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As pesquisas sobre o cérebro humano nas últimas décadas trouxeram dados, capazes de causar otimismo entre seus estudiosos. A exemplo de Matthew Walker ¹, neurocientista, em seu livro recentemente publicado no Brasil, com o título Por que nós dormimos – a nova ciência do sono e do sonho:

” É possível que sonhadores lúcidos representem a próxima iteração na evolução de Homo sapiens”. Será que no futuro esses indivíduos serão preferencialmente selecionados em parte com base nessa habilidade onírica incomum – uma habilidade que pode lhes permitir direcionar o holofote criativo da resolução de problemas no sonho para os desafios despertos enfrentados por eles mesmos ou pela espécie humana e tirar proveito de seu poder de maneira mais deliberada?”

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Recentes publicações de neurocientistas renomados, parecem demonstrar certo otimismo com as possibilidades futuras acerca dos sonhos lúcidos.

Trata-se de uma afirmação ousada e dotada de muito otimismo. Mas que caminha bem acompanhada. Em seu livro, O Oráculo da Noite, também com lançamento recente no Brasil, o neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro ² faz suas colocações sobre o tema:

” O desbravamento da lucidez onírica abrirá novos caminhos para a criatividade, a invenção e a descoberta humana, com riquíssimas possibilidades ainda por explorar.”

De fato existem pesquisas animadoras, com relação a possíveis benefícios dos sonhos lúcidos. Algumas delas já foram objeto de atenção nesse site. Tratam-se de resultados sobre sonhadores lúcidos que foram capazes de realizar treinamento envolvendo habilidades motoras durante os seus sonhos. O aumento da performance ficou evidenciado nesses primeiros estudos e certamente novas pesquisas serão realizadas.

Particularmente sempre fui fascinado com a hipótese dos sonhos lúcidos contribuírem para compreensão da consciência, processos criativos, memórias do inconsciente e resolução de problemas. Vários pesquisadores, filósofos da mente, como Revonsuo, Metzinger, Evan Thompson, Jenifer Windt, entre outros (incluídos neurocientistas, e psicólogos ), voltam suas atenções e estudos para esse estado alterado de consciência. Trata-se de uma área de estudo promissora para a compreensão do próprio sonho em si e para avanços nas pesquisas sobre a consciência.

montanha humana
Image by Stefan Keller from Pixabay

Dica no livro O Oráculo da Noite para ter sonhos lúcidos:

” O primeiro passo é retomar o sonhário (Diário de Sonhos). Além disso é importante aplicar técnicas capazes de elevar a percepção do estado onírico, como o hábito de indagar-se frequentemente, no transcorrer do dia: Será que estou sonhando? Essa pergunta pode acompanhar a visão de um objeto específico, como a própria mão.

Um breve período de autossugestão antes de dormir também facilita o aprendizado do sonho lúcido através da mentalização da experiencia que se quer incubar. É ainda mais útil despertar de madrugada para e realizar a autossugestão na iminência dos últimos episódios de sono REM da noite.”

Observação: a dica do Sidarta Ribeiro está perfeitamente de acordo com as técnicas de indução que divulgamos no site. Acrescentamos apenas que esse despertar durante a madrugada seja por volta da 5a ou 6a hora de sono ou por volta de DUAS horas antes do despertar.

Referências Bibliográficas:

1 – WALKER. M. Por que nós dormimos. A nova ciência do sono e do sonho. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2018, p.254.

2 – RIBEIRO, S. O Oráculo da Noite. A História e a Ciência do Sonho. São Paulo: Companhia das Letras. 2019, p.376.