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Será que existe um motivo que justifique a causa dos sonhos lúcidos? Por que temos sonhos lúcidos? Primeiramente é necessário um esforço para entender as causas do sonho em si.De antemão já adianto que existem diversas teorias e hipóteses. A natureza do sonho ainda é um grande desafio.

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Natureza dos sonhos

Uma questão intrigante é bem colocada pelo filósofo Owen J Flanagan, sobre a natureza dos sonhos.Nesse sentido, em seu livro Dream Souls, há diversos trechos que tratam da natureza do sonho e do sonho lúcido. Em especial, seriam eles uma espécie de adaptação evolutiva ou mero acaso da natureza?…

De acordo com Flanagan a hipótese acerca da natureza dos sonhos vai no sentido de um “efeito colateral”, em contrapartida gerado pela atuação do sono e da consciência. Por outro lado, Revonsuo enxerga os sonhos como uma adaptação da evolução humana. Sendo assim, existem algumas das principais teorias que precisam ser citadas:

Sonhos lúcidos possuem raízes na própria explicação sobre a natureza dos sonhos.

Teorias dos sonhos

Teoria da Ativação-Síntese, apresenta o sonho como uma espécie de subproduto das atividades cerebrais, durante o estado do sono.De acordo com os neurocientistas Alan Hobson e Robert McCarley, os criadores dessa teoria, a razão de existência do sonho como um tipo de efeito colateral dessa ativação neural.Sendo assim, nesse modelo, o córtex acabaria construindo o sonho para dar sentido as descargas que recebe.

Sobre a Teoria do Inconsciente, onde os sonhos analisados por Freud possuíam o caráter de manifestação de realização de desejos.Desse modo, desejos ou fantasias, especialmente aquelas não realizadas, tornar-se-iam manifestações através dos sonhos.

A Teoria da Simulação de Perigo, na qual os sonhos serviriam como uma espécie de preparação para enfrentarmos a dura realidade e seus desafios.Assim sendo, nessa teoria criada por Antti Revonsuo – filósofo, neurocientista e psicólogo – estaria melhor compreendido as razões pelas quais ocorrem mais pesadelos, quando estamos mais sujeitos a situações mais difíceis ou ameaçadoras.

No caso dos sonhos lúcidos…

De fato existem diversas outras teorias referentes aos possíveis motivos pelos quais todos sonhamos durante nossas noites de sono e essas são apenas algumas das teses mais defendidas. Todavia com relação aos sonhos lúcidos, as pesquisas apenas começaram…

Por que temos sonhos lúcidos afinal?

Por outro lado Mathew Walker, um neurocientista com vasta experiência no estudo do sono, faz uma sugestão ousada. Assim, para ele é possível que seja uma variação evolutiva da natureza, manifestando-se na nossa espécie. Em conclusão, prossegue afirmando até mesmo algo que seja capaz de propiciar vantagens tão fortes que implicariam em benefícios para algum tipo de seleção natural!…

Por fim Sidarta Ribeiro faz algumas considerações especiais sobre o tema. De acordo com o neurocientista brasileiro, existem elementos já antigos a serem considerados. Como por exemplo se tratar de um tipo de estado mental praticado por tanto tempo por monges tibetanos. Assim como na ioga nidra e no milam, todas as ações e não ações do praticante ocorrem num estado mental de liberdade interna, como no sonho lúcido.

Por que temos sonhos lúcidos ?

Sob o mesmo ponto de vista prossegue Sidarta Ribeiro, argumentando se tratar de um estado mental no qual, o sonho lúcido ocorre, em que as pessoas já estão com seus estoques de neurotransmissores bem recarregados. Nesse meio tempo, passaram-se várias fases REM, o cérebro já pode sonhar mais vigorosamente e está preparado para acordar, e assim, pode ocorrer de acabar despertando para dentro.

Nesse sentido, defende-se o estado do sonho lúcido como um estado dissociado, em que há uma mistura de estados mentais entre o estado de fase REM do sono, com o estado desperto da mente. Como se o corpo ainda estivesse dormindo, ainda sonhando, porém com o nível de consciência equivalente a vigília. Por outro lado, ainda há um debate se é ou não um “estado dissociado“.

