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Técnica das Portas

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Existe uma técnica especial para prolongar a experiência do sonho lúcido. É bastante frustrante despertarmos com a memória que ficamos conscientes no sonho, porém sem êxito em prolongar a experiência. Para evitar esse pequeno drama, vale ressaltar algumas ferramentas que ao menos para mim,  vem apresentado uma grande eficiência.

      A primeira, em ordem de importância, destaco como a Técnica das Portas ¹.  Principalmente porque ela lhe servirá não apenas para dar continuidade ao sonho que começa a querer desmoronar, mas pela serventia como instrumento de manipulação/controle indireto do ambiente. Detalhes dessa técnica podem ser encontrados “aqui”.

porta

Em segundo lugar, funcionando como um grande fio condutor, talvez a verdadeira estrutura de sustentação da continuidade e qualidade do sonho: O Propósito ² . Quando planejamos algo que temos a sincera intenção de realizar, carregando uma carga emotiva ou um forte desejo em ver acontecer, nossas chances de permanecer por mais tempo no sonho ganham mais força.

Finalmente, a qualidade do sono pode acabar comprometendo toda experiência. Não seria errado primar pela qualidade do sono acima dos fatores anteriores. É possível ficar consciente, mesmo com um sono ruim, porém nossas chances de indução vão piorando na medida em que os ciclos e as fases do sono, começam a ser comprometidas por noites mal dormidas. As melhores chances de atingir a lucidez ocorrem nas últimas fases do sono ou como são denominadas, Fases REM Tardias.

Referências

1 – Técnica das Portas

2 – Propósito  – STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.

3 – Fases Rem  – NEUROCIÊNCIA da Mente e do Comportamento. LENT, Roberto(Coordenador).
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

A Técnica das Portas serve para prolongar e controlar a experiência do sonho lúcido. As portas podem ser uma das mais poderosas ferramentas da consciência. Sempre serão um dos maiores símbolos de passagem de um ambiente para outro. E na estrutura mental dos sonhos lúcidos, parecem ganhar uma dinâmica toda especial, na intima relação entre desejo x inconsciente.

Abrir uma porta no Sonho Lúcido, pode trazer um processo fascinante, com referência ao estado desperto. Também irá nos levar a um novo ambiente. Ao desejarmos algo em especial, podemos realizar uma equilibrada troca com o inconsciente: oferecemos um desejo honesto, ele nos retorna uma criação em cima disso.

Chamo de Técnica das Portas, uma das ferramentas mais eficientes – ao menos para mim – de interferência no sonho. Ideal para quem deseja prolongar o sonho, fazer aparecer alguém, um objeto ou cenário. Abordei algumas vezes sua utilidade e agora me atenho em sua aplicação detalhada.

Cabe destacar, a existência de uma grande diferença entre “controlar um sonho” e ficar consciente nele. Isso é constantemente debatido em nosso Fórum e Grupo sobre Sonhos Lúcidos. Aqui no site, alguns textos tratam disso, especificamente sobre essas diferenças. A conclusão mais comum – incluindo a de Stephen LaBerge é de que o esforço de tentativa de “controle do sonho” é inversamente proporcional a sua duração. Em poucas palavras: tente forçar o controle do seu sonho e você acordará mais rápido.

No livro Sonhos Lúcidos, de Stephen LaBerge, verificamos alertas do autor sobre evitar querer controlar os sonhos, quando ficamos conscientes.

Fica claro que não se deve ter como objetivo controlar o sonho. Trata-se de um erro mais comum para aquele que ainda não compreende que sonho lúcido é apenas estar consciente no sonho. Somos intrusos, munidos de nossa consciência, no estado mental dos sonhos. E é preciso que se respeite de maneira adequada essa estrutura. O Reino do Inconsciente.

Em situações nas quais eu desejo realizar algum experimento, brincadeira ou desafio, normalmente eu uso alguma porta ou estico meu braço para trás de outros objetos, desejando MUITO encontrar o que quero. Nunca deixou de funcionar.

No caso das portas, elas parecem funcionar como algo totalmente relacionado com o inconsciente. Eu não desejo coisa alguma em pormenores. Apenas alguém ou alguma coisa. Uma idéia de algo, mas destituída de detalhes.



Caso nos seus sonhos, sejam frequentes a presença de casas, aproveite a oportunidade para se utilizar de suas portas. Na imagem, uma antiga casa em que morei na minha infância.

 

Saber Desejar é a Chave

Num sonho lúcido recente, eu brinquei – participando de um Desafio Lúcido, com outros sonhadores lúcidos – de procurar uma Lâmpada Mágica, estilo Alladin.

No sonho, ao avistar uma cantina, percebi alguns objetos por ali e lancei minha mão sobre os artefatos, tateando, sem olhar diretamente e DESEJEI intensamente que a lâmpada do gênio fosse encontrada.

Gosto de lembrar sempre que os nossos sonhos são produtos do inconsciente. Temos que mentalizar, rebolar ou dançar nessa margem. Esqueça querer controlar algo diretamente. DESEJE algo mais ou menos desse jeito que tenho feito e deixe o Inconsciente ou a narrativa automática do sonho desenrolar o nó para você. É como se o inconsciente precisasse de espaço para aflorar toda sua força criativa. Devemos então, trabalhar nesse limiar entre o desejo consciente e criação inconsciente.

      Usando a Técnica das Portas

“(…)Nesse momento me esforcei para lembrar o que havia planejado no Estado Desperto. Lembrei que eu tinha pensando em saber a resposta do meu inconsciente sobre “qual seria a Mulher Ideal para mim”.  Adentrei mais para o fundo da casa e abri uma porta mas nada encontrei… era um recinto vazio… e pensei… bom, vou fazer de um jeito um pouco mais desejável… de maneira mais visceral eu desejei muito encontrar minha mulher ideal.

Abri a mesma porta agora lá de dentro daquele recinto onde seu estava, estiquei minha mão para que a minha mulher ideal a tomasse e… desejando intensamente que essa fosse minha mulher ideal…  eis que surgiu uma mulher loira, de cabelo curto, pele clarinha e sedosa a qual acariciei com minha mão. E com vibrantes olhos escuros ela me fitava!…”

Parece existir uma forte relação, muito íntima entre portas e o inconsciente. Quando pensamos em portas no estado desperto, visualizamos uma passagem, para algo que está encoberto. Ao abrí-la, podemos acessar todo seu conteúdo. É uma analogia cabal com o inconsciente que permanece normalmente inacessível quando estamos acordados. Mas que nos sonhos, domina toda nossa estrutura mental. A presença da porta, nos permite bater um carimbo, sobre o que visceralmente estamos desejando. Nada que vá violentar o que o inconsciente está naturalmente nos trazendo.

Referência Bibliográfica:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)