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Experimentos em Sonhos Lúcidos:fronteiras da consciencia.

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    Eu gosto de comparar certos estados mentais que fico nos sonhos comuns, com o que poderia ser, um certo tipo de zumbi. É impressionante como as coisas mais psicodélicas e impossíveis podem acontecer nos sonhos e mesmo assim simplesmente a lucidez não acontece. Pior ainda quando isso acontece num sonho que é uma exata simulação do cotidiano.

Num sonho comum, nos deixamos conduzir pelo fluxo natural da narrativa, mas nos sonhos lúcidos passamos a vivenciar a experiência com a capacidade de raciocínio e memória ativas: algo como superar o “estado zumbi”(na foto uma cena da obra-prima: Vingadores).

    Um tema que já coloquei na minha lista de temas recorrentes nos sonhos – e que talvez passe aplicar o Tholey por isso – é sonhar que converso algo relacionado aos sonhos lúcidos. Várias vezes conversei sobre o tema nos sonhos e nenhuminha dessas vezes, tive o “click” de ficar consciente.

    Outro tipo de sonho que já percebi é estar manipulando ou controlando o sonho e depois que acordei, não ter me sentido de fato, consciente nele. É como se existisse um mecanismo que capta estar sonhando, aplica uma adaptação e me permite usar e abusar da imaginação nos sonhos… sem entretanto permitir explorar a consciência durante esse estado mental.

    Vou dar um exemplo:

     “Eu estava fazendo algo quando fui avisado da consulta com minha médica. Seria dezesseis e vinte. Saí do lugar e minha amiga entrou junto no carro em que uma terceira pessoa dirigia. Avisei minha amiga que ela não precisava me levar, pois era muito longe. Que eu pediria um taxi ali num posto próximo. Desci do carro e fui correndo em direção ao posto. Olhei no relógio e apesar de ter pensado que deveria ser quase dezesseis e vinte, no relógio constava DEZENOVE e alguma coisa! rsrsrsrsrs mas não fiquei consciente com isso?!?

O tempo nos sonhos… sempre um tema tão fascinante de se tratar. Nesse sonho em especial eu cheguei a refletir sobre o pouco tempo que DEVERIA ter passado.

   
      Minha amiga me alcançou no posto e dei um tchauzinho pra elas e levantei vôo. Mas na primeira curva encontrei numa boa altura grande fios de energia elétrica. Fui mais alto e mesmo assim não consegui desviar, chegando a queimar um pouco as mãos.

      Desci e havia extensos varais de roupa. Encontrei Lorien e ela estava toda encharcada com a chuva. Fomos juntos até a clínica. E lá havia uma montanha de pedras lisas encaixadas. Era muito alto e molhado. Pensei que meu võo seria difícil naquilo.

       Lá em cima fui questionado se meu amigo havia recebido o chip para eu poder entrar.”

Voar quando se torna um tema recorrente, pode ser trabalhado com o Método Tholey, para ajudar a induzir a consciência nos sonhos.

      Foram dois fatos que ocorreram nesse sonho que poderiam perfeitamente ter me tornado lúcido: a hora do relógio, quando olhei pensando pela lógica ser uma, quando mostrou uma hora estapafúrdia(tinha a percepção de ter passado pouco tempo e refleti sobre isso) e o levantar vôo com naturalidade.

      Peguei esse sonho porque ele tem fortes elementos do meu cotidiano. Mesmo na simulação daquela realidade, pela minha mente, eu percebi a distorção no tempo do relógio, burlei a gravidade e saí voando e mesmo assim não fiquei consciente em momento algum.

      Fica então a questão… ter controle ou a capacidade de manipular a narrativa do sonho, significa o mesmo que consciência?…

Controle X Consciência, sobre a relação que possuem um com o outro, parece-me perfeitamente possível que um possa existir sem o outro num sonho. 

     Stephen LaBerge, aponta um esclarecimento bem interessante sobre sua visão do que é a consciência nos sonhos:

“Provavelmente o impacto que resulta do aparecimento da lucidez é proporcional à clareza e ao grau de finalização da mudança de percepção de quem está sonhando. Há vários graus de lucidez e a sensação comum de despertar de um pesadelo depois de perceber que “foi só um sonho” é característica dos graus mais baixos (ou por que fugir do que é “só um sonho”?), e normalmente vem acompanhada apenas de um alívio relativo. Mas o sonho lúcido mais completo, no qual quem sonha fica no sonho um período suficientemente longo para permitir que tenha uma sensação de maravilha,  pode vir associado a uma sensação eletrizante de renascimento e com a descoberta de um mundo novo  de  sensações.

Não é a toa os séculos de domínio sobre os sonhos lúcidos por parte dos monges tibetanos.  Quando tratamos de sonhos lúcidos estamos lidando com estados alterados de consciência… nos quais eles são indubitavelmente os mestres.




Geralmente, quem tem um sonho lúcido pela primeira vez fica pasmado quando percebe que nunca sentiu antes os próprios sonhos com todo o seu ser e que agora está perfeitamente acordado em pleno sono! Um homem que teve um sonho lúcido descreve a sensação ampliada de vida que sentiu com a chegada súbita de um lampejo de lucidez: sentiu-se possuído de uma sensação de liberdade “que nunca havia sentido antes”; o sonho estava impregnado de uma tal animação vital que “a própria escuridão parecia ter vida”. Nesse ponto apresentou-se um pensamento de uma força tão inegável que o homem foi impelido a declarar:   “Nunca estive  acordado  antes”.

   Alguém aqui já parou para pensar que buracos, sombras e reflexos de espelhos são coisas imateriais, presentes no mundo físico? Ninguém toca um buraco ou uma sombra…  porém ninguém em sã consciência tem dúvida sobre os efeitos que essas entidades causam no mundo. Certos experimentos no estado mental dos sonhos podem produzir efeitos bem divertidos… e no mínimo curiosos!…

    Diversos onironautas, eu incluso, já relataram experimentos interessantes com espelhos. Entre as diversas funções descobertas, chamam a atenção:

– reflexos adversos do próprio sonhador:

  Um experimento bem marcante para mim foi encontrar três espelhos num recinto e em cada um deles, um reflexo diferente. Do mais apagado ao mais nítido, culminou num insight surpreendente sobre a perspectiva do meu próprio eu frente a vida(uau!). Mas já relatei esse por aqui.

   Também já vi minha versão feminina! rsrsrsrs Engraçado que não havia planejado. Mas eu realmente gostei do que encontrei. Não me senti nem um pouco constrangido pelos cabelos longos, pele clara, estatura como a minha atual… pô eu era um mulherão! ;D

   Outra função muito divertida foi quando olhei num espelho e me vi um zumbi! Zumbizão e não só me parti de rir como comecei a dançar na frente do espelho. Yeah!

Minha incrível experiência como zumbi, curtindo e dançando, com minha imagem refletida num espelho!

   Sombras e buracos ainda não estão no meu cartel de experiências realizadas, dentro dos sonhos, mas após uma dissertação contagiante em alguns parágrafos do livro “A Mente Pós-Evolutiva”, do filósofo João de Fernandes Teixeira(Ph.D), resolvi que vou provocar o efeito desses construtos nos meus próximos sonhos.

  
   Segundo Teixeira:
   “Buracos colocam um problema interessante. Caimos neles, eles estão situados em lugares específicos e por isso devem ser classificados como coisas fisicas. Por outro lado, será que eles existem mesmo ou serão apenas o resultado da posição de dois ou mais objetos físicos no espaço? Tampouco eles podem existir somente na nossa mente, pois não podem ser comparados a algo como números ou valores morais.”

  A mente parece possuir características semelhantes aos buracos. Ela pode ser algo imaterial, mas definitivamente produz monumentais efeitos sobre o mundo físico…    

  Quando estamos no estado mental dos sonhos, especialmente mantendo a consciência, podemos experimentar um universo sem limites… voar ou surfar no espaço profundo, transformar-se num inseto ou numa árvore, explorar as fronteiras da nosssa mente e tatear a tão misteriosa estrutura da nossa consciência…

Existe lugar mais livre, tranquilo e tão seu quanto o mundo dos sonhos?! É um lugar inefável, o qual a imaginação é o limite.

     Buracos, sombras e imagens no espelho podem servir como belos exemplos de instrumentos para estimular sonhos lúcidos. Ao se deparar com essas coisitas preciosas durante o dia-a-dia, não perca a oportunidade de fazer aquele questionamento existencial: “Estou sonhando ou não?”. Quem sabe que agradável surpresa poderá advir?!… Entidades imateriais do nosso mundo físico, com superpoderes sobre a nossa mente… ou nossa mente manipulando novas entidades e se autodesenvolvendo por novas paragens?!