Referências Bibliográficas

FLANAGAN, Owen J. Dreaming Souls: Sleep, Dreams, and the Evolution of the Conscious Mind. New York: Oxford University Press, 2000.

LENT, R. Neurociência – Da Mente e do Comportamento. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan. 2008, p.272-277.

RIBEIRO, S. O Oráculo da Noite. A História e a Ciência do Sonho. São Paulo: Companhia das Letras. 2019, p.135-140. 

WALKER. M. Por que nós dormimos. A nova ciência do sono e do sonho. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2018, p.71. 

A questão se existe ou não perigo em ter sonhos lúcidos, surge com certa frequência entre os interessados pelo tema. A princípio, podemos dizer que perigos físicos não existem. O sonho lúcido apenas se diferencia do sonho comum pela capacidade de percebermos que estamos sonhando. Porém há certas questões que merecem ser debatidas.

Pesadelo lúcido

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Mesmo controlando o sonho, podemos nos deparar com nossos piores medos. Estar lúcido pode tornar a experiência ainda mais intensa. A boa noticia, repetimos, é que não se corre risco ou perigo físico… quanto ao psicológico, não podemos garantir o mesmo. Existem casos, principalmente no início da prática, em que a novidade de estar consciente no sonho, provoca reações fortes, e por vezes, carregadas com estranhamento e em outras situações, com medo.

Reações fisiológicas

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Acontece que, mesmo durante o sono, o corpo físico pode responder aos estímulos vindos de dentro do sonhos. Afinal, com o sexo não seria diferente e, ao se ter um orgasmo no sonho, o corpo físico responderá ao mesmo, resultando em fluídos… ou não, afinal pelo menos nas experiências em laboratório de sono, esses resultados molhados não ocorreram!…

Paralisia do sono

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Em uma minoria de casos, normalmente quando a pessoa já possui um histórico de paralisia do sono, ela de fato pode voltar a acontecer com a prática do sonho lúcido. Entretanto, ela é mais comum de acordo com a técnica que está sendo aplicada. Técnicas que envolvem a indução direta da consciência, a partir do estado desperto para o sonho… atravessando o sono sem perder a consciência até atingir a realidade onírica, como por exemplo: as técnicas WILD, VILD, FILD.

Imagine ver e ouvir coisas surreais e, mesmo após despertado e não poder fazer nada, nem mover um dedinho. A princípio Porém é possível fechar os olhos, se concentrar e voltar para dentro do sonho. Para saber mais sobre a paralisia do A princípio sono acesse nosso post sobre clicando aqui.

CONCLUSÃO

Ainda não existem provas de quaisquer perigos que a a prática do sonho lúcido possa oferecer. Fato é que os monges tibetanos praticam há séculos os sonhos lúcidos sem até hoje registrarem um único prejuízo, seja físico ou mental. E não é a toa, o interesse de pesquiadores por esses experientes praticantes do oriente. O biólogo Francisco Varella e o filósofo da mente Evan Thompson são bons exemplos desse desbravamento. Por fim, vale ressaltar que a prática em si dos sonhos lúcidos não oferece o perigo, mas sim o praticante, caso não se informe adequadamente, poderá é claro incorrer em erros, como por exemplo querer praticar alguma técnica esdrúxula de privação de sonhos… o que sempre é contraindicada.

Uma recomendação especial: caso tenham interesse em alguma página que trate de significado dos sonhos ou algum dicionário do gênero,

recomendo a https://www.segredosdosonho.com.br/

Referencias Bibliograficas

VARELA, F. J., Rosch, E., & Thompson, E. The embodied mind: Cognitive science and human experience. Cambridge, MA: MIT Press, 1993.

THOMPSON, E. Waking, Dreaming, Being: NewLight on the Self and Consciousness from Neuroscience, Meditation, and Philosophy. New York: Columbia University Press, 2014.

Existe um debate que se prolonga ao longo dos anos a respeito da natureza dos sonhos lúcidos. E foi manifestada em uma questão intrigante colocada pelo sonhador lúcido Niro, em nosso Fórum sobre Sonhos Lúcidos:

“Não… Não estou perguntando o que é um sonho lúcido! Isso eu sei pois já os tenho há muito tempo.
Mas sim: Por que eles existem? Teriam alguma função na evolução humana?

Qual a origem dos sonhos lúcidos? Poderia ser algum tipo de alteração cerebral/mental, com potencial evolutivo? Na imagem, cena do excelente filme A Cidade dos Amaldiçoados, com Christopher Reeve.

Será que são frutos de um erro? Alguma “falha” no complexo sistema de nosso cérebro. Da qual alguns seres humanos tiram proveito para se divertir? Afinal de contas o normal, pelo menos, de acordo com a maioria, seria estar totalmente inconsciente durante o sonho.”

Uma resposta especulativa, de minha parte, vai no sentido de que ainda não existe uma pesquisa conclusiva abordando esse tema. Então a gente precisa reunir alguns indícios ou pesquisas pioneiras que se aproximem um pouco do tema e ver para que lado a coisa parece apontar.

Existe duas correntes trabalhando com hipóteses divergentes:

Stephen LaBerge: defendendo que o sonho lúcido é um estado mental, sustentado pela estrutura da fase REM do sono. Significaria que estar num sonho lúcido, ainda seria estar dentro da fase REM do sono.

Alan Hobson e Ursula Voss: defendendo que o sonho lúcido é um estado mental dissociado ou uma parassonia, no qual se equivale a outros estado híbridos do cérebro, como a paralisia do sono, alucinações hipnagógicas, auditivas, hipnopômpicas etc..
Porém, se partirmos apenas dessas duas perspectivas, será que iremos para lugares diferentes?!

Análise de atividade cerebral entre os estados mentais quando acordados(o superior), no estado do sonho lúcido(meio) e em fase REM comum(não lúcido). Allan Hobson e Ursula Voss, classificam o sonho lúcido como um Estado Dissociado.

Caso seja um Estado Mental, como defende o LaBerge, fica mais aceitável que o sonho lúcido pode mesmo se tornar consequência evolucionária. Um tipo de variação da nossa mente que pode se tornar dominante, uma vez que se mostre aproveitável e seja estimulada/disseminada na nossa cultura.

Caso seja um Estado Dissociado, como defendem Ursula Voss e Hobson, poderia ficar mais difícil tornar o sonho lúcido uma ferramenta de uso para nossa espécie. Afinal sendo um estado dissociado ou parassonia, sabemos que alguns deles são mais difíceis de se induzir… mas outros estados dissociados como a paralisa do sono, também podem ser induzidos…

Ainda assim, independente da natureza de origem ou da verdadeira raiz de onde está partindo o sonho lúcido, podemos identificar um sensível progresso tanto do número de pessoas interessadas, como praticantes e também das atenções de grandes universidades e centros de pesquisas para com o tema.

Grandes centros de pesquisa e universidades na Alemanha, EUA, Inglaterra seguem se aprofundando nas pesquisas sobre sonhos lúcidos. No Brasil, tivemos o pioneirismo através da UFRN, com Sérgio Arthuro Rolim com sua tese “Aspectos Epidemiológicos cognitivo-comportamentais e neurofisiológicos do sonho lúcido”.

Fica parecendo mais razoável para mim que o sonho lúcido, sendo um estado mental, sustentado pela fase REM ou um estado dissociado, é comprovadamente passível de indução, e por conseguinte, servirá como um grande instrumento de desbravamento da mente/cérebro/consciência, bem como uma longa lista de benefícios em áreas relacionadas.

Vale ressaltar por fim, ser típico da natureza/universo, trilhar caminhos não lineares, mas muitas vezes aleatórios, como raízes de uma árvore que se expandem em direções diversas, com apreço pela diversidade, a qual é ela quem acaba amplificando maiores chances de permanência/sobrevivência.

Vejo nossa consciência nos sonhos dessa maneira. É uma porta que nos foi oferecida e que independente da forma como foi originada, estamos começando sua exploração.

Referências Bibliograficas:

(1) – Signal-verified lucid dreaming proves that REM sleep can support reflective consciousness Intenational Journal of Dream Research, volume 3, nº 1. pg 26-27 (2010).

(2) – NEUROCIÊNCIA da Mente e do Comportamento. LENT, Roberto(Coordenador).
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

FÓRUM(questão do Niro):
http://sonhoslucidos.forumeiros.com/t940-afinal-o-que-seriam-os-sonhos-lucidos

Artigo por Túlio Athélio

(edição do Coruja).

A hipnose ou o “transe” do estado mental e de relaxamento que pode ser atingido, não é uma espécie ou forma de sono. Os dois estados mentais são claramente diferenciados e as pesquisas com uso de aparato tecnológico, podem comprová-lo por vários meios, como por exemplo, no uso de resultados eletroencefalográficos de ambos, que apresentam ondas cerebrais de formas, frequências e padrões distintos para cada caso. O estado hipnótico é também chamado transe hipnótico.

Hipnose é um tema sempre interessante. Túlio Athélio, estudante de medicina e sonhador lúcido, tem uma bela contribuição para o nosso tema dos Sonhos Lúcidos, com o post que segue:

Você acredita em hipnose?

Hipnose é a indução de um comportamento ou estado mental, em que a pessoa se torna altamente sugestionável, tanto para aceitar quanto para negar sugestões.

Imagem do excelente filme Ecos do Além, com Kevin Bacon.

Por algum motivo, muitas pessoas acham que a hipnose não é possível, tem medo ou a compreendem erroneamente.
Hipnose é uma prática muito antiga, com possibilidades de aplicação e estudos bem interessantes. Principalmente pela possibilidade de acesso ao inconsciente, o que traz uma grande proximidade com o estado mental dos sonhos lúcidos, afinal o sonho é todo estruturado pelo inconsciente.

Não, hipnose NÃO é controle de mente! Nenhum hipnólogo é capaz de fazer você fazer algo que não queira. Essa crença é fruto da indústria de entretenimento que faz dramatizações em que pessoas sob transe fazem das coisas mais absurdas e violentas.


Sleep


Stir of Echoes

— MOVIECLIPS.com

Outra situação é a chamada hipnose de palco onde a ironicamente a hipnose é usada com finalidade de entretenimento. São aqueles shows em que as pessoas ficam imitando galinha, algum cantor, poeta, levantam peso com um dedo, tem parte do corpo paralisada, e por ai vai. Em nenhum desses casos a mente da pessoa está sendo controlada – a pessoa está ali sabendo que é uma brincadeira então na mente dela porque não imitar uma galinha? E Não, a pessoa hipnotizada não dorme – ela entra em transe. Mas é bem fácil ir de um transe para um sono.

Uma coisa muito importante que diferencia transe e sono é a presença de consciência no transe. E transe não é sonho lúcido pelo mero fato de não ser um sonho. Entretanto é possível passar de um transe para um sonho lúcido, que é a técnica WILD.

Hipnose não pode controlar sua mente mas ela pode te ajudar à tomar maior controle da sua mente na finalidade de alcançar os seus objetivo. Ela é capaz de vários feitos como ajudar a parar de fumar, emagrecer, lidar com ansiedade, medos e fobias até mesmo entrar em estados de hipermnésia para lembrar de faces e placas de carro que podem ser usados em investigação policial

André Noir, poderoso mutante da série alemã Perry Rhodan, com extrema capacidade de hipnotizar, rastrear emoções e telepatia.

Assim, fica claro que a hipnose pode te ajudar na indução de Sonhos Lúcidos.

Várias técnicas, em sua essência, possuem fortes elementos de hipnose como Tholey, VILD, e MILD com suas sugestões pós-hipnóticas.

Eu tenho duas sessões de hipnose em aúdio:
Perfect Lucid Dreaming (Sonho Lúcido Perfeito)
Recall Your Dreams (Lembre dos Seus Sonhos)

Infelizmente elas são em inglês e necessário ter uma certa fluência e prática do inglês pra funcionar.
Mas um dica é relaxar bastante ao realizar as outras técnicas conhecidas e sempre fazer a sugestões pós hipnóticas como “Eu vou ter um sonho lúcido hoje a noite”.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipnose

http://www.reocities.com/Area51/corridor/5967/prmenu0.htm

http://prskspedia.de/illustration/dkrueger.php