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Benefícios dos sonhos lúcidos

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   Há alguns anos atrás, comentei sobre uma entrevista¹ do pesquisador Silvio Scarone, da Universidade de Milano, acerca da possibilidade das pesquisas com sonhos lúcidos contribuírem no estudo de certas psicoses. Quero ressaltar a relevância disso mais especificamente para com a esquizofrenia.
Vou me valer da recente tese de doutorado² do Sérgio Rolim, para esclarecer essa magnífica possibilidade.

As pesquisas relacionadas aos mecanismos envolvidos no sonho lúcido talvez possam trazer alguma contribuição no estudo da esquizofrenia. Na imagem, o excelente filme Uma Mente Brilhante.

    De acordo com Freud e Kraepeli , a psicose pode ser compreendida como uma invasão do sonho no estado desperto. O que é o inverso do mecanismo do sonho lúcido, quando temos a invasão da consciência, durante o estado mental dos sonhos.
   Numa experiência com camundongos, com uso de dopamina, resultando num aumento de dopamina na fenda sináptica, verificou-se a fusão do estado mental desperto com o estado de sono REM(ou vigília+SREM).

   Acompanhando essa perspectiva, a esquizofrenia poderia ser identificada como “o sonho durante a vigília”. Enquanto o Sonho Lúcido poderia ser entendida como “a vigília no sonho”. Percebendo-se assim uma clara inversão ou como o Sonho Lúcido inversamente relacionado com a Esquizofrenia.

Sonhador Lúcido sendo submetido ao mapeamento por ressonância magnética, durante  um sonho lúcido.

    Por meio de pesquisas de mapeamento do cérebro, verificou-se que na esquizofrenia há uma atrofia frontal generalizada, sendo que no sonho lúcido se nota uma intensificação da atividade frontal, mais especificamente no córtex pré-frontal dorso-medial – região diretamente ligada a autoconsciência.

    Na medida que forem compreendidos os mecanismos de estabelecimento da consciência, durante o estado mental dos sonhos, talvez novas possibilidades se abram no enfrentamento do seu estado reverso, no caso a esquizofrenia. Recentemente um mapeamento neuroanatômico mais preciso foi conseguido, acompanhando em detalhes o funcionamento do cérebro de sonhadores lúcidos, através do uso de máquinas de ressonância magnética. Essa pesquisa pode ser encontrada aqui.

Fontes:

1 – https://www.sonhoslucidos.com/2011/07/sonhos-lucidos-podem-auxiliar-no.html

http://phys.org/news168024914.html

2 – https://www.sonhoslucidos.com/2012/12/aspectos-socio-demograficos-cognitivo.html

http://www.sigaa.ufrn.br/sigaa/public/programa/defesas.jsf?lc=pt_BR&id=367

    Um estudo pioneiro, conduzido por Daniel Erlacher(Universidade de Heidelberg) e Michael Schredl(Universidade de Bern), trouxe novas fronteiras para serem exploradas na área de estudo dos sonhos lúcidos. A pesquisa aponta a fascinante possibilidade de aprimoramento de exercícios que envolvam habilidades motoras, através dos sonhos lúcidos. Já citei o Sidarta Ribeiro por aqui que em entrevista ao Globo Repórter no ano passado, faz referência a esse estudo.

Os Sonhos Conscientes poderão contribuir para formação de legiões de novos Super Atletas? Imagem  extraída do  “Blog do Rodman”.

   Sonhos noturnos podem ser considerados um tipo de simulação do mundo real em um elevado nível cognitivo. No caso dos sonhos lúcidos, o sonhador é capaz de induzir, manipular ou controlar a narrativa do sonho de acordo com sua vontade e fica livre para tentar fazer o que desejar. No mínimo o sonhador lúcido deixa de ser um mero partícipe carregado pela correnteza da narrativa do sonho comum. Ele sempre estará sabendo que tudo é meramente construção mental própria ou apenas seus sonhos.

   Em um estudo piloto, a possibilidade de praticar uma atividade envolvendo habilidade motora foi estudada. Quarenta participantes foram convidados a participar de um grupo de prática de sonho lúcido, um grupo apenas com a prática no estado desperto  e um grupo de controle.
A atividade envolvendo coordenação motora foi o arremesso de moedas de 10 centavos em um copo e acertar o máximo possível das 20 tentativas. A performance no estado desperto foi medida ao anoitecer e na manhã seguinte. Foi pedido aos 20 voluntários que praticassem a atividade durante seus sonhos lúcidos. Desse grupo, apenas 7 conseguiram realizar o experimento em seus sonhos lúcidos. Esses apresentaram uma considerável melhora no desempenho, aumentando a média de acerto de 3.7 para 5.3; enquanto os 13 voluntários que não conseguiram realizar no sonho lúcido tiveram queda na média de acertos de 3.4 para 2.9.

Mercenário, o vilão personagem da Marvel, com assombrosas habilidades de mira.

    Comparando os grupos, a atividade física demonstrou maior aumento na performance para aqueles que tiveram êxito ao conseguirem realizar o experimento nos sonhos lúcidos. Houve um aumento considerável nas estatísticas se comparado com o grupo que não sonhou ou o grupo de controle.
Trata-se de uma pesquisa inicial, pioneira e vários outros fatores precisam ser considerados, como a motivação e que podem ter interferido na pesquisa. Para esclarecer as variáveis, será importante novos estudos a serem conduzidos nos laboratórios de sono.

Fontes:

   O sonho comum de fase REM, sem a presença da lucidez, já possui estudos bem avançados que apontam para o aprimoramento e consolidação de memórias. Dormir com qualidade, portanto, estaria implicando numa maneira bem simples e eficaz, para deixar nosso cérebro fazer o trabalho dele, organizando os novos conhecimentos adquiridos.

Quer se sair bem numa prova? Estude muito e durma com qualidade. Se precisar tire cochilos, mas estude bastante, durma mais um pouco, estude mais e durma mais um pouco. Se consegue ficar consciente no sonho, melhor ainda! Aproveite esse sonho e vá bater um papo com o professor sobre a prova 🙂

   Uma perspectiva interessante no caso dos sonhos lúcidos é que poderíamos utilizar o sonho, como um simulador virtual, em que a manipulação das diversas informações ou novos conhecimentos, pudessem ser acessados e trabalhados por meio de nossa vontade, sem deixar a mercê do funcionamento natural do cérebro.

   Talvez acelerar um processo de aprendizado? Como no caso do experimento envolvendo o aprimoramento de um exercício que envolvia coordenação motora(arremesso de moedas num copo).

   Existem muitas atividades que vão deixando de parecer complexas, na medida que temos oportunidade de praticá-las com mais frequencia. Uma grande diversidade de atividades esportivas e/ou jogos, dificilmente não envolve necessidade de intensos treinamentos, até atingir uma performance especial. Estou pensando agora numa atividade que tive que aprender hoje no trabalho, relacionada ao acesso de diversos aplicativos, análise e interpretação de dados… a coisa toda só ficou menos monstruosa, na medida que foi permitido praticar um treinamento inicial.

Existem estudos promissores conduzidos por Daniel Erlacher, na Alemanha associando o treinamento de habilidades motoras por meio de sonhos lúcidos.

   Se pegarmos exemplos de diferentes áreas do conhecimento humano, como as artes, invenções, ciências ou atividades físicas(esporte por exemplo)… veremos que elas poderão acabar funcionando de maneira diferente nos sonhos.

   Parece-me mais razoável que a área artística saia em vantagem. Como a imaginação ou criatividade é a principal força propulsora da mente enquanto sonhamos, o cérebro de alguém voltado para a arte provavelmente estará mais sensível a novos insights criativos, sem a necessidade de esforços mais profundos no estado desperto.

   Valeria então as sugestões de Salvador Dali, para que pintores cochilassem com seus pincéis próximos das telas…

   Por outro lado, novas intuições criativas não seriam tão fáceis assim para pesquisadores das diversas áreas científicas. O esforço intenso no estado desperto seria o combustível principal para novos insights durante o estado mental dos sonhos. Novas portas seriam proporcionalmente, mais facilmente abertas caso um trabalho intenso estivesse sendo realizado quando acordado.

  No caso de atividades físicas como tiro ao alvo(ou arremesso de moedas num copo), pelo experimento bem sucedido citado anteriormente, fica evidenciada a necessidade de algum treinamento inicial, suficiente para tornar possível a simulação na realidade mental dos sonhos.

  Soluções de problemas, das mais diversas áreas de estudo, certamente podem ser trabalhadas nos sonhos, mas também exigindo o abastecimento com premissas, dependendo da complexidade das questões envolvidas e o conhecimento prévio do sonhador. Não há como aprender a falar japonês sem algum aprendizado inicial na vigília. Se bem que já conversaram comigo em alemão nos sonhos e de ouvido eu anotei e consegui a tradução…! rsrsrs  mas aí já estamos entrando na questão das impressionantes informações guardadas pelo subconsciente.

  

   Em recente pesquisa promovida pelo Instituto Max Planck (Alemanha), quatro experientes sonhadores lúcidos foram submetidos a novos exames em laboratórios de sono, de Ressonância Magnética Funcional (fMRI) e EEG – Eletroencefalograma. O objetivo foi investigar os padrões neurológicos dos sonhadores lúcidos que são ativados quando esses conseguem ficar conscientes nos sonhos(sonhos lúcidos).

Sonhador Lúcido entrando na máquina de Ressonância Magnética. Foto do Instituto Max Planck.  Foram 4 experientes sonhadores lúcidos que participaram da pesquisa.

   O que difere fundamentalmente o sonho comum do sonho lúcido é a consciência. No sonho lúcido somos capazes de manter a percepção de que tudo ali é meramente um sonho. Essa investigação promove um fascinante avanço, usando os sonhos lúcidos como poderosa ferramenta, na busca pelos fatores que determinam ou que possibilitam a presença da consciência.

   As áreas do cérebro identificadas estão normalmente desativadas durante os sonhos REM comuns. Porém, durante o sonho lúcido, mesmo com o padrão de ondas cerebrais registrados, típicos da fase REM do sono, foram determinadas regiões cerebrais fortemente ativas, se comparadas como os sonhos não-lúcidos da fase REM. Que foram: áreas específicas da rede cortical, incluindo o córtex prefrontal dorsolateral, as regiões frontopolares e o lóbulo quadrado (precuneus).

    O que há de comum entre o estado desperto e o sonho lúcido? Ora, quando estamos acordados, nossos cinco sentidos estão recebendo estímulos externos, nossos músculos funcionam, recebendo os comandos do cérebro e estamos conscientes de estar fora da cama, temos memória de quem somos, na realidade que vivemos, etc..

Cena do fime Inception – A Origem.

  Quando sonhamos(especificamente na fase REM do sono), ainda sem considerar o sonho lúcido ou consciente, os estímulos externos são quase totalmente bloqueados, nossos músculos param de receber comandos do cérebro e ficamos submetidos a rigidez do sono ou atonia muscular da fase REM. Nesses sonhos tão vívidos e emocionalmente intensos, participamos dos sonhos, porém sem estar conscientes de que tudo ali é meramente um sonho.

   No momento em que transformamos o sonho comum num sonho lúcido, conseguimos ativar nossa consciência. Sabemos que estamos presentes em meio a todo um universo próprio e exclusivamente mental. O grande êxito está em fazer brotar e manter essa consciência ativa, durante o estado mental dos sonhos.

   O estudo a que me refiro nesse post, caminha no sentido de explorar os mecanismos que passam a atuar, a partir do momento em que os sonhadores lúcidos, conseguem manifestar a consciência nos sonhos. Esse processo foi flagrado e não há dúvida que é um grande passo nas pesquisas sobre o cérebro, mente, sonhos e a consciência.

Fontes:

 Martin Dresler; Renate Wehrle; Victor I. Spoormaker ; Stefan P. Koch; Florian Holsboer; Axel Steiger; Hellmuth Obrig; Philipp G. Sämann; Michael Czisch. Neural Correlates of Dream Lucidity Obtained from Contrasting Lucid versus Non-Lucid REM Sleep: A Combined EEG/fMRI Case Study. Sleep, Vol. 35, nº 7 – 2012.

http://www.journalsleep.org/ViewAbstract.aspx?pid=28569

http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/pesquisadores-desvendam-mecanismos-dos-sonhos-conscientes-01082012-18.shl

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=sonhos-lucidos-consciencia-humana&id=8013

   Já relatei por aqui minha primeira experiência de controle dos sonhos, enfrentando um pesadelo, transformando-me no Hulk.
   Era uma época de pesadelos frequentes. Porém chegou um tempo, em que durante meus sonhos, eu conseguia com frequência, perceber que estava sonhando. E rapidamente corria fazer coisas como levantar vôo ou lançar raios, aproveitando ao máximo o tempo que durasse toda aquela fabulosa experiência.

Poder explorar os sonhos, mantendo a consciência de que estamos num sonho criado por nossa mente,  nos dá uma liberdade difícil de ser imaginada. 

   Em outros sonhos eu me transformava em super-heróis, criava muitos personagens e alienígenas!… Um universo fantástico e acredito que muito bem estimulado pelas leituras de livros, como Tarzan e Perry Rhodan, os quais meu pai, pacientemente, revezava a leitura comigo.

   É interessante notar que tanto naquela época, assim como atualmente, parece ser possível distinguir uma espécie de sonho. Trata-se de um estado mental, durante os sonhos, em que apesar de existir essa percepção de estar apenas sonhando, não consigo ir além da capacidade de apenas assumir a narrativa. Posso me tornar um ser poderoso, um semi-deus capaz de varrer qualquer tipo de ameaça ou pesadelo que tente me atormentar.

Uma das partes mais divertidas num sonho lúcido é a oportunidade de usufruir da mais plena liberdade, criar, fazer e sentir e abusar dos desejos.

   Nesse tipo de sonho, parece-me cada vez mais claro, não haver presença da consciência como almejamos durante os sonhos lúcidos ou conscientes. Pelo menos falta a capacidade, por exemplo, de recordar experimentos planejados durante o estado desperto.

   Eu vibro muito durante um sonho lúcido, quando estou voando e tentando lembrar… “espera aí! O que eu havia planejado fazer quando ficasse lúcido num sonho?!”

   Quando em seguida vem a lembrança: “Ah! Eu queria tentar encontrar a primeira casa que eu não consigo lembrar… da época dos meus 3 anos de idade!…”

   Situações como essa exemplificam fatores que parecem determinar a presença incontestável(ao menos para o próprio sonhador) da total força da consciência.

    Vou elencar alguns elementos fundamentais:

– em primeiro lugar, a percepção de estar sonhando,

– conseguir se manter no sonho, evitando o despertar.

– capacidade de recordação de planos elaborados no estado desperto.

– uso de técnicas para manipular ou controlar o sonho(até mesmo sua duração).

    Numa situação em que estejam reunidos todos esses elementos no sonho, o sonho lúcido pode estar acontecendo com um espécie de “superconsciência”. Até que ponto, podemos determinar as diferenças do nosso modo de ser, comparando esse estado mental, com o estado desperto?

Será possível atingir um nível especial de consciência nos sonhos, em que seremos capazes de acessar  nossa mente, sob certos aspectos, de maneira mais eficiente do que no estado desperto?(Na imagem, uma cena do filme Prometheus – achei ótimo!).

    Poderemos acessar memórias inacessíveis do estado desperto? Simular soluções para problemas em que trabalhamos com afinco? Quem sabe, aprimorar nossa própria maneira de ser, explorando características, qualidades e defeitos que não conseguimos vislumbrar quando estamos acordados?

   Que nossa mente é capaz de trabalhar de maneira diferente, enquanto sonhamos, está bem claro. Considerando a quantidade de exemplos de cientistas, pintores, inventores, escritores e filósofos com incríveis relatos de experiências com sonhos… podemos sim investir em experimentos, com o objetivo de acessar e explorar esse tão fascinante caminho.

      O estado mental dos sonhos é pródigo em contribuir para soluções de problemas enigmáticos, criatividade em pinturas exuberantes, idéias para livros com histórias monumentais, melodias de músicas encantadoras e muito mais.

      Existem diversos outros exemplos, os quais rotineiramente gosto de citar: Kekulé, o matemático hindu Srinivasa Ramanujan, Mendelev, Mary Shelley com Frankenstein, Wagner com Ring Cycle, o poema de Kubla Khan… Salvador Dali e o Mr.Hyde de Robert Louis Stevenson!… São exemplos fascinantes que nos inspiram a explorar o fascinante mundo do estado mental dos sonhos.

O escritor Robert L. Stevenson foi despertado de seu pesadelo por sua esposa, pois o marido gritava. Ao ser desperto  questionou: “Por que me acordou? Eu estava tendo um ótimo conto com um monstro.” De acordo com a senhora Stevenson, o marido acordara logo após a primeira transformação.

      Entrementes, vale ressaltar um denominador comum entre a esmagadora maioria desses casos fantásticos: esses brilhantes sonhadores estavam sempre focados nas suas áreas.

     Durante o estado desperto, O autor do Médico e o Monstro, Robert L. Stevenson estava revisando uma obra sua, na qual eram, possivelmente, os primeiros passos para concretização do “Estranho caso do Dr. Jerkyll e Mr. Hyde”. Mary Shelley também estava voltando suas atenções, em vigília, para contretização de Frankenstein…

Frankenstein foi obra de Mary Shelley, após sonhar com um cientista horrorizado com o terrível ser que ele mesmo havia criado.

… René Descartes foi um exemplo magistral. Virou de ponta-cabeça o modo de pensar da humanidade. Nas palavras desse filósofo, na sua obra Meditations on the First Philosophy:
“Agora estou acordado, e percebo algo real; mas como minha percepção não é suficientemente clara, ao dormir desejo que meus sonhos possam me representar o objeto da minha percepção com mais verdade e clareza”.

    Os sonhos podem servir como uma máquina fabulosa, um computador magnífico, capaz de fazer nossa mente trabalhar de uma maneira diferente do estado desperto, onde por vezes, poderá resultar em soluções, insights ou criações até então não imaginadas durante a vigília.

Será possível atingir uma fórmula ou assinatura mental, na qual teremos acesso ao estado consciente nos sonhos, onde poderemos manipular simulações, aprimorando o estudo sobre objetos do nosso interesse?

   Interessante notar como tudo isso reflete a própria maneira de funcionar nosso cérebro, durante os sonhos. Reparem na natureza dos reality checks: interruptores, a quantidade de dedos na mão, a precisão de um relógio digital(com segundos) ou com ponteiros(idem).

    Sabemos que podemos sonhar as coisas mais psicodélicas ou surreais. Podemos atravessar paredes, saltar sobre prédios, voar ou nos transformar em qualquer criatura que habite nossa imaginação. Porém a lógica e o mecanicismo da vigília terão pouco espaço. Será praticamente impossível ler qualquer página de livro num sonho. Igualmente para o marcador de segundo num relógio. Caso tenha contado dez dedos na sua mão, olhe para o lado e observe novamente suas mãos!

  Um elemento primordial do estado mental dos sonhos que é corriqueiramente desprezado: as emoções. Especialmente os sonhos presentes na fase REM. Nesses sonhos, estaremos a mercê de uma carga de emoções muito mais intensa do que no estado desperto.

Aprender a refletir mais sobre as emoções que sentimos no estado desperto, pode se revelar numa poderosa ferramenta de indução de sonhos lúcidos.

      As emoções podem se revelar, como a mais poderosa ferramenta de indução de sonhos lúcidos. Na medida que somos obrigados a lidar com elas em nosso estado desperto, podemos tentar refletir com mais frequência, sobre o que realmente se passa conosco nessas situações. Sabemos que elas tendem a ecoar em nossos sonhos.

      Quanto maior for o impacto delas no estado desperto, proporcionalmente maior serão as chances de surgirem enquanto sonhamos. O psicoterapeuta alemão Paul Tholey sabia muito bem o que estava fazendo, ao sugerir em seu método, para nos questionarmos, refletirmos durante o estado desperto sobre esses sentimentos. Beverly D’Urso provavelmente obtém sua grande frequência de sonhos lúcidos aplicando isso. Parafraseando a doutora, é necessário uma vida mais lúcida, para obter sonhos lúcidos.

   
   
Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Strange_Case_of_Dr_Jekyll_and_Mr_Hyde

http://en.wikipedia.org/wiki/Frankenstein