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Experimentos em Sonhos Lúcidos:fronteiras da consciencia.

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     Madrugada de sexta para sábado, dia 19 de maio de 2012. Hora indeterminada… alarme de segurança tocando forte na XV de novembro em Curitiba. Há alguns dias atrás o mesmo alarme destruíra uma noite de sono minha, resultando numa terrível dor-de-cabeça. Abro a janela, louco de raiva, tentando identificar a origem do incansável alarme… liguei para a polícia alegando perturbação da ordem pública, questionei a portaria e desabei na cama com uma montanha de cobertor e travesseiros sobre mim.

Alarme de Segurança tocando na madrugada é pra acabar com o sono de qualquer  bom de cama.

     Pouco depois o alarme voltara e eu não sabia mais o que fazer. Dessa vez porém, havia algo estranho. Tinha pessoas no meu quarto! E era de madrugada… olhei para minhas mãos já sentindo se tratar de um sonho. Uhuuuuuuuuu!!!! Não cheguei a sequer contar ou reparar algum defeito nos dedos. Eu sabia sim estar sonhando. Desejei que sobre minha cama uma mulher aparecesse. Pelo bem da pesquisa científica tentaria o orgasmo… olhei para minha cama e lá estava ela. Era uma morena bonita e após algumas tentativas e toques bem agradáveis acordei. 🙁

Na minha cama, eis que apenas desejando uma mulher para obter o orgasmo no sonho lúcido, eis que surge uma estranha e linda morena.

    Acordei com uma música muito triste, sobre a guerra do Vietnã. O local era um lugar bem estilo pântano ou um grande alagado… Não entendia a letra da música que tocava. Mas a melodia era bem emocionante. Parecia dizer algo sobre a guerra, a morte e os sacrifícios humanos… era tudo muito intenso!

    Olhei para minhas mãos tomado pela lucidez. Lá estava eu consciente no sonho de novo. Comecei a dar alguns saltos e saí dali. Fui parar num lugar cheio de prédios. Desejei aumentar de tamanho e cresci. Enquanto ia parar num lugar desértico, tentava lembrar de alguma experiência que queria fazer. Lembrei da experiência proposta no Fórum, acerca dos cinco sentidos.

O deserto no sonho tinha uma pequena vegetação rasteira, onde encontrei a pequena e cheirosa florzinha cor-de-rosa. Foto extraida do blog do professor Marciano: 

http://professormarcianodantas.blogspot.com.br/

    É impressionante como grande parte dos meus sonhos lúcidos, especialmente os mais longos ou como eu gosto de chamar “Supersonhos Lúcidos“, são mantidos por meio de uma dinâmica de movimento. Parece uma poderosa ferramenta, conseguir manter em mente um certo caminho a seguir, lembrando de planos que fez no estado desperto, experiências que planejou fazer no estado mental dos sonhos conscientes.

     Eu já experimentei muitas vezes o tato tocando diversas superfícies, a audição com músicas embriagantes, o paladar com suculentas melancias, a visão com a força das cores vibrantes de jardins e belas paisagens… agora então era a vez de experimentar o olfato!…

     Num salto grande fui parar num lugar com uma pequena vegetação rasteira. Queria muito experimentar o olfato, cheirar uma flor. Porém só havia um matinho bem mixuruca e rasteiro.

     Posso não ser ainda um sonhador lúcido com alta frequência de sonhos conscientes, mas tenho um bocado de cartas nas mangas para saber explorar esse fascinante estado mental. Oh yeah baby!!

      Dei mais um salto, desejando ardentemente, encontrar e cheirar uma flor. Quando aterrisei não olhei diretamente toda vegetação rasteira que ali estava. Fui passando a mão sobre elas até que olhei de lado e encontrei umas flores pequenas. Serviria para mim. Aproximei-me e… o cheiro era bem gostoso e intenso! A flor era pequena, cor-de-rosa, lembrava muito as flores da época da minha infância, as quais via com frequência na casa do meu velho amigo Ramon. Todavia eu não lembro de ter cheirado elas. Essa do sonho, cheirava a algo levemente adocicado, suave e gostoso! Acordei.

Nem acredito que achei as tais florzinhas que sonhei. O nome da danada é Maria Sem-Vergonha ou Maria Delicada. A característica em especial que me marcou muito na infância era que as pequenas capsulas, próximas da flor, estouravam ao tocar ou apertar um pouco. Botei no google: “sementes que estouram” e eis que veio o belo blog: 

http://mariaterezabedinmaneck.blogspot.com.br/2010/07/maria-delicadamaria-sem-vergonha.html

      Mas acordei num carro… viajando… e uma mulher ruiva dirigia.  Linda com o cabelo esvoaçante. Sentei-me atrás dela. O banco convenientemente não impedia que eu a tocasse. Foi uma relação sexual prazerosa. Atingi o orgasmo finalmente. Acordei. Apalpei-me procurando algum resultado desconfortável e notei que  não estava tomado pela umidade rsrsrrssrs

    Eu gosto de comparar certos estados mentais que fico nos sonhos comuns, com o que poderia ser, um certo tipo de zumbi. É impressionante como as coisas mais psicodélicas e impossíveis podem acontecer nos sonhos e mesmo assim simplesmente a lucidez não acontece. Pior ainda quando isso acontece num sonho que é uma exata simulação do cotidiano.

Num sonho comum, nos deixamos conduzir pelo fluxo natural da narrativa, mas nos sonhos lúcidos passamos a vivenciar a experiência com a capacidade de raciocínio e memória ativas: algo como superar o “estado zumbi”(na foto uma cena da obra-prima: Vingadores).

    Um tema que já coloquei na minha lista de temas recorrentes nos sonhos – e que talvez passe aplicar o Tholey por isso – é sonhar que converso algo relacionado aos sonhos lúcidos. Várias vezes conversei sobre o tema nos sonhos e nenhuminha dessas vezes, tive o “click” de ficar consciente.

    Outro tipo de sonho que já percebi é estar manipulando ou controlando o sonho e depois que acordei, não ter me sentido de fato, consciente nele. É como se existisse um mecanismo que capta estar sonhando, aplica uma adaptação e me permite usar e abusar da imaginação nos sonhos… sem entretanto permitir explorar a consciência durante esse estado mental.

    Vou dar um exemplo:

     “Eu estava fazendo algo quando fui avisado da consulta com minha médica. Seria dezesseis e vinte. Saí do lugar e minha amiga entrou junto no carro em que uma terceira pessoa dirigia. Avisei minha amiga que ela não precisava me levar, pois era muito longe. Que eu pediria um taxi ali num posto próximo. Desci do carro e fui correndo em direção ao posto. Olhei no relógio e apesar de ter pensado que deveria ser quase dezesseis e vinte, no relógio constava DEZENOVE e alguma coisa! rsrsrsrsrs mas não fiquei consciente com isso?!?

O tempo nos sonhos… sempre um tema tão fascinante de se tratar. Nesse sonho em especial eu cheguei a refletir sobre o pouco tempo que DEVERIA ter passado.

   
      Minha amiga me alcançou no posto e dei um tchauzinho pra elas e levantei vôo. Mas na primeira curva encontrei numa boa altura grande fios de energia elétrica. Fui mais alto e mesmo assim não consegui desviar, chegando a queimar um pouco as mãos.

      Desci e havia extensos varais de roupa. Encontrei Lorien e ela estava toda encharcada com a chuva. Fomos juntos até a clínica. E lá havia uma montanha de pedras lisas encaixadas. Era muito alto e molhado. Pensei que meu võo seria difícil naquilo.

       Lá em cima fui questionado se meu amigo havia recebido o chip para eu poder entrar.”

Voar quando se torna um tema recorrente, pode ser trabalhado com o Método Tholey, para ajudar a induzir a consciência nos sonhos.

      Foram dois fatos que ocorreram nesse sonho que poderiam perfeitamente ter me tornado lúcido: a hora do relógio, quando olhei pensando pela lógica ser uma, quando mostrou uma hora estapafúrdia(tinha a percepção de ter passado pouco tempo e refleti sobre isso) e o levantar vôo com naturalidade.

      Peguei esse sonho porque ele tem fortes elementos do meu cotidiano. Mesmo na simulação daquela realidade, pela minha mente, eu percebi a distorção no tempo do relógio, burlei a gravidade e saí voando e mesmo assim não fiquei consciente em momento algum.

      Fica então a questão… ter controle ou a capacidade de manipular a narrativa do sonho, significa o mesmo que consciência?…

Controle X Consciência, sobre a relação que possuem um com o outro, parece-me perfeitamente possível que um possa existir sem o outro num sonho. 

     Stephen LaBerge, aponta um esclarecimento bem interessante sobre sua visão do que é a consciência nos sonhos:

“Provavelmente o impacto que resulta do aparecimento da lucidez é proporcional à clareza e ao grau de finalização da mudança de percepção de quem está sonhando. Há vários graus de lucidez e a sensação comum de despertar de um pesadelo depois de perceber que “foi só um sonho” é característica dos graus mais baixos (ou por que fugir do que é “só um sonho”?), e normalmente vem acompanhada apenas de um alívio relativo. Mas o sonho lúcido mais completo, no qual quem sonha fica no sonho um período suficientemente longo para permitir que tenha uma sensação de maravilha,  pode vir associado a uma sensação eletrizante de renascimento e com a descoberta de um mundo novo  de  sensações.

Não é a toa os séculos de domínio sobre os sonhos lúcidos por parte dos monges tibetanos.  Quando tratamos de sonhos lúcidos estamos lidando com estados alterados de consciência… nos quais eles são indubitavelmente os mestres.




Geralmente, quem tem um sonho lúcido pela primeira vez fica pasmado quando percebe que nunca sentiu antes os próprios sonhos com todo o seu ser e que agora está perfeitamente acordado em pleno sono! Um homem que teve um sonho lúcido descreve a sensação ampliada de vida que sentiu com a chegada súbita de um lampejo de lucidez: sentiu-se possuído de uma sensação de liberdade “que nunca havia sentido antes”; o sonho estava impregnado de uma tal animação vital que “a própria escuridão parecia ter vida”. Nesse ponto apresentou-se um pensamento de uma força tão inegável que o homem foi impelido a declarar:   “Nunca estive  acordado  antes”.

   Alguém aqui já parou para pensar que buracos, sombras e reflexos de espelhos são coisas imateriais, presentes no mundo físico? Ninguém toca um buraco ou uma sombra…  porém ninguém em sã consciência tem dúvida sobre os efeitos que essas entidades causam no mundo. Certos experimentos no estado mental dos sonhos podem produzir efeitos bem divertidos… e no mínimo curiosos!…

    Diversos onironautas, eu incluso, já relataram experimentos interessantes com espelhos. Entre as diversas funções descobertas, chamam a atenção:

– reflexos adversos do próprio sonhador:

  Um experimento bem marcante para mim foi encontrar três espelhos num recinto e em cada um deles, um reflexo diferente. Do mais apagado ao mais nítido, culminou num insight surpreendente sobre a perspectiva do meu próprio eu frente a vida(uau!). Mas já relatei esse por aqui.

   Também já vi minha versão feminina! rsrsrsrs Engraçado que não havia planejado. Mas eu realmente gostei do que encontrei. Não me senti nem um pouco constrangido pelos cabelos longos, pele clara, estatura como a minha atual… pô eu era um mulherão! ;D

   Outra função muito divertida foi quando olhei num espelho e me vi um zumbi! Zumbizão e não só me parti de rir como comecei a dançar na frente do espelho. Yeah!

Minha incrível experiência como zumbi, curtindo e dançando, com minha imagem refletida num espelho!

   Sombras e buracos ainda não estão no meu cartel de experiências realizadas, dentro dos sonhos, mas após uma dissertação contagiante em alguns parágrafos do livro “A Mente Pós-Evolutiva”, do filósofo João de Fernandes Teixeira(Ph.D), resolvi que vou provocar o efeito desses construtos nos meus próximos sonhos.

  
   Segundo Teixeira:
   “Buracos colocam um problema interessante. Caimos neles, eles estão situados em lugares específicos e por isso devem ser classificados como coisas fisicas. Por outro lado, será que eles existem mesmo ou serão apenas o resultado da posição de dois ou mais objetos físicos no espaço? Tampouco eles podem existir somente na nossa mente, pois não podem ser comparados a algo como números ou valores morais.”

  A mente parece possuir características semelhantes aos buracos. Ela pode ser algo imaterial, mas definitivamente produz monumentais efeitos sobre o mundo físico…    

  Quando estamos no estado mental dos sonhos, especialmente mantendo a consciência, podemos experimentar um universo sem limites… voar ou surfar no espaço profundo, transformar-se num inseto ou numa árvore, explorar as fronteiras da nosssa mente e tatear a tão misteriosa estrutura da nossa consciência…

Existe lugar mais livre, tranquilo e tão seu quanto o mundo dos sonhos?! É um lugar inefável, o qual a imaginação é o limite.

     Buracos, sombras e imagens no espelho podem servir como belos exemplos de instrumentos para estimular sonhos lúcidos. Ao se deparar com essas coisitas preciosas durante o dia-a-dia, não perca a oportunidade de fazer aquele questionamento existencial: “Estou sonhando ou não?”. Quem sabe que agradável surpresa poderá advir?!… Entidades imateriais do nosso mundo físico, com superpoderes sobre a nossa mente… ou nossa mente manipulando novas entidades e se autodesenvolvendo por novas paragens?!


   


Fonte:


TEIXEIRA. João de Fernandes, A Mente Pós-Evolutiva
Editora Vozes: 2010 – Petrópolis(RJ)

      Existem pesquisas fascinantes sendo realizadas em algumas universidades e institutos especializados. Aqui mesmo no Brasil, Sidarta Ribeiro, Sérgio Rolim e Bruno Grego, são protagonistas em estudos na área, pela UFRN. Suas pesquisas avançam desbravando sobre as instigantes características desse estado mental. As áreas do cérebro que estão envolvidas, a presença da consciência e a grande intensidade  das experiências visuais…

 
     Experimentos realizados pela Universidade de Mainz, trazem fantásticos resultados, nos quais, pela primeira vez, sonhadores lúcidos estão conseguindo responder a comunicações iniciadas pelos pesquisadores. Trata-se da tese de doutorado de Stelen J.(2006). Através de estímulos sonoros específicos, os sonhadores lúcidos foram capazes de responder aos estímulos, utilizando-se de movimentos dos olhos.

     Pesquisas realizadas por Dane J. ainda na década de 80, foram capazes de demonstrar que os sonhos lúcidos não acontecem apenas nas fases REM do sono.

     Apenas controlar o sonho é só a lasca da ponta do iceberg. A grande conquista está em conseguirmos desenvolver a consciência no estado mental dos sonhos. É aí que as atuais grandes pesquisas caminham. Tanto as grandes pesquisas, como muitos onironautas ao redor do mundo, possivelmente… em casa!…

     Assim como sonhadores lúcidos em laboratórios do sono, estamos conseguindo acessar nosso cérebro num estado diferente da vigília. Quando estamos acordados, ele funciona de uma maneira, porém enquanto sonhamos, podemos vislumbrar situações que não acontecem no estado desperto. Nosso pensamento lógico abre terreno para um estado mental criativo sem paralelos… e conexões diferentes, muito provavelmente:

     “Os sonhos são fontes de grandes descobertas ou soluções para problemas científicos, bem como criações artísticas magistrais: Elias Howe com a revolução na indústria têxtil, Mendelev com a tabela periódica, Kekulé com a cadeia de benzeno, Mary Shelley com Frankenstein, Paul McCartney com Yesterday… o sonho que salvou o filósofo Russell  de cometer suicídio, os três sonhos numa noite de Descartes que impactaram por séculos no pensamento ocidental!… Que frutos podemos almejar ao obtermos livre acesso, num estado tão poderoso da nossa mente? A própria consciência pode ser alvo de intensos estudos.”




     Resultados estimulantes, surgem de pesquisas referentes ao aprimoramento das habilidades em atividades que envolvem coordenação motora. Existe também uma linha de pesquisa, explorando possível relação dos sonhos lúcidos, para com o auxílio no tratamento de algumas psicoses, como a esquizofrenia. Questiono-me frente aos possíveis efeitos de sonhos lúcidos,  envolvendo grande recompensa e prazer… com relação a alguma possível contribuição no tratamento de doenças relacionadas ao eixo “psico-neuro-imuno-endócrino”.

Fontes:

https://www.sonhoslucidos.com/2011/11/o-que-sao-sonhos-lucidos-uma-nova.html

http://www.lucidologia.pl/ 

http://archiv.ub.uni-heidelberg.de/ojs/index.php/IJoDR/article/view/20

Strelen J (2006) Acoustic evoked potentials in lucid dreaming (in German). Ph. D. thesis, University of Mainz

Uma das mais consagradas técnicas de indução da consciência nos sonhos é o Método WILD. Trata-se de um método um pouco elaborado, mas que provoca experiências bem impressionantes… no mínimo, para o incauto, pode ser chocante!…

Que tal umas experiências psicodélicas e vibrantes? O método WILD é uma boa pedida! Ghost Rider 2 tbém pode dar uma mãozinha(especialmente na telona do cinema!).

Nosso cérebro atravessa diversas fases e ciclos diferentes em uma boa noitada de sono. Mesmo numa soneca, principalmente quando o débito de sono estiver presente, certas atividades cerebrais podem surgir rapidamente e pegar de surpresa o dorminhoco com espetáculos psicodélicos e oníricos!

Foi meu caso na manhã de hoje. Tinha adormecido por volta das 23h e despertei 5 da matina… voltei a dormir e senti depois de algum tempo, a atonia muscular da fase REM me dominar. Meu corpo naquela rigidez característica… comecei a observar sombras e vultos… sim, eu estava pegando um WILD facinho facinho ;P

Quando praticamos o WILD estamos sujeitos a sentir a rigidez do sono, o corpo submetido a  paralisia do sono e algumas vezes podem acontecer alucinações hipnagógicas – alucinações visuais e/ou auditivas bem intensas e malucas!

    Depois de algum tempo eu já percebia o quarto. Ainda mergulhado na penumbra, mas eram flashes que foram se acentuando e eu pretendia aproveitar ao máximo aquela experiência.

    Comecei a experimentar deslizar para a frente. Eu estava dormindo de lado, com o tronco um pouco inclinado, do lado esquerdo para baixo, braços confortavelmente acomodados. Travesseiro ortopédico ideal para deixar a cabeça na altura dos ombros.

Sandman é o que há de melhor em quadrinhos envolvendo o tema dos sonhos.

    Dessa vez não deslizei como das últimas vezes(fiz pouco WILD até hj), mas meio que me impulsionei para frente, senti-me flutuando e perambulei sobrevoando o quarto para lá e para cá. Estava muito bom! Dá sempre uma bruta sensação de liberdade isso!

    Aqui cabe ressaltar que o quarto no qual eu estava na verdade era onde moro, mas nessa experiência, eu simplesmente aceitei ou acreditei estar na casa dos meus pais!… Nunca tinha acontecido algo parecido comigo.  Digo, no sentido de ter uma falsa memória sobre onde eu estava dormindo.

Consciência presente, raciocínio ok, pois eu estava fazendo minhas experiências, mas a memória falhara! Quantas portas misteriosas escondem a nossa arquitetura da mente e/ou cérebro?

    Minha consciência estava presente. Eu sabia o que era aquela experiência, havia atravessado diversas fases típicas do método WILD, mas minha memória pregava uma peça! Minha capacidade de raciocínio não estava embotada, pois do quarto fui curtir o que eu sabia se tratar de uma simulação mental da realidade.

    Bem, eu de fato encontrei nessa minha criação mental, meu pai preparando algo na cozinha. Umas folhinhas verdes sobre a mesa(ele é louco por chimarrão). Percebi uma toalha florida e num murinho na sala outra toalha pequena e o que parecia ser um cabo de vassoura encostado. Passei por ali e derrubei a “vassoura”. Ahá! rsrsrsrs

   Acordei em  seguida.

   Nosso estado mental durante os sonhos funciona de maneira alterada. Não é incomum o relato de onironautas que fazem experimentos durante seus sonhos lúcidos, nos quais questionam a própria idade e acabam errando!…

   Antônio Damásio, um renomado neurologista(estou lendo dois livros dele: “O Mistério da Consciência” e “E o Cérebro Criou o Homem”), parece defender bem a idéia de níveis de consciência. Dois tipos de consciência: o self objeto e o self objeto-conhecedor ou apenas conhecedor. Grosseiramente, pelo que entendi até aqui(li poucas páginas até agora), o primeiro seria aquela consciência sobre nosso próprio ser ou nossa presença… a maneira como nos percebemos, enquanto a segunda consciência, mais elaborada – e consequência da primeira, estaria relacionada a apreensão das coisas exteriores…

Leitura formidável para os ineressados na arquitetura do cérebro, mente e a consciência.

  Eu realmente estava consciente, tinha capacidade raciocínio, sabia que estava apenas em meio a minhas criações mentais, mas acreditava piamente estar dormindo em outro lugar!! É ou não é, totalmente excelente?! Consciência ok, raciocínio ok, memória… fail!!

  Por fim, cabe deixar claro que nosso cérebro pode estar sujeito a experiências tão ou mais marcantes que essa. Certas áreas podem ser fisiologicamente estimuladas e provocar as sensações mais inusitadas possíveis.

  De acordo com estudos da neurociência, como o de Penfield, estímulos na região temporoparietal do cérebro, são capazes de provocar reações como a de existência de um corpo gêmeo, de sair do corpo etc.. Parece haver uma espécie de mapa do corpo, programado nessa parte do cérebro. Certos estímulos nessas áreas(ou a falta de) podem provocar essas experiências.

   Independente das últimas teorias a respeito da consciência, fica o convite para experimentar essa técnica bacana que é o WILD. Prepare-se para presenciar estados mentais alterados e se deliciar com surpresas vívidas e marcantes, proporcionadas por essa criação fabulosa que é o nosso cérebro.

Fontes:

http://lnco.epfl.ch/media/videos

http://www.psych.ualberta.ca/GCPWS/Penfield/Tour.html

DAMÁSIO, Antônio. E o Cérebro Criou o Homem. Companhia das Letras – São Paulo: 2011.

   Conforme eu vinha relatando aqui no blog(e divulgado na revista Info desse mês- janeiro/2012), uma das minhas principais experiências com o estado mental dos sonhos lúcidos é tentar explorar como são nossas memórias. Será possível acessar memórias durante os sonhos lúcidos que não conseguimos nos estado desperto?

Daniel Tammet é uma das mentes mais fascinantes do planeta. Possui naturalmente habilidades extremas com a memória, matemática e linguagem. Poderia o estado mental dos sonhos lúcidos trazer algo de fantástico no acionamento de memórias?!

    Essas experimentações com a memória ganharam mais um passo. Durante o estado desperto, fiz um levantamento de quais são as primeiras lembranças que me vem à mente. Tratam-se das minhas memórias mais antigas. O resultado foram 9 flashbacks exatamente dos meus 3 anos de idade.
    Curiosamente eu não lembro da imagem da casa em que morávamos. A recordação mais próxima é de um flashback do meu pai, empurrando-me numa bicicletinha e eu pedalando portão afora em direção a casa do meu amiguinho(Vanderson – um alemãozinho de sardas) para mostrar um presentaço dos meus pais.
    Considerando que um dos temas ou cenários mais recorrentes dos meus sonhos são as casas, resolvi fazer investidas nos meus sonhos lúcidos, para tentar acessar meu banco de memória do subconsciente e descobrir como era essa casa.

O estado mental dos sonhos lúcidos poderá trazer algo de novo sobre o uso da nossa memória? Poderemos acessar memórias que ficaram perdidas no estado desperto, mas guardadas e acessíveis nesse estado mental?!

     No momento que eu conseguir visitar essa casa no sonho, vou buscar confirmar com meus pais se as informações fecham. Eles lembram bem daquela casa em Braço do Norte(SC), portanto será fácil conferir.

Aproveitando a frequencia extraordinária de acessos conscientes nos sonhos, resolvi investigar essa memória. Segue o relato:
    “(…)Eu vinha de um falso despertar. Tive um sonho lúcido curto anteriormente. Achava que tinha acordado e minha mãe tirava satisfação comigo. Era sobre um crime e ela questionou se eu estava tomando algum medicamento. Um tal de “flangex”. 

     Achei tudo aquilo um absurdo e acionei um interruptor: um clique, dois cliques, três cliques e a luz não correspondia!… Exultei por ter flagrado o falso despertar. Levantei vôo e tentava lembrar o que eu queria fazer de experiência no sonho… sim! Queria assistir uma aula da minha facul de filosofia! Atravessei algumas portas e escadas e cheguei lá.

Mais uma vez a minha infalível Técnica das Portas foi 100% eficiente.

     Um professor fazia sua exposição numa aula com poucos alunos. Não era sobre minha aula e pude escutar bem: “O tempo é sentido”.Foi o que consegui guardar e como a aula tinha acabado, resolvi experimentar uma das minhas frutas prediletas: melancia! Pude me chafurdar de maneira gulosa com um prato que estava ali na minha mesinha. Estava suculenta, deliciosa e saborosa!

     Tive uma sucessão de falsos despertar.
     Por fim, percebendo que estava sonhando, levantei vôo e parti para encontrar a casa dos meus 3 anos de idade. 

     Voei seguindo uma rua, com muitas árvores grandes pelas calçadas, percorri um bom caminho e de repente duas crianças cruzaram a estrada. Uma com o cabelo bem loiro. Interrompi meu vôo e aterrisei ali mesmo. Fui na direção de onde as crianças haviam saído. Fui inundado pela sensação que ali poderia estar a casa que eu procurava… uma lembrança totamente perdida no estado desperto! Observei uma casa com o telhado em “V”, invertido, bem alta e antiga. Tinha janelas grandes e escuras. As paredes eram de um bege claro. Infelizmente apenas a vi de soslaio. Fui olhar para as outras casas ali em volta mas acordei. o_O”

 Esse mês a revista Info, da editora Abril traz uma reportagem ótima sobre sonhos lúcidos. Vale a pena conferir:

“Enquanto Você Dorme” é o título da reportagem de Renata Leal, tratando sobre os sonhos lúcidos, o que são, pesquisas atuais e futuras. É o nosso tema tratado de maneira bem profissional e interessante. Imperdível!