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Fase REM do sono

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Ficar consciente nos sonhos pode nos deixar exaustos?
De modo algum. A diferença entre um sonho comum e um sonho lúcido é que nesse, a consciência se mantém presente. Os registros de atividades cerebrais, em laboratórios do sono, comprovam que os sonhadores lúcidos atravessam todas as fases normais do sono. Caso a pessoa tenha boa qualidade de sono, invariavelmente terá seu sono restaurador, independente de ter sonhos lúcidos ou não. Aliás o mais comum é justamente o contrário, com um despertar muitas vezes eufórico pela façanha de ter ficado consciente.

Caso esteja acordando cansado, isso pode ser um forte indício de má qualidade do sono e precisa ter sua causa investigada.

Sonhos lúcidos podem provocar dor de cabeça?
– Mais uma vez a resposta é não. Seguindo o mesmo argumento, os ciclos e fases do sono não se alteram, quando o estado mental é dos sonhos lúcidos. Qualquer tipo de cefaléia ou enxaqueca deve ter suas causas investigadas, porém não há qualquer indício de relação com sonhar lucidamente.

Dor de cabeça não tem relação alguma com sonhos lúcidos.

Sonho lúcido é uma espécie de sono leve?
Não. Sonho lúcido acontece nas fases REM do sono. E normalmente nas fases REM tardias. Desde a comprovação científica feita por Stephen LaBerge, na década de 70, pela universidade de Standford, até as pesquisas mais recentes, os sonhadores lúcidos tem seus registros cerebrais marcados nessas fases e isso está longe de ser sono leve. Quando nosso sono está em REM, estamos submetidos a rigidez do sono. Com frequencias cerebrais típicas, atonia muscular… sonhando intensamente e com os músculos paralisados.

Há risco de confundir o que é sonho e o que é “real”?
– Alguns tipos de transtornos psíquicos ou psicológicos talvez devam ser melhor averiguados. Nunca li algum artigo ou pesquisa/estudo sobre o tema. Mesmo assim, caso seja a sitação, é conveniente conversar primeiro com o respectivo profissional que acompanha seu caso.
– Se não há transtornos dessa natureza, algum tipo de barbitúrico que possa causar alguma disfunção psíquica ou neurofisiológica… em suma, se a saude mental está ok, então é correr pro abraço!

Sonhadores lúcidos são pessoas mais evoluídas?
Não. Aqui eu concordo 100% com a psicóloga Ph.D Gayle Delaney. Não existe relação alguma, de acordo com a doutora:
(…)sonhos lúcidos não têm nada a ver com superioridade espiritual ou psicológica. Exemplifica que tem trabalhado “com os sonhos e as vidas de gurus e outras pessoas que tem regularmente sonhos lúcidos e algumas tem pouca matuidade psicológica, pouco amor ou pouca generosidade em seus corações. Outras de fato são muito evoluídas. Algumas pessoas que se esforçam para ter o máximo possível de sonhos lúcidos fazem isso porque têm uma necessidade doentia de controlar todas as suas experiências e sabem pouco que realmente são. Elas evitam um exame sério de seus sentimentos profundos através do trabalho com os sonhos ou da psicoterapia.” *

*Fonte:

DELANEY, Gayle. O Livro de Ouro dos Sonhos – All about Dreams,
Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

   Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de manter a consciência durante o sonho… afinal, como é o sonho lúcido?

   Até hoje as experiências em laboratório do sono, registraram as ocorrências dos sonhos lúcidos durante a fase REM(Rapid Eye Movement – movimento rápido dos olhos) do sono. Isso significa que os sonhos lúcidos normalmente acontecem quando sonhamos intensamente.

   Trata-se de um período do sono reservado para o sono profundo, em que estamos submetidos a atonia muscular, quando nossos músculos não responderão aos comandos do cérebro, por maior que seja a quantidade de comandos que sejam emitidos(durante os sonhos o cérebro emite comandos de movimentos, vide o linkhttps://www.sonhoslucidos.com/2011/10/sonhadores-lucidos-ajudam-os-cientistas.html ).

   O fato dos registros dos sonhos lúcidos ocorrerem durante a fase REM do sono, implica em sonhos intensos, vívidos, recheados de emoções e sujeito a muita, muita criatividade.

   Enquadrando tudo isso na pergunta, uma vez que a pessoa consiga lembrar dos sonhos e ela consiga ficar consciente, tenha certeza que serão sonhos intensos e vívidos, dependendo exclusivamente na capacidade de recordação dos sonhos. 😉

   Vale lembrar a pesquisa do Dr. Rolim pela UFRN, comentada no post anterior a respeito dos comparativos preliminares entre a atividade cerebral do sonho comum e o sonho lúcido:

“(…)resultados preliminares que indicam que durante o sonho lucido podemos ter uma ativação no lobo frontal (que explicaria uma maior auto-consciência, um maior controle do sonho lucido) e também no lobo ocipital (que poderia explicar porque os sonhos lúcidos são mais vívidos visualmente). “

   Por isso que recomendo tanto no blog a adoção de um Diário de Sonhos. O que aliás não é idéia minha, mas dos pesquisadores e especialistas na área. Seguir um Método de Indução(Tholey, MILD, WBTB…) e fazer reality checks são cruciais para acelerar o processo. Deve-se treinar pelo menos um pouco a mente pra isso. E claro o mais importante de tudo, dormir bem, pois qualidade do sono é básico.

Importante: quem ainda não respondeu o questionário da pesquisa sobre sonhos da UFRN, segue o link  http://www.cb.ufrn.br/sonho/

O conceito

Sonhos Lúcidos são os sonhos nos quais sabemos que estamos sonhando. Trata-se de sonhar, mantendo a percepção e consciência de que tudo é um sonho. Sendo assim, é possível vivenciar a experiência mantendo a consciência e percepção de que tudo naquela realidade é apenas criação mental de quem está sonhando.

 Além disso, no sonho lúcido, deixa-se de estar apenas “assistindo um filme” que talvez será recordado ao despertar, para viver toda essa experiência, mantendo a capacidade de raciocínio, memória e percepção da estrutura do sonho.

Como funciona o sono?

    Nesse sentido, todos nós sonhamos quando dormimos uma boa noite de sono. Assim como, são de 4 a 6 ciclos que se repetem, contendo as mesmas fases ¹. Ou seja, cada um desses ciclos contém o que se chama fase REM(rapid eye movement – movimento rápido dos olhos) e é nessa fase que nossos sonhos são mais intensos.

 

      Bem como os registros em laboratórios do sono, as literaturas das pesquisas efetuadas, divulgadas até agora, apontam para  presença de ocorrência dos sonhos lúcidos nos últimos ciclos do sono. Ou seja, são as fases REM tardias, em que o período de sonhos mais intensos é maior. Significa que numa noite de sono, é preciso dormir mais do que 6h, para começar a atingir as melhores fases do sono e ter chances de ficar consciente enquanto sonha.

Como ter sonhos lúcidos?

    Vários métodos de indução como o MILD, WBTB, FILD entre outros, se aproveitam desse conhecimento. Inegavelmente orientam para o despertar após a 6h de sono e a continuação do sono, com o objetivo de ao voltar a dormir, estar mentalmente mais apto para acessar o sonho de modo consciente.

   Os monges tibetanos praticam sonhos lúcidos há séculos, enquanto no ocidente, alguns registros esporádicos sobre as experiências foram se acumulando. O primeiro a usar o termo foi Van Eden em 1913, mas em 1867 o professor e marquês de Saint Denys já realizava auto-experimentações e por mais de 20 anos, anotou suas incursões oníricas, sempre buscando aprimorar essa habilidade.

A partir da década de 70, os sonhadores lúcidos passaram a frequentar os laboratórios de sono, comunicando-se através do movimento dos olhos(enquanto sonham), com os pesquisadores que permanecem no monitoramento.

Comprovação científica dos sonhos lúcidos

    A partir da década de 70, o estudo dos sonhos lúcidos fincou raízes como área de pesquisa científica. De tal forma que sua comprovação em laboratórios do sono, aconteceu a partir dos estudos de Stephen LaBerge pela Universidade de Standford(EUA) e Keith Hearne pela Universidadde de Hull(Inglaterra). 

    O crédito pela comprovação, ficou posteriormente com LaBerge, o primeiro a publicar perante a comunidade científica, as conclusões de seus estudos sobre os sonhos lúcidos. A primeira evidência veio com o doutor Hearne, no qual o voluntário Allan Worsley foi a primeira pessoa a conseguir se comunicar por meio do movimento de seus olhos, enquanto sonhava.

Stephen LaBerge, Ph.D, foi o primeiro pesquisador a comprovar cientificamente, perante a comunidade científica a existência de sonhos conscientes.

As pesquisas sobre sonhos lúcidos

     Atualmente as pesquisas seguem mais intensas. Em centros como a Universidade de Heidberg, o Centro do Instuto de Saúde Mental de Mannhein, ambos da Alemanha. A saber no Brasil, com Sidarta Ribeiro e Sergio A. Mota Rolim, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Ursula Voos, Alan Hobson, Romain Holzmann. Também de universidades e centros de estudos da alemanha. Enquanto Stephen LaBerge e novos pesquisadores pela Universidade de Sandford e outros centros.

     Desperta muita atenção as pesquisas referentes ao aprimoramento das habilidades em atividades que exigem coordenação motora, sobretudo como aquelas desenvolvidas por Daniel Erlarcher e outros cientistas.

Sidarta Ribeiro é o neurocientista brasileiro que encabeça as pesquisas no Brasil, sobre o estudo da consciência nos sonhos(imagem do programa Globo Repórter).

Cuidado com a euforia

   Todas essas pesquisas estão gradualmente remodelando a maneira de se encarar o ato de sonhar, mas afinal, qual a utilidade de poder controlar e ficar consciente durante os sonhos? Antes de mais nada, a obsessão pelo controle do sonho, trata-se de algo reservado aos incautos. Ainda que basta lembrar como fica muito mais frágil a estabilidade do sonho ao se forçar o controle, aumentando as chances do despertar.

Desse modo, a grande conquista provavelmente está em conseguirmos entender e desenvolver  estudos sobre a consciência no estado mental dos sonhos. Assim sendo, pequenos desafios ou experimentos, mesmo em casa, em nossa cama, sem qualquer aparato de laboratório de sono, pode de alguma maneira acabar contribuindo para novas descobertas. De fato, as fronteiras dos frutos dessas pesquisas, ainda não estão sequer definidas.

Desenvolvimento de habilidades motoras, solução de problemas, criações artísticas monumentais,  auxílio no tratamento de psicoses, controle de pesadelos… a lista está longe de uma limitação.

Benefícios dos sonhos lúcidos

   Estamos conseguindo acessar nosso cérebro num estado diferente da vigília; estamos despertos ele funciona de uma maneira, mas enquanto sonhamos, nosso pensamento lógico cede espaço para criatividade e conexões diferentes.

    Os sonhos são fontes de grandes descobertas ou soluções para problemas científicos, bem como criações artísticas magistrais: Elias Howe com a revolução na indústria têxtil, Mendelev com a tabela periódica, Kekulé com a cadeia de benzeno, Mary Shelley com Frankenstein, Paul McCartney com Yesterday… o sonho que salvou o filósofo Russell  de cometer suicídio…

Em outras palavras… que frutos podemos almejar ao obtermos livre acesso, num estado tão desconhecido da nossa mente? De tal sorte que a própria consciência pode ser alvo de intensos estudos…

Descartes, num ensaio relatou que seus 3 sonhos, numa noite, em 1619, foram capazes de revelar para ele a base de uma nova filosofia, uma forma de conhecer a verdade que eventualmente o levaram ao método científico. Durante um de seus sonhos, conseguiu questionar se estava sonhando ou não e interpretou seu sonho durante ele.

Novas fronteiras da ciência


Existem muitas possibilidades na área de estudo dos sonhos lúcidos, afinal são pesquisas que se iniciaram com mais intensidade em fins dos anos 70 e que nas últimas décadas, cresceram vertiginosamente na Neurofisiologia/Neurociência/Medicina, Filosofia e Psicologia.

Nesse sentido, além das pesquisas conduzidas por Erlarcher e outros, envolvendo o aprimoramento de performance motora, também há estudos sobre as diferenças de percepção do tempo, além de possíveis benefícios para vítimas com estresse pós traumático envolvendo pesadelos crônicos e também há uma linha de pesquisa que relaciona possível auxílio no tratamento de algumas psicoses, como a esquizofrenia.

Fontes:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985 pg. 08   Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

DELANEY, Gayle. O Livro de Ouro dos Sonhos – All about Dreams, Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

https://www.sonhoslucidos.com/2011/05/o-marques-dos-sonhos-leon-dhervey-de.html#comment-form
https://www.sonhoslucidos.com/2010/03/van-eeden-e-os-sonhos-lucidos.html
https://sonhoslucidos.com/sonhoslucidos/sonhos-lucidos-poderao-desenvolver/

      Posso dizer que sou quase um tarado por sonhos lúcidos. Talvez não seja mais porque o sexo ainda continua dando mais prazer( ou talvez porque ainda não aprendi direito a fazer sexo nos sonhos!…). Bah! Estou brincando. Existem muitas outras coisas que podem ser tão ou mais prazerosas que ter um sonho lúcido. O que eu quero esclarecer nesse post – e que tem também relação com uma das minhas maiores dificuldades, é sobre um dos fatores mais determinantes na obtenção de sonhos lúcidos: uma boa noite de sono.
 

Um dos elementos-chave para obtenção de sonhos lúcidos: qualidade do sono.

      
       Podem ser diversos os fatores que levem a prejudicar o sono: conciliar rotina de estudos  e  trabalho,  família-estudos e trabalho,  família – estudos – trabalho-contasdoinfernoprapagar, unha encravada – vizinho com um trompete… e a lista parece infinita!  
       No meu caso, além de uma vizinha barulhenta(que Deus a abençoe!), mudei meu turno de trabalho. Yep! Não é mole não companheiro!…
       Dormir mal ou estar com uma má qualidade de sono, é um problema que definitivamente, precisa ser resolvido ou evitado, por todos aqueles que estão interessados em ter sonhos lúcidos. 
       Quando temos uma boa noite de sono, atravessamos por diversas fases comuns ao ciclo natural do sono. A fase que mais nos interessa e que já foi objeto de posts por aqui, são as fases REM do sono. Aquela fase que movimentamos mais os nossos olhos e que sonhamos mais intensamente. Também são nessas fases que os sonhadores lúcidos de laboratório do sono mais conseguem êxito – mais especificamente, nas últimas fases REM ou as chamadas fases tardias de REM.

Clique na imagem e repare como a parte alaranjada que representa a fase REM do sono,  aumenta no decorrer do tempo.

       Na medida que atravessamos essa idealizada boa noite de sono, esses fases com sonhos “fortes” vão se prolongando. Gradativamente. Iniciam com alguns poucos minutos e lá pela 6a hora do sono já compõe cerca de 30 minutos de sonhos. Pela 7a e 8a hora a coisa fica realmente apetitosa: entre 45 minutos até 60 minutos de sonhos. 

     Considerando as fases REM da vida adulta(entre 20 até 40 anos), temos a nossa disposição até 2h de períodos de sonhos intensos. O melhor é que sabemos exatamente que são os períodos finais do sono que estarão o grosso dos sonhos. Ali no final, amontoados e a nossa disposição para acessarmos eles.

    Métodos como o MILD e WBTB se utilizam desse conhecimento. Como eles orientam para um despertar após a 6a hora de sono e continuar o sono em seguida, investem no maior período povoado de sonhos.

Siga o exemplo do sábio Garfield! Nada como uma vida buena, regada a um bom sono. É uma chave mágica para chegar as melhores fases do sono e assim, ficarmos consciente nos sonhos.