   


Fonte:


TEIXEIRA. João de Fernandes, A Mente Pós-Evolutiva
Editora Vozes: 2010 – Petrópolis(RJ)

      Existem pesquisas fascinantes sendo realizadas em algumas universidades e institutos especializados. Aqui mesmo no Brasil, Sidarta Ribeiro, Sérgio Rolim e Bruno Grego, são protagonistas em estudos na área, pela UFRN. Suas pesquisas avançam desbravando sobre as instigantes características desse estado mental. As áreas do cérebro que estão envolvidas, a presença da consciência e a grande intensidade  das experiências visuais…

 
     Experimentos realizados pela Universidade de Mainz, trazem fantásticos resultados, nos quais, pela primeira vez, sonhadores lúcidos estão conseguindo responder a comunicações iniciadas pelos pesquisadores. Trata-se da tese de doutorado de Stelen J.(2006). Através de estímulos sonoros específicos, os sonhadores lúcidos foram capazes de responder aos estímulos, utilizando-se de movimentos dos olhos.

     Pesquisas realizadas por Dane J. ainda na década de 80, foram capazes de demonstrar que os sonhos lúcidos não acontecem apenas nas fases REM do sono.

     Apenas controlar o sonho é só a lasca da ponta do iceberg. A grande conquista está em conseguirmos desenvolver a consciência no estado mental dos sonhos. É aí que as atuais grandes pesquisas caminham. Tanto as grandes pesquisas, como muitos onironautas ao redor do mundo, possivelmente… em casa!…

     Assim como sonhadores lúcidos em laboratórios do sono, estamos conseguindo acessar nosso cérebro num estado diferente da vigília. Quando estamos acordados, ele funciona de uma maneira, porém enquanto sonhamos, podemos vislumbrar situações que não acontecem no estado desperto. Nosso pensamento lógico abre terreno para um estado mental criativo sem paralelos… e conexões diferentes, muito provavelmente:

     “Os sonhos são fontes de grandes descobertas ou soluções para problemas científicos, bem como criações artísticas magistrais: Elias Howe com a revolução na indústria têxtil, Mendelev com a tabela periódica, Kekulé com a cadeia de benzeno, Mary Shelley com Frankenstein, Paul McCartney com Yesterday… o sonho que salvou o filósofo Russell  de cometer suicídio, os três sonhos numa noite de Descartes que impactaram por séculos no pensamento ocidental!… Que frutos podemos almejar ao obtermos livre acesso, num estado tão poderoso da nossa mente? A própria consciência pode ser alvo de intensos estudos.”




     Resultados estimulantes, surgem de pesquisas referentes ao aprimoramento das habilidades em atividades que envolvem coordenação motora. Existe também uma linha de pesquisa, explorando possível relação dos sonhos lúcidos, para com o auxílio no tratamento de algumas psicoses, como a esquizofrenia. Questiono-me frente aos possíveis efeitos de sonhos lúcidos,  envolvendo grande recompensa e prazer… com relação a alguma possível contribuição no tratamento de doenças relacionadas ao eixo “psico-neuro-imuno-endócrino”.

Fontes:

https://www.sonhoslucidos.com/2011/11/o-que-sao-sonhos-lucidos-uma-nova.html

http://www.lucidologia.pl/ 

http://archiv.ub.uni-heidelberg.de/ojs/index.php/IJoDR/article/view/20

Strelen J (2006) Acoustic evoked potentials in lucid dreaming (in German). Ph. D. thesis, University of Mainz

Uma das mais consagradas técnicas de indução da consciência nos sonhos é o Método WILD. Trata-se de um método um pouco elaborado, mas que provoca experiências bem impressionantes… no mínimo, para o incauto, pode ser chocante!…

Que tal umas experiências psicodélicas e vibrantes? O método WILD é uma boa pedida! Ghost Rider 2 tbém pode dar uma mãozinha(especialmente na telona do cinema!).

Nosso cérebro atravessa diversas fases e ciclos diferentes em uma boa noitada de sono. Mesmo numa soneca, principalmente quando o débito de sono estiver presente, certas atividades cerebrais podem surgir rapidamente e pegar de surpresa o dorminhoco com espetáculos psicodélicos e oníricos!

Foi meu caso na manhã de hoje. Tinha adormecido por volta das 23h e despertei 5 da matina… voltei a dormir e senti depois de algum tempo, a atonia muscular da fase REM me dominar. Meu corpo naquela rigidez característica… comecei a observar sombras e vultos… sim, eu estava pegando um WILD facinho facinho ;P

Quando praticamos o WILD estamos sujeitos a sentir a rigidez do sono, o corpo submetido a  paralisia do sono e algumas vezes podem acontecer alucinações hipnagógicas – alucinações visuais e/ou auditivas bem intensas e malucas!

    Depois de algum tempo eu já percebia o quarto. Ainda mergulhado na penumbra, mas eram flashes que foram se acentuando e eu pretendia aproveitar ao máximo aquela experiência.

    Comecei a experimentar deslizar para a frente. Eu estava dormindo de lado, com o tronco um pouco inclinado, do lado esquerdo para baixo, braços confortavelmente acomodados. Travesseiro ortopédico ideal para deixar a cabeça na altura dos ombros.

Sandman é o que há de melhor em quadrinhos envolvendo o tema dos sonhos.

    Dessa vez não deslizei como das últimas vezes(fiz pouco WILD até hj), mas meio que me impulsionei para frente, senti-me flutuando e perambulei sobrevoando o quarto para lá e para cá. Estava muito bom! Dá sempre uma bruta sensação de liberdade isso!

    Aqui cabe ressaltar que o quarto no qual eu estava na verdade era onde moro, mas nessa experiência, eu simplesmente aceitei ou acreditei estar na casa dos meus pais!… Nunca tinha acontecido algo parecido comigo.  Digo, no sentido de ter uma falsa memória sobre onde eu estava dormindo.

Consciência presente, raciocínio ok, pois eu estava fazendo minhas experiências, mas a memória falhara! Quantas portas misteriosas escondem a nossa arquitetura da mente e/ou cérebro?

    Minha consciência estava presente. Eu sabia o que era aquela experiência, havia atravessado diversas fases típicas do método WILD, mas minha memória pregava uma peça! Minha capacidade de raciocínio não estava embotada, pois do quarto fui curtir o que eu sabia se tratar de uma simulação mental da realidade.

    Bem, eu de fato encontrei nessa minha criação mental, meu pai preparando algo na cozinha. Umas folhinhas verdes sobre a mesa(ele é louco por chimarrão). Percebi uma toalha florida e num murinho na sala outra toalha pequena e o que parecia ser um cabo de vassoura encostado. Passei por ali e derrubei a “vassoura”. Ahá! rsrsrsrs

   Acordei em  seguida.

   Nosso estado mental durante os sonhos funciona de maneira alterada. Não é incomum o relato de onironautas que fazem experimentos durante seus sonhos lúcidos, nos quais questionam a própria idade e acabam errando!…

   Antônio Damásio, um renomado neurologista(estou lendo dois livros dele: “O Mistério da Consciência” e “E o Cérebro Criou o Homem”), parece defender bem a idéia de níveis de consciência. Dois tipos de consciência: o self objeto e o self objeto-conhecedor ou apenas conhecedor. Grosseiramente, pelo que entendi até aqui(li poucas páginas até agora), o primeiro seria aquela consciência sobre nosso próprio ser ou nossa presença… a maneira como nos percebemos, enquanto a segunda consciência, mais elaborada – e consequência da primeira, estaria relacionada a apreensão das coisas exteriores…

Leitura formidável para os ineressados na arquitetura do cérebro, mente e a consciência.

  Eu realmente estava consciente, tinha capacidade raciocínio, sabia que estava apenas em meio a minhas criações mentais, mas acreditava piamente estar dormindo em outro lugar!! É ou não é, totalmente excelente?! Consciência ok, raciocínio ok, memória… fail!!

  Por fim, cabe deixar claro que nosso cérebro pode estar sujeito a experiências tão ou mais marcantes que essa. Certas áreas podem ser fisiologicamente estimuladas e provocar as sensações mais inusitadas possíveis.

  De acordo com estudos da neurociência, como o de Penfield, estímulos na região temporoparietal do cérebro, são capazes de provocar reações como a de existência de um corpo gêmeo, de sair do corpo etc.. Parece haver uma espécie de mapa do corpo, programado nessa parte do cérebro. Certos estímulos nessas áreas(ou a falta de) podem provocar essas experiências.

   Independente das últimas teorias a respeito da consciência, fica o convite para experimentar essa técnica bacana que é o WILD. Prepare-se para presenciar estados mentais alterados e se deliciar com surpresas vívidas e marcantes, proporcionadas por essa criação fabulosa que é o nosso cérebro.

Fontes:

http://lnco.epfl.ch/media/videos

http://www.psych.ualberta.ca/GCPWS/Penfield/Tour.html

DAMÁSIO, Antônio. E o Cérebro Criou o Homem. Companhia das Letras – São Paulo: 2011.

   Conforme eu vinha relatando aqui no blog(e divulgado na revista Info desse mês- janeiro/2012), uma das minhas principais experiências com o estado mental dos sonhos lúcidos é tentar explorar como são nossas memórias. Será possível acessar memórias durante os sonhos lúcidos que não conseguimos nos estado desperto?

Daniel Tammet é uma das mentes mais fascinantes do planeta. Possui naturalmente habilidades extremas com a memória, matemática e linguagem. Poderia o estado mental dos sonhos lúcidos trazer algo de fantástico no acionamento de memórias?!

    Essas experimentações com a memória ganharam mais um passo. Durante o estado desperto, fiz um levantamento de quais são as primeiras lembranças que me vem à mente. Tratam-se das minhas memórias mais antigas. O resultado foram 9 flashbacks exatamente dos meus 3 anos de idade.
    Curiosamente eu não lembro da imagem da casa em que morávamos. A recordação mais próxima é de um flashback do meu pai, empurrando-me numa bicicletinha e eu pedalando portão afora em direção a casa do meu amiguinho(Vanderson – um alemãozinho de sardas) para mostrar um presentaço dos meus pais.
    Considerando que um dos temas ou cenários mais recorrentes dos meus sonhos são as casas, resolvi fazer investidas nos meus sonhos lúcidos, para tentar acessar meu banco de memória do subconsciente e descobrir como era essa casa.

O estado mental dos sonhos lúcidos poderá trazer algo de novo sobre o uso da nossa memória? Poderemos acessar memórias que ficaram perdidas no estado desperto, mas guardadas e acessíveis nesse estado mental?!

     No momento que eu conseguir visitar essa casa no sonho, vou buscar confirmar com meus pais se as informações fecham. Eles lembram bem daquela casa em Braço do Norte(SC), portanto será fácil conferir.

Aproveitando a frequencia extraordinária de acessos conscientes nos sonhos, resolvi investigar essa memória. Segue o relato:
    “(…)Eu vinha de um falso despertar. Tive um sonho lúcido curto anteriormente. Achava que tinha acordado e minha mãe tirava satisfação comigo. Era sobre um crime e ela questionou se eu estava tomando algum medicamento. Um tal de “flangex”. 

     Achei tudo aquilo um absurdo e acionei um interruptor: um clique, dois cliques, três cliques e a luz não correspondia!… Exultei por ter flagrado o falso despertar. Levantei vôo e tentava lembrar o que eu queria fazer de experiência no sonho… sim! Queria assistir uma aula da minha facul de filosofia! Atravessei algumas portas e escadas e cheguei lá.

Mais uma vez a minha infalível Técnica das Portas foi 100% eficiente.

     Um professor fazia sua exposição numa aula com poucos alunos. Não era sobre minha aula e pude escutar bem: “O tempo é sentido”.Foi o que consegui guardar e como a aula tinha acabado, resolvi experimentar uma das minhas frutas prediletas: melancia! Pude me chafurdar de maneira gulosa com um prato que estava ali na minha mesinha. Estava suculenta, deliciosa e saborosa!

     Tive uma sucessão de falsos despertar.
     Por fim, percebendo que estava sonhando, levantei vôo e parti para encontrar a casa dos meus 3 anos de idade. 

     Voei seguindo uma rua, com muitas árvores grandes pelas calçadas, percorri um bom caminho e de repente duas crianças cruzaram a estrada. Uma com o cabelo bem loiro. Interrompi meu vôo e aterrisei ali mesmo. Fui na direção de onde as crianças haviam saído. Fui inundado pela sensação que ali poderia estar a casa que eu procurava… uma lembrança totamente perdida no estado desperto! Observei uma casa com o telhado em “V”, invertido, bem alta e antiga. Tinha janelas grandes e escuras. As paredes eram de um bege claro. Infelizmente apenas a vi de soslaio. Fui olhar para as outras casas ali em volta mas acordei. o_O”

 Esse mês a revista Info, da editora Abril traz uma reportagem ótima sobre sonhos lúcidos. Vale a pena conferir:

“Enquanto Você Dorme” é o título da reportagem de Renata Leal, tratando sobre os sonhos lúcidos, o que são, pesquisas atuais e futuras. É o nosso tema tratado de maneira bem profissional e interessante. Imperdível!

É possível fazer sexo nos sonhos lúcidos? Essa última semana tem sido de forma surpreendente, a mais intensa para mim, em termos de frequência e experimentos com sonhos lúcidos. Uma sequência espetacular de noites em que estou realizando experiências com a memória, consciência e… sexo!

Sexo no estado mental dos sonhos conscientes pode ser uma experiência inesquecível.

Antes de mais nada, vale ressaltar parecer existir uma certa dificuldade, para nós homens, em obter orgasmo enquanto estamos no estado mental dos sonhos lúcidos. Isso pode parecer irônico, afinal durante o estado desperto a situação é completamente diferente. Durante os sonhos comuns obviamente também não é o caso. Eu mesmo lembro que tive meu quinhão dessas experiências. São as denominadas “poluções noturnas”, comuns para a maioria de nós, principalmente no período da adolescência (acho que isso foi uma confissão desnecessária… ).

Apesar de que nos sonhos lúcidos a história é bem outra. Em laboratórios de sono, pelo menos até agora, os resultados foram mais favoráveis as mulheres. O desafio é deveras instigante. Por quê raios as mulheres que já possuem a habilidade ou a tendência de obter orgasmos múltiplos, também conseguem com mais facilidade o clímax, quando estão conscientes que estão sonhando?!?

Sonhos Lúcidos, de Stephen LaBerge apesar de esgotado é o livro mais completo sobre o tema dos Sonhos Lúcidos, publicado em português.

No livro Sonhos Lúcidos, de Stephen LaBerge, podemos encontrar a pesquisadora Ph.D,
Patrícia Garfield relatando que dois terços dos seus sonhos lúcidos, apresentam conteúdo sexual e quase a metade culmina em orgasmo. Enquanto no livro Pathway to Extasy ela diz que seus orgasmos de sonho têm intensidade profunda. “Com uma totalidade de si mesma que só às vezes é sentida no estado acordado”, encontrou-se “rebentando em explosões de es¬tremecer  corpo e   alma”.
É ou não é totalmente excelente?!

Pelo menos para o sexo feminino parece estar sendo! O trecho a seguir foi extraído do livro do LaBerge, supra-citado e relata um orgasmo feminino. A sonhadora lúcida é denominada “Miranda” e ela executou durante a experiência sinais ou movimentos previamente combinados, com os olhos, para quem a monitorava no laboratório. Tudo isso, com todo aparato tecnológico conectado na moça para comprovação:
Cerca de cinco minutos depois do quinto período de sono REM(fase do sono “rapid eye movement”) daquela noite, Miranda teve um  sonho lúcido que durou três minutos, em que se desempenhou da tarefa exatamente como havíamos combinado.

       (…)deitada na cama, ainda acordada, com alguém lhe esfregando as mãos no pescoço.   Reconhecendo   a   improbabilidade   de   haver mais alguém no quarto, suspeitou que estivesse sonhando e testou o próprio estado procurando flutuar no ar. Logo que se viu flutuando, convenceu-se de estar sonhando e, atravessando pelo ar a parede do quarto de dormir, fez o sinal combinado. Não encontrando ninguém na sala do polígrafo, continuou a flutuar e saiu por uma  janela fechada.  Continuando, encontrou-se sobrevoando um campus parecido com o das Universidades de Oxford e de Stanford. Continuou voando no ar frio da noite, livre como uma nuvem, parando aqui e ali para admirar as lindas esculturas das paredes. Mas depois de uns minutos resolveu que estava na hora  de começar a experiência.   Sempre  voando, atravessou uma  arcada e viu um grupo de pessoas, aparentemente visitantes que estavam percorrendo o campus. Investindo contra o grupo, escolheu o  primeiro homem que estava ao alcance. Deu-lhe um tapinha no ombro e ele foi na direção dela como se soubesse exatamente o que se esperava que fizesse. Nesse ponto ela deu mais um sinal, indicando que a atividade   sexual estava  começando. Diz que já devia estar excitada por causa do vôo, porque em apenas quinze segundos sentiu-se como se já estivesse chegan¬do ao clímax. Fez o terceiro sinal, indicando que havia tido um orgasmo, quando as ondas finais começaram a diminuir de intensidade.   Logo depois disso  deixou-se acordar   e logo que se sentiu de novo na  cama fez o quarto  sinal, conforme o plano. Disse que o sonho de orgasmo não havia sido extenso nem intenso mas foi certamente um orgasmo real.”

    

  Terrivelmente tomado pela inveja com a perfomance dessa sonhadora lúcida citada no livro, resolvi aproveitar meu ritmo alucinante de sonhos conscientes e dedicar pelo menos uma incursão sexual nos sonhos. Quem sabe não sou eu quem vai descobrir uma técnica revolucionária de orgasmo masculino em sonhos lúcidos?! Não custava tentar.

Acordei após 6 horas de sono, tomei uma água, fiz um xixizinho  e voltei a dormir(programando o relógio para despertar após mais 90 min de sono), desejando ficar consciente nos próximos sonhos…

“Percebi que estava sonhando(sem reality check), era numa casa(tenho sonhos recorrentes com casas) e resolvi que ia fazer a experiência de sexo no sonho lúcido, objetivando o orgasmo. Havia diversas moças lindas na casa e minha “fome” me guiava para qualquer uma delas. De repente sem que eu escolhesse, mas apenas me fitando um pouco mais, uma das loiras veio em minha direção e nos agarramos. Baixei sua blusinha e… … … … … …
… …
. Sabia da fragilidade do orgasmo masculino no sonho lúcido. O sexo estava ótimo, … ….      … por aqueles … e ela arqueava … maravilhoso… quadril para … e  para … em movimentos frenéticos…. até que começou a mudar… ficar mais clarinha, esmaecer.. não não não não não nãoooo… mas eu sabia que minha fase REM tinha bem mais tempo, então não era preciso me preocupar, pois iria continuar em outro sonho!…
Acordei num calçadão. Cheia de gente caminhando pra lá e pra cá. Bwahahahhahahhahah olha eu aqui di novo gente! J E aqui vou eu na minha missão tarada, bizolhando essas mulheres lindas… muitas delas caminhando aqui ali e de repente uma balzaquiana, encorpada, de curvas dadivosas chegou junto a mim. Era uma alemoa, de cabelos compridos, muito elegante a qual agarrei e nos entrelaçamos em mais um arquejante ritmo de cópula onírica, por um tempo considerável, parecido com o anterior e com o mesmo trágico fim. Sim. Mais uma vez não me importei tanto assim, pois sabia que tinha cartucho nesse REM pra queimar. Aham! “Olá Trevas, minhas velhas amigas!” Puf!
Acordei numa casa. De madeira, num quarto e uma porta entreaberta. Desejei que viesse por ela. E veio uma encantadora morena. Atlética, mas sem perder as sedutoras curvas femininas! Mesmo comigo de pé, ela agarrou firme de frente em meu pescoço e entrelaçou suas coxas em mim. Em sonhos, foi o sexo mais longo de todos os tempos. Eu me … bastante, apalpava os …, sentia a …, numa adorável cadência até acordar de vez.

Ainda que tenha acordado sem orgasmo. Por um lado frustrado, por não ter conseguido atingir o objetivo, mas ao mesmo tempo feliz. Seja por de ter conseguido duas vezes seguidas abraçar o desabamento do sonho e voltar com minha consciência; de maneira incólume, logo no sonho seguinte. Por três vezes manter a consciência, sentir prazer, controlar sutilmente a narrativa do sonho, realizando o experimento. Quem já sonhou conscientemente com sexo sabe muito bem da dificuldade que estou falando. Porém o enigma segue inabalável… qual será o segredo da facilidade do orgasmo feminino nos sonhos lúcidos??

Referencia Bibliográfica:
LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)