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Técnicas para induzir Sonhos Lúcidos

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           Uma das onironautas com grande potencial para desbravar a consciência nos sonhos, talvez em especial o método FILD é a Elisete. Atua como professora de piano e teclado na Escola de Música Rafael Bastos. Era tecladista na banda Plug-In e agora prossegue seus estudos em música, buscando seu bacharelado em piano pela UDESC.

É frequente encontrar entre os onironautas, grandes apreciadores de algum tipo de arte, seja a música, pintura, poesia, etc..

           O relato que segue dessa onironauta, merece especial  atenção. Causa empatia logo de início. Serve de exemplo também no esforço pelas anotações(eu também tenho que tomar vergonha e ser mais disciplinado nisso).

           A exemplo do onironauta Felipe, nosso guitarrista e colaborador do blog, segue os relatos e rotinas preciosos, diretamente das anotações pessoais da Elisete:

Elisete Vieira é professora de piano pela Escola de Música Rafael Bastos em Florianópolis. Onironauta iniciante nos sonhos lúcidos, apresentou um relato contagiante sobre suas investidas na anotação de seus fragmentos de sonhos até atingir sua primeira lucidez.

           ”

EXPERIÊNCIA 1

            Na noite em que iria testar o método(FILD), eu fui dormir um pouco tarde e não dormi muito bem. Tenho 2 gatinhos, sendo que um deles estava meio inquieto e vez ou outra miava dentro do quarto, e eu, com o sono meio leve, despertava logo. Então eu acordava e dormia várias vezes até que decidi fechar a porta do quarto com eles fora. Dormi e sonhei, mas foi sonho “piloto automático”. Nada de consciência. Não consegui concentração pra aplicar nenhum método por estar cansada, e deixei pro outro dia. Este que vou relatar é apenas um de vários fragmentos que tive:

Sonho (12/03/2012): A GAROTA CHATA – Parte I
      “Estava como que num lugar público, tipo um refeitório ou um restaurante meio antigo. Eu estava em pé diante de um banco e uma turma ao redor da mesa conversando. Eu também conversava com eles. Atrás de mim um espaço de chão que separava outra mesa com bancos.

       Veio uma moça passar pelo espaço de chão atrás de mim. Dava pra ela passar folgadamente, mas por birra ou por querer todo o espaço pra ela, começou a passar por trás de mim como se fossem pessoas em pé dentro de um ônibus lotado. Eu estava de costas para ela, sentia o que ela fazia e empurrava-a para trás, mas ela continuava passando e pressionando, só pra me encher a paciência.
       Até que não sei como me livrei dela e comecei a dizer algo como: “Sai” (algo assim), e ao mesmo tempo apontava um objeto pra ela (parecia uma varinha do Harry Potter rsrs), onde cada vez que eu dizia “sai” apontando este objeto, apareciam umas manchas brancas no peito dela, e ela recuava.

Algo assim. Nada de sonho lúcido, só no automático.”

EXPERIÊNCIA 2 (manhã de 13/03) – Parte II
        “Fui dormir um pouco mais cedo na noite seguinte. Quando vi que o gatinho “falador” começou a dar os primeiros miados eu já tirei os dois do quarto e deixei-os fora no ato. Rsrs. Apaguei a luz, fui pra cama, dei uma lida a mais no método e deitei. Eu apenas inverti a ordem de um dos passos, mas mesmo assim sei que funcionou. Rsrs.

         Deitei logo de cara movimentando os dedos, ao invés de dormir e acordar pra fazer isso. Hehe. Mas acho que valeu, porque fiquei fazendo isso por uns poucos minutos e o meu corpo já começou a ter espasmos, daqueles que temos quando o corpo está começando a relaxar. E quando isso acontece comigo eu já sei que vou dormir rapidinho. Antes de adormecer, fiquei calmamente dizendo pra mim mesma: “vou me lembrar de me perguntar como cheguei naquele lugar, fazer o reality check, ter consciência de que estou sonhando e de ficar calma”.

       Repeti mais umas duas vezes essa última frase, alimentando o sentimento de que nada poderia me fazer mal. Não deu outra, segundos depois dos espasmos eu quase apaguei direto, não fosse um pequeno probleminha: quando senti que ia ter uma paralisia do sono eu acordei imediatamente, nem deixei paralisar. kkkkk. Fiquei com o coração acelerado por uns segundos e me sentindo uma boba: “Como pôde ficar com medo sua boboca?”.

        Resolvi tentar de novo, mas desta vez usei não apenas a consciência dos dedos, mas me lembrei de algo que o meu professor de piano me ensinou: que a gente deve se perceber bem na musculatura enquanto toca, pra ver se não está tocando de forma inadequada e previnir assim, tendinites da vida.
        
        O principal é estar completamente relaxado pra tocar, mesmo nos trechos onde a musculatura é mais exigida. Aí comecei a perceber cada músculo do meu corpo, começando a soltar cada um deles, relaxando. Dos pés à cabeça. De repente minha respiração começou a diminuir, e quando vi, escuro total. Não sei quanto tempo levou essa parte, acho que foram as que antecedem a fase REM (posso estar falando bobagem, me corrija se estiver). Acho que foi porque meu primeiro despertar foi às 10:30h e fui dormir perto das 2h por causa da parada que dei em funçao da paralisia.

         Quando despertei, estava acordada porque olhei as horas no celular e tava 10:30h sem problemas. Mas me vinham diversos flashes de imagens ou sequências de sonhos, e o que fiz foi ir deixando rolar e ao mesmo tempo tentando controlar pra não esquecer. Eu memorizava alguns e deixava rolar ao mesmo tempo. Até que vi que despertei mesmo e aproveitei pra anotar, porém anotei apenas palavras-chaves. Voltei a dormir e vieram outros. Fiz o mesmo. Aí o relato segue, primeiramente dos flashes:

O MINOTAURO E A VERDADE (1º sonho)
     “Havia uma parede onde apareciam como que reproduzidos por um datashow, símbolos de animais. Eram enfileirados e vinham de baixo pra cima, um de cada vez. Às vezes eram inseridos novos símbolos. Entendi que aquilo representava os símbolos de competidores que estavam sendo selecionados naquela hora para um tipo de competição.

       Cheguei num local (parecia uma pracinha na cidade onde trabalho, Florianópolis) e os animais estavam jogando jogo-da-velha (era essa a tal competição). Vi que havia um competidor jogando com um minotauro, e o competidor venceu.

        O minotauro não gostou muito e começou a esbravejar. Todos falavam pra ele se acalmar e ele continuava esbravejando, até que tive que ir bem perto dele e gritar a todos os pulmões: “As pessoas não ouvem a verdade a não ser que se fale alto!”. Nisso me encontrei numa padaria próxima ao local da competição, e alguém que viu a cena veio me perguntar porque dissera aquilo. Não me lembro muito bem da resposta.

O GRITO (2º sonho)
Imediatamente ficou escuro e eu gritei “Você!”, a alguém que eu não via e não sabia quem era, e que havia me feito alguma pergunta que também não me lembro.

O MONGE (3o sonho)
Esse foi o mais divertido de todos. Quando me lembrava dele eu ria pacas! Do nada me vi num local que não me lembro, onde havia um monge tibetano tocando bateria na maior paulera e empolgação. kkkkkk

SOLILÓQUIO (4º sonho?!)
Ainda acordada, sem fazer força alguma pra pensar, me fluíram alguns pensamentos:

a) “É engraçado esse negócio de preencher os sonhos com o subconsciente” (acho que tá errado, é o inverso né? Mas na hora foi exatamente isso que pensei, e decidi não alterar na hora de escrever… kkk);
b) “Fiz o reality check das mãos e estava totalmente acordada!” (porque no meio dos flashes eu realmente fiz isso, e 5 dedos normais e perfeitos em cada mão)

A MENININHA QUE QUERIA SONHAR MAIS (5º sonho)
Não via, mas ouvia uma menininha dizendo pra sua mãe:

– Quero dormir mais horas pra ter mais sonhos!
– Não, chega. Senão isso vai interferir na sua qualidade do sono!

Nesse flash eu achei que a garotinha era eu, pois já estava beirando 8 horas de sono e queria realmente tentar prorrogar. Tudo isso eu estava completamente acordada e enquanto rolavam os flashes eu ouvia uma música na minha mente do Tears for Fears, versão do cantor Gary Jules, chamada “Mad World”.

O VÔO SÚBITO ( desta vez totalmente lúcida!)
     “Não haviam compromissos naquela manhã (dia 13) e aproveitei pra esticar mais o soninho. Era em torno de 11:30h quando voltei a dormir. Havia ido ao banheiro no intuito de acordar, mas estava muito sonolenta ainda.

        Parecia que eu precisava de exatamente mais meia hora de sono. Deitei, dormi e tudo rapidamente ficou escuro. Ouvi alguém falando uma palavra mas não lembro qual é. Porém a impressão física que tive era de um vácuo nos ouvidos. Depois ficou escuro de novo por um tempo e de repente me vi sobrevoando uma região, tipo um pequeno bairro, cheia de casas lindas e coloridas, o céu meio preto-azulado com estrelas lindas e brilhantes, árvores ao lado das casas.

        Quando comecei a sonhar isso eu já estava em pleno ar, não precisei decolar! Subitamente ao início do sonho lúcido me vi perguntando: “Estou consciente? Estou consciente?”. Estava meio confusa por já entrar no sonho voando, mas mesmo assim decidi fazer o reality check das mãos.

        Meio desajeitada por estar voando, pude percebê-las embaçadamente, e aí em seguida despertei. Fiquei mais um tempo na cama sem pensar em nada, observando meu corpo, sem mexê-lo, pra ver se dava pra continuar.

    

          De alguma maneira eu sabia que essa fora a experiência da manhã, e que tinha mesmo acabado. Olhei o relógio: 12:08h! Havia se passado pouquinho mais de meia hora para ter tido esta experiência, sem mencionar que estava muito diferente quando despertei às 11:30h. Estava muito mais leve, alegre e motivada. ” “

  Já está disponível no mercado a tecnologia denominada Lucid Dreaming App que promete auxiliar na indução de sonhos lúcidos. O software possui versões para serem usados no I-Phone 4, I-Pod 4G e Android 2.2. O criador, Alexander Stone, tem um site no qual divulga todas informações:
http://luciddreamingapp.com/iphone/singularity-experience/

  Como não sou usuário de qualquer um desses dispositivos, apenas irei expor o que está sendo divulgado pelo autor e o que a experiente sonhadora lúcida Rebbeca Turner diz sobre o assunto.

  Pelo que entendi os aparelhos se utilizam do dispositivo denominado acelerômetro que detecta movimentos enquanto dormimos. Esse monitoramento é capaz de calcular as fases do sono que nos encontramos e assim provocar estímulos que poderão induzir sonhos lúcidos. Algo parecido com o que já faz as máscaras de indução.

  De acordo com Rebecca, a tecnologia permite que os sonhadores sejam estimulados/despertados exatamente durante as fases REM e que retornem para os sonhos, dando continuidade ainda nas fases REM, exatamente do jeito como é a técnica DEILD. Trata-se portando de um grande facilitador.

 Procurando me interar mais sobre o assunto, descobri que já existe outro software com o mesmo propósito: o DreamZ

      FILD significa Finger Induced Lucid Dream ou Sonho Lúcido Induzido pelo Dedo.
     Esse método já é bem conhecido de boa parte dos onironautas, especialmente os norte-americanos. Nas comunidades como a do Sonhos Lúcidos do Orkut também já foi mencionada. De acordo com minhas pesquisas, o criador desse método foi o onironauta Hargarts que o publicou  no dreamviews.com .
     É um método simples que não requer experiência, grandes conhecimentos ou maior prática. A descrição não é muito curta, mas optei por traduzir na íntegra.

O Método FILD é um derivado do Método DEILD. Trata-se de um método bem conhecido nas comunidades norte-americanas. Foi criado por um onironauta: Hargarts.

     

     A preparação: 
     1. Vá dormir. Não requer qualquer tipo de visualização.
     2. Para otimizar o método, procure ir dormir quando estiver realmente caindo no sono. A melhor hora é no meio da noite ou de manhã. Entretanto, utilizando essa técnica pela manhã, pode-se provocar sonhos lúcidos curtos.
     3. Se você quer tentar o FILD durante a  noite, você tem encontrar uma maneira de acordar. Existem vários jeitos. Descubra aquele que funciona melhor com você.
     4. Uma vez que você acordou, a primeira coisa que deve fazer é imediatamente relaxar, tentando voltar ao sono. O objetivo aqui é chegar ao ponto justamente antes de você cair no sono. Uma vez que alcance esse ponto, inicie o Método FILD. Caso você cair no sono diretamente, não se preocupe, você pode tentar novamente quando acordar.

Apesar da descrição minuciosa, o método em si é simples. 

    O Método:
    1. Imagine por um segundo que você está tocando um piano usando seu dedo indicador e o dedo do meio, da mesma mão. Seus dedos estão lado a lado, em duas teclas. Agora pressione seu dedo direito para baixo, deixando seu dedo esquerdo erguido. A seguir, pressione seu dedo esquerdo para baixo e deixe seu dedo direito para trás. Repita esse movimento para cima e para baixo.

    2. Imagine que você está tocando o piano novamente(usando o mesmo movimento), mas desta vez, pressione as teclas levemente de tal modo que elas não desçam. Tente isto nas teclas do seu computador – você deve basicamente sentir seus músculos se contraindo, mas seus dedos mal e mal se movem.

    3. Tudo que você tem que fazer é usar o movimento do dedo quando estiver desperto. Uma vez que você alcançou o passo 4 da etapa de preparação, comece a movimentar seus dedos. Concentre-se no movimento.  Direcionando sua concentração, você cairá no sono em segundos. Não conte o número dos seus movimentos ou fale consigo mentalmente. Também, não tente se forçar a cair no sono, isso apenas o fará despertar.;

    4. Passados 10 a 20 segundos, faça o teste de realidade(ou reality check) de trancar a respiração(fechando o nariz com a mão). Simplesmente tape o nariz e tente respirar. Se você puder, você está sonhando.

    5. Se você descobrir que o reality check  não funicona, não se preocupe, você pode tentar novamente. Apenas durma normalmente e tente novamente quando despertar.

Fontes:
http://www.dreamviews.com/f49/finger-induced-lucid-dream-fild-4779/
http://mortalmist.com/forum/index.php/topic,1983.0.html
http://lucid.wikia.com/wiki/Finger_Induced_Lucid_Dream

    Provavelmente uma das dúvidas mais frequentes seja: qual a melhor técnica para ter sonhos lúcidos? A princípio,  as técnicas mais eficientes e conhecidos são: MILD, Tholey, WBTB, WILD, Incubação, FILD, VILD, CAT e DEILD. Desse modo, sem qualquer ordem de importância ou preferência. Existem diversos outros(também descritos por aqui), mas a maioria é derivada desses.
Escolher o melhor Método para Indução, significa encontrar pela experimentação, qual é mais compatível com  a tua rotina  e características pessoais.

A melhor orientação na escolha da melhor técnica para ter sonhos lúcidos, é buscar aquele que é mais compatível para si. Isso vai ser percebido após algumas semanas. Dessa maneira, por volta de um mês, é perfeitamente possível saber se o Método é ou não uma boa escolha.  Seja como for, caso os resultados não tenham aparecido, passe para outro.

Agora, no meu caso por exemplo, optei inicialmente pelo Tholey , no qual não fazia direito e tive resultados bons, mas esporádicos. Contudo, passei para o MILD e tive alguns bons resultados. Logo depois, segui para o WBTB(aplicando alguns passos do Tholey junto), no qual tive um belo aumento na frequencia e intensidade, caindo posteriormente. Finalmente acabei voltando para o MILD e sigo atualmente o Tholey, junto com o MILD.

Com a experimentação, no decorrer de algumas semanas até um mês é possível saber, pelos resultados e observações no teu Diário de Sonhos, se o Método escolhido é compatível ou não.

Em outras palavras, talvez o ideal para mim seja aplicar o Tholey junto com o WBTB. Todavia isso a gente vai experimentando. Além disso a qualidade de sono vai melhorar bastante agora que tive uma mudança de turno no trabalho(só espero não perder o sono com a falta de grana! kkkkk).

Atualmente, todos esses Métodos de Indução estão detalhados aqui no blog. Ou seja, como relatei, o segredo é ir experimentando e ver qual deles vai servindo melhor na tua rotina. Porém é bom lembrar, como a rotina é fundamental. De fato, para aqueles que dependem de uma soneca após o almoço, o WILD pode ser fenomenal. Vale lembrar que no meu caso, a maioria das minha experiências com WILD. foram através de belas sonecas.

Abaixo segue um relato pessoal sobre a maneira como tenho seguido e adaptado essas orientações e Métodos.
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Resumidamente  a minha aplicação pessoal do Tholey e MILD/WBTB:


Em síntese, o Método de Tholey eu procuro aplicar SEMPRE.
Por exemplo, seja em alguma fila do supermercado, do caixa-eletrônico, elevador… por aí vai! De antemão, o grande macete é inicialmente decorar os  5 primeiros passos dessa técnica.
Resumidamente, memorizar os passos e ao mesmo tempo ir praticando. Desde que o faça pelo menos cinco vezes por dia. Além disso, repare que o Dr. Tholey deu o 5o e o 6o passos como alternativos.
Tal qual a técnica MILD, também o WBTB são muito parecidos e podem ser usados (escolha um deles) em paralelo ao Tholey. De maneira idêntica, uso o horário de acordar (após a 6a hora de sono). Logo depois, procuro anotar algum sonho que talvez lembre, caso não, faço alguma atividade relacionada, lendo algo sobre sonhos ou apenas durmo pensando que vou ficar lúcido. Da mesma forma, sem jamais querer forçar ou ficar ansioso com isso.
No caso dos Reality check das mãos e espelhos, aplico durante o dia-a-dia. Por outro lado, ao acordar, as anotações precisam ser feitas. Da mesma forma para aqueles sonhos enfadonhos, pelo menos um deles, precisam ganhar um registro, haja vista a  necessidade de exercitar a recordação dos sonhos. Por fim, os sonhos são por natureza extremamente voláteis, porém
ao seguir as dicas de anotação e recordação a habilidade poderá será fortificada.

    Extraído diretamente do livro Sonhos Lúcidos, de Stephen LaBerge, pode-se encontrar esse interessante Método de indução da consciência no sonho. Nunca foi chamado de Método em si, pelo menos até onde li a respeito. Resolvi denominar assim, porque a descrição no livro é mesmo interessante o suficiente, para que mereça uma denominação própria.

O Método Rapport pode nos conduzir gentilmente para o estado mental dos sonhos, mantendo  a centelha da consciência.

    Nathan Rapport, um psiquiatra americano, ressaltou esse prazer de sonhar conscientemente em um artigo intitulado “Bons Sonhos!”: 

     ” a natureza dos sonhos pode ser estudada do melhor modo possível nas raras ocasiões em que a pessoa percebe que está sonhando”.

     LaBerge aponta que Rapport se utilizou de um caminho para indução de sonhos lúcidos análogo ao de Ouspensky:
  

      O Método  Rapport:

     “Quando a pessoa está na cama esperando que o sono venha, a cada poucos minutos interrompe os pensamentos, esforçando-se por recordar a informação mental que vai desaparecendo, antes de cada intromissão causada por aquela atenção curiosa”.


      De acordo com LaBerge, quando estabelecemos ou condicionamos esse hábito de introspecção, ele acaba acontecendo dentro do sono em si. 
      Isso me lembrou de imediato, o Método da Contagem  que já publiquei por aqui. Porém, trata-se de levar o pensamento questionador e curioso para dentro do sonho, na medida em que conseguimos impregnar nossa mente dele. Acredito que boa parte dos onironautas em geral já deve ter feito isso. É engraçado acompanhar o turbilhão de pensamentos que parecem brotar involuntariamente quando estamos na iminência de cair no sono.
      Particularmente eu lembro de inúmeras vezes estar tentando aplicar o Método da Contagem e me flagrar pensando em outras coisas!… 

O Método Rapport é essencialmente uma maneira de condicionarmos nossa mente a  interromper seu fluxo espontâneo de pensamentos enquanto adormecemos. Com ele, corremos o ótimo risco de repetir esse processamento durante um sonho.

      
      O Método de Rapport é de uma simplicidade surpreendente. Deve-se ressaltar que não é necessário se esforçar de maneira ansiosa tentando manter a consciência. Pelo contrário! Basta apenas ir acompanhando os pensamentos. Serenamente.

       Vou tentar colocar nas minhas palavras, caso o texto extraído do livro do LaBerge, tenha ficado confuso. Aproveito para eu gravar melhor esse método também. ;P

       Método Rapport(em minhas palavras):
       
       Quando estiver deitado, pronto para adormecer, procure em curtos períodos, interromper seus pensamentos e refletir sobre o que vinha pensando. Faça isso até adormecer.
       Inicialmente, deixe seus pensamentos fluirem… então interrompa o fluxo e reflita sobre o que exatamente pensava. Deixe fluir novamente e depois interrompa novamente procurando mais uma vez refletir sobre o que pensava, antes de interromper o fluxo. Faça isso sucessivamente até cair no sono.


       Muito provavelmente essa idéia seja ainda mais interessante de ser aplicada, quando for tirar uma soneca ou caso esteja aplicando o MILD, WBTB ou algum outro Método de Indução de Sonho Lúcido que se utilize do macete de acordar após 6h de sono.

Uma boa dica é aplicar o Método Rapport quando for tirar uma soneca ou ainda quando acordar pela 6ª hora de sono e voltar a dormir.

      
       Vale ressaltar ainda o entusiasmo do psiquiatra que era um sonhador lúcido, pela área da consciência nos sonhos. Nas palavras de Naportt:

       “Quanto às glórias misteriosas oferecidas pelos sonhos e tão pouco relembradas, por que tentar descrevê-las? Essas fantasias mágicas, os jardins estranhos mas lindos, esses esplendores luminosos, são desfrutados somente por quem está sonhando que os observa com interesse ativo, espiando-os com uma mente acordada e apreciadora, agradecido pelas glórias que ultrapassam até as que os dotes mais requintados conseguem conceber na realidade. A beleza fascinante encontrada nos sonhos compensa amplamente o seu estudo. Mas existe um apelo maior: se dermos atenção aos sonhos, o estudo e a cura da mente que está fora de contato com a Realidade podem ser auxiliados. E quando arrancamos segredos do mistério da vida, muitos deles terão sido descobertos em sonhos agradáveis.”



Bibliografia:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

      Paul Tholey foi um psicoterapeuta alemão com uma bagagem de apenas 30 anos de experiência no uso do que chamamos hoje de “Método de Tholey”. A Dra. Jayne Gackenback, outra gigante no estudo dos sonhos, aponta esse método como de grande eficácia.
      Tholey trabalhou com seus pacientes, em seu dia-a-dia, na sua clínica. Invariavelmente sua experiência e estudos, aplicados diretamente com os pacientes, resultaram em uma forte percepção do melhor caminho para recordação e controle dos sonhos.

O Psicoterapeuta alemão Paul Tholey desenvolveu seu método observando  a eficiência em seus pacientes.

       Repare que nas orientações abaixo, os exercícios de imaginação/simulação visual, devem ser ao mesmo tempo, acompanhados de questionamentos e repetidos durante o dia, de tal forma, para que ao sonhar, esse modo de criticar a realidade, seja levado junto(numa espécie de incubação/reality check).

Apresentação do Método:

1) Questione para si: “Estou sonhando ou não?”, de cinco até dez vezes ao dia.

2) Simultaneamente, procure visualizar-se num sonho, imagine intensamente que está no seu sonho e que percebe que tudo a sua volta, inclusive você mesmo, é um sonho seu.

3) Enquanto se questiona “Estou sonhando ou não?”, concentre-se não só no agora, mas procure visualizar acontecimentos passados. Percebe algo incomum ou lacunas na memória?

4) O questionamento reflexivo “Estou sonhando o não?” deve ser repetido quando experimentar emoções mais fortes ou em situações do cotidiano que lembrem uma situação típica de sonho. Situações surpreendentes ou improváveis, durante as rotinas do dia-a-dia, devem ser aproveitadas.

5) Caso acontecimentos ou algum(ns) temas sejam repetitivos ou recorrentes nos seus sonhos – por exemplo o sentimento de medo ou a presença de um gato – aproveite quando estiver desperto, para se questionar “Estou sonhando ou não?”, sempre que avistar um gato ou se sentir ameçado(ou quando se defrontar com a situação repetitiva dos sonhos enquanto desperto).

Temas recorrentes podem ser uma via surpreendentemente eficaz, para obter a consciência nos sonhos. No meu caso, são os sonhos com casas da minha infância(casa de Urussanga -SC, em que morei dos 5 aos 7 anos).

6) Alternativamente a situação anterior, se os temas mais recorrentes nos seus sonhos são experiências que raramente ou nunca ocorram no estado desperto, procure então se imaginar vivenciando aquelas cenas e dizendo para si que está sonhando.

Caso seu tema repetitivo nos sonhos seja sonhos com vôo(assim como é para mim), leia atentamente o passo 6.

7) Se a dificuldade é lembrar dos sonhos, deve usar técnicas para melhorar sua recordação. A insistência em obter a estrutura crítico-reflexiva(os questionamentos da realidade), irá contribuir para desenvolver essa memória dos sonhos.

8) Pouco antes de adormecer, não tente forçar a ocorrência da lucidez, martelando esse pensamento, mas apenas diga para si mesmo que ficará consciente no seu sonho. O método é especialmente eficiente quando você acorda no início da manhã e sente que dormirá fácil novamente.

9) Decida realizar uma ação ou algo especial nos seus sonhos. Qualquer ação é suficiente.

De nada adianta querer forçar a lucidez. Isso só gera ansiedade e prejudica o sono.  Siga as orientações do Dr. Tholey e os resultados virão naturalmente. Provavelmente quando você menos esperar.

Objetivando facilitar os passos 8 e 9, Tholey  sugere maneiras(escolha uma) de manter sua consciência enquanto adormece, focando atenção nas imagens hipnagógicas do começo do sono:

☺Técnica das Imagens. Focalize apenas nas imagens visuais enquanto adormece.

 † Técnica do corpo. Concentre-se totalmente no seu corpo enquanto adormece. Perceba sua respiração, a maneira como os músculos de suas pernas relaxam, o peso de seus braços.

Técnica das imagens e do corpo. Direcione toda sua atenção para as imagens visuais que surgem quanto para o seu corpo adormecendo.

Técnica do ponto do ego. Imagine que você é apenas um “ponto” do qual observa e reflete sobre o mundo dos sonhos.

╩ Técnica das imagens e do ponto do ego. Junto do foco de se imaginar como um ponto, concentre-se nas imagens que surgem enquanto adormece.

       Considerando a surpreendente inteligência desse método, pode-se notar também que é um pouco mais trabalhoso, porém pode ser incrivelmente eficaz. O livro de Jayne Gackenback e Jane Bosveld, Control Your Dreams, faz referência a dois cientistas franceses que trabalharam com o Método de Tholey e descobriram que os participantes, mesmo após abandonaram seus estudos, ainda assim, frequentemente obtiveram bons resultados.

Bibliografia:

Delaney, Gayle. O Livro de Ouro dos Sonhos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.