    No livro Ladrões de Sonhos, de Stanley Coren, há experiências bem interessantes como a de voluntários que se submeteram ao isolamento, sem conhecimento das horas do dia, para o monitoramento dos ciclos de sono que passariam a assumir. Assim como em textos de pesquisas publicados recentemente, relacionados a sonhos lúcidos em laboratório, também foi registrado aumento substancial no tempo de sono dos voluntários.

    O despertador e a cafeína parecem ser vilões nessa história. Não deveríamos estar dependendo deles em detrimento da nossa qualidade do sono e de vida. Tomando meu exemplo, os de amigos e colegas de trabalho, bem como onironautas interessados em sonhos lúcidos, o que posso sugerir é que passem a investir em evitar ou solucionar, tudo aquilo que esteja impedindo ou atrapalhando uma boa noite de sono.

Bibliografia: 

NEUROCIÊNCIA da Mente e do Comportamento. LENT, Roberto(Coordenador). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008

Coren, Stanley: Ladrões de Sono. Cultura Editores Associados. São Paulo: 1996

      
     Tenho acompanhado os artigos recentes de pesquisadores como Stephen LaBerge, Allan Hobson e Ursula Voss. É uma tríade de peso, cada qual com seu respectivo Ph.D e com pesquisas fascinantes na área dos sonhos lúcidos. O último texto acerca da relação entre estados psicóticos e sonhos lúcidos reflete bem isso. Nesse texto estou explorando as críticas de LaBerge(1) ao estudo de Allan Hobson sobre sonhos lúcidos ou a consciência nos sonhos.

Comparativo de uma análise topografica de atividade cerebral entre os estados mentais quando acordados(o superior), no estado do sonho lúcido(meio) e em fase REM comum(não lúcido). Allan Hobson e alguns pesquisadores classificam o sonho lúcido como um Estado Dissociado(ED).

       
       A entrada recente de Allan Hobson nas pesquisas sobre sonhos lúcidos parece trazer uma abordagem nova no estudo. Seu entendimento sobre o sonho lúcido é como um “Estado Dissociado” do cérebro-mente. Verifica-se nessa compreensão um estado híbrido entre o estado desperto e os sonhos. Significa para esse pesquisador que ao sonharmos lucidamente, não estaríamos mais na fase REM do sono e sim num meio-termo de intrusão ou confusão entre a vigília e os sonhos.

Estado Dissociado (ED): pela literatura científica(²) é a reunião dos três estados da consciência. Allan Hobson defende que os Sonhos Lúcidos devem ser classificados na concepção de um estado híbrido entre a vigília e os sonhos(ED2).

     Allan Hobson aponta os sonhos lúcidos como um “promissor embora problemático paradigma”. Para LaBerge não há nada de problemático. Vale para este autor a mesma linha de estudo aplicada na época da descoberta das fases REM do sono. Quando então se descobriu um período de intensa atividade cerebral, equivalente ao período da vigília(período desperto), atonia muscular, variação no sistema nervoso autônomo etc..  tudo isso(fases REM) ocorrendo naturalmente, várias vezes durante uma boa noite de sono.

Para LaBerge a compreensão de Allan Hobson sobre sonhos lúcidos está errada, pois não há que se falar num estado híbrido entre estar acordado(vigília) e sonhando, mas estar consciente durante a fase REM.

        Para Stephen LaBerge os diversos estudos mostrando os sinais-verificados de sonhos lúcidos(SVLD – signal-verified lucid dreaming) durante a fase REM(ver LaBerge, 1990), são mais que suficientes para demonstrar que a fase REM é capaz de suportar a consciência reflexiva. Prossegue argumentando que foram tomadas todas rigorosas medidas nas pesquisas e que foram gravados mais de 100 experiências de sonhos lúcidos ocorrendo sempre na fase REM do sono.

         Porém, ao que parece, nas palavras de LaBerge “Hobson interpreta esses resultados de maneira diferente. Porque ele acredita que a consciência reflexiva é incompatível com a fase REM do sonho, ele conclui que o sonho lúcido DEVE(grifo do autor) ser um estado dissociado, híbrido misturando os sonhos e o estado desperto(vigília)“. LaBerge segue afirmando que entende que alguém pode ser induzido ao erro pensando dessa maneira, mas contra-argumenta com a analogia de que “se a maioria dos mamíferos não voam, morcegos, se eles existem, devem ser híbridos de pássaros ratos. Isso não é bem o que é um morgeco”.

Para LaBerge a defesa de Hobson dos sonhos lúcidos como um estado dissociado ou híbrido, equivale a dizer que morcegos não são mamíferos voadores, mas uma espécie híbrida entre pássaros e ratos.

         
         LaBerge prossegue criticando o estudo que Allan Hobson usa para fundamentar suas afirmações em que considera o sonho lúcido como um estado dissociado ou híbrido. Trata-se de um estudo de Ursula Voss e Tuin(?) de 2009, no qual, afirma LaBerge já inicia o primeiro parágrafo dizendo “Sonho lúcido é um estado dissociado…”
         
         O estudo no qual se baseia Hobson parte da suposição que uma vez detectada a consciência reflexiva, verifica-se o estado desperto ou a vigília, por conseguinte, a presença de sinais de sonhos lúcidos na fase REM indica a presença de consciência desperta. Ignora-se dessa maneira a conclusão de que a fase REM do sono é capaz de manter a consciência reflexiva.

Nessa visão do sonho lúcido como um Estado Dissociado, a presença da consciência é o que determinaria a intrusão do estado desperto no sono. LaBerge contesta afirmando que só haveria essa intrusão da vigília no sono, caso nossas percepções ou sentidos(visão, audição, tato, olfato, paladar) não estivessem mais isolados.

         O texto de LaBerge vai além, concentrando análise sobre o estudo  supra-citado, mas vou abordar essa parte num próximo post. Para finalizar, vale destacar o argumento central da crítica de LaBerge contra Hobson:
       
         The essencial difference between dreaming and waking is sensory input, not reflective conciousness(Kahan & LaBerge, 1996; Llinas & Pare 1991).”


           Que fica:
           “A diferença fundamental entre sonho e vigília são as percepções sensoriais(exteriores), não a consciência reflexiva”.

            Afinal o que realmente diferencia o estado desperto de um sonho? É a presença/ausência de consciência ou é a presença/ausência de percepções sensoriais?
            Todos onironautas conhecem a sensação de estar num sonho. Mesmo naqueles sem lucidez o elemento sempre presente é o isolamento sensorial. Não há percepção do que está acontecendo em volta. Não há visão, tato, olfato, paladar ou audição. No máximo incorporamos algumas coisas de modo bem engraçado nos sonhos, mas sem distinguir este dos demais elementos que compõe o sonho.
             Por fim, a consciência por si só não parece ser suficiente para demonstrar que alguém está acordado. Esse alguém pode estar consciente, mas preso dentro de um sonho…

Pelo menos para mim, fica claro que ao ficarmos lúcidos num sonho, não estamos trazendo nada que desconfigure o estado mental do sonho comum. Sua estrutura é a mesma, exceto que passamos a vivenciar as experiências de modo consciente, mas longe de estar acordado, num estado híbrido entre acordado e os sonhos ou em algum meio-termo.

Referência Bibliografica:

(1) – Signal-verified lucid dreaming proves that REM sleep can support reflective consciousness Intenational Journal of Dream Research, volume 3, nº 1. pg 26-27 (2010).

(2) – NEUROCIÊNCIA da Mente e do Comportamento. LENT, Roberto(Coordenador).
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

      Durante minha adolescência nerdística um dos meus passatempos prediletos(além de quadrinhos, jogar war na madrugada…) era descobrir em quais horários do meu sono eu poderia acordar e flagrar meus períodos REM do sono. Meus amigos da pensão(e da Escola Técnica Tupy de Joinville) perguntavam no dia seguinte se alguém havia ouvido um despertador tocar na madrugada… bom… incomodei um pouquinho até que me descobrissem, mas nesse ponto eu já tinha descoberto uma hora chave para acordar e anotar meus sonhos.
…tic-tac-tic-tac-tic-tac… descobrir o timing para despetar no momento de um sonho não é algo difícil.
     Acabei encontrando para mim, o horário ideal de calcular 5 horas e 18 minutos de sono… considerando, dependendo do dia( 10 min, 15min..  o tempo que iria levar para me desligar e dormir).
      Acionava meu radio-relógio para despertar após 5:18h de sono. E assim fui anotando minhas experiências durante um bom tempo.
      Uma das maiores dificuldades dos interessados em sonhos lúcidos é sobre a dificuldade de lembrar dos sonhos. Normalmente isso acontece porque não foi estabelecido ainda o hábito de anotar os sonhos num diário(recomendado pelos especialistas na área).
O Diário dos sonhos, sempre como primeira pedra fundamental para construir uma boa memória dos sonhos. Anotar pelo menos um sonho, uns 4 a 5 dias por semana já é suficiente.
      Além dessa orientação, é fundamental que o onironauta(nós, exploradores dos sonhos) esteja atento para os seus períodos de despertar. A chance de lembrar de um sonho sempre será maior caso consiga despertar dentro de uma fase do ciclo do sono conhecida como REM. Essa fase do sono já foi explicada por aqui, mas saber uma maneira e como é simples conseguir acordar durante ela inevitavelmente vai ajudar a reforçar a memória dos sonhos.
    
Resumo para lembrar mais dos sonhos:
Passo 1: o diário dos sonhos deve sempre estar próximo da cama.
Passo 2: experimente acordar em horários diferentes. Após 4 horas de sono, 5 horas de sono… faça isso apenas algumas vezes e vá anotando os sonhos que conseguir lembrar.
Alerta: deve-se tomar o cuidado para não fazer essas experiências em demasiado e prejudicar a qualidade do sono. O ideal é num final-de-semana, sem grandes compromissos no dia seguinte.
Passo 3: nada de alarmes estridentes. Programe um alarme suficiente apenas para lhe acordar e assim, não morrer de susto! Fica difícil manter na memória um sonhos com um despertador surtado. Um alarme suave demais também pode não acordar direito e assim o sono se esvanecer ou desaparecer.
Passo 4: evite dormir cansado demais. Na medida que seu corpo pedir descanso não insista em ficar acordado, pois é o chamado natural para realizar os ciclos do sono e bombar os hormônios que o corpo tanto precisa.
Passo 5: experimente desejar sonhar com algo que lhe seja especial ou seja fascinante. De preferência que instigue seus desejos. Anote isso no seu diário dos sonhos.
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Passo a sugerir então algumas experiências com base num interessante gráfico dos ciclos das fases do sono. Esse gráfico em especial, sugere o 4º ao 6º ciclo como os mais longos em termos de fases REM ou intervalos com os sonhos mais intensos e vívidos.
As partes em amarelo representam os períodos REM de sonhos intensos, em que mais temos sonhos lúcidos.

Experiências sugeridas(necessário o cálculo pessoal do tempo para cair no sono):

Os tempos abaixo significam tempo total de sono! No exemplo 1, deve-se calcular que se dormiu muito próximo disso.
1- Pelas 5:30h se iniciaria a 4º fase REM, durando até qse 30 min. Minha sugestão de experiência é programar para despertar 6h após ir pra cama.
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Pelas 6:45h se iniciaria a 5ª fase REM, durando até qse 45 min. Talvez programar pra despertar 7:30h após ir dormir.
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Pelas 8h chega a tal 6ª fase REM que é a mais rechonchuda, durando talvez até 60 min?! Quem sabe programar para despertar umas 8:50h após dormir(e haja sono heim!)?

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   São apenas sugestões de experimentos. Há vários fatores envolvidos que implicam na necessidade de cada um conhecer bem quanto tempo em média leva pra pegar no sono. Despencar mesmo. E claro, o gráfico sugere uma média. Há variações de pessoa pra pessoa na duração do ciclo e distribuição deles. Especialmente, caso esteja com o sono atrasado, caso em que a fase REM chega mais rápido(ricocheteio de REM), mas normalmente ficamos mentalmente mais fracos.
Fontes:
DELANEY, Gayle. O Livro de Ouro dos Sonhos – All about Dreams, Rio de Janeiro: Ediouro, 2001