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Técnicas para induzir Sonhos Lúcidos

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A Técnica dos Testes de Realidade ou Reality Checks é uma das técnicas mais conhecidas para ter sonhos lúcidos. Encontrada no livro “Exporing the World of Lucid Dreaming” de LaBerge,  parece uma adaptação do Método de Tholey. Ainda não tinha voltado minha atenção para ela por apreciar muito as orientações de Tholey, porém considerando que a adaptação é feita por Stephen LaBerge, imagino que assim como eu, existirão outros interessados por ela.

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1 – Planejar quando testar sua realidade

Escolha de cinco a dez diferentes situações durante o dia para testar seu estado ou realidade. Deverão ser circunstâncias parecidas de alguma maneira com os seus sonhos. Toda que vez que estiver em contato com algo que lembre traços ou elementos dos sonhos, teste sua realidade. Seja na situação de algo surpreendente ,estranho, que o emocione ou alguma experiência incomum… teste sua realidade. Se você tem sonhos com temas recorrentes, aproveite-os sempre quando ocorrerem no estado desperto.

Por exemplo,  caso tenha sonhos com ansiedade, relacionados com altura, deve-se fazer o teste de realidade quando estiver no alto de um edifício, enxergando toda a altura que o lugar proporciona, assim como outras situações, ao atravessar uma ponte ou viaduto…

Outro exemplo, se costuma sonhar algo impossível, por exemplo que está voando: seus testes de realidade podem ser feitos quando estiver acordado(a), imaginando e se visualizando naquela situação de voo e se questionando… “estou voando ou não?”.

2. Teste sua realidade

Pergunte para si mesmo, sempre que possível(pelo menos de cinco a dez vezes ao dia: “Estou sonhando ou acordado?”. Isso não deve ser feito de maneira mecânica, mesmo considerando que você saiba que está acordado, pois isso pode afetar seu julgamento durante o sonho. Olhe para os lados para qualquer coisa estranha ou incoerente que possa ser um indício que você está sonhando. Pense nos eventos recentes, imediatamente anteriores. Você tem algum problema em lembrar o que aconteceu há poucos instantes? Caso sim, você deve estar sonhando.

Em suma, trata-se de uma espécie de adaptação-resumo do Método de Tholey, diversas vezes comentados nesse site. O que parece ser mais interessante é a ideia de concentrar alguns pontos bem especiais, como prestar atenção em situações típicas de sonhos, como eventos estranhos, temas que são recorrentes e intensificar os questionamentos.

LaBerge prossegue nesse capítulo do livro com algumas dicas para fazer seu Teste de Realidade( ou “reality check”). O autor comenta sobre tentar ler alguma palavra e como elas se alteram facilmente nos sonhos, servindo para ele como bom reality check. Do mesmo modo para relógios digitais.

Alguns bons testes de realidade/reality checks: olhar para a mão, acionar um interruptor, puxar o dedo, fechar a boca e o nariz e sentir se continua respirando etc.

Referência Bibliográfica

LABERGE. Stephen. RHEINGOLD. Howard. Exploring the World of Lucid Dreaming. Ballantine Book – New York. 1991.

Uma vida mais reflexiva para ter mais sonhos lúcidos! Esse texto é baseado numa ideia que li numa entrevista anos atrás. Ela foi colocada de maneira bem simples e direta, por uma pesquisadora e sonhadora lúcida pioneira de laboratório chamada Beverly D’Urso. Nesse texto procuro desenvolver um pouco mais a ideia, especificamente sobre essas implicações de uma vida mais consciente para indução de sonhos lúcidos.

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Beverly D’Urso recebendo eletrodos de Stephen LaBerge, nos  laboratórios de sono da Universidade de Stanford.

Uma vida mais consciente é no mínimo, um estilo de vida mais atenta ao que ocorre na realidade e para com seus próprios pensamentos e ações. Certamente, algo do gênero possui algum valor na indução de sonhos lúcidos, considerando que é a consciência que se quer fazer aparecer por lá.

Consciência na vigília x consciência no sonho

Provavelmente, boa parte dos sonhadores lúcidos já carreguem naturalmente esse traço/assinatura de estado mental. E é conveniente ressaltar que a ideia de “vida mais consciente” pode trazer  uma espécie de gatilho da consciência nos sonhos.

Isso diz respeito a necessidade de se levar uma vida o mais consciente possível, com atenção as nossas ações e pensamentos, de uma maneira menos automática e mais presente ou reflexiva. As implicações de um estilo de vida menos “autômato” e mais subjetivo, podem ser compreendidas de maneira intuitiva.

Na medida que passamos a questionar mais nossos próprios atos, pensamentos ou emoções, vivenciamos nossas experiências do estado desperto de maneira mais intensa. Isso significa que nossa atenção está ancorada em vivenciar tudo de maneira mais plena.

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Uma vida com um posicionamento crítico-reflexivo mais presente pode servir de gatilho para indução de sonhos lúcidos.

Traçando um paralelo, ao estilo de sonho que normalmente temos, nos quais somos apenas participantes de uma narrativa mirabolante em que não somos diretores ou os roteiristas, observamos não existir por aqui aquele posicionamento/pensamento defendido pela Beverly D’Urso. Afinal, dentro de um sonho comum, esse pensamento crítico-reflexivo, não é um elemento natural.

O que essa ideia de “vida mais consciente” pode trazer é uma espécie de gatilho da consciência nos sonhos. Assim como os “reality checks” ou testes de realidade, quando olhamos para as mãos e nos questionamos se estamos sonhando ou não.

Manter um tipo de pensamento mais presente ou aberto às experiências que se está vivendo, munido de reflexões ou posicionamento crítico-reflexivo, pode trazer um gatilho que também será acionado durante os sonhos.

Vale lembrar que os sonhos são estruturados sobre o nosso Inconsciente. Na medida que alimentamos ele com esse tipo de pensamento, dificilmente o mesmo não seria reproduzido por lá. E no final das contas, agora, naturalmente, como parte integrante do próprio sonho, causando a necessidade de se vivenciar mais intensamente o momento, refletindo, criticando e… questionando!…

Referências:

(Entrevista completa com Beverly D’Urso)

http://www.improverse.com/ed-articles/robert_waggoner_2004_Jul_LDE_interview_beverly_durso.htm

http://www.improverse.com/ed-articles/robert_waggoner_2004_Aug_LDE_interview_beverly_durso2.htm

http://www.improverse.com/ed-articles/robert_waggoner_2004_Sep_LDE_interview_beverly_durso3.htm

    Baseado em experimentos pessoais, assim como a Técnica das Portas, eis que a sensação Tátil está se revelando com um surpreendente valor para mim. Trata-se de um dos sentidos menos explorados nos sonhos, pelo menos de acordo com os relatos, porém com resultados bem interessantes, especialmente nos meus últimos sonhos lúcidos.
A experiência Tátil pode servir para os momentos que antecedem a formação do sonho. Ao que parece, o tato pode ser sentido antes do sonho se realizar, contribuindo para manter a consciência, até a sua concretização.
   Com a chegada das Férias, a qualidade do sono pode melhorar, bem como o stress com os problemas do trabalho. No meu caso, não me furto em aproveitar a oportunidade para fazer mais testes com sonhos lúcidos, e agora, estou explorando o uso do sentido do tato.
    Experiências anteriores, com sonhos ainda não formados, já me sinalizavam que a sensação tátil pode ocorrer facilmente e de maneira natural. Reparem que estou me referindo aos momentos anteriores ao sonho, situações nas quais tudo está escuro e nada é sentido ou presenciado.
A Técnica:
    Nessas situações, com uma espécie de pequeno lampejo de consciência, vivenciado esse nada, procuro sentir o chão. Alguma solidez abaixo de mim e assim que ela é sentida, passo a engatinhar, dando continuidade a essas sensações.
      O movimento passa a acompanhar a experiência tátil. Passo a sentir a textura de alguma parede próxima, do engatinhamento, passo para um caminhar de cócoras e/ou de joelhos. Prossigo por um tempo, até sentir que será inevitável encontrar uma porta
      Busco então através do tato, encontrar uma maçaneta. No  momento que a sinto em minha mão, giro-a e desejando encontrar um cenário luminoso.

Exemplo de sonho recente:

    “Era um lugar muito escuro, não conseguia enxergar coisa alguma, mas sentia que era o sonho se iniciando. Lembrei de tatear o chão e como já havia funcionando tão bem anteriomente. Fui tateando e sentindo o chão. Prossegui e de repente fiquei sem gravidade de cabeça pra baixo. Não conseguia me manter.
Imagem do excelente personagem de quadrinhos, o Demolidor(com ótima série no Netflix), propriedade da Marvel, em que o personagem possui uma avançada cinestesia(propriedade do tato) e radar especial de percepção avançada.
    Devo ter tido um falso despertar e recomecei da mesma maneira, tateando e insistindo em continuar no sonho até ele se formar. Finalmente era uma rua e estava clara. Resolvi dar uma corrida. Tentei lembrar se havia algo planejado para fazer. Lembrei que nosso desafio, meu e da minha amada Lucia já havia sido feito(resolver um problema). E não havia desafios para cumprir, pelo menos previamente combinados.  Resolvi fazer umas flexões. Fiz algumas e também corri.  Vi uma bicicleta passar pela rua(…). Cheguei numa casa e abri porta.
     Lembrei de uma última conversa com a Lúcia, sobre como seria encontrar um ser vivo, com inteligência desenvolvida por um bilhão de anos. Dentro da casa, recordei que tinha planejado encontrar num próximo sonho lúcido, um ser que tivesse um bilhão de anos(continua…)”.

Pesquisa em laboratório de sono, consegue provocar a indução de sonhos lúcidos através de estímulos de 40 Hz, ou seja com ondas gama. Pesquisar o estado mental dos sonhos lúcidos, com a presença da consciência do sonhador é uma oportunidade estimulante para o avanço nos estudos sobre a natureza da consciência.

Imagem do excelente filme Source Code – Contra o Tempo.

Cientes de alguns mecanismos e atividades cerebrais, envolvidos no evento da consciência durante os sonhos lúcidos, Ursula Voss e outros neurocientistas da Universidade de Frankfurt realizaram experimentos para induzir sonhos lúcidos em laboratório.

O experimento envolveu o recrutamento de 27 voluntários que nunca tinham tido um sonho lúcido(ou que pelo menos não se recordavam), para receberem o estímulo craniano nas regiões dos lobos frontal e temporal. Quando os estímulos eram de 40 Hz – ondas gamas, o cérebro reproduzia a mesma frequência e em 77% das vezes resultou em lucidez.

Segue o relato de um voluntário:

“Eu estava sonhando com torta de limão. Parecia translúcida, mas, ao mesmo tempo, não eram. Lembrava um pouco um desenho animado, como os Simpsons. Então eu comecei a cair e o cenário mudou e então eu estava falando com Matthias Schweighöfer [um ator alemão] e mais dois estudantes estrangeiros de intercâmbio. Eu estava pensando sobre o ator e eles me disseram ‘sim, você encontrou ele antes’, e então eu percebi ‘ops, você está sonhando’. Quer dizer, enquanto eu estava sonhando! Tão estranho”.

Fonte:
http://www.nature.com/neuro/journal/v17/n6/full/nn.3719.html

Esse texto irá tratar da fundamental importância do propósito ou da intenção para ter sonhos lúcidos. Um caminho bem simples para conseguir ficar consciente num sonho é saber se utilizar do “Propósito ou “Intenção”. Foi pesquisada como técnica de indução, num estudo realizado por Tadas Stumbrys, Daniel Erlarcher e outros, conforme artigo publicado sob o título “Indução de Sonhos Lúcidos: Uma Sistemática Revisão de Evidências” (fonte abaixo).

A intensidade como desejamos realizar o propósito de ficarmos consciente num sonho é proporcionalmente determinante à eficiência de ter um sonho lúcido. Na imagem, um dos personagens criados em meus sonhos, durante minha infância: o “Doutor Psí”.

A aplicação da técnica, realiza-se da seguinte maneira:

– Antes de dormir, procure se imaginar, intensamente, experimentando um sonho ou vivenciando um sonho como se já estivesse nele. Ainda durante esse exercício imaginativo – acordado – reconhecendo que está sonhando.

Trata-se de uma maneira bem direta de induzir um sonho lúcido e de acordo com essa pesquisa é capaz de produzir bons resultados. Pode-se perceber uma flagrante semelhança com a técnica  MILD ou até mesmo com o THOLEY. Porém não aborda a memória da maneira como recomenda LaBerge e também não requer um empenho mais extenso e com outros elementos como sugere Paul Tholey.

O índice de eficiência, em alguns experimentos, superou diversas outras técnicas. Parece haver uma semelhança no índice de ocorrência com a Autossugestão.

Essa técnica me remete dramaticamente ao trecho do filme Matrix, impostado logo abaixo. “Não ache que você é… SAIBA que você é.”  Transportado para nosso tema “Não ache que você pode ficar consciente num sonho… SAIBA que você consegue!”






O Diário de Sonhos sempre é um aliado para exercitarmos nossa familiaridade com a estrutura do sonho. Assim, como nessa técnica é importante se imaginar e se reconhecer num sonho, sugiro dar uma boa caprichada nas anotações dos seus sonhos.

Vale ressaltar que foi percebido uma grande eficiência dessa técnica, especialmente como ferramenta para controle de pesadelos.

Para quem quer realizar algum experimento em especial nos sonhos, sugiro uma boa lida na Técnica da Incubação.

Fonte Bibliográfica:

STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.

Uma das ferramentas mais simples para auxiliar na indução de sonhos lúcidos, é fazer um pequeno exercício de olhar para as mãos, durante poucas vezes ao dia. Isso é chamado de Reality Check ou Teste de Realidade. Existem diversas maneiras de se fazer um reality check. Pode ser acionando interruptores, observar a hora num relógio, puxar um dedo da mão, questionar-se como chegou até aquele local etc.. Nesse post vou dissecar mais essa incrível ferramenta de indução, mas vou me ater ao teste de realidade das mãos ou reality check das mãos.

As mãos nos sonhos tendem a refletir muito como de fato funciona a realidade sonhos: pouca lógica ou mecanicismo. O que a torna uma das ferramentas mais interessantes na indução de Sonhos Lúcidos. Na imagem, “A Mão”, de Salvador Dali.

Um reality check vai estimular ou nos condicionar, para em momentos específicos, trazermos à tona um pensamento crítico-reflexivo: “estou sonhando ou não?”

Os momentos ideais:

Certos momentos em nossas rotinas se destacam por algum tipo de peculiaridade. Preferencialmente, fique atento para eventos surpreendentes, situações que você perceba – observando seu Diário de Sonhos – ocorrerem com mais frequência nos sonhos, acontecimentos esdrúxulos ou até mesmo quando tiver que esperar em alguma fila, uma viagem ou de ócio. Em se encontrando em algum desses momentos, olhe discretamente para pelo menos uma de suas mãos e se pergunte:  “Estou sonhando ou não?”

Certos momentos no nosso dia-a-dia podem ser bem especiais para realização de um Reality Check. Não é preciso exercitar muitas vezes. Seguindo o Método de Tholey, parece razoável ficar entre 5x até 10x ao dia no máximo. O que importa é a qualidade da reflexão naquele momento.

Explicando a indução:

O mecanismo é bem simples. Ao se criar o condicionamento de questionar a realidade no estado desperto, invariavelmente esse tipo de comportamento será levado para os sonhos. Assim, mais cedo ou mais tarde, durante um sonho qualquer, ao vivenciar o mesmo tipo de evento, o comportamento condicionado será acionado, de forma automática(ainda não consciente ou lúcido) e ao se deparar com sua mão, eis que a estrutura inconsciente do seu sonho receberá um convidado muito especial: sua consciência!…  A sensação para quem nunca experimentou um sonho lúcido é assombrosa. É como visitar o interior da sua mente pela primeira vez. Numa espécie de mundo mental particular ou um emulador de realidade… se prepare para ser tomado pela euforia, descontrole, risos e exultação. Humilha todos os tipos de drogas ou alucinógenos indubitavelmente.

Como a mão é observada?

Varia bastante de pessoa para pessoa, mas como no estado mental dos sonhos, a lógica e o mecanicismo cedem um espaço colossal para a criatividade e imaginação, deixo a cargo do leitor, os infinitos tipos de mãos que poderão ser vistos.

O índice de eficiência

Sempre defendo que o reality check deve ser usado como uma ferramenta suplementar ao Diário de Sonhos e um bom Método de Indução(Tholey, WBTB, MILD…). Utilizando apenas o reality check a frequência de sonhos lúcidos pode ser baixa, mas ao aplicar junto com algum desses métodos e o Diário, suas chances irão aumentar sensivelmente.

Com o tempo…

Algo muito interessante aconteceu comigo nesses últimos anos.  Não me considero um sonhador lúcido de alta frequência – bons voluntário, típicos de laboratório de sono, conseguem ficar conscientes em média 2 noites por semana – pois minha frequência é errática, mas ficando consciente em média 1 noite a cada 10 dias. Ainda assim, nos últimos anos reparei que eu mal chego a olhar minhas mãos nos sonhos. Apenas começo a pensar em olhar para elas e já sei que estou sonhando.

Minha hipótese é que com o tempo, vamos nos familiarizando a tal ponto com a estrutura do sonho que ao começarmos a execução da rotina condicionada, de olhar para as mãos nos sonhos, imediatamente já reconhecemos se tratar de um sonho. A tessitura da estrutura do sonho é rapidamente flagrada, antes mesmo de precisar olhar para as mãos.

Com o tempo, esse gatilho de consciência que são os reality checks, são acionados cada vez mais rapidamente ao ponto de nem precisarmos completar sua execução, com o processo se desencadeando de maneira quase imperceptível.

Exemplos de aplicação do Reality Check:

Tempos atrás eu estava sonhando muito que voava. Minha forma de locomoção nos sonhos de repente era só voando!… Aquilo chamou minha atenção e assim que percebi, passei a aplicar meus reality checks das mãos, imaginando-me durante o estado desperto que estava voando. Tive êxito logo em seguida. Na época aplicava Tholey com os Reality checks, sempre usando o Diário.

Caso esteja sonhando muito com gatos, acidentes, pássaros ou qualquer outro tema recorrente, pode aproveitar as situações em que acontecerem no dia-a-dia.