um edifício, enxergando toda a altura que o lugar proporciona, assim como outras situações, ao atravessar uma ponte ou viaduto…

Outro exemplo, se costuma sonhar algo impossível, por exemplo que está voando: seus testes de realidade podem ser feitos quando estiver acordado(a), imaginando e se visualizando naquela situação de voo e se questionando… “estou voando ou não?”.

2. Teste sua realidade

Pergunte para si mesmo, sempre que possível(pelo menos de cinco a dez vezes ao dia: “Estou sonhando ou acordado?”. Isso não deve ser feito de maneira mecânica, mesmo considerando que você saiba que está acordado, pois isso pode afetar seu julgamento durante o sonho. Olhe para os lados para qualquer coisa estranha ou incoerente que possa ser um indício que você está sonhando. Pense nos eventos recentes, imediatamente anteriores. Você tem algum problema em lembrar o que aconteceu há poucos instantes? Caso sim, você deve estar sonhando.

Em suma, trata-se de uma espécie de adaptação-resumo do Método de Tholey, diversas vezes comentados nesse site. O que parece ser mais interessante é a ideia de concentrar alguns pontos bem especiais, como prestar atenção em situações típicas de sonhos, como eventos estranhos, temas que são recorrentes e intensificar os questionamentos.

LaBerge prossegue nesse capítulo do livro com algumas dicas para fazer seu Teste de Realidade( ou “reality check”). O autor comenta sobre tentar ler alguma palavra e como elas se alteram facilmente nos sonhos, servindo para ele como bom reality check. Do mesmo modo para relógios digitais.

Alguns bons testes de realidade/reality checks: olhar para a mão, acionar um interruptor, puxar o dedo, fechar a boca e o nariz e sentir se continua respirando etc.

Referência Bibliográfica

LABERGE. Stephen. RHEINGOLD. Howard. Exploring the World of Lucid Dreaming. Ballantine Book – New York. 1991.

Existe sonho meio – lúcido? É possível sentir medo em um sonho lúcido? Saber que está sonhando e ter dificuldade de recordar planos realizados no estado desperto?  Não conseguir controlar, fazer proezas fantásticas ou manipular o sonho, mesmo se sentindo plenamente consciente, como se estivesse acordado?

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Será possível saber que estamos sonhando, mas não atingirmos uma consciência próxima do estado desperto?

Convido sonhadores lúcidos e interessados, para uma intrigante reflexão: considerando que existe uma cabal diferença entre saber que está sonhando(sonho lúcido) e o sonho comum, o qual permanecemos ignorando nosso estado adormecido(e de sonho)… seria possível ficarmos no meio-termo disso tudo?!

Numa perspectiva mais prática ao questionarmos: “estou sonhando ou não?”. O problema parece ficar resumido em saber ou não saber que estamos sonhando.

Essas questões envolvem a necessidade de investigação sobre a própria natureza e o conceito do que é sonho lúcido. Para Revonsuo (1995), em seu artigo ‘Consciência, sonhos e realidades virtuais’·, os sonhos são essenciais para a compreensão da consciência desperta. Pode-se dizer, na perspectiva do sonho lúcido, como uma oportunidade para explorar o quão profunda é a toca do coelho, quando tratamos da presença da consciência nos sonhos.

Quando questionamos a natureza de um sonho lúcido, conceitualmente o elemento mais exaltado é “saber que estamos sonhando”(Green 1968, Gruber, Steffen & Vonderhaar 1995, Laberge and Gackenbach 2000, p. 152).  Essa concepção traz um conjunto de elementos que podem ajudar a explicar os motivos pelos quais a experiência da consciência nos sonhos  ou o sonho lúcido, pode variar tanto de um sonho para outro.

