Tag

Brasil na Vanguarda dos Sonhos Lúcidos

Browsing

Nosso entrevistado que faz uma pesquisa pioneira sobre sonhos lúcidos, Sérgio Arthuro Mota Rolim,  é graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2004), com iniciação científica na área de sono, memória e ansiedade. É mestre em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo Escola Paulista de Medicina (2007), trabalhando com a influência dos ritmos biológicos no sono e na memória. Concluiu seu doutorado pela UFRN, tendo como objeto os aspectos sócio-demográficos, cognitivo-comportamentais e neuro-psicológicos do sonho lúcido.

Dr. Sérgio Arthuro Mota Rolim representa o Brasil, na área de pesquisa sobre a presença da consciência nos sonhos.

1)Como os sonhos lúcidos poderiam auxiliar no estudo e/ou tratamento de alguns tipos de psicose? Que relação existe entre esse tipo de transtorno e a consciência nos sonhos?

Sérgio: Durante o sonho, o cérebro gera imagens e sons que não são decorrentes da estimulação vinda do ambiente (ao contrário do que acontece quando estamos acordados), o que é bastante semelhante as alucinações visuais e auditivas dos pacientes esquizofrênicos. Além disso, nossa capacidade de julgamento racional durante os sonhos está bastante diminuída (com a exceção dos sonhos lúcidos), pois acreditamos que as coisas bizarras que aparecem nos sonhos estão acontecendo de verdade, o que é bastante parecido com os delírios presentes na esquizofrenia. Dessa forma, vários trabalhos têm demonstrado que o sonho é um excelente modelo para o estudo da esquizofrenia. Assim, o estudo dos sonhos (lúcidos ou não) pode também nos ajudar a compreender melhor a psicose.

Com relação ao tratamento em si, ainda estamos apenas engatinhando… No entanto, eu e uma brilhante estudante de medicina que colabora comigo – Adara Resende – levantamos a hipótese de que seria possível que o sonho lúcido pudesse diminuir os delírios psicóticos durante uma crise. Isso aconteceria porque se o sujeito aprender a ficar lúcido no sonho, ele vai ser capaz de emitir um julgamento racional sobre a situação em que se encontra, o que poderia também acontecer enquanto o mesmo estivesse acordado tendo uma crise, ou seja, ele aprenderia a controlar suas alucinações e delírios, como acontece no filme “Uma mente brilhante”. No entanto, por enquanto, podemos apenas especular sobre essa possibilidade do sonho lúcido diminuir também os delírios, já que ainda ninguém testou experimentalmente essa hipótese.

Adara Cabral Resende é estudante de medicina na UFRN e de iniciação cientifica no Instituto do Cérebro, com pesquisa em andamento sobre sonhos lúcidos.

2) Uma perspectiva importante para o uso dos sonhos lúcidos é o tratamento de pessoas com pesadelos recorrentes, pessoas com depressão ou que passaram por algum trauma… pelo seu estudo que alternativas poderiam ser aplicadas, uma vez que o uso do sonho lúcido estivesse consolidado? 

Sérgio: Acreditamos que estando lúcido num pesadelo, o sujeito pode tentar 3 coisas:

1 modificar o sonho = com controle sobre o conteúdo onírico, seria possível tentar transformar o pesadelo num sonho neutro ou até bom.

2 não ter medo do pesadelo = estando lúcido, o sonhador pode perceber que as ameaças que acontecem durante o pesadelo não trazem um perigo físico real.

3 acordar = é possível também acordar durante o pesadelo para acabar com o mesmo, apesar de que alguns autores acreditam que o ideal seria tentar compreender porque o pesadelo está acontecendo daquela forma, até para evitar ter outros.

3) Os sonhos lúcidos podem ser prejudiciais de alguma maneira?

Sérgio: Até agora nada leva a crer que o sonho lúcido em si possa ser prejudicial. No entanto, algumas pessoas não gostam de ter sonhos lúcidos. Na verdade, o que acontece com essas pessoas (até agora eu tive oportunidade de conversar com duas delas) é que elas ficam lúcidas num pesadelo, daí tentam acordar mas não conseguem, como se ficassem presas no sonho. É comum também a relação do sonho lúcido com a paralisia do sono, que é uma das piores sensações que podemos experimentar, pois acordamos e não conseguimos nos mexer.

4) É possível que sonhos conscientes possam contribuir para o aprimoramento de habilidades que envolvam coordenação motora? 
 
Sérgio:  Estudos mostram que simulações mentais de habilidades motoras podem aumentar o desempenho real em tarefas comportamentais: a imaginação repetida de contração muscular aumenta a força muscular propriamente dita, e além disso, simulações mentais melhoram a aprendizagem das habilidades motoras e o desempenho esportivo.          Curiosamente, as habilidades motoras podem ser adquiridas na ausência de um processo de aprendizagem plenamente consciente. Estas observações sugerem que ser capaz de realizar movimentos imaginários durante o sonho lúcido poderia influenciar as habilidades motoras reais durante o estado acordado. Desta forma, os pacientes com deficiência física poderiam praticar tarefas motoras durante o sonho lúcido e avaliar se este “ensaio onírico” diminui os seus sintomas motores. Além disso, o treinamento motor durante o sonho lúcido também pode ser utilizado por indivíduos normais para melhorar suas habilidades físicas.
    Cientistas alemães com quem estamos colaborando fizeram um experimento em que treinavam um grupo de pessoas a jogar uma moeda para dentro de um copo a uma certa distância. Os pesquisadores observaram que aquelas pessoas que treinavam novamente jogar uma moeda num copo durante o sonho lúcido tinham um desempenho real melhor no dia seguinte, ao contrário das pessoas que não treinaram isso no sonho. Esse tipo de pesquisa ainda está na sua fase inicial, mas indica a possibilidade de pessoas comuns ou atletas obtenham uma performance melhorada com um treinamento onírico extra.
5) Seu estudo também envolveu uma análise neurofisiológica desse estado mental. O que mais lhe chamou atenção nesse sentido? 
Sérgio: Nossos resultados preliminares (ainda não publicados), com a análise matemática e estatística do sinal do eletroencefalograma em 5 sujeitos que tiveram sonho lúcido e que conseguiram fazer os movimentos pré-combinados com os olhos, indicam que o sonho lúcido é um estado de transição do sono REM para a vigília, ou seja, apesar de o sonho lúcido ser um sonho, o cérebro está bem próximo de despertar. Quando estamos acordados e de olhos fechados, nosso cérebro entra no estado de sincronização global numa oscilação próxima a 10 ciclos por segundo (ou 10Hz) que é o chamado ritmo alfa, e que está muito associado a meditação. Durante o sonho normal, a potência desse ritmo é muito baixa (numa escala de 0-10 seria = 1).
   Quando o indivíduo está em sonho lúcido, a potência do ritmo alfa sobre para 5, e quando ele acorda vai para 10. Assim, o sonho lúcido seria um estado intermediário entre o sono REM e a vigília. Isso explica porque para a maioria das pessoas o sonho lúcido dura muito pouco (como observamos no questionário que aplicamos pela internet), pois elas acordam logo depois de se darem conta que estavam sonhando. Entretanto, para algumas pessoas essa transição se dá de forma mais gradual e prolongada, aumentando o tempo de duração do sonho lúcido; mas ainda não sabemos porque isso acontece. No questionário que aplicamos, o fator relatado que mais facilitou a ocorrência de sonho lúcido foi dormir sem hora para acordar, o que aumenta enormemente a quantidade de sono REM, pois essa é a fase do sono em que sonhamos, e que acontece principalmente nas últimas horas do sono.
      Observamos também que muitas pessoas relacionam o sonho lúcido com o estresse, que aumenta a quantidade de despertares, fortalecendo a ideia que o sonho lucido é um estado intermediário (ou fase de transição) entre o sono REM e a vigília.
Essa hipótese do sonho lúcido como estado de transição entre o sono REM e a vigília explicaria muito bem os sonhos que já começam lúcidos (como descrito na técnica WILD desenvolvida por Laberge) ou os sonhos que ficam lúcidos só no finalzinho, quando a pessoa está próxima de acordar. No entanto, é possível também ficar lúcido durante o sonho (no meio do sonho por exemplo), principalmente quando nos deparamos com um “sinal de sonho”, que seria algo muito bizarro que só pode acontecer nos sonhos, como a habilidade de voar, ou encontrar alguém que já morreu. Em um dos sujeitos que investigamos, observamos uma ativação na região frontal do cérebro durante o sonho lúcido. Dessa forma, esses resultados sugerem que o sonho lúcido também seria decorrente de uma ativação nessa região. Vários trabalhos na literatura demostram que essa região está relacionada com a auto-consciência e a formação da imagem corporal, logo faz sentido que a mesma esteja ativada durante o sonho lúcido, que é caracterizado pela consciência de estar sonhando durante o sonho.

6)A partir de onde
chegou, que novas perspectivas de estudo mais lhe fascinam ou novas hipóteses
com as quais gostaria de se aprofundar?


   Sérgio:  Gostaria de no pós-doutorado
testar se realmente o sonho lúcido é um estado de transição entre o sono REM e
o estado acordado. O experimento seria dar um estímulo sonoro (que pode ser uma
música por exemplo) durante o sono REM. Esse estímulo sonoro seria inversamente
modulado pela potência da frequência alfa, ou seja, começo com um volume bem
baixo e vou aumento com o tempo até que o indivíduo vai acordando e a potência
do ritmo alfa vai aumentando também. Quando isso acontecer, eu diminuo o volume
do som o que vai fazer com que o sujeito volte a dormir. Daí novamente eu
aumento o volume e assim sucessivamente, como o objetivo de deixar o sonhador o
mais tempo possível na transição entre o sono REM e a vigília. Se o sonho
lúcido acontecer realmente nessa transição, esperamos que dessa forma
consigamos induzir mais sonhos lúcidos.

Será possível trabalhar com estímulos sonoros, controlando gradativamente sua intensidade e incorporando ele nos sonhos e na imersão da consciência nesse estado mental? Alguém aí lembra de um paralelo no filme da imagem? Uau!
Outra forma de induzir o sonho
lúcido seria através de estimulação magnética transcraniana (EMT). A EMT como o nome
diz, consiste em estimular áreas específicas do cérebro com pulsos de campo
magnético sobre o couro cabeludo, ou seja, de forma não invasiva. Em um
dos sujeitos que investigamos, observamos uma ativação na região frontal do
cérebro durante o sonho lúcido. Dessa forma, esses resultados sugerem que o
sonho lúcido também seria decorrente de uma ativação nessa região. Vários
trabalhos na literatura demostram que essa região está relacionada com a
auto-consciência e a formação da imagem corporal, logo faz sentido que a mesma
esteja ativada durante o sonho lúcido, que é caracterizado pela consciência de
estar sonhando durante o sonho. Como alguns trabalhos (inclusive o meu)
observaram que o sonho lúcido está relacionado com a região frontal do cérebro,
é possível que a estimulação dessa região durante o sono REM desencadeie um sonho
lúcido.

Gostaria também de investir em técnicas para
registrar com mais detalhes as áreas cerebrais mais relacionadas com o sonho
lúcido, como a Ressonância Magnética Funcional. A técnica de registro da
atividade do cérebro por RMF consiste em medir as pequenas variações no fluxo
sanguíneo em áreas cerebrais que estão sendo preferencialmente recrutadas por
tipos específicos de tarefas. Quando mexemos a mão (ou pensamos em palavras) há
um aumento do aporte de sangue para as populações neuronais mais relacionadas
com o processamento desses tipos de tarefas, sendo esse sinal (grosseiramente
falando) o que a RMF consegue medir. Poucos laboratórios hoje no mundo estão
fazendo esse tipo de pesquisa, sendo um deles no Instituto Max Planck de
Munique (Alemanha), onde dei palestra no ano passado sobre o meu trabalho, na
tentativa de conseguir uma bolsa de pós-doutorado.

Pesquisa de Doutorado relizada por SERGIO ARTHURO MOTA ROLIM
Data: 19/06/2012. O resumo da tese de doutorado está copiado na íntegra logo abaixo:

          “O sonho lúcido (SL) é um estado mental no qual o sujeito está consciente de estar sonhando durante o sonho. A prevalência do SL em Europeus, Norte-Americanos e Asiáticos é bastante variável (entre 26 e 92%) (Stepansky et al., 1998; Erlacher & Schredl, 2011; Yu, 2008) e em Latino-Americanos ainda não foi investigada. Além disso, as bases neurais do SL permanecem controversas. Diferentes estudos observaram que a potência das frequências alfa (Tyson et al., 1984), beta parietal (Holzinger et al., 2006) e gama frontal (Voss et al., 2009) estava aumentada no SL em relação ao não lúcido.

Sérgio realizou uma pesquisa pioneira sobre sonhos lúcidos pela UFRN. A entrevista na íntegra com o pesquisador, pode ser lida aqui.

            Dessa forma, para investigar a questão epidemiológica (Estudo 1), elaboramos um questionário online sobre sonhos que foi respondido por 3427 voluntários. Em nossa amostra, 56% são mulheres, 24% são homens e 20% não responderam o gênero (mediana de idade = 25 anos). Um total de 76,5% dos indivíduos refere que lembra dos sonhos pelo menos uma vez por semana. Cerca de dois terços dos sujeitos observam o sonho em primeira pessoa, ou seja, vendo o sonho da própria perspectiva e não como mais um dos personagens do sonho. Os elementos mais comuns nos sonhos são movimentos/ações (93,3%), pessoas conhecidas (92,9%), sons/vozes (78,5%) e imagens coloridas (76,3%). O conteúdo onírico se relaciona principalmente com planos para o dia seguinte (37,8%) e memórias do dia anterior (13,8%). Os pesadelos apresentam principalmente ansiedade/medo (65,5%), ser perseguido (48,5%) e sensações desagradáveis que não envolvem dor (47,6%). Assim, sonhos e pesadelos podem ser evolutivamente entendidos como uma simulação das situações frequentes que acontecem na vida e que se relacionam com a nossa integridade social, psicológica e biológica.

         Observamos também que a maioria dos indivíduos (77,2%) relata ter tido pelo menos um SL, tendo experimentado na sua maior parte até 10 episódios (44,9%). A frequência do SL foi fracamente correlacionada com a frequência de lembrança dos sonhos .
         Para investigar mais detalhadamente as bases neurais do SL (Estudo 2), realizamos registros de sono em 32 sujeitos que não apresentam SL de forma frequente, e investigamos 6 sujeitos que apresentam SL recorrentemente. A primeira amostra foi submetida a duas técnicas cognitivo-comportamentais para induzir o SL: sugestão pré-sono (n = 8) e incubação de estímulos do ambiente (pulsos de luz) no sonho durante o SREM (n = 8). Um grupo controle não foi submetido a nenhuma das duas técnicas (n = 16). Os resultados indicam que é muito difícil induzir SL em laboratório, uma vez que conseguimos obter apenas um SL em um sujeito, que era do grupo em que aplicamos a técnica de sugestão pré-sono. O sinal eletroencefalográfico deste voluntário apresentou pulsos de ritmo alfa (7-14Hz) anteriores ao SL, de forma breve (aproximadamente 3s), sem alteração significativa do tônus muscular e independente da presença de movimentos oculares rápidos. O SL desse sujeito apresentou também uma maior potência de alfa (7-14Hz) na região parieto-ocipital, diferentemente do resultado observado por Tyson et al. (1984), que encontraram um aumento na frequência alfa, porém de forma não-localizada, ou seja, em média para todos os canais.

         Além disso, observamos também um aumento de gama (20-50Hz) na região temporo-parietal direita, como encontrado por Holzinger et al. (2006). Entretanto, esses autores observaram um aumento na faixa de frequência beta (e não em gama). Nos 6 indivíduos que frequentemente têm SL, este estado apresentou em média um aumento de potência em gama alto (50-100Hz) na região frontal em comparação com o SREM não-lúcido, como observado por Voss et al. (2009); no entanto, isso não foi consistente entre todos os 6 voluntários e pode ser devido a uma contaminação decorrente dos movimentos oculares.

Participaram da pesquisa 6 voluntários com sonhos lúcidos frequentes, dentre eles Bruno Grego, cuja entrevista pode ser lida aqui.

    Como conclusão, nossos resultados preliminares sugerem que o SL apresenta diferentes características neuro-psico-fisiológicas dos estados típicos de SREM e vigília:

    1) um aumento da potência da oscilação alfa em regiões parieto-ocipitais pode estar correlacionado a uma maior vividez visual do SL em comparação com o sonho não-lúcido;

     2) os pulsos de alfa anteriores ao SL poderiam ser micro-despertares, que facilitariam o contato do cérebro durante o sono com o meio externo, favorecendo a ocorrência do SL e fortalecendo a noção de que o SL seria um estado intermediário entre o sono e a vigília; 3) dado que as regiões temporo-parietal direita e frontal estão relacionadas com processos de formação da auto-consciência e imagem corporal, sugerimos que a ativação destas regiões durante o sono pode ser o mecanismo neurobiológico subjacente ao SL.”

Fonte:
http://www.sigaa.ufrn.br/sigaa/public/programa/defesas.jsf?lc=pt_BR&id=367

      Existem pesquisas fascinantes sendo realizadas em algumas universidades e institutos especializados. Aqui mesmo no Brasil, Sidarta Ribeiro, Sérgio Rolim e Bruno Grego, são protagonistas em estudos na área, pela UFRN. Suas pesquisas avançam desbravando sobre as instigantes características desse estado mental. As áreas do cérebro que estão envolvidas, a presença da consciência e a grande intensidade  das experiências visuais…

 
     Experimentos realizados pela Universidade de Mainz, trazem fantásticos resultados, nos quais, pela primeira vez, sonhadores lúcidos estão conseguindo responder a comunicações iniciadas pelos pesquisadores. Trata-se da tese de doutorado de Stelen J.(2006). Através de estímulos sonoros específicos, os sonhadores lúcidos foram capazes de responder aos estímulos, utilizando-se de movimentos dos olhos.

     Pesquisas realizadas por Dane J. ainda na década de 80, foram capazes de demonstrar que os sonhos lúcidos não acontecem apenas nas fases REM do sono.

     Apenas controlar o sonho é só a lasca da ponta do iceberg. A grande conquista está em conseguirmos desenvolver a consciência no estado mental dos sonhos. É aí que as atuais grandes pesquisas caminham. Tanto as grandes pesquisas, como muitos onironautas ao redor do mundo, possivelmente… em casa!…

     Assim como sonhadores lúcidos em laboratórios do sono, estamos conseguindo acessar nosso cérebro num estado diferente da vigília. Quando estamos acordados, ele funciona de uma maneira, porém enquanto sonhamos, podemos vislumbrar situações que não acontecem no estado desperto. Nosso pensamento lógico abre terreno para um estado mental criativo sem paralelos… e conexões diferentes, muito provavelmente:

     “Os sonhos são fontes de grandes descobertas ou soluções para problemas científicos, bem como criações artísticas magistrais: Elias Howe com a revolução na indústria têxtil, Mendelev com a tabela periódica, Kekulé com a cadeia de benzeno, Mary Shelley com Frankenstein, Paul McCartney com Yesterday… o sonho que salvou o filósofo Russell  de cometer suicídio, os três sonhos numa noite de Descartes que impactaram por séculos no pensamento ocidental!… Que frutos podemos almejar ao obtermos livre acesso, num estado tão poderoso da nossa mente? A própria consciência pode ser alvo de intensos estudos.”




     Resultados estimulantes, surgem de pesquisas referentes ao aprimoramento das habilidades em atividades que envolvem coordenação motora. Existe também uma linha de pesquisa, explorando possível relação dos sonhos lúcidos, para com o auxílio no tratamento de algumas psicoses, como a esquizofrenia. Questiono-me frente aos possíveis efeitos de sonhos lúcidos,  envolvendo grande recompensa e prazer… com relação a alguma possível contribuição no tratamento de doenças relacionadas ao eixo “psico-neuro-imuno-endócrino”.

Fontes:

https://www.sonhoslucidos.com/2011/11/o-que-sao-sonhos-lucidos-uma-nova.html

http://www.lucidologia.pl/ 

http://archiv.ub.uni-heidelberg.de/ojs/index.php/IJoDR/article/view/20

Strelen J (2006) Acoustic evoked potentials in lucid dreaming (in German). Ph. D. thesis, University of Mainz

       O Brasil possui pelo menos um centro de pesquisa sobre o estudo da consciência nos sonhos. Está localizado em Natal, pela UFRN, sob a égide do neurocientista Sidarta Ribeiro e o pesquisador Sérgio Arthuro Mota Rolim.

Sérgio Arthuro Mota Rolim desenvolve pesquisa  na área dos sonhos lúcidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

       Nosso entrevistado, Sérgio Arthuro Mota Rolim, possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2004), com iniciação científica na área de sono, memória e ansiedade. É mestre em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo Escola Paulista de Medicina (2007), trabalhando com a influência dos ritmos biológicos no sono e na memória. Atualmente, é estudante de doutorado da UFRN e pesquisador do Instituto do Cérebro e do Hospital Universitário Onofre Lopes (UFRN), no Rio Grande do Norte, onde pesquisa modelos de regulação do sono e sonhos.
http://www.neuro.ufrn.br/incerebro/team.php?id=1

1) Quando e como surgiu a idéia de um projeto de pesquisas envolvendo sonhos lúcidos?
 Rolim: Comecei a me interessar em neurociência no segundo ano do curso de medicina na UFRN em 2000, quando assisti as aulas de neurofisiologia do professor John Araujo. Fiz iniciação científica com ele no tema sono, memória e ansiedade em estudantes de medicina. Em 2004 me formei e em 2005 fui fazer o mestrado em neurociência na UNIFESP = Escola Paulista de Medicina, estudando a influência dos ritmos biológicos no sono e na memória. Em 2006 conheci o Sidarta Ribeiro que é meu atual orientador de doutorado. Nessa época eu tava terminando o mestrado e já pensando em fazer o doutorado aqui em Natal com ele. Um dia, de férias do mestrado em Natal, por acaso, achei uma edição especial sobre sonhos na mesa do John e vi que tinha um artigo do Sidarta e também um do Stephen Laberge. Quando soube que era possível fazer movimentos com os olhos para indicar o sonho lúcido fiquei bastante interessado no tema e fui conversar com o Sidarta que rapidamente propôs orientar meu PhD nessa tema.

Um dia, de férias do mestrado em Natal, por acaso, achei uma edição especial sobre sonhos na mesa do John e vi que tinha um artigo do Sidarta e também um do Stephen Laberge. Quando soube que era possível fazer movimentos com os olhos para indicar o sonho lúcido fiquei bastante interessado no tema(…).






2) Qual é o objetivo e tema da pesquisa? Problemas, idéias e hipóteses envolvidos?

 Rolim: a minha pergunta principal do doutorado é saber se existe alguma diferença no padrão de ativação cerebral durante o sonho lúcido em comparação com o sonho não lucido. Temos resultados preliminares que indicam que durante o sonho lucido podemos ter uma ativação no lobo frontal (que explicaria uma maior auto-consciência, um maior controle do sonho lucido) e também no lobo ocipital (que poderia explicar porque os sonhos lúcidos são mais vívidos visualmente). Além disso, desenvolvemos um questionário sobre sonhos e sonhos lúcidos e aplicamos pela internet: quase 3600 pessoas responderam e estamos analisando os dados. Aproveito para convidar todos os leitores para responderem o questionário acessando o link http://www.cb.ufrn.br/sonho/

Imagem extraída da pesquisa realizada por Ursula Voos, mostrando os registros de atividades cerebrais, em três diferentes estados: acordado, em sonho lúcido e sonho comum da fase REM.

3) Quais as principais dificuldades encontradas? Além do Bruno Grego, existem outros voluntários que conseguem ficar conscientes nos sonhos?

Rolim: Inicialmente, queríamos induzir sonhos lúcidos em quem não tinha frequentemente. Tentamos fazer sugestão pre-sono (n=8) e incubação de estímulos do ambiente no sono = dávamos pulsos de luz por um abajur ao lado na cama na hora que o sujeito entrava em sono REM (n=8) p tentar induzir fazer com que esse estímulo entrasse no sonho e servisse como dica p o sujeito saber que estava sonhando, ou seja, ter um sonho lúcido (além de 16 controles que não passaram por nenhuma das técnicas). Como só conseguimos induzir um sonho lucido de todas essas tentativas, optamos por pegar pessoas que já tinham sonho lucido frequentemente (como o Bruno Grego). Fizemos também uma colaboração com o Daniel Erlacher que fez pós-doutorado com o Laberge e que trabalha na Alemanha. Ele mandou 6 registros de EEG de sujeitos que tem sonhos lúcidos frequentes para analisarmos.

Daniel Erlarcher é um pesquisador que serve de referência na área dos sonhos lúcidos e colabora  nas pesquisas do Dr. Rolim.


4) Como aconteceu o processo de recrutamento do(s) voluntário(s) para o laboratório?

 Rolim: no começo, recrutávamos pessoas que trabalhavam no nosso laboratório em outras linhas de pesquisa e que não tinham sonho lucido frequente. Depois, recrutamos somente os sonhadores lúcidos frequentes por boca a boca mesmo… O ideal seria termos verba para trazer os sonhadores lúcidos de todo o Brasil e do mundo para dormirem no nosso laboratório e tentarem ter um sonho lucido. Mas como não temos verba para isso, decidimos estudar os sonhadores lúcidos locais mesmo. De qualquer forma, fica o convite para quem tem sonho lucido frequente, tempo, dinheiro e interesse para vir para Natal nos ajudar!

Sonhadores Lúcidos parecem ser preciosos para que as pesquisas possam fluir com mais facilidade.


5) O que mais lhe fascina no estudo dos sonhos lúcidos? Você já teve alguma experiência nesse estado mental? Como foi?

 Rolim: Comecei a estudar sono com o professor John porque sempre fui de dormir muito = 10 hs, acordar tarde e sonhar muito, mas tive poucos sonhos lúcidos, uns 10. O interessante é que ouvi falar sobre sonho lucido pela primeira vez em 2003 no filme waking life (que aproveito para indicar), mas não dei muita importância porque não me lembrava de ter tido um sonho lucido. Sé depois de ler o artigo do Laberge em 2006 como falei antes, foi que comecei a ter sonhos lúcidos. Lembro que no primeiro fiquei com medo e acordei logo. No segundo já não tive mais medo mas acordei logo porque fiquei muito feliz, daí tirei a obvia conclusão que o segredo é ficar calmo. Nos últimos sonhos lúcidos consegui controlar e voar = não tem nada melhor no mundo! a não ser estudar claro kkkkk

Dr. Rolim já teve sonho seus sonhos lúcidos e curtiu muito a sensação de voar conscientemente nos sonhos.




6) Até pouco tempo atrás, essa área era um terreno pouco explorado, mas nos últimos anos parece ter ganho mais atenção da comunidade científica. A que se deve isso?

 Rolim:: Excelente pergunta.. não sei! Que vcs acham? Talvez como provocação diria que é porque a realidade está dura ou chata demais e esse universo dos sonhos, ou a matrix onírica, seja mais divertido… gostaria de saber a opinião dos leitores nos comentários





7) Existem pesquisas relacionando o estudo dos sonhos lúcidos com o desenvolvimento de habilidades motoras, na psiquiatria para ajudar no tratamento de certas psicoses… que benefícios você entende como possíveis, com as pesquisas envolvendo o estudo da consciência nos sonhos?

Rolim: Para mim os sonhos lúcidos são importantes por 5 motivos: 1 – filosófico e existencial = autoconhecimento, 2 – recreacional = diversão, 3 – aprendizado = possibilidade de simular ações num ambiente virtual plenamente seguro, como numa matrix, 4 – cientifico = para entendermos o que é a consciência, e daí termos uma melhor idéia das doenças que perturbam a consciência como no caso da esquizofrenia e 5 – terapêutico = no caso dos pesadelos recorrentes, aprender a ficar lucido nos sonhos pode diminuir o medo e a ansiedade relacionado a esses sonhos ruins

8) As máscaras de indução de sonhos aparentemente não se revelaram tão eficientes… será possível uma tecnologia eficiente para indução de sonhos lúcidos? Como seria?

 Rolim: Ainda no doutorado, ou talvez no pós-doutorado, gostaria de tentar induzir o sonho lucido com técnicas como TMS = transcranial magnetic stimulation ou TDCS = transcranial direct current stimulation (em colaboração com o Bruno Grego que está estudando essa técnica), que servem para estimular áreas específicas do cérebro de forma não invasiva, sem dor. Como o sonho lucido está relacionado a uma ativação frontal, a ideia é estimular a região frontal durante o sono REM para ver se dá para induzir um sonho lucido

Bruno Grego, biomédico e doutorando, é sonhador lúcido colaborador nas pesquisas do Rolim, sob orientação de Sidarta Ribeiro.

9) O material bibliográfico para pesquisa desse tema não é muito fácil de se encontrar, especialmente os mais técnicos, de caráter científico. Pode dar alguma orientação de fontes ou sites que costuma pesquisar?

 Rolim: Acho que pesquisando por lucid dream no pubmed = http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=lucid%20dream ou no google scholar dá para pegar muitos artigos científicos sérios sobre o tema. Gostaria de terminar a entrevista com uma citação que sempre lembro e falo do Nietzsche: “Nos primórdios do nascimento da cultura, o homem acreditou que estava descobrindo um segundo mundo real no sonho, e aqui é a origem de toda metafísica. Sem os sonhos, a humanidade nunca iria inventar tal divisão do mundo… em corpo e alma… bem como acreditar em fantasmas, e aparentemente também, em deuses…”

Nietzsche, FW (1878) – Humano demasiado. O que vocês acham heim!? Muito obrigado pelo convite e um grande abraço!     


Grande doc! Agradeço demais pela entrevista e também em nome de todos interessados e sonhadores lúcidos frequentadores do www.sonhoslucidos.com  obrigado mesmo!

     Bruno Grego, 29 anos, biomédico, doutorando em Neurociências pelo Instituto do Cérebro – UFRN, na linha de pesquisa de neuroestimulação e transtornos de ansiedade.

     O que me chamou a atenção no Bruno, foi  uma reportagem do Globo Repórter, apresentando-o como  um sonhador lúcido que já havia conseguido realizar contato, a partir do estado mental dos sonhos, com os pesquisadores que o monitoravam no laboratório do sono da UFRN.

Bruno Grego, biomédico, doutorando em neurociências pela UFRN é um sonhador lúcido e já conseguiu se comunicar a  partir do estado mental dos sonhos, com os pesquisadores que o monitoravam.

      Bruno colabora com uma pesquisa científica impressionante, na qual ele apresenta não só a habilidade de se tornar consciente durante um sonho(sonho lúcido – nosso tema aqui no blog), mas também de se comunicar(através de movimentos oculares) com os cientistas do laboratório que o monitoram.

      A pesquisa é desenvolvida pelo doutorando Sérgio Rolim, orientado pelo professor, Ph.D, Sidarta Ribeiro, no programa de pós-graduação em Neurociências da UFRN. Segue na íntegra, a entrevista que o Bruno gentilmente concedeu ao blog:

Como foi teu primeiro sonho lúcido?  Já conhecia o assunto quando conseguiu ficar consciente no sonho pela primeira vez?

(Bruno): O primeiro sonho lúcido que me lembro ocorreu aos 5, 6 anos de idade, eu estava em frente minha casa e ao tentar atravessar a rua percebi que podia voar com o corpo paralelo ao solo, atravessei a rua voando e ao chegar do outro lado voltei a caminhar, foi uma experiência tão real que passei mais de um ano afirmando e tentando convencer todo mundo que tinha voado de verdade, até perceber que havia sido um sonho. Na época não sabia nada sobre o assunto, o que me causava uma certa confusão entre experiências realmente vividas ou sonhadas.  

A primeira experiência marcante de Bruno com os sonhos foi aos 5-6 anos de idade, quando  sonhou que podia atravessar a rua em frente da sua casa voando.

2. Segue algum método em especial? Reality Check predileto? Costuma anotar teus sonhos?

(Bruno): Eu costumo fazer um diário dos sonhos, ter uma boa higiene do sono e principalmente volto a dormir por aproximadamente 1:30h depois de acordar espontaneamente de uma noite de sono reparadora, nesse período os sonhos lúcidos são mais frequentes. Quanto ao reality check, tento sempre lembrar como fui parar no local do sonho.                            

3. Soube que a média da tua frequência está em 2 sonhos lúcidos por semana. As experiências com sonhadores lúcidos em laboratório dependem exclusivamente de ti ou há mais gente? Considerando a partir do momento que tu iniciou a contribuição nas pesquisas, qual foi o maior lapso de tempo sem um sonho lúcido? E qual teu recorde numa semana?

(Bruno): Eu sou apenas um dos sujeitos da pesquisa desenvolvida pelo aluno de doutorado Sérgio Rolim sob orientação do professor Sidarta Ribeiro. Há toda uma equipe responsável pelos experimentos, cuidando desde a parte da colocação dos eletrodos, até a parte de análise dos registros eletroencefálográficos. Quando iniciei os experimentos, em outubro do ano passado, comecei a fazer um diário de sonhos, tinha uma higiene do sono relativamente boa e treinava em casa os movimentos oculares durante os sonhos lúcidos, nessa época cheguei a ter quatro sonhos lúcidos por semana, mas nas férias perdi a disciplina, parei com o diário e fiquei mais de um mês sem ter um sonho lúcido, ou sem ter a recordação de ter tido um.  

HUOL – Hospital Universitário Onofre Lopes/UFRN – onde são realizadas as experiências com sonhos lúcidos ou  da consciência nos sonhos.

4. Nas pesquisas de Alan Hobson e Ursula Voss, na Universidade de Frankfurt, treinaram 20 estudantes de psicologia e recrutaram 6 dos sonhadores lúcidos com maior incidência de sonhos lúcidos. Pagaram 50 euros por noite… Interessado?!  Essa rotina de sonhador lúcido de laboratório é muito desgastante? Pode descrever um pouco dela(como te recrutaram, o início e quais dias no instituto)?

(Bruno): 50 euros, to dentro!haha. Sérgio Rolim e eu fizemos mestrado juntos em São Paulo no Instituto do Sono, quando vim para Natal nos reencontramos, ele me contou sobre sua pesquisa e eu sobre meus sonhos lúcidos, marcamos um experimento e deu certo. Algumas pessoas acham que eu durmo todos os dias no laboratório, outras acham que esse é meu trabalho, dormir e ter sonhos lúcidos, seria excelente, mas não é nada disso. Os experimentos são esporádicos e consistem em chegar no laboratório mais ou menos no horário em que se costuma dormir; colocar os eletrodos da polissonografia, que é um exame utilizado na medicina do sono, baseado na técnica de eletroencefalografia (EEG) que permite identificar qual fase do sono o indivíduo se encontra; combinar os movimentos oculares com o pesquisador que irão indicar que está tendo um sonho lúcido e dormir, se tiver um sonho lúcido durante o experimento basta fazer o movimento ocular, não é desgastante, acho que é mais cansativo para os pesquisadores que passam a noite acordados.                                                                      

Apesar de ser uma área nova sendo explorada(comprovação acontecer na década de 70) pela ciência, diversas universidades, laboratórios e centros de pesquisa passaram a voltar suas atenções sobre o estudo da consciência nos sonhos.

5. Já utilizou algum tipo de suplemento para intensificar as fases REM? Qual tua opinião sobre isso?

(Bruno): Nunca utilizei, mas acho interessante desde que seja utilizado num contexto científico e previamente analisado por um comitê de ética. Acho que existem outras formas de se induzir sonhos lúcidos não farmacológicamente, por exemplo, utilizando técnicas de neuroestimulação durante o REM, como o tDCS (transcranial Direct Current Stimulation) que consiste na aplicação de uma corrente elétrica de baixíssima intensidade no córtex cerebral, através de dois eletrodos no escalpo, de forma segura e indolor, esse é o próximo passo nas pesquisas do nosso grupo.  

6. Qual foi teu sonho lúcido mais intenso? Por quê?

(Bruno): Foi um sonho que tive há dois anos atrás, começou como um pesadelo, eu estava num avião que caiu no mar e ao sair do avião percebi que não me afogava, eu podia fazer mergulhos muito profundos sem equipamento e ao chegar ao fundo do mar encontrei uma plataforma submersa, percebi que havia outras muito distantes como se fossem a base de uma ponte gigante que não existia e ao tentar chegar até a próxima, descobri que além de poder mergulhar eu podia nadar muito rápido. Esse sonho lúcido foi muito intenso pra mim, pois nunca nadei muito bem e na infância tinha pesadelos recorrentes com tsunamis, a possibilidade de conhecer melhor esse novo ambiente num contexto seguro, me fez perder um pouco do medo do alto mar e até me interessar por esportes náuticos. Acho que os sonhos lúcidos têm, entre outras, uma função terapêutica, como uma técnica de imersão da terapia cognitiva comportamental em paciente com fobia específica, na qual o paciente é exposto de forma segura ao agente causador do seu medo.  

Assim como muitos sonhadores lúcidos, Bruno Grego também tinha pesadelos fortes na infância. No caso dele, com tsunamis. Um sonho lúcido marcante o fez se livrar dessa relação desagradável com o mar.

7. Tens alguma aptidão ou afinidade especial com a área artística? Acredita que há alguma relação especial entre a incidência de sonhos lúcidos com isso?

(Bruno): Não que eu saiba, já tentei tocar contrabaixo, mas não deu muito certo, também não me recordo de ter tirado mais do que 8 em nenhum trabalho de educação artística na escola, mas sempre gostei de dormir, haha. Sinceramente acho que criatividade tem mais a ver com sonhos lúcidos do que estritamente aptidões artísticas, geralmente artistas tem uma imaginação fértil, mas independente do campo de atuação, eu acho que pessoas criativas com alta capacidade imaginativa tendem a ter mais sonhos lúcidos.

Para Bruno, a possibilidade de uma maior incidência de sonhos lúcidos está muito melhor relacionada com a criatividade do que com vocação artística.

8. Sobre o controle ou a manipulação do sonho, considerando já estar lúcido num sonho, existe alguma técnica que tem funcionado bem pra ti por lá? Tanto para interferir, encontrar pessoas, objetos, mudar cenários e prolongar os sonhos?

(Bruno): Essa é uma área que não domino muito bem, aliás vou ler algumas técnicas no site pra ver se consigo manipular mais meus sonhos. Nos meus sonhos lúcidos eu consigo muito mais perceber que estou sonhando, do que mudar o contexto,  o que consigo com uma certa frequência é retomar um sonho que estava tendo antes de acordar, mesmo com uma interrupção mais longa como uma ida ao banheiro, mas não sei explicar como faço, apenas volto a dormir.

9. Tua qualidade do sono é boa? Quanto tempo de sono em média é o ideal pra ti?

(Bruno):Sim, durmo em média 6 horas, acordo e volto a dormir por mais 1:30h.

10. Que dicas e orientações tu recomenda, tanto para aquele que ainda não experimentou, como para quem quer aumentar a frequência de sonhos lúcidos?

(Bruno):Eu acho que dois fatores são importantes para ter sonhos lúcidos: disciplina e a motivação, disciplina ao fazer o diário dos sonhos e ter uma higiene do sono boa, já a motivação cada um tem a sua, alguns querem ter o prazer de ter experiências impossíveis, viajar pra lugares diferentes, outros querem reencontrar entes queridos, o importante é pensar no que te motiva antes de dormir. Ter um sonho agradável é, muitas vezes, o motivo de um dia inteiro de bom humor, então por que não fazer isso de forma deliberada?

Assim como para os astronautas, para os desbravadores da mente no estado dos sonhos, disciplina e motivação são fatores determinantes para conseguir ficar consciente nos sonhos.

Bruno ainda acrescenta: “Os experimentos continuam a ser realizados no HUOL em Natal, coordenados pelo Sérgio Rolim, assim como o levantamento do padrão dos sonhos na população através do questionário:
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/10/pesquisa-investiga-o-padrao-dos-sonhos-lucidos-participe.html ,  quem tiver o interesse em ajudar na pesquisa por favor responda o questionário e faço um convite aos sonhadores lúcidos para dormirem uma noite no laboratório aqui em Natal, obrigado. “

        Tive recentemente um sonho lúcido dos bons e nessa última noite não lembrei de sonho algum. Exceto que no exato momento que despertei, flagrei-me num último momento no que parecia ser um sonho, comigo fazendo uma força extrema, para puxar uma barra, no exercício que é identificado como Pulley Frente! 
         Eu acordei sentindo a força extenuante que fazia para puxar aquela maldita barra!… Detalhe: eu havia aumentado minha carga desse exercício nessa mesma noite e me esforçado muito na execução das séries. Acordei com aquela exata sensação de quando realizei o treinamento.

Apesar de não ter sido um sonho lúcido, foi realmente engraçado presenciar meu cérebro trabalhando forte durante o estado mental dos sonhos. Eu estava literalmente “treinando pesado” enquanto sonhava! rsrsrsrs

         
        Daniel Erlarcher já demonstrou em uma pesquisa alemã(apresentado aqui nesse blog e no vídeo abaixo), resultados surpreendentes com sonhadores lúcidos que treinaram suas habilidades de arremesso, durante seus sonhos conscientes. . Conseguindo desempenho melhor ao acordar, ficamos com grande expectativa do que poderá advir nas próximas pesquisas. 

         O fascinante dessa linha de pesquisa é que ela nos permite fazer nossas próprias experimentações. Ora, considerando que qualquer sonhador lúcido pode fazer seus próprios testes de melhora de desempenho… por quê não treinar uns arremessos de moedinhas ou algo do gênero?!