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Premonição: a mente simulando possíveis realidades futuras.

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Dezenove dias após meu último sonho lúcido(bem curto por sinal), consegui ficar consciente no sonho mais uma vez… mas agora eu havia levado minha consciência num patamar que até então não havia atingido: prolongando o sonho por um belo período e com êxito no controle da narrativa. O mais próximo possível disso fora meu “supersonho lúcido” já relatado no blog.
Havia passado boa parte do dia, após o almoço, com cólicas de má digestão. Praticamente desmaiei de esgotado e devo ter caído no sono por volta das 19:30h, levantando pelas 22:30h. Dormi, acordei, comi maça e iorgurte desnatado, voltei a dormir pela 1h e sonhei lúcido acordando as 2h.
Nesse sonho apliquei a técnica das portas para prolongar a narrativa, alterar cenários e aumentar  a intensidade do sonho.
Até então nos meus sonhos lúcidos mais longos, eu havia me mantido o mais passivo possível para prolongar o sonho. Consciente, mas intervindo o mínimo possível na narrativa:
“Eu estava com minha irmã, numa casa enorme, próximo da cozinha, onde estavam sendo colocados num balaio bananas a milanesa. Haviam pequenos sacis ajudando. Fomos olhar bem curiosos. E eles eram figurinhas bem interessantes. Simpáticos, brincalhões, com pequenas mãozinhas. A altura deles deveria ser de uns 30 cm ou 40 cm no máximo.  Conversavam, brincalhões e sorridentes.
Ao sair de lá por um grande corredor da casa, numa pequena subida, fiquei preocupado se algum dos sacis não estava me seguindo, pois não queria me sentir responsável por algo de mal que pudesse acontecer com algum pequenino.
Olhei para trás e pensei… eu estou preocupado e procurando por algum saciiiiiiiiiiii ??! Levei um baque! Estava consciente no sonho mais uma vez. Joguei-me naquela descida da área da casa, escorregando e sentindo bem o chão limpo. O sonho era bem nítido e com detalhes, muito vívido na verdade e resolvi voltar a usar minhas portas para controlar esse meu mundo. Encontrei fácil uma e ao entrar no recinto havia boa luminosidade. Procurei por uma TV e pensei que gostaria de ver o que iria acontecer no futuro. Um oráculo onírico televisivo?! Era uma idéia interessante. Fiquei bem curioso para ver como a imagem apareceira. Nítida ou distorcida? Rsrsrsrs fiquei empolgado com a idéia!
Encontrei a pequena televisão portátil em cima de uma mesa. Ela exibia bem nitidamente sobre um assalto envolvendo uma quadrilha, mostravam os integrantes e tinha uma mulher junto. Uma mulher com busto avantajado e de cabelos compridos. Dei mais umas olhadas no recinto, notei que estava ficando escuro e corri para a porta. Senti como tinha ficado hábil com o uso das portas e pensei nisso. Abri e sai para uma paisagem exuberante do lado de fora da casa. Pensei se não era uma casa onde havia morado na infância, em Braço do Norte(SC), pois haviam muitas flores,  plantas, besouros, a casa colorida de alaranjado escuro, marron nas janelas. Dei uma pequena flutuada pra sobrevoar a vista linda. Pousei numa parte mais alta, como uma laje. Como podia tudo aquilo ser tão real. Desci e me senti tentado a brincar mais com as portas e o oráculo televisivo. O cenário estava escurecendo, apagando-se e eu não enxergava mais coisa alguma, mas continuei em direção a porta.
Minha pequenina TV nos sonhos ou poderia chamar de Oráculo Onírico Televisivo!
Sem enxergar um palmo à frente do nariz, estiquei meu braço para frente, virei a cabeça para o lado e tive a certeza que encontraria a porta. Pousei a mão sobre a maçaneta e abri.
Mais uma vez estava claro ali dentro, ainda deixei um pouco aberta a porta, pois vinha luminosidade de fora agora. Procurei pela pequena televisão e dessa vez ela mostrava um bicho exótico, olhos grandes, parecia morto e não dava pra ter certeza se era um peixão ou um réptil, mas era algo totalmente novo e surpreendente. 
Havia um brutamontes ali no recinto e eu estava afim de brincar de poderes, pois há muuuuuito tempo não curtia minhas velhas brincadeiras. Meu subconsciente deveria saber que eu estava afim mesmo disso, pois o grandalhão veio com tudo e soltou seus golpes que eu simplesmente deixei me atravessar kkkkkkk o golpe passava uma duas três quatro e daí mandei meu golpe, uma porrada nível superman “POOOOOUUUSHHHHHH” ele atravessou a casa derrubando a parede e despencou pra fora. Ahá! No que ele se levantou para voltar eu gritei para que meu raio do SHAZAM caísse em cima dele, estilo o golpe do Capitão Marvel…. SHAZAAAAMMMMMMM  e lá veio um raio pequenininho meio aguado(?), gritei mais forte SHAAAAAAAAZAAAAMMMMM e então veio bem mais forte que derrubou de vez o marombado.

Fora da casa, extasiado com toda aquela lucidez e controle, tentei voar mais um pouco, dei umas flutuadas em volta da bela casa e por fim acordei.
A idéia de uma das possíveis funções dos nossos sonhos, como simulador de realidade e preparação para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia não é novidade para quem curte a área dos sonhos. Uma reportagem fascinante, apresentada pelo neurobiólogo brasileiro Ph.D, Sidarta Ribeiro, na revista Mente e Cérebro, dá o exemplo do sonho premonitório do chefe indígena Touro Sentado:
No dia 25 de junho de 1876, o poderoso 7º regimento de cavalaria do general George Custer realizou um ataque-surpresa a um grande acampamento dakota, esperando encontrar apenas velhos, mulheres e crianças. Entretanto poucos dias antes Touro Sentado havia sonhado com uma chuva de homens brancos caindo como gafanhotos sobre a relva. Por essa razão, reuniu secretamente, perto do acampamento das famílias, cerca de 2 mil guerreiros de diferentes etnias dakota. Para horror da imprensa americana que acompanhava com frenesi os extermínios de acampamentos indígenas liderados pelo famoso general a improvável profecia de Touro Sentado realizou-se. Diante da resistência dos dakota, o regimento se desesperou e bateu em retirada através de terreno aberto desconhecido. Após um feroz mas rápido combate, Custer e seus soldados, incluindo dois de seus irmãos, um sobrinho e um cunhado, foram impiedosamente massacrados na campina verdejante de Litle Bighorn.”(1)

Touro Sentado(1831-1890), ícone da resistência indígena que liderou a vitória sobre o general Custer.


Aquela reportagem na revista Mente & Cérebro já havia me chamado bastante a atenção. Essa semana,   ao me deparar com com uma reportagem superficial, mas interessante, na revista Isto É, sobre premonição(2) e mais uma entrevista com a Beverly D’Urso, também sobre o tema, resolvi fazer uma experiência diferente.
Reunindo a capacidade natural do cérebro de incubar temas de sonhos e simulação/preparação para a realidade, tentei programar minha mente, considerando os dados disponíveis, para  descobrir a data de mudança do meu local de trabalho.

Tudo que sei até agora se resume no seguinte:
– A mudança de nossa área de trabalho envolve centenas de pessoas(próximo de 1.000 pessoas).
A data oficial é previsão para o 2º semestre de 2011, desde o final do ano passado e já sabemos o local.
– Há boatos de que a mudança aconteça antecipadamente em maio de 2011.
– Outros boatos apontam para outubro, junho e talvez dezembro de 2011.
Usando a incubação de sonho, como brincadeira de usar a mente como simulador de possível realidade futura. Na foto, um dos mutantes mais fantásticos da série Perry Rhodan, viajante do tempo e espaço: Ernst Ellert.

A relevância dessa mudança(envolve perda do adicional noturno e deslocamento mais difícil na cidade) é grande para maioria dos amigos e colegas mais próximos e claro para mim. Pensando nisso, resolvi brincar com meu simulador mental, para ver se ele consegue acertar qual mês isso vai acontecer.




Surpreendentemente, eis o sonho que tive:
“Estava na minha faculdade(Filosofia UFPR), em uma estranha disciplina que o projeto de avaliação ficava em função de plantar uma árvore, desde a semente. Havia várias opções de espécies. Optei por uma que cresceu muito rápido. De fevereiro até abril ela já tinha virado uma pequena árvore, estilo bonsai. 

        Aconteceu algo ruim e quando fui mostrar para o professor que parecia um professor novo, substituindo a professora… meu Cupuaçu estava destruído. Cortado bem próximo a base. A terrinha no fundo era todo de uma grama especial e a base se resumia a um tipo de gaiola. Mostrei para o professor que eu havia questionado de não precisar de haste de sustentação, pois havia crescido muito rápido e sem precisar disso.
       Questionei o professor sobre a data que ficaria pronto se eu plantasse novamente… e ele me respondeu que estaria pronto em junho.

Retornarei a esse tema no futuro(após o mês de junho) para informar se minha mente acertou o cálculo da data.



            Essa piração toda, lógico, não passa de uma brincadeira… mas se a mudança acontecer em junho, conforme a resposta que consegui na minha incubação de sonho… vai ser muito divertido ver a cara de surpresa do pessoal do trabalho, pois comentei com alguns minha experiência… assim como deixo o registro no blog para posterior conferência.

Fontes:
(1) – RIBEIRO, Sidarta.. Mente & Cérebro.Ano XVIII, nº 213. Para que servem os sonhos?. pg 28-35.
(2)-http://www.istoe.com.br/reportagens/127023_A+PREMONICAO+SOB+A+LUZ+DA+CIENCIA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage