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Comprovação científica dos sonhos lúcidos

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    Essa semana me deparei com a informação de que o site www.sonhoslucidos.com irá, daqui dois meses, completar DEZ (10) anos de atividade. Difícil acreditar que já passou tanto tempo desde a primeira impostação com a imagem do Morpheus de Matrix!…

    Comemorar é comigo mesmo e portanto já vou antecipar um vídeo rodado na sexta-feita do dia 01/12/2017. Filmado e editado pela Rozana Percival – mais conhecida como Bia Gatuz –  no evento aqui na Uninter de Curitiba (PR). Conforme o texto anterior, tratou-se da I SIEPA – Seminário Interdisciplinar de Estudos em Psicologia Anomalística, orquestrada pelo Dr. Fábio Eduardo da Silva.

    Coube a mim, graças ao convite da Cláudia Basso e a confiança do Dr. Fábio Eduardo da Silva, apresentar o tema dos sonhos lúcidos e deixo aqui o material para todos onironautas e/ou interessados. A palestra é pequena, mas envolve uma espécie de introdução e algumas pinceladas em temas como a filosofia da mente, experimentos neurocientíficos, psicologia, psicolofisiologia e outros. Tenho certeza que vão gostar.

Nos dias 01 e 02 de dezembro de 2017 em Curitiba, irá acontecer o I SIEPA – Seminário Interdisciplinar de Estudos em Psicologia Anomalística: Contribuições da Psicologia Anomalística para a Clínica psicológica.

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Trata-se de um evento voltado para temas relacionados a Psicologia Anomalística e também associados a Clínica Psicológica. De caráter interdisciplinar, o seminário terá o seguinte programa:

01/12 sexta-feira:

18h00 – 18h15 – Abertura e apresentação do GIEPA e da Psicologia Anomalística – Dr. Fábio Eduardo da Silva;

18h20 – 18h50 – Depressão e Experiências Anômalas na clínica psicológica – Me. Vasco Carneiro (PR);

18h55 – 19h25 – Diagnóstico diferencial entre Experiências Anômalas /Espirituais e Transtornos Mentais – Dr. Jeverson Rogério Costa Reichow – UNESC – (SC);

19h30 – 20h00 – Prevalência e relevância das Experiências Anômalas na prática profissional da psicologia: um estudo de levantamento em curso – Dr. Fábio Eduardo da Silva – Inter Psi USP e Uninter (PR) e Bela. Ana Claudia Paim da Silva – iNeuropsi (PR);

20h05 – 20h20 – Intervalo;

20h20 – 20h50 – Temperamento e Caráter: como integrar a personalidade na compreensão das Experiências Anômalas? – Dra. Leticia Oliveira Alminhana – PUCRS (RS);

20h55 – 21h25 – Psicologia Anomalística e formação profissional* – Dr. Wellington Zangari – Inter Psi USP;

21h30 – 22h00 – Sonhos Lúcidos e Experiências Fora do Corpo – Esp. Claudia Basso, Bel. e Lic. Márlon Jatahy.

02/12 Sábado;

8h45 – 9h15 – Grupo de Estudo e Pesquisa em Psicologia Anomalística e Psicologia da Religião, Experiências Anômalas e diagnóstico diferencial na disciplina de psicopatologia* – Ma. Rafisa Moscoso Lobato Mendonça Martins – Universidade CEUMA – MA;

9h20 – 9h50 – Espiritualidade e bem-estar: existe necessariamente um link?* – Dr. Everton de Oliveira Maraldi, Inter Psi USP, (SP);

9h55 – 10h10 – Intervalo;

10h10- 10h40 – Psicologia Anomalística e Clínica Psicológica* – Dr. Fátima Machado – Inter Psi USP;

10h45 – 11h15 – Fenomenologia da experiência religiosa: normalidades e (a)normalidades – Dr. Adriano Furtado Holanda – UFPR (PR);

11h20 – 11h50 – Filosofia Cínica e Psicologia Anomalística: aproximações possíveis – Dr. Everson Araujo Nauroski – Uninter (PR);

11h55 – 12h15 – Encerramento;

* Participação virtual

Local do evento:  Uninter – R. Saldanha Marinho, 131 – Centro, Curitiba – PR, 80410-150
Auditório central – Acesso somente com inscrição e documento de identidade.

Mais informações no site:

I SIEPA – Seminário Interdisciplinar de Estudos em Psicologia Anomalística: Curitiba – 1 e 2/12/2017

Existe um debate que se prolonga ao longo dos anos a respeito da natureza dos sonhos lúcidos. E foi manifestada em uma questão intrigante colocada pelo sonhador lúcido Niro, em nosso Fórum sobre Sonhos Lúcidos:

“Não… Não estou perguntando o que é um sonho lúcido! Isso eu sei pois já os tenho há muito tempo.
Mas sim: Por que eles existem? Teriam alguma função na evolução humana?

Qual a origem dos sonhos lúcidos? Poderia ser algum tipo de alteração cerebral/mental, com potencial evolutivo? Na imagem, cena do excelente filme A Cidade dos Amaldiçoados, com Christopher Reeve.

Será que são frutos de um erro? Alguma “falha” no complexo sistema de nosso cérebro. Da qual alguns seres humanos tiram proveito para se divertir? Afinal de contas o normal, pelo menos, de acordo com a maioria, seria estar totalmente inconsciente durante o sonho.”

Uma resposta especulativa, de minha parte, vai no sentido de que ainda não existe uma pesquisa conclusiva abordando esse tema. Então a gente precisa reunir alguns indícios ou pesquisas pioneiras que se aproximem um pouco do tema e ver para que lado a coisa parece apontar.

Existe duas correntes trabalhando com hipóteses divergentes:

Stephen LaBerge: defendendo que o sonho lúcido é um estado mental, sustentado pela estrutura da fase REM do sono. Significaria que estar num sonho lúcido, ainda seria estar dentro da fase REM do sono.

Alan Hobson e Ursula Voss: defendendo que o sonho lúcido é um estado mental dissociado ou uma parassonia, no qual se equivale a outros estado híbridos do cérebro, como a paralisia do sono, alucinações hipnagógicas, auditivas, hipnopômpicas etc..
Porém, se partirmos apenas dessas duas perspectivas, será que iremos para lugares diferentes?!

Análise de atividade cerebral entre os estados mentais quando acordados(o superior), no estado do sonho lúcido(meio) e em fase REM comum(não lúcido). Allan Hobson e Ursula Voss, classificam o sonho lúcido como um Estado Dissociado.

Caso seja um Estado Mental, como defende o LaBerge, fica mais aceitável que o sonho lúcido pode mesmo se tornar consequência evolucionária. Um tipo de variação da nossa mente que pode se tornar dominante, uma vez que se mostre aproveitável e seja estimulada/disseminada na nossa cultura.

Caso seja um Estado Dissociado, como defendem Ursula Voss e Hobson, poderia ficar mais difícil tornar o sonho lúcido uma ferramenta de uso para nossa espécie. Afinal sendo um estado dissociado ou parassonia, sabemos que alguns deles são mais difíceis de se induzir… mas outros estados dissociados como a paralisa do sono, também podem ser induzidos…

Ainda assim, independente da natureza de origem ou da verdadeira raiz de onde está partindo o sonho lúcido, podemos identificar um sensível progresso tanto do número de pessoas interessadas, como praticantes e também das atenções de grandes universidades e centros de pesquisas para com o tema.

Grandes centros de pesquisa e universidades na Alemanha, EUA, Inglaterra seguem se aprofundando nas pesquisas sobre sonhos lúcidos. No Brasil, tivemos o pioneirismo através da UFRN, com Sérgio Arthuro Rolim com sua tese “Aspectos Epidemiológicos cognitivo-comportamentais e neurofisiológicos do sonho lúcido”.

Fica parecendo mais razoável para mim que o sonho lúcido, sendo um estado mental, sustentado pela fase REM ou um estado dissociado, é comprovadamente passível de indução, e por conseguinte, servirá como um grande instrumento de desbravamento da mente/cérebro/consciência, bem como uma longa lista de benefícios em áreas relacionadas.

Vale ressaltar por fim, ser típico da natureza/universo, trilhar caminhos não lineares, mas muitas vezes aleatórios, como raízes de uma árvore que se expandem em direções diversas, com apreço pela diversidade, a qual é ela quem acaba amplificando maiores chances de permanência/sobrevivência.

Vejo nossa consciência nos sonhos dessa maneira. É uma porta que nos foi oferecida e que independente da forma como foi originada, estamos começando sua exploração.

Referências Bibliograficas:

(1) – Signal-verified lucid dreaming proves that REM sleep can support reflective consciousness Intenational Journal of Dream Research, volume 3, nº 1. pg 26-27 (2010).

(2) – NEUROCIÊNCIA da Mente e do Comportamento. LENT, Roberto(Coordenador).
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

FÓRUM(questão do Niro):
http://sonhoslucidos.forumeiros.com/t940-afinal-o-que-seriam-os-sonhos-lucidos

Pesquisa de Doutorado relizada por SERGIO ARTHURO MOTA ROLIM
Data: 19/06/2012. O resumo da tese de doutorado está copiado na íntegra logo abaixo:

          “O sonho lúcido (SL) é um estado mental no qual o sujeito está consciente de estar sonhando durante o sonho. A prevalência do SL em Europeus, Norte-Americanos e Asiáticos é bastante variável (entre 26 e 92%) (Stepansky et al., 1998; Erlacher & Schredl, 2011; Yu, 2008) e em Latino-Americanos ainda não foi investigada. Além disso, as bases neurais do SL permanecem controversas. Diferentes estudos observaram que a potência das frequências alfa (Tyson et al., 1984), beta parietal (Holzinger et al., 2006) e gama frontal (Voss et al., 2009) estava aumentada no SL em relação ao não lúcido.

Sérgio realizou uma pesquisa pioneira sobre sonhos lúcidos pela UFRN. A entrevista na íntegra com o pesquisador, pode ser lida aqui.

            Dessa forma, para investigar a questão epidemiológica (Estudo 1), elaboramos um questionário online sobre sonhos que foi respondido por 3427 voluntários. Em nossa amostra, 56% são mulheres, 24% são homens e 20% não responderam o gênero (mediana de idade = 25 anos). Um total de 76,5% dos indivíduos refere que lembra dos sonhos pelo menos uma vez por semana. Cerca de dois terços dos sujeitos observam o sonho em primeira pessoa, ou seja, vendo o sonho da própria perspectiva e não como mais um dos personagens do sonho. Os elementos mais comuns nos sonhos são movimentos/ações (93,3%), pessoas conhecidas (92,9%), sons/vozes (78,5%) e imagens coloridas (76,3%). O conteúdo onírico se relaciona principalmente com planos para o dia seguinte (37,8%) e memórias do dia anterior (13,8%). Os pesadelos apresentam principalmente ansiedade/medo (65,5%), ser perseguido (48,5%) e sensações desagradáveis que não envolvem dor (47,6%). Assim, sonhos e pesadelos podem ser evolutivamente entendidos como uma simulação das situações frequentes que acontecem na vida e que se relacionam com a nossa integridade social, psicológica e biológica.

         Observamos também que a maioria dos indivíduos (77,2%) relata ter tido pelo menos um SL, tendo experimentado na sua maior parte até 10 episódios (44,9%). A frequência do SL foi fracamente correlacionada com a frequência de lembrança dos sonhos .
         Para investigar mais detalhadamente as bases neurais do SL (Estudo 2), realizamos registros de sono em 32 sujeitos que não apresentam SL de forma frequente, e investigamos 6 sujeitos que apresentam SL recorrentemente. A primeira amostra foi submetida a duas técnicas cognitivo-comportamentais para induzir o SL: sugestão pré-sono (n = 8) e incubação de estímulos do ambiente (pulsos de luz) no sonho durante o SREM (n = 8). Um grupo controle não foi submetido a nenhuma das duas técnicas (n = 16). Os resultados indicam que é muito difícil induzir SL em laboratório, uma vez que conseguimos obter apenas um SL em um sujeito, que era do grupo em que aplicamos a técnica de sugestão pré-sono. O sinal eletroencefalográfico deste voluntário apresentou pulsos de ritmo alfa (7-14Hz) anteriores ao SL, de forma breve (aproximadamente 3s), sem alteração significativa do tônus muscular e independente da presença de movimentos oculares rápidos. O SL desse sujeito apresentou também uma maior potência de alfa (7-14Hz) na região parieto-ocipital, diferentemente do resultado observado por Tyson et al. (1984), que encontraram um aumento na frequência alfa, porém de forma não-localizada, ou seja, em média para todos os canais.

         Além disso, observamos também um aumento de gama (20-50Hz) na região temporo-parietal direita, como encontrado por Holzinger et al. (2006). Entretanto, esses autores observaram um aumento na faixa de frequência beta (e não em gama). Nos 6 indivíduos que frequentemente têm SL, este estado apresentou em média um aumento de potência em gama alto (50-100Hz) na região frontal em comparação com o SREM não-lúcido, como observado por Voss et al. (2009); no entanto, isso não foi consistente entre todos os 6 voluntários e pode ser devido a uma contaminação decorrente dos movimentos oculares.

Participaram da pesquisa 6 voluntários com sonhos lúcidos frequentes, dentre eles Bruno Grego, cuja entrevista pode ser lida aqui.

    Como conclusão, nossos resultados preliminares sugerem que o SL apresenta diferentes características neuro-psico-fisiológicas dos estados típicos de SREM e vigília:

    1) um aumento da potência da oscilação alfa em regiões parieto-ocipitais pode estar correlacionado a uma maior vividez visual do SL em comparação com o sonho não-lúcido;

     2) os pulsos de alfa anteriores ao SL poderiam ser micro-despertares, que facilitariam o contato do cérebro durante o sono com o meio externo, favorecendo a ocorrência do SL e fortalecendo a noção de que o SL seria um estado intermediário entre o sono e a vigília; 3) dado que as regiões temporo-parietal direita e frontal estão relacionadas com processos de formação da auto-consciência e imagem corporal, sugerimos que a ativação destas regiões durante o sono pode ser o mecanismo neurobiológico subjacente ao SL.”

Fonte:
http://www.sigaa.ufrn.br/sigaa/public/programa/defesas.jsf?lc=pt_BR&id=367

 
   Dando prosseguimento sobre a mais recente pesquisa divulgada, pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria de Munique, Alemanha, publicado originalmente pelo periódico Sleep, vou abordar outros interessantes elementos desse estudo que envolveu o mapeamento das regiões do cérebro durante os sonhos lúcidos.

Figura 1 – Atividade apresentada durante o sonho lúcido. As áreas coloridas implicam em  maior atividade durante a fase REM do sono; hemisfério esquerdo (A), hemisfério direito (B), vista cortando ao meio/centralmente(C).

 
   O perfil dos Sonhadores Lúcidos
   Participaram do experimento, quatro pessoas com boa experiência em atingir a consciência durante os sonhos, pelo menos duas vezes por semana, capazes de adormecer em posição fixa em decúbito dorsal(barriga pra cima) e com bastante barulho(em especial das máquinas de ressonância magnética).

Experientes sonhadores lúcidos, com frequencia mínima de 2 sonhos lúcidos por semana, entre 4 até  20 anos de  experiência, participaram do projeto. Na imagem, cena do ótimo Total Recall – O Vingador do Futuro.

    Os sonhadores lúcidos recrutados, com idades de 27, 29, 31 e 32 anos, com tempo de experiência respectiva de 4, 20, 17 e 5 com sonhos lúcidos, passaram por monitoramento durante 2 até 6 noites sucessivas(15 noites no total), dependendo da disponibilidade.

   Análise dos Resultados


   O mapeamento das imagens durante os sonhos lúcidos apresentou padrões de atividades em regiões específicas do cérebro. Corroborando os estudos apresentados por Ursula Voss, na ocorrência dos sonhos lúcidos, aconteceu um aumento da atividade no córtex dorsolateral pré-frontal direito. Essa região é conhecida por estar associada a uma alta atividade/capacidade cognitiva.

   Durante os sonhos normais, a memória está fortemente prejudicada. Com a ativação da região cerebral do córtex dorsolateral pré-frontal direito, combinado com o lobo parietal, também identificado durante os sonhos lúcidos, resultou a capacidade de memória dos sonhadores lúcidos que são capazes de não só perceber que estão sonhando, como também recordar de planejamentos realizados no estado desperto, como os testes que realizam nos laboratórios de sono. Também foi observado aumento de atividade do lobo frontal que é reconhecida por ser responsável pela resolução de problemas, controlar impulsos, fazer julgamentos morais, guardar memória emotiva de longo prazo e analisar sentimentos…

   Nesse ponto, cabe relembrar uma entrevista que tive o privilégio de fazer com o médico-pesquisador brasileiro Sérgio Rolim, em que foi comentado sobre a possibilidade de estímulos externos nessas regiões possibilitando a indução da consciência nos sonhos:

MJ: As máscaras de indução de sonhos aparentemente não se revelaram tão eficientes… será possível uma tecnologia eficiente para indução de sonhos lúcidos? Como seria?

 Rolim: “Ainda no doutorado, ou talvez no pós-doutorado, gostaria de tentar induzir o sonho lucido com técnicas como TMS = transcranial magnetic stimulation ou TDCS = transcranial direct current stimulation (em colaboração com o Bruno Grego que está estudando essa técnica), que servem para estimular áreas específicas do cérebro de forma não invasiva, sem dor. Como o sonho lucido está relacionado a uma ativação frontal, a ideia é estimular a região frontal durante o sono REM para ver se dá para induzir um sonho lucido.”

Fontes:

 Martin Dresler; Renate Wehrle; Victor I. Spoormaker ; Stefan P. Koch; Florian Holsboer; Axel Steiger; Hellmuth Obrig; Philipp G. Sämann; Michael Czisch. Neural Correlates of Dream Lucidity Obtained from Contrasting Lucid versus Non-Lucid REM Sleep: A Combined EEG/fMRI Case Study. Sleep, Vol. 35, nº 7 – 2012.






   Em recente pesquisa promovida pelo Instituto Max Planck (Alemanha), quatro experientes sonhadores lúcidos foram submetidos a novos exames em laboratórios de sono, de Ressonância Magnética Funcional (fMRI) e EEG – Eletroencefalograma. O objetivo foi investigar os padrões neurológicos dos sonhadores lúcidos que são ativados quando esses conseguem ficar conscientes nos sonhos(sonhos lúcidos).

Sonhador Lúcido entrando na máquina de Ressonância Magnética. Foto do Instituto Max Planck.  Foram 4 experientes sonhadores lúcidos que participaram da pesquisa.

   O que difere fundamentalmente o sonho comum do sonho lúcido é a consciência. No sonho lúcido somos capazes de manter a percepção de que tudo ali é meramente um sonho. Essa investigação promove um fascinante avanço, usando os sonhos lúcidos como poderosa ferramenta, na busca pelos fatores que determinam ou que possibilitam a presença da consciência.

   As áreas do cérebro identificadas estão normalmente desativadas durante os sonhos REM comuns. Porém, durante o sonho lúcido, mesmo com o padrão de ondas cerebrais registrados, típicos da fase REM do sono, foram determinadas regiões cerebrais fortemente ativas, se comparadas como os sonhos não-lúcidos da fase REM. Que foram: áreas específicas da rede cortical, incluindo o córtex prefrontal dorsolateral, as regiões frontopolares e o lóbulo quadrado (precuneus).

    O que há de comum entre o estado desperto e o sonho lúcido? Ora, quando estamos acordados, nossos cinco sentidos estão recebendo estímulos externos, nossos músculos funcionam, recebendo os comandos do cérebro e estamos conscientes de estar fora da cama, temos memória de quem somos, na realidade que vivemos, etc..

Cena do fime Inception – A Origem.

  Quando sonhamos(especificamente na fase REM do sono), ainda sem considerar o sonho lúcido ou consciente, os estímulos externos são quase totalmente bloqueados, nossos músculos param de receber comandos do cérebro e ficamos submetidos a rigidez do sono ou atonia muscular da fase REM. Nesses sonhos tão vívidos e emocionalmente intensos, participamos dos sonhos, porém sem estar conscientes de que tudo ali é meramente um sonho.

   No momento em que transformamos o sonho comum num sonho lúcido, conseguimos ativar nossa consciência. Sabemos que estamos presentes em meio a todo um universo próprio e exclusivamente mental. O grande êxito está em fazer brotar e manter essa consciência ativa, durante o estado mental dos sonhos.

   O estudo a que me refiro nesse post, caminha no sentido de explorar os mecanismos que passam a atuar, a partir do momento em que os sonhadores lúcidos, conseguem manifestar a consciência nos sonhos. Esse processo foi flagrado e não há dúvida que é um grande passo nas pesquisas sobre o cérebro, mente, sonhos e a consciência.

Fontes:

 Martin Dresler; Renate Wehrle; Victor I. Spoormaker ; Stefan P. Koch; Florian Holsboer; Axel Steiger; Hellmuth Obrig; Philipp G. Sämann; Michael Czisch. Neural Correlates of Dream Lucidity Obtained from Contrasting Lucid versus Non-Lucid REM Sleep: A Combined EEG/fMRI Case Study. Sleep, Vol. 35, nº 7 – 2012.

http://www.journalsleep.org/ViewAbstract.aspx?pid=28569

http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/pesquisadores-desvendam-mecanismos-dos-sonhos-conscientes-01082012-18.shl

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=sonhos-lucidos-consciencia-humana&id=8013