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Marques dos Sonhos

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      É possível baixar um livro disponível na internet, sem custo algum, de um valor inestimável para todo interessado pelo tema dos sonhos. Trata-se de uma obra escrita em 1867, pelo Marques de Saint Denys, considerada rara por Freud e que não época não teve êxito em conseguir uma versão: “Dreams and the ways to direct them: pratical observations.” A importância para o tema dos sonhos, sonhos lúcidos e áreas relacionadas, como a psicologia, psicanálise, filosofia, neurociência é poderosa. Na psicologia e na psicanálise, os sonhos ganham especial importância, sendo utilizados como objeto de interpretação para se ter acesso a conteúdo da mente humana, podendo auxiliar no andar da terapia.

 

Saint Denys

 

         Trata-se de uma investigação, iniciada aos 13 anos de idade pelo autor, sobre o tema dos sonhos. Nessa idade começaram suas primeiras anotações e a percepção da capacidade de poder ficar consciente durante o sonho está explícita na obra, assim como os experimentos que consegue realizar.

      Está presente uma pesquisa histórica sobre os sonhos que é um tesouro para qualquer pesquisador ou interessado. Certamente meu livro ganhará um reforço considerável com algumas citações do nobre e estudioso francês. O livro do Marques de Saint Denys pode ser encontrado no domínio público em inglês ou francês. Segue link abaixo nas referências para quem quiser baixar.

 

Frase célebre do neurocientista Alan Hobson sobre o Marques Saint Denys:

O maior dos auto-experimentadores da história da pesquisa sobre o sono e os sonhos”.

 

Referências Bibliográficas:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

Livro de Saint Denys: Sonhos e como guiá-los

http://www.espacopersonne.com.br/artigo-sonhos-psicanalise

 

     Ficar consciente enquanto sonhamos não requer qualquer empenho estapafúrdio. Toda e qualquer pessoa comum pode conseguir. A menos é claro que esteja com alguma interferência mais séria em sua qualidade do sono… esteja tomando algum medicamento que prejudique as fases naturais dos ciclos do sono…  e por aí vai. 

Não é preciso ser dotado de habilidades especiais, frequentar alguma seita ou  dedicar grande empenho para conseguir  mergulhar sua consciência no estado mental dos sonhos.

     Quando me questionam sobre o grau de dificuldade ou o tempo que leva para conseguir ter um sonho lúcido, gosto sempre de lembrar o exemplo de um dos primeiros pesquisadores dos sonhos lúcidos: o marquês de Saint Denys. Ele não só foi um pioneiro na desbravação do tema, mas serve como referência, para dar uma idéia do grau de dificuldade dessa experiência que afinal, definitivamente não oferece dificuldade alguma. Exceto talvez, ter no mínimo boa qualidade de sono e seguir algumas orientações.

    De acordo com Peter Fenwick – neuropsiquiatra com livros e pesquisas publicados na área(vide o texto sobre sonecas): “(…)Saint-Denys, um dos primeiros sonhadores lúcidos que tentou 207 noites antes de ter seu primeiro sonho lúcido. O segundo veio na noite 214. No final de 6 meses, ele tinha 2 por semana.”

O marquês Saint-Denys publicou em 1867 o livro “Sonhos e como guiá-los”.







    Reparem que estamos considerando um dos primeiros onironautas a se aventurar com a brincadeira. Que métodos, dicas, orientações ou experiências oriundas de laboratório do sono existia naquela época?! O marquês de Saint-Denys, a quem eu gosto de me referir como o “Marquês dos  Sonhos”, fazia suas aventuras no seu mundo dos sonhos, pelos idos de do século XIX… publicou seu próprio livro em 1867, entitulado “Sonhos e como guiá-los”, no qual relata mais de 20 anos com suas experimentações em sonhos lúcidos. Resumindo, o sujeito arregaçou!

    Esse exemplo supra-citado é magistral. Se em pleno século XIX, o marquês que não tinha acesso a vasta quantidade de informações que temos hoje, conseguiu em 6 meses atingir a média de 2 sonhos lúcidos por semana, pode-se ficar otimista com relação a situação atual.

    Apesar da demora, um bocado grande de 207 dias, para conseguir ter o primeiro sonho lúcido, 6 meses para atingir a média de 2 sonhos lúcidos por semana, eu considero um feito extraordinário. Dois sonhos lúcidos por semana, é a frequência por exemplo do Bruno Grego que realiza experiências nas pesquisas pela UFRN.

Estamos em uma época fértil de informações e conhecimentos valiosos para facilitar as experiências de sonhos conscientes. Métodos e técnicas consagrados, muitos deles praticados em laboratórios do sono, desde a década de 80.

     Suspeito que a maior dificuldade para conseguir ter sonho lúcido é invariavelmente conquistar boa qualidade de sono. Como é comum encontrar no meu círculo de amigos, colegas de trabalho e de estudo… olheiras! Já comentei aqui sobre o livro “Ladrões do Sono”, do Stanley Coren e como o débito de sono é frequente no nosso modo de vida. Acabamos sacrificando a qualidade do sono com frequência absurda. Voltarei a abordar temas relacionados a esse livro formidável.

     Vale ressaltar que já no séc. XIX, o Marquês dos Sonhos, no seu livro, apresentava suas próprias orientações acerca da obtenção de sonhos lúcidos:

– anotação dos sonhos

– acordar pela própria vontade

     Em suma, comece com o básico:
melhore sua qualidade de sono, procure dormir bem o suficiente a ponto de não precisar de despertador. Mas principalmente que não dependa de café ou energéticos durante o dia.

faça um diário de sonhos, passando a anotar e fortalecendo sua capacidade de recordação e reconhecimento da estrutura dos sonhos. 

adote um método,  MILD, Tholey, WBTB, WILD, CAT… não importa qual, aprenda pelo menos um deles e siga os passos religiosamente. Pela minha experiência e de vários onironautas que mantenho contato, recomendo os 3 primeiros.

realize reality checks: olhe para as mãos, acione interruptores, veja a hora no relógio, puxe o dedo, observe seu reflexo no espelho, questionando-se “Estou sonhando ou não?”

   … essas orientações são consagradas e grande parte delas não era conhecida no século retrasado. Comparando com a realidade vivida por Saint-Denys… fica um bocado mais otimista a perspectiva de ter sonhos lúcidos não!?

Fonte: 

PARKER Jennifer e ENNIS Maeve. Fique por dentro dos Sonhos. Cosac & Naify Edições, 2ª ed. 2001: São Paulo.

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

O conceito

Sonhos Lúcidos são os sonhos nos quais sabemos que estamos sonhando. Trata-se de sonhar, mantendo a percepção e consciência de que tudo é um sonho. Sendo assim, é possível vivenciar a experiência mantendo a consciência e percepção de que tudo naquela realidade é apenas criação mental de quem está sonhando.

 Além disso, no sonho lúcido, deixa-se de estar apenas “assistindo um filme” que talvez será recordado ao despertar, para viver toda essa experiência, mantendo a capacidade de raciocínio, memória e percepção da estrutura do sonho.

Como funciona o sono?

    Nesse sentido, todos nós sonhamos quando dormimos uma boa noite de sono. Assim como, são de 4 a 6 ciclos que se repetem, contendo as mesmas fases ¹. Ou seja, cada um desses ciclos contém o que se chama fase REM(rapid eye movement – movimento rápido dos olhos) e é nessa fase que nossos sonhos são mais intensos.

 

      Bem como os registros em laboratórios do sono, as literaturas das pesquisas efetuadas, divulgadas até agora, apontam para  presença de ocorrência dos sonhos lúcidos nos últimos ciclos do sono. Ou seja, são as fases REM tardias, em que o período de sonhos mais intensos é maior. Significa que numa noite de sono, é preciso dormir mais do que 6h, para começar a atingir as melhores fases do sono e ter chances de ficar consciente enquanto sonha.

Como ter sonhos lúcidos?

    Vários métodos de indução como o MILD, WBTB, FILD entre outros, se aproveitam desse conhecimento. Inegavelmente orientam para o despertar após a 6h de sono e a continuação do sono, com o objetivo de ao voltar a dormir, estar mentalmente mais apto para acessar o sonho de modo consciente.

   Os monges tibetanos praticam sonhos lúcidos há séculos, enquanto no ocidente, alguns registros esporádicos sobre as experiências foram se acumulando. O primeiro a usar o termo foi Van Eden em 1913, mas em 1867 o professor e marquês de Saint Denys já realizava auto-experimentações e por mais de 20 anos, anotou suas incursões oníricas, sempre buscando aprimorar essa habilidade.

A partir da década de 70, os sonhadores lúcidos passaram a frequentar os laboratórios de sono, comunicando-se através do movimento dos olhos(enquanto sonham), com os pesquisadores que permanecem no monitoramento.

Comprovação científica dos sonhos lúcidos

    A partir da década de 70, o estudo dos sonhos lúcidos fincou raízes como área de pesquisa científica. De tal forma que sua comprovação em laboratórios do sono, aconteceu a partir dos estudos de Stephen LaBerge pela Universidade de Standford(EUA) e Keith Hearne pela Universidadde de Hull(Inglaterra). 

    O crédito pela comprovação, ficou posteriormente com LaBerge, o primeiro a publicar perante a comunidade científica, as conclusões de seus estudos sobre os sonhos lúcidos. A primeira evidência veio com o doutor Hearne, no qual o voluntário Allan Worsley foi a primeira pessoa a conseguir se comunicar por meio do movimento de seus olhos, enquanto sonhava.

Stephen LaBerge, Ph.D, foi o primeiro pesquisador a comprovar cientificamente, perante a comunidade científica a existência de sonhos conscientes.

As pesquisas sobre sonhos lúcidos

     Atualmente as pesquisas seguem mais intensas. Em centros como a Universidade de Heidberg, o Centro do Instuto de Saúde Mental de Mannhein, ambos da Alemanha. A saber no Brasil, com Sidarta Ribeiro e Sergio A. Mota Rolim, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Ursula Voos, Alan Hobson, Romain Holzmann. Também de universidades e centros de estudos da alemanha. Enquanto Stephen LaBerge e novos pesquisadores pela Universidade de Sandford e outros centros.

     Desperta muita atenção as pesquisas referentes ao aprimoramento das habilidades em atividades que exigem coordenação motora, sobretudo como aquelas desenvolvidas por Daniel Erlarcher e outros cientistas.

Sidarta Ribeiro é o neurocientista brasileiro que encabeça as pesquisas no Brasil, sobre o estudo da consciência nos sonhos(imagem do programa Globo Repórter).

Cuidado com a euforia

   Todas essas pesquisas estão gradualmente remodelando a maneira de se encarar o ato de sonhar, mas afinal, qual a utilidade de poder controlar e ficar consciente durante os sonhos? Antes de mais nada, a obsessão pelo controle do sonho, trata-se de algo reservado aos incautos. Ainda que basta lembrar como fica muito mais frágil a estabilidade do sonho ao se forçar o controle, aumentando as chances do despertar.

Desse modo, a grande conquista provavelmente está em conseguirmos entender e desenvolver  estudos sobre a consciência no estado mental dos sonhos. Assim sendo, pequenos desafios ou experimentos, mesmo em casa, em nossa cama, sem qualquer aparato de laboratório de sono, pode de alguma maneira acabar contribuindo para novas descobertas. De fato, as fronteiras dos frutos dessas pesquisas, ainda não estão sequer definidas.

Desenvolvimento de habilidades motoras, solução de problemas, criações artísticas monumentais,  auxílio no tratamento de psicoses, controle de pesadelos… a lista está longe de uma limitação.

Benefícios dos sonhos lúcidos

   Estamos conseguindo acessar nosso cérebro num estado diferente da vigília; estamos despertos ele funciona de uma maneira, mas enquanto sonhamos, nosso pensamento lógico cede espaço para criatividade e conexões diferentes.

    Os sonhos são fontes de grandes descobertas ou soluções para problemas científicos, bem como criações artísticas magistrais: Elias Howe com a revolução na indústria têxtil, Mendelev com a tabela periódica, Kekulé com a cadeia de benzeno, Mary Shelley com Frankenstein, Paul McCartney com Yesterday… o sonho que salvou o filósofo Russell  de cometer suicídio…

Em outras palavras… que frutos podemos almejar ao obtermos livre acesso, num estado tão desconhecido da nossa mente? De tal sorte que a própria consciência pode ser alvo de intensos estudos…

Descartes, num ensaio relatou que seus 3 sonhos, numa noite, em 1619, foram capazes de revelar para ele a base de uma nova filosofia, uma forma de conhecer a verdade que eventualmente o levaram ao método científico. Durante um de seus sonhos, conseguiu questionar se estava sonhando ou não e interpretou seu sonho durante ele.

Novas fronteiras da ciência


Existem muitas possibilidades na área de estudo dos sonhos lúcidos, afinal são pesquisas que se iniciaram com mais intensidade em fins dos anos 70 e que nas últimas décadas, cresceram vertiginosamente na Neurofisiologia/Neurociência/Medicina, Filosofia e Psicologia.

Nesse sentido, além das pesquisas conduzidas por Erlarcher e outros, envolvendo o aprimoramento de performance motora, também há estudos sobre as diferenças de percepção do tempo, além de possíveis benefícios para vítimas com estresse pós traumático envolvendo pesadelos crônicos e também há uma linha de pesquisa que relaciona possível auxílio no tratamento de algumas psicoses, como a esquizofrenia.

Fontes:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985 pg. 08   Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

DELANEY, Gayle. O Livro de Ouro dos Sonhos – All about Dreams, Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

https://www.sonhoslucidos.com/2011/05/o-marques-dos-sonhos-leon-dhervey-de.html#comment-form
https://www.sonhoslucidos.com/2010/03/van-eeden-e-os-sonhos-lucidos.html
https://sonhoslucidos.com/sonhoslucidos/sonhos-lucidos-poderao-desenvolver/
    Marie-Jean-Léon Lecoq, marquês d’Hervey de Saint-Denys ou marquês de Saint Denys é reconhecidamente o primeiro a começar a desbravar sozinho o estudo dos Sonhos Lúcidos. Fez isso movido por uma curiosidade contagiante e por meio de suas próprias auto-experimentações. Seu primeiro livro “Sonhos e como guiá-los” de 1867, relata mais de vinte anos das suas incursões oníricas.
    É praticamente uma unanimidade nas grandes obras sobre a consciência nos sonhos, com relação ao valor da contribuição pioneira de Saint Denys. Pesquisadores e autores de livros como Patrícia Garfield(1974), Célia Green (1968) e Stephen Laberge (1985,1988) são alguns exemplos. Allan Hobson, renomado neurofisiologista em pesquisas do sono o qualificou como “o maior dos autoexperimentadores da história da pesquisa sobre o sono e os sonhos”.
Marquês de Saint-Denys, o pioneiro no desbravamento do estudo da consciência nos sonhos.
    O marquês também tinha uma rotina de trabalho(apesar do título), sendo professor de língua e literatura chinesa. Durante a noite é que se voltava para suas experimentações. Seus registros começaram aos 13 anos de idade e suas pesquisas chegaram ao nível de ser levado ao reconhecimento de Freud que fez a seguinte afirmação sobre o mesmo: “o oponente mais enérgico de quem pro­cura depreciar o funcionamento psíquico nos sonhos”.

Sonhos e como Guiá-los de 1867 é o primeiro livro a tratar  sobre o estudo da consciência nos sonhos.




Na parte inicial do livro, Saint-Denys aborda como foi o aprimoramento  da sua habilidade de controlar os sonhos. Começou melhorando a recordação dos seus sonhos. O que atualmente é pacífico entre os especialistas, pesquisadores e terapeutas dos sonhos, posteriormente, ficando ciente de estar sonhando; depois, aprendendo a acordar segundo a própria vontade e por fim conseguindo até certo ponto, dirigir as narrativas do sonho. A segunda parte de Sonhos e como guiá-los revê as primeiras teorias dos sonhos e apresenta ideias próprias baseadas em ampla experiência pes­soal. O trecho abaixo pode dar uma noção da abordagem do marquês:

“Adormeci. Estava conseguindo ver claramente todos os objetos que costumam adornar o meu estúdio. Minha atenção pousou numa bandeja de porcelana em que mantenho os lápis e canetas e que tem uma deco­ração muito fora do comum (…) De repente pensei: sempre que estou acordado e -olho para esta bandeja, está inteira. E se eu a quebrasse no sonho? Como a minha imaginação iria representar a bandeja quebrada? Imediatamente quebrei-a em vários pedaços. Peguei os pedaços e examinei-os atentamente. Observei as arestas afiadas das linhas de ruptura e as trincas dentadas que separaram as figuras da decoração em vários lagares. Nunca havia tido um sonho tão vívido”.
     LaBerge em seu livro Sonhos Lúcidos, cita em vários parágrafos, o marquês e suas pesquisas. Alega que muitos dos sonhos de Saint-Denys “podem receber a culpa de deixar de dar alguma expectativa.” O pesquisador aponta que ficou demonstrado na sua pesquisa em Stanford, quanto a parecer que as expectativas são um dos determinantes mais importantes do que acontece nos sonhos. Sejam eles conscientes ou não.
   Dessa maneira, caso a gente faça experiências com sonhos( e ficar na expectativa de um determinado resultado), muito provavelmente conseguiremos os resultados que aguardamos. Stephen LaBerge explica que Saint Denys caiu nessa armadilha  algumas vezes. Porém, de modo algum essas ocorrências fazem qualquer mal ao grande mérito do pesquisador que foi ter conseguido demonstrar com seu livro, seus relatos e experiências sobre a possibilidade de ter sonhos lúcidos.

Fontes: