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Experimentos em Sonhos Lúcidos:fronteiras da consciencia.

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    Será que seremos capazes de acessar memórias do nosso subconsciente? Lembranças que no estado desperto sequer sabíamos que estavam gravadas em algum lugar do nosso cérebro? O sonho comum já nos parece fazer um pouco disso. Prova disso é quando dormimos tentando lembrar de algo e amanhecemos com a resposta pronta. Porém, o tema proposto aqui vai no sentido da possibilidade de conseguirmos acessar essas memórias do subconsciente, através dos sonhos lúcidos, ou seja, deliberadamente.

Cena do Filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. 

 
    A inteligência, memória, nossas percepções ou nossos cinco sentidos, as emoções… sempre foram assuntos que me fascinaram. A consciência, mente e o cérebro então me deixam tarado, como não parece difícil de perceber, passeando um pouco por esse blog.

    Existem possibilidasdes bem interessantes quando a gente trata da consciência durante o estado mental dos sonhos. O próprio estudo da consciência e seus mecanismos já está em andamento. Outras pesquisas se voltam para o aprimoramento de habilidades que envolvam coordenação motora. Na psiquiatria se observa uma aproximação, com a chance de auxílio, nos estudos de tratamento para certas psicoses… e são apenas alguns estudos que conhecemos que já estão em andamento. No Brasil também temos pesquisadores pela UFRN envolvidos nesse campo de pesquisa, conforme entrevistas já publicadas por aqui.

   Numa conversa mais antiga com um velho amigo meu, eu já estava apaixonado pela hipótese de explorar a memória durante os sonhos lúcidos. Trata-se de um caminho que sempre vou querer mergulhar fundo pra ver até onde vai a toca desse coelho. Eu penso que a memória pode ser um objeto de estudo, envolvendo a consciência nos sonhos.

Outra cena do filme supra-citado.

   Essa noite talvez tenha dado mais um pequeno passo nessa exploração.

   Durante o estado desperto ou acordado, fiz o exercício mental de reunir um total de 9 lembranças mais antigas. Nove flashbacks que remontam a cidade de Braço do Norte, Santa Catarina, formando os primeiros filminhos da minha mente, das minhas primeiras impressões conscientes sobre o mundo. Era 1978 e eu tinha 3 anos de idade. Em 1979 já estávamos em Urussanga(SC) e lá fiz meu aniversário de 4 anos.

   O experimento com memória e o “Supersonho Lúcido” vou publicar em breve. Faço questão de fazer esse post prévio, ressaltando a matéria-prima com que trabalhei.

   Há um experimento anterior em que já publiquei aqui e ele foi trabalhado em cima de um desses primeiros flashbacks de memória.

   A idéia é que no momento do sonho em que eu fico consciente, vou realizar um experimento tentando descobrir alguma memória nova que no estado desperto eu não tinha conhecimento.

Recordação Antiga:
   Essa recordação em questão se trata de uma visita que meus pais fizeram comigo no apartamento de uma família amiga. Nessa visita eu observei chocado, olhando para dentro de um quarto que alguém estava com a cabeça solta. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo e as pessoas ali dentro pareciam se divertir com o meu jeito(fim da lembrança).

No próximo post, irei expor como foi o experimento, com todos detalhes e rotina que me fez chegar ao “Supersonho Lúcido”.
 

 

      Uma das primeiras coisas que volta e meia alguém me pergunta é sobre números da mega-sena ou da loteria nos sonhos. É possível, em meio a um sonho lúcido, desejar, encontrar e visualizar eles?

       Sim. Qualquer um pode experimentar e na maioria das vezes os números surgirão borrados, embaralhados ou pululando de modo errático. Eu tive a oportunidade de testar isso várias vezes. Até que finalmente descobri uma maneira interessante e de boa eficiência.

Será possível conseguir, em meio a um sonho lúcido, visualizar números da sorte?

       Em meio a qualquer tipo de sonho, seja consciente ou não, sempre será difícil para estrutura natural do sonho, manter a estabilidade ou mecanicidade típicas do mundo do estado desperto. Nossa mente sempre irá emular o real. Nossa criatividade,  imaginação, memórias e a psicodelia típicas do estado mental dos sonhos, encarregar-se-ão de dar um show que resultará em pouco espaço para números bonitinhos e bem gravados em Times New Roman. 

      Lá vai então um dos meus preciosos segredos… mas reparem que mesmo dominando essa técnica, ainda não consegui ficar multi-milionário. Ainda. rsrrsrsrsrs  Chamo ela de:

        Técnica da olhadinha pro lado

         Quando mais uma vez conseguir ficar consciente num sonho e quiser encontrar números para jogar na loteria, mega-senna ou o que for, faça o seguinte:

          1) Procure por uma porta.

           2) Quando encontrar essa porta, deseje que atrás dela, nesse recinto, você vai encontrar uma televisão.

           3) Nessa televisão surgirá números da sorte.

            4)Olhe para a tv, memorize o número, olhe para o lado e volte a olhar novamente para a televisão. É fundamental uma olhada rápida que não deixe tempo para o número se embaralhar. ;D  Esse que é o pulo do gatão aqui ;))

            5) Faça a repetição de olhar para tv e para o lado até reunir a quantidade de números que precisa.

         Repare que em vez da TV também poderia servir outros objetos como um quadro-negro, um quadro, reflexo num vidro, etc..

Uma televisão, um quadro-negro ou reflexo no vidro.. não importa o objeto, basta escolher um deles e a cada  olhada, virar para o lado e olhar novamente para visualizar o novo número.

        
       Para lembrar dos números:
   
        Eu já cheguei ao ponto de ficar cantarolando a sequência dos números…! Lembro que queria fazer um experimento e acabei colhendo os números antes. Então durante todo um experimento fiquei cantando e batucando pra não esquecer aqueles números da sorte.

  
              

  Será que existe um horário mais adequado para despertar e recordar os sonhos? As experiências nos laboratórios do sono apontam para o maior índice de incidência de sonhos lúcidos, durante as fases REM do sono.

Conseguir se condicionar a despertar durante alguma fase REM após a 6a hora de sono aumentará as chances de conseguir ter sonhos lúcidos.

   Quando acordamos, precisamos realizar as anotações o mais rápido possível. A capacidade de recordação do sonho vai diminuindo na medida em que passa o tempo. Como acontece no estado desperto, se não exercitamos a lembrança de algo que queremos recordar no futuro, iremos esquecendo dos detalhes, proporcionalmente na medida que o tempo for passando. Recomenda-se relembrar o sonho, repassar ele mentalmente e daí sim passar para o Diário de Sonhos.

   Ora, se existe uma fase especial do sono que nos apresenta maior índice de sonhos lúcidos, parece natural passar a tentar despertar o mais próximo possível desse intervalo. As últimas fases REM, a partir da 7a e 8a hora de sono, podem chegar até a 45 minutos de sonhos. Sonhos intensos e vívidos, como são naturalmente as fases REMs do nosso sono.

As fases REMs tardias, após a 6a hora de sono, podem proporcionar até 45 minutos de sonhos intensos, vívidos  e oxalá  lúcidos.

    Quer flagrar alguém nesse precioso momento de sonhos emocionantes? Basta observar o movimento dos olhos sob as pálpebras. Apesar de dormindo, essa pessoa movimentará os olhos de um lado para outro rapidamente. Por isso se chama  R E M: Rapid Eye Movement ou “movimento rápido dos olhos”.

    Caso alguém seja despertado de maneira apropriada, sem matar de susto, serão grandes as chances desse(a) sonhador(a) relatar de imediato algum sonho que estava tendo. Pode acontecer de lembrar fora da fase REM(sem estar movimentando os olhos), mas serão sonhos desprovidos de vividez e emoções.

    Métodos como o MILD e WBTB foram criados, justamente para explorar esse conhecimento de que nessas fases de REM tardias, consegue-se ter uma chance maior de despertar durante esses sonhos intensos e proporcionalmente, com a mente mais descansada, realizar a indução da consciência nos sonhos.

Escolha um fim-de-semana, um feriadão ou suas férias e explore quais são os horários mais férteis para despertar e recordar facilmente seus sonhos.

    Pode-se experimentar, preferencialmente quando estiver num fim-de-semana, feriadão ou férias, programar o despertador para despertar em alguns períodos do sono e calcular pela 5ª, 6ª até o fim do sono, quais horários são mais adequados na sua rotina para despertar e coincidir com essas fases tão cheias de sonhos.

     Durante minha adolescência eu incomodava meus colegas de pensão um bocado, mas admito que era bem ignorante e programava aleatoriamente para despertar durante a madrugada. rsrsrsrsrs

 

    Elementos comuns nos meus sonhos lúcidos mais intensos e que vejo como presença marcante nos relatos dos onironautas são: a dinâmica do movimento e a realização de algo que tenha planejado no estado desperto.

É muito importante planejarmos fazer algo nos sonhos. Qualquer coisa. Isso  ajuda a evitar  alguma possível desorientação ou aquela euforia que podem nos fazer despertar rapidamente.

    Pode ser experimentar ouvir música, cheirar uma flor, voar, experimentos com memória(tentar recordar de coisas que nem lembrava no estado desperto), nível de consciência(questionar a própria idade, ano que nasceu, etc..), fazer uma pintura ou criar uma melodia… fazer sexo ou experimentar uma outra forma de ser! Quem sabe conhecer seu Eu do outro sexo?!

    Uma vez planejei no estado desperto que observaria meu reflexo no espelho e que relataria o resultado. Era um “Desafio” da comunidade do Orkut. Naquele sonho, pela primeira vez vi meu reflexo como uma mulher! Caramba e que mulherão que eu era! rssrssrsrs

    Procurar manter uma dinâmica de movimento(caminhar, voar ou correr) nos sonhos, ir atrás de algo que planejou… aplicar ferramentas de controle indireto como portas ou esfregar as mãos… penso que tudo isso é importante para não deixarmos escapar a consciência e o fluxo da estrutura do sonho em si.

Evite ficar parada(o) num lugar. Mexa-se. Caminhe ou corra pela paisagem.  Levante vôo! O importante é contribuir para que o fluxo da estrutura do sonho possa se manter ativo.

    De um modo mais simples, é como se nosso movimento nos sonhos, seja caminhando, correndo ou voando pelo fluxo da narrativa que nos é apresentado, tornasse a estrutura do sonho mais estável. Isso vai de encontro as frustrações dos onironautas que erroneamente buscam controlar forçadamente o sonho.

    Caso queira realizar algum desejo nos sonhos, o grande macete sempre será fazer isso de maneira sutil, indireta, como por exemplo o uso das portas. Virar-se 180º também pode funcionar. Mas cuidado para não rodopiar. O rodopio é usado como técnica de prolongamento do sonho lúcido. As portas também servem(e muito), mas tem menos risco de um falso despertar.

    PS: em anexo ao post uma excelente reportagem do jornalista Bruno Torturra, pela revista TRIP, de um curso que fez no Hawai, com ninguém menos que o próprio Stephen LaBerge.

   Já relatei por aqui minha primeira experiência de controle dos sonhos, enfrentando um pesadelo, transformando-me no Hulk.
   Era uma época de pesadelos frequentes. Porém chegou um tempo, em que durante meus sonhos, eu conseguia com frequência, perceber que estava sonhando. E rapidamente corria fazer coisas como levantar vôo ou lançar raios, aproveitando ao máximo o tempo que durasse toda aquela fabulosa experiência.

Poder explorar os sonhos, mantendo a consciência de que estamos num sonho criado por nossa mente,  nos dá uma liberdade difícil de ser imaginada. 

   Em outros sonhos eu me transformava em super-heróis, criava muitos personagens e alienígenas!… Um universo fantástico e acredito que muito bem estimulado pelas leituras de livros, como Tarzan e Perry Rhodan, os quais meu pai, pacientemente, revezava a leitura comigo.

   É interessante notar que tanto naquela época, assim como atualmente, parece ser possível distinguir uma espécie de sonho. Trata-se de um estado mental, durante os sonhos, em que apesar de existir essa percepção de estar apenas sonhando, não consigo ir além da capacidade de apenas assumir a narrativa. Posso me tornar um ser poderoso, um semi-deus capaz de varrer qualquer tipo de ameaça ou pesadelo que tente me atormentar.

Uma das partes mais divertidas num sonho lúcido é a oportunidade de usufruir da mais plena liberdade, criar, fazer e sentir e abusar dos desejos.

   Nesse tipo de sonho, parece-me cada vez mais claro, não haver presença da consciência como almejamos durante os sonhos lúcidos ou conscientes. Pelo menos falta a capacidade, por exemplo, de recordar experimentos planejados durante o estado desperto.

   Eu vibro muito durante um sonho lúcido, quando estou voando e tentando lembrar… “espera aí! O que eu havia planejado fazer quando ficasse lúcido num sonho?!”

   Quando em seguida vem a lembrança: “Ah! Eu queria tentar encontrar a primeira casa que eu não consigo lembrar… da época dos meus 3 anos de idade!…”

   Situações como essa exemplificam fatores que parecem determinar a presença incontestável(ao menos para o próprio sonhador) da total força da consciência.

    Vou elencar alguns elementos fundamentais:

– em primeiro lugar, a percepção de estar sonhando,

– conseguir se manter no sonho, evitando o despertar.

– capacidade de recordação de planos elaborados no estado desperto.

– uso de técnicas para manipular ou controlar o sonho(até mesmo sua duração).

    Numa situação em que estejam reunidos todos esses elementos no sonho, o sonho lúcido pode estar acontecendo com um espécie de “superconsciência”. Até que ponto, podemos determinar as diferenças do nosso modo de ser, comparando esse estado mental, com o estado desperto?

Será possível atingir um nível especial de consciência nos sonhos, em que seremos capazes de acessar  nossa mente, sob certos aspectos, de maneira mais eficiente do que no estado desperto?(Na imagem, uma cena do filme Prometheus – achei ótimo!).

    Poderemos acessar memórias inacessíveis do estado desperto? Simular soluções para problemas em que trabalhamos com afinco? Quem sabe, aprimorar nossa própria maneira de ser, explorando características, qualidades e defeitos que não conseguimos vislumbrar quando estamos acordados?

   Que nossa mente é capaz de trabalhar de maneira diferente, enquanto sonhamos, está bem claro. Considerando a quantidade de exemplos de cientistas, pintores, inventores, escritores e filósofos com incríveis relatos de experiências com sonhos… podemos sim investir em experimentos, com o objetivo de acessar e explorar esse tão fascinante caminho.

      A madruga de 5 de junho foi especial. Fazia algum tempo que eu queria fazer a experiência de encontrar Deus nos meus sonhos. Tinha deixado o audacioso plano um pouco de lado, para fazer a do sexo com orgasmo e experimentar o olfato.

Fazia um bom tempo que eu planejava realizar a experiência de encontrar Deus nos meus sonhos.

      Eis que nessa noite, finalmente fui executar o plano.

Rotina:
Fui dormir próximo da meia-noite. Tinha treinado pesado entre 18:30 até 19:40h, minha musculação na academia.

      Em casa comi um sanduba, um suco industrializado com muita vitaminha C, um suplemento, uma banana e umas bolachinhas de chocolate para bombar o pânceps!

      Pensava em alguns pequenos problemas, mas limpei a mente e foquei meu desejo de ficar consciente num sonho e procurar Deus nele.

Dentro de uma casa, ao erguer minhas mãos, sem mesmo chegar a olhar para elas, tive certeza estar sonhando. Yeah!!

Ao erguer minhas mãos, sem ao menos chegar a contemplá-las, tive certeza estar sonhando.

“Agora então vamos lá! Vou encontrar Deus.” Saí em direção a porta de um recinto. Abri-a e dentro dele, ninguém.

Ao voltar, pela mesma porta, desejei que do lado de fora Deus surgisse. Porém… nada!…

Entrei novamente, usando outra porta, num outro quarto e mais uma vez sem resultado.

De repente me veio uma idéia, pensamento ou voz na minha mente, muito forte: “siga a luz e encontrará!”.

Olhei para a janela da casa e havia muita luz lá fora. Parecia um solzão de rachar.

Ao sair, estranhamente não estava quente e voei em direção a luz. Não fui para cima, mas voando rumo a um horizonte, de onde parecia vir a luz.

Pