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Técnicas de Controle

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  Um dos problemas mais comuns, até mesmo para sonhadores lúcidos experientes, é o despertar prematuro. Nas primeiras experiências,  a causa mais comum é a euforia. Com o tempo e o uso de algumas técnicas, vamos aprimorando as táticas e conseguindo dar continuidade ao sonho sem acordar.

Não tente ficar consciente num sonho… saiba que vai ficar consciente. E quando ficar, lembre-se  desse humilde Jedi que vos escreve, sobre algumas técnicas bem úteis, para prolongar os seus sonhos lúcidos. Na imagem, Master Yoda de Star Wars usando a Força.

   Vou tentar elencar, reunindo as técnicas mais conhecidas – citadas em outros posts – que aumentam as chances de êxito em prolongar o sonho lúcido.

    Técnicas para prolongar um sonho lúcido:

    – Esfregar as mãos; quando o sonho começar a desmoronar, lembre-se de esfregar as mãos. O estímulo tátil no sonho parece de alguma maneira trazer o foco da atenção para algo que ajuda a manter a estrutura mental do sonho. Trata-se apenas de especulação, mas quando ficamos perdidos, sem reação, bestificados ou eufóricos pelo mérito de conseguir ficar consciente num sonho, esfregar as mãos pode ser uma eficiente contra-medida para voltar nossa mente para o sonho em si.

Esfregue suas mãos. Experimente dizer em voz alta: “Estou lúcido e o mundo é vívido!” Imagem do vídeo com mensagens subliminares para indução de sonhos lúcidos, do Peter Casale.

   – Rodopiar; caso sentir que o sonho está se encerrando na sua frente, faça um rodopio.  É a técnica desenvolvida por Stephen LaBerge, ainda na época das suas pesquisas pioneiras. Com o giro do corpo sobre o próprio eixo, bem ao estilo da Mulher-Maravilha(quando se transformava na antiga série de TV), pode-se trabalhar algum estímulo cerebral ainda não bem compreendido que normalmente culmina com a transformação de todo cenário do sonho. Muitas vezes, após o rodopio ,podemos acabar num falso despertar e não é incomum achar que despertou, olhando para os lados e se encontrando na própria cama…! Parece até uma armadilha do subconsciente que tenta nos enganar, mas é surpreendente quantidade de relatos(incluindo do LaBerge) de sonhadores lúcidos que ao praticarem o rodopio são submetidos a esse cenário de falso despertar.

Obs: falso despertar é a situação típica de sonhos em que acreditamos piamente ter despertado, quando na verdade ainda estamos sonhando. O exemplo mais comum é quando após um sonho qualquer, sonhamos que estamos acordando, saímos da cama, passamos pelo banheiro, cozinha… seguimos para os estudos ou trabalho… e de repente despertamos, saímos da cama, passamos pelo banheiro, cozinha… segui… rsrsrsrs

Como a Mulher-Maravilha, rodopiar pode ser de uma eficiência surpreendente. Trata-se de uma técnica de prolongamento do sonho lúcido descoberta por Stephen Laberge.

   – Abrir portas; está tudo escurecendo e o fim do sonho é iminente? Abra uma porta desejando encontrar um cenário bem vívido e claro. Esse tenho sempre orgulho de afirmar que “criei”. Na verdade pelo menos pra mim rsrsrs pois muito provavelmente outros onironautas poderão muito bem já terem adaptado a idéia para si, da mesma forma que fiz, naturalmente.
      Eu sonho pacas com casas. Sempre foi uma constante no meu histórico de sonhos.
      O principal uso das portas é na verdade como instrumento de manipulação ou controle dos sonhos. Com elas podemos desejar encontrar alguém, com um simples girar da maçaneta. Talvez adentrar um cenário fabuloso ou criar algo, quem sabe uma obra de arte espetacular…
      Trata-se de um espaço que abrimos para o nosso subconsciente trabalhar “livremente”. Nós desejamos ardentemente, olhamos para uma porta(se não há vê no sonho, olhe para trás!), basta abrí-la e SHAZAM!

Portas servem para modificarmos o cenário dos sonhos, encontrar alguém ou algum objeto/resposta ou até mesmo simplesmente prolongar a experiência do sonho lúcido. Imagem do filme Matrix.

   – Tenha sempre um plano: nossos cérebros precisam sonhar. Faz parte do mecanismo natural do sono ter os sonhos, então nada melhor que ajudar nessa tarefa quando nossa mente permitir que fiquemos conscientes. Nada de querer virar o “Rei da Cocada Preta” e controlar na força o sonho. Isso só serve para um acordar precoce.
     O grande lance é jogar em comunhão com o subconsciente. Para isso, planeje ainda no estado desperto, algo bem interessante pra se fazer quando tiver um sonho lúcido. Quando ficar consciente, lembre-se! Por exemplo, voar até uma casa da sua infância, visitar um outro planeta, encontrar um ente querido, fazer experimentos com memória, criações artísticas, consciência, sexo, problemas no trabalho, uma atividade física que quer aprimorar… a lista simplesmente não tem fim!

Ter sempre um plano em mente ao dormir pode se revelar num poderoso caminho não só para tornar o sonho lúcido mais longevo, mas também realizar experiências inesquecíveis.

   “Uma vez planejei no estado desperto que observaria meu reflexo no espelho e que relataria o resultado. Era um “Desafio” da comunidade do Orkut. Naquele sonho, pela primeira vez vi meu reflexo como uma mulher! Caramba e que mulherão que eu era…!”

 
     

 

 
  Tentar se manter lúcido durante um sonho é algo comparável a extrair o prazer de uma onda do mar, surfando e fazendo manobras, sem ser abandonado por ela.

Sonhadores lúcidos se divertindo em seus sonhos, podem ser comparados aos surfistas com suas ondas.  Deve existir uma compreensão da maneira como o sonho precisa seguir o seu fluxo e as possibilidades que existem para serem exploradas. Na imagem, cena do filme Blue Crush.

  É importante entender que tentar controlar o sonho na força, impondo diretamente nossa vontade sobre tudo, invariavelmente resultará num despertar prematuro. Trata-se de um erro bem rotineiro para aquele que se descobre consciente num sonho nas primeiras vezes.

   O grande macete está em compreender a necessidade de existir um fluxo natural do sonho. Podemos sim manter nossa consciência, aproveitando a estrutura natural do sonho que nos é oferecida pelo subconsciente. A vantagem disso será a chance de um sonho lúcido bem prolongado, com muito mais oportunidades de exploração desse fabuloso estado mental.

   Para conseguir isso eu sempre recomendo ferramentas especiais como a utilização de portas, baús, buracos e rodopios. São técnicas de controle indireto em que nossa vontade atua por meio de desejos, usando o que narrativa natural do sonho vai oferecendo.

Usufruir dos prazeres de ficar consciente nos sonhos ou das fantásticas possibilidades de explorar esse estado mental, pode requerer um pouco de sutileza e técnicas simples. Na imagem, o Dr. Estranho e sua aprendiz/namorada, a linda Clea.

   O uso das portas por exemplo, surgiu como uma técnica natural de manipulação pra mim. A presença de casas é tão recorrente que logo me flagrei conseguindo realizar praticamente todos os meus desejos, fosse de apenas prolongar um sonho, encontrar alguém ou algo. Mas reparem que não preciso exercer qualquer grande esforço sobre a narrativa do sonho que é oferecida.

   Eu apenas procuro uma porta e encontro. Como normalmente eu vou estar próximo de alguma casa ou edifício, isso fica fácil de realizar. E principalmente sem bater de frente com o fluxo natural do sonho. Digamos que eu apenas provoco um ligeiro desvio…! Talvez como um pacto que o surfista vai desenvolvendo ao ir aprendendo a natureza da onda, quanto mais conhecermos essa estrutura do sonho, melhor vamos conseguindo aproveitar o que é oferecido. Por vezes, transcender.

O desafio que proponho é mesclar a consciência a narrativa natural do sonho.  Conseguir manter o núcleo da consciência intacto através de intervenções apenas pontuais, utilizando principalmente certas técnicas de controle. Na imagem, desenho de John Buscema, com um dos personagens da Marvel que mais gosto: o Surfista Prateado. A saga é Dia do Julgamento.

 

 

 

    Elementos comuns nos meus sonhos lúcidos mais intensos e que vejo como presença marcante nos relatos dos onironautas são: a dinâmica do movimento e a realização de algo que tenha planejado no estado desperto.

É muito importante planejarmos fazer algo nos sonhos. Qualquer coisa. Isso  ajuda a evitar  alguma possível desorientação ou aquela euforia que podem nos fazer despertar rapidamente.

    Pode ser experimentar ouvir música, cheirar uma flor, voar, experimentos com memória(tentar recordar de coisas que nem lembrava no estado desperto), nível de consciência(questionar a própria idade, ano que nasceu, etc..), fazer uma pintura ou criar uma melodia… fazer sexo ou experimentar uma outra forma de ser! Quem sabe conhecer seu Eu do outro sexo?!

    Uma vez planejei no estado desperto que observaria meu reflexo no espelho e que relataria o resultado. Era um “Desafio” da comunidade do Orkut. Naquele sonho, pela primeira vez vi meu reflexo como uma mulher! Caramba e que mulherão que eu era! rssrssrsrs

    Procurar manter uma dinâmica de movimento(caminhar, voar ou correr) nos sonhos, ir atrás de algo que planejou… aplicar ferramentas de controle indireto como portas ou esfregar as mãos… penso que tudo isso é importante para não deixarmos escapar a consciência e o fluxo da estrutura do sonho em si.

Evite ficar parada(o) num lugar. Mexa-se. Caminhe ou corra pela paisagem.  Levante vôo! O importante é contribuir para que o fluxo da estrutura do sonho possa se manter ativo.

    De um modo mais simples, é como se nosso movimento nos sonhos, seja caminhando, correndo ou voando pelo fluxo da narrativa que nos é apresentado, tornasse a estrutura do sonho mais estável. Isso vai de encontro as frustrações dos onironautas que erroneamente buscam controlar forçadamente o sonho.

    Caso queira realizar algum desejo nos sonhos, o grande macete sempre será fazer isso de maneira sutil, indireta, como por exemplo o uso das portas. Virar-se 180º também pode funcionar. Mas cuidado para não rodopiar. O rodopio é usado como técnica de prolongamento do sonho lúcido. As portas também servem(e muito), mas tem menos risco de um falso despertar.

    PS: em anexo ao post uma excelente reportagem do jornalista Bruno Torturra, pela revista TRIP, de um curso que fez no Hawai, com ninguém menos que o próprio Stephen LaBerge.

       Inception – A Origem é o que vem a mente quando mencionamos Totem. Para nós, interessados em desbravar o uso da consciência nos sonhos, o uso de uma ferramenta como essa não pode ser desprezado. Ele funciona baseado no mesmo princípio dos Testes de Realidade ou Reality Checks.

 
       Sabemos que olhar para as mãos, acionar um interruptor ou observar-se no espelho, num sonho, irá com muita frequência, dependendo da sua afinidade com a técnica, produzir resultados diferentes da vigília(quando acordado). A lógica cede espaço nos sonhos para a dominância da imaginação ou criatividade. É o nosso universo psicodélico particular. Salvador Dali que o diga!

       Baseado nessa idéia, a partir de hoje, vou passar a ser adepto dessa técnica já bastante difundida entre os onironautas(antes mesmo do filme). Pelo que percebi há Totens bem variados: moedas, dados, peões, celular, relógio, bolinhas etc..

Meu velho relógio vai ser meu Totem, para me auxiliar em levar minha consciência nos sonhos.

      No meu caso, escolhi meu velho e bom relógio digital. É um Cásio das antigas que está fora da linha de produção faz muuuuuuuito tempo! Ganhei ele décadas atrás do meu paizão. Nem dou muita bola pro meu celular e como esse reloginho me acompanha faz uma época, nada melhor que ele pra servir de cobaia das minhas experimentações com a técnica do Totem!
      E você? Já usa ou pensou em escolher algum?

       Se tem uma coisa que eu aprendi sobre sonhos lúcidos é que não devemos ficar ansiosos ou obsessivos para conseguir ter um. Isso simplesmente detona com qualquer chance de ficar consciente nos sonhos. Vou relatar com quais elementos eu mais trabalhei e que podem ter influenciado meu êxito em ter mais um “supersonho lúcido”. 

Em um Supersonho Lúcido somos capazes de prolongar o sonho fazendo experiências, reflexões e exercendo bom grau de controle. Na fotinho, uma representação artística de mim, com minha grande aliada: a porta.
        Antes quero ressaltar o que considero um “supersonho lúcido”: é aquele sonho que conseguimos ficar conscientes, prolongando a duração por tempo  suficiente para fazer experimentações e temos tempo para reflexões, com a facilidade de manipulação ou controle do mesmo. Após acordar de um Supersonho Lúcido, sempre me senti com uma sensação de recompensa muito forte. Diria que uma espécie de euforia e há uma sensação de maior vitalidade, mais forte e com mais energia pra tudo.
       Comecei minhas férias no início de julho. Cheguei nelas destruído. Trabalhos e provas da faculdade e mais um ritmo escravagista no trabalho, com direito a horário noturno, indo dormir sempre não antes das 2h da manhã. Não sobrou muita coisa para minhas experiências com sonhos lúcidos. As poucas horas de sono me fizeram até ganhar um peso extra e isso que vinha procurando me exercitar regularmente.
Err… não cheguei tão gordo quanto o Blob nas férias, mas tratei de ficar mais discipinado com meus treinos na academia.
       Iniciada as férias, desliguei-me de todo e qualquer compromisso, exceto dar atenção para as minhas vontades, fazer tudo aquilo que me dava vontade, sem fazer programas, ficar pensando no que fazer no dia seguinte. Nada! Mesmo meu sono, procurei dormir quando a natureza chamava, digo, a cama! Foi interessante… nos primeiros dias dormi cerca de 9 e 10h, fácil! Abandonei o despertador(exceto para acordar após a 6h de sono) e o café.
Parei de usar o despertador para me acordar ao final do sono. Mantive-o apenas para uma acordada após a 6ª hora de sono, conforme o Método MILD.

       Pela primeira semana voltei a anotar mais religiosamente no diário(uso um netbook que mantenho próximo da cama), sempre acordando após 6h de sono e voltando a dormir(Método MILD). Depois dessa primeira semana, comecei a ter curtos sonhos lúcidos. Nos dias 5 e 6 tive dois curtos sonhos lúcidos. Cheguei a ter um 3o sonho lúcido mas nem tive tempo de reagir com alguma técnica. As anotações dos sonhos na 2a semana já estavam maiores, a ponto de escolher que sonho anotar.  Conforme orientações da Dra. Delaney, anotando um sonho por dia já é suficiente.

Intensifiquei minhas anotações no meu diário dos sonhos, agora num netbook, porque depois para entender a letra parecia alienígena!

      Paralelamente voltei-me com mais intensidade para minhas atividades físicas. Eu realmente gosto de fazer musculação. A corrida tenho que tenho que me esforçar um pouco. 

      Comprei 3 livros sobre sono e sonhos. Aliás, desde o final de junho já vinha lendo dois novos. Um mais na área da Neurociência(foto abaixo) e outro na área da Psicologia. O terceiro livro, encontrei num sebo por acaso, sobre a qualidade do sono: Ladrões de Sono, do Stanley Coren que é fascinante.
  

Um livro fascinante pra ajudar a entender um pouquinho mais como funciona nosso cérebro. Num pequeno trecho, cita o sonho lúcido como um “Estado Dissociado”, em que está reunido num momento só três estados da consciência: REM, NREM e vigília(vigília?!).

       Relembrando e resumindo o que eu vinha fazendo nessas duas semanas: 

–  anotando os meus sonhos no diário.

–  dormindo sem despertador para o final do sono.

–  aplicando o Método MILD(acordando após a 6ª h de sono).

–  usando o reality check das mãos e espelhos.

–  estudando sem compromisso, livros sobre o sono e os sonhos.

Segue a narativa:

        “Eu saí de um carro, após uma perigosa descida de uma serra. Deixei ele para trás convicto que estava sonhando. Olhei para minhas mãos e lá estavam os dedos todos alterados. Fiquei muito feliz, mas percebi que tudo já estava se apagando.

        De imediato avistei uma casa de madeira, antiga e sem pintura. Fui em direção a porta e abri. Entrei e havia pouca luminosidade.  A casa realmente era velha e escura.  Eu estava decidido que iria conseguir prolongar esse sonho, pois já fazia um bom tempo que não conseguia. Iria usar as portas e buscar manter um movimento de narrativa. 

A casa era ainda mais escura que essa e mais velha o_O
 
        Parti em direção para outra porta desejando mais luminosidade e estava a mesma coisa, parecia estar ficando mais escuro e temi que fosse acordar, mas resolvi que iria fazer aquilo até conseguir clarear o sonho. Fiz algumas vezes, com tudo escuro, chegando ao ponto de apenas estar desejando abrir a próxima porta com o novo ambiente mais claro. Por fim desejei que a próxima porta fosse para a rua.

         Ao abrir a porta notei a luminosidade que vinha de fora e fiquei contente me deparando com o ambiente bem claro. Fiquei bem alegre e dei uma voada, com absoluto auto-controle dei uns giros e lembrei que fazia tempo que não sentia esssa sensação tão boa. Era uma euforia só, mas senti o sonho se esvaindo. Desci e fui rápido para a casinha.  Dessa vez desejei encontrar pessoas e eu as guiaria pela minha casa, procurando manter uma narrativa no sonho ou algo que pudesse fazer o sonho “rodar a fita”. 

As portas se transformaram na minha principal ferramenta de controle e prolongamento dos sonhos.

         Quando fechei a porta notei que o ambiente estava mais escuro do que eu gostaria, mas havia algumas pessoas! Chamei a atenção delas para o que aparecia no sonho. Expliquei que eram minhas representações e que através delas eu conseguiria manter meu sonho mais estável, pois prossegueríamos numa narrativa.
         Na sala seguinte eu vou mostrar peças de arte e imagens… e lá nos esperavam imagens de uma senhora bem idosa, um bocado assustadora, cheia de dentões e de boca aberta, com um olhar arregalado. Todas as fotos eram assim. 
         Expliquei caminhando junto com meus personagens que eles, essas peças de arte e a decoração representavam tudo uma maneira que eu havia encontrado para manter o sonho estável. Sugeri aos meus personagens para irmos numa sala ao lado onde eu iria fazer uns truques de pequenas manipulações do sonho. 

Para dar uma idéia do visual do jantar em que eu mantive o controle da narrativa, brincando de mágico e observando os “convidados”.

         Todos se sentaram ao redor de uma sofisticada e convidativa mesa de jantar. Reparei que dentre os personagens, havia parentes meus. O meu tio-avô Milton estava junto e minha avó Margarida. Peguei uma folha de batata seca, estilo “rufles” e fiz ela flutuar pra lá e pra cá… todos me observavam. Peguei um copão de whisky q estava pela metade e disse quei iria preenchê-lo. Cobri com um guardanapo e Voilà ! Fiz o copo ficar cheio ao estilo Van Eden em sua experiência com copo…

          Fiquei entendiado com as brincadeiras e resolvi sair dali, continuando o sonho por mim mesmo, mas tudo foi escurecendo e ao sair pra rua acordei em seguida, eufórico e iniciando minhas anotações.

           Conclusões :
           Fiz um levantamento cuidadoso das minhas atividades nessas duas semanas e o que pode ter influenciado pra conseguir ter mais um Supersonho Lúcido. Em primeiro lugar a qualidade do sono, tenho certeza que foi fundamental. 

           As anotações que logo começaram a melhorar, pois o sono estava melhor. O tempo livre e sem preocupações… curiosamente nessa noite me aconteceu algo que não é comum: tive muita dificuldade pra dormir. Levante da cama por duas vezes pra não ficar forçando e fiz outras atividades pra induzir o sono(TV e depois computador).

         Tenho certeza que as atividades fisicas de alguma maneira devem ajudar, pois contribui pro equilíbrio do corpo e da mente. Talvez o fato de estar estudando o tema também tenha influenciado.

          Finalmente, a experiência nova do sonho que foi a partir do momento que resolvi assumir sutilmente uma narrativa, conduzir o sonho como num movimento narrativo, sem querer fazer coisas grandes demais, eu passei a interagir com meus personagens nos sonhos e a explicar para eles, refletindo sobre o que eu estava fazendo. Apesar de inicialmente frustrado por não levar adiante minhas experiências iniciais com a memória e com desenvolvimento de habilidades, acabei fazendo uma experiência que eu não tinha planejado. Descobri que posso manter o sonho estável, na medida em que conduzo uma pequena história. O próximo passo é juntar esse ingrediente novo nas minhas experiências, para ajudar a estabilizar o sonho.

     
        Imagine-se estar numa praia, sol, céu azul, mar cristalino, caminhando  sobre uma agradável areia macia e  de relance você repara que sua mão parece ter tantos dedos que você mal consegue contar!… 
  Inspirado numa queixa de uma onironauta(Lena Chan) resolvi fazer um texto especial sobre os motivos que podem levar a gente a fracassar em fazer coisas simples nos sonhos, como voar!…
        Dedos grandes, pitocos, finos, gordinhos, longos como um spaguetti… e aí aquela certeza acachapante te invade visceralmente: estou sonhando! A euforia toma conta e rapidamente você procura se controlar, pois a essa altura o sol já cedeu espaço a uma escuridão esmagadora, não há céu, não há mar a areia virou um chão cinzento e duro. 
        Num lampejo de esperança você junta as duas mãos-cacho-de-bananas e as esfrega. Esfrega e esfrega desejando que tudo volte a brilhar como estava antes. E consegue. 
      Agora mantendo a serenidade, resolve fazer um pequeno vôo. Dá uma corridinha um salto com força e… aquela incontrolável vontade de voar se transforma num corpo de cabeça pra baixo, quase estático, flutuando em câmera-lenta, há poucos centímetros do chão. Que lástima… e então acorda.
Como explicar a presença da nossa consciência no sonho, mas a incapacidade de exercer o controle sobre ele?
          
          Como explicar essa incapacidade de não conseguir sequer dar uma voadinha num sonho que deveria ser todo seu??? Podemos enumerar diversas situações parecidas de sonhos nossos e de outros onironautas:
– “não consigo atravessar uma parede!”
– “o raio não saia da minha mão…”
– “os carros não explodiam”
– “eu não conseguia pousar!…”
           Talvez a maior parte da resposta já tenha sido dada nos textos em que procuro explicar que existe diferença entre controlar um sonho e ficar consciente. Nesse exemplo da praia, existe absoluta consciência de tudo ser apenas um sonho.  O reality check(teste de realidade) das mãos servindo bem, mas “neca de pitibiribas” em termos de manipulação ou controle dos sonhos…
    
       Uma hipótese bem ventilada por sites norte-americanos é que isso estaria diretamente relacionado com o grau de lucidez alcançado. Simplificando: um grau de lucidez mais intenso lhe permitiria controlar facilmente o seu sonho. Eu discordo disso radicalmente. Meu argumento vai no sentido de que podemos controlar os sonhos mesmo sem a lucidez. 
        Ora, se isso é possível e de fato acontece, de controlarmos a narrativa do nosso sonho, interferindo e manipulando, qual o sentido de querer alegar que o controle não acontece por faltar um grau maior de consciência? Parece de fato não existir relação alguma entre algum hipotético “grau de consciência” e sua capacidade de  controlar seu sonho.
        Minha hipótese vai no sentido de que nós podemos controlar mais ou menos nossos sonhos, de acordo com o grau de intensidade da nossa autoconfiança. Mas não há novidade alguma nisso. Eu brinco alegando dizer “minha” hipótese. Tenho certeza que muitos outros onironautas já devem ter percebido isso. Pelo menos boa parte daqueles que já se encontraram nessa situação, de estar consciente num sonho, mas incapaz de controlar coisa alguma no sonho. 
           Essa idéia da falta de autoconfiança remete de modo perfeito para uma cena do Matrix, em que o Neo está conversando com uma das crianças, uma dos “iniciados” do Oráculo e esse lhe dá uma bela explicação: