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benefícios dos sonhos

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Você já reparou que temos emoções nos sonhos que praticamente se equivalem ao estado desperto? Da mesma forma em sonhos lúcidos, alguns sonhos parecem trazer experiências tão intensas e vívidas que guardamos na memória para o resto de nossas vidas. Existe uma interessante explicação para que isso aconteça e parece estar relacionada com os registros de atividade do cérebro.

Comparativo de atividade vascular cerebral entre três estados cerebrais (cobaias): acordado, sono NREM e sono REM (quando temos sonhos intensos e vívidos).

Emoções mais fortes nos sonhos de fase REM…

Sempre que atravessamos uma boa noite de sono, o cérebro transita em diversas fases e ciclos típicos do sono, assim também a fase REM do sono chama a atenção para sua configuração no cérebro: há uma intensificação da vascularização e aumento do metabolismo da glicose em certas regiões. Ao passo que regiões responsáveis pelo processamento emocional podem se tornar até 30% mais ativas do que no estado desperto!…

O mais surpreendente é que o cérebro em fase REM (quando temos sonhos intensos e vívidos) é capaz de registrar essa intensificação de atividade inclusive se comparado com alguém que realiza cálculos matemáticos difíceis, ou seja, durante os sonhos de fase REM podemos ter emoções ainda mais fortes.

Cérebro turbinando para emoções mais fortes?

São pesquisas recentes que provocam grande debate entre neurocientistas, psicólogos e filósofos da mente, afinal, seria apenas coincidência isso acontecer justamente durante os momentos do sono que ocorrem os sonhos de fase REM? Poderia esse tipo de sonho cumprir um papel na regulação emocional ou contribuir para elaboração de insights ou resolução de problemas?

As fases REM do sono promovem os nossos sonhos mais intensos e vívidos. Não é a toa que certos pesadelos e sonhos marcantes se tornam inesquecíveis.

Cérebro com atividade mais intensa em certas regiões que o estado desperto…

São célebres os inúmeros casos na história, com relação ao uso dos sonhos para resolução de problemas como a cadeia de benzeno de Kekulé, a agulha de costura industrial de Elias Howe, bem como a composição da música Yesterday de Paul McCartney!… A tabela periódica de Mendelev, romances como o Médico e o Monstro, Frankenstein, da mesma forma o poema de Kublai Kahn, o sonho de Descartes e de Bertrand Russel. Além disso há pesquisas que sugerem como uma das funções da fase REM do sono, a consolidação de memórias.

Referências Bibliográficas

BEAR, M. F., Connors, B. W. & Paradiso, M. A. Neurosciencias: desvendando o sistema nervoso. Tradução: Carla   Dalmaz… et al. 4ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. p. 659.

     Uma das áreas mais interessantes nas pesquisas sobre sonhos lúcidos, são os estudos que envolvem o aperfeiçoamento da performance em atividades físicas. Esse tema começou a ser tratado durante a década de 80, pelo psicólogo alemão Paul Tholey ¹. Seu interesse pelos tema dos sonhos e pela ciência desportiva não demoraram a se cruzar. Tholey de fato estava convencido de que era possível desenvolver habilidades motoras, através de treinamentos durante os sonhos lúcidos. Até hoje sua técnica de indução de sonhos lúcidos, é uma das mais praticadas ( ver Técnica de Tholey).

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   Algo bastante curioso sobre essa relação entre as pesquisas com sonhos lúcidos e a ciência desportiva é uma informação de um texto do pesquisador alemão, Daniel Erlacher², referente ao fato de que Paul Tholey era um experiente desportista. Tholey fazia experimentos em seus sonhos lúcidos, com o objetivo de melhorar suas habilidades em práticas como monociclos, skateboards, entre outros…

 

Paul Tholey
Paul Tholey praticando atividades que provavelmente exercitou durante seus sonhos lúcidos. https://www.luciddreamcoaching.com/post/2019/03/31/paul-tholey-practiced-complex-movements-in-lucid-dreams-advised-others-to-do-the-same

  Com o decorrer do tempo, mais pesquisas foram surgindo e as implicações dos resultados sugerem uma relação considerável entre o treinamento nos sonhos lúcidos e a melhora na eficiência de performance.

     Destaca-se, em especial as recentes pesquisas produzidas por Daniel Erlacher, Melanie Schadlich, Stumbrys, Schredl,Vergeer, Roberts, entre outros, relacionadas ao desenvolvimento de performance de atividades físicas, durante o estado mental do sonho lúcido.

    Além da melhora em habilidades que envolvam atividade física, como exercícios ou esportes, também foram verificados, de acordo com Schadlich³, indícios de benefícios como: aumento da flexibilidade, confiança, insights e emoções positivas.  Dentre os relatos selecionados dos atletas, encontra-se a possibilidade de praticar movimentos mais arriscados, a sensação de  experimentar e sentir execuções ainda não praticadas no estado desperto.

  O uso dos sonhos lúcidos, permite uma prática mais agressiva de exercícios como em downhill com bicicleta ou esqui. Descrições dos participantes, direcionam-se para uma experiência de sentir com mais intensidade e detalhes, os movimentos executados. Praticantes de diversas modalidades participaram do estudo (Schadlich, 2018), bem como nado, ginástica, karatê, taekwondo, alpinismo, entre outros…

     As pesquisas sobre os benefícios dos sonhos lúcidos para a prática de atividades físicas prosseguem. O aumento de performance, já foi objeto de publicação por aqui.

 

 

Referências Bibliográficas:

1 – Tholey, P. (1983). Techniques for inducing and manipulating lucid dreams. Perceptual and Motor Skills, 57(1), 79–90. https://doi.org/10.2466/pms.1983.57.1.79

2 – ERLACHER, D. (2018). “Complicated movements should be practiced in dreams” Paul Tholey about sports, lucid dreams and consciousness. International Journal of Dream Research, 11(2), 230-233. https://doi.org/10.11588/ijodr.2018.2.51340

3 – Schadlich, M. Erlacher, D. (2018). Practicing sports in lucid dreams – characteristics, effects implications. Current Issues in Sport Science, 3:007. doi: 10.15203/CISS_2018.007