Um exemplo de sonho recente que tive, no qual costumo colocar em cheque minha lucidez:

“Observando um prédio, um grupo de pessoas se aproximava em desespero. Assaltantes estavam vindo!… Acompanhava o sonho sem participar, como observador, presenciando a correria pelos corredores do prédio. Muitos conseguiram entrar nos apartamentos, mas alguns ficaram para fora, dentre os quais minha amada.

Levaram ela embora. Minha personagem surgiu e eu estava enfurecido. Procurei um lugar para sair, onde os pegaria de surpresa. Encontrei um corredor que dava para uma abertura do prédio, porém sem elevador ou escadas. Olhei para baixo do prédio e senti medo. Ao mesmo tempo…

Nesse momento percebi que estava sonhando. Só podia!

Saltei sobre aquela abertura e flutuei. Voei em direção aos criminosos. Comecei a dar socos, os quais foram ficando mais e mais fortes. Os murros eram tão fortes que os bandidos voavam e seus corpos se arrebentavam contra paredes. Perguntei para um deles se “estavam afim de ganhar um câncer na próstata?” e soltei uma fulgurante rajada laser dos meus olhos…”

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Salvei minha esposa… e o sonho terminou.

A crítica que eu faço para esse tipo de sonho, com relação a existência de lucidez, é no sentido da incapacidade de refletir, durante o sonho, sobre a inexistência de perigos e que tudo no sonho era simples criação mental minha.

Talvez eu tenha obtido uma percepção da realidade do sonho. Percebi estar apenas sonhando e pude agir dentro da narrativa do sonho, aproveitando-me desse conhecimento e utilizando os recursos disponíveis, entre os quais, não me preocupar com a altura do prédio, voar e vencer qualquer inimigo, etc.. entretanto seria possível ter certeza de que isso foi um estado tão consciente quanto o desperto?

Ora, ao tomar conhecimento de que tudo era apenas um sonho, o que justificaria meu esquecimento de realizar as coisas que tinha planejado fazer quando voltasse a ter um sonho lúcido? Pior, qual a razão de ficar brigando com personagens que eram simples criações mentais minhas?…

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 Não seria oportuno questionar a concepção comum de que o sonho lúcido seja apenas “saber que estamos sonhando”? Saber ou não saber, já pode não soar de maneira retumbante como o conceito definitivo de lucidez no sonho. A nossa mente, assim como no estado desperto, parece poder apresentar graus de lucidez ou consciência.

Uma pesquisa publicada em 2012(VOSS e outros 2012), dotada de uma interessante interdisciplinaridade – áreas da filosofia, psicologia e neurociência estão envolvidas – discriminou oito elementos que foram analisados comparativamente entre os sonhos comuns e os sonhos lúcidos: controle, realismo, memória, intuição, emoções positivas, emoções negativas, pensamento e dissociação.  A abordagem dessa pesquisa será utilizada no próximo post, o qual será tratado com mais profundidade os graus de consciência num sonho lúcido.

Referências Bibliográficas:

REVONSUO, A. Consciousness, dreams and virtual realities, Philosophical Psychology, 8:1, 35-58

WINDT, J. Dreaming: A Conceptual Framework for Philosophy of Mind and Empirical Research. Cambridge: MIT Press. 2015;

GREEN. C. E. (1968). Lucid Dreams, London: Hamish Hamilton.

GRUBER, R -E., Steffen, J – J., & Vonderhaar, S – P. (1995). Lucid dreaming, waking personality and cognitive development. Dreaming, 5 (1), 1 -12.

LABERGE, S., and Gackenbach, J. (2000). Lucid dreaming. In Cardeña, E., Lynn, S.J., and Krippner, S., eds. , Varieties of anomalous experience: Examining the scientific evidence. Washington, D.C. American Psychological Association.

Voss, U., Schermelleh-Engel, K., Windt, J. M., Frenzel, C., and Hobson, J. A. (2013). Measuring consciousness in dreams: the lucidity and consciousness in dreams scale. Conscious. Cogn. 22, 8–21. doi: 10.1016/j.concog.2012.11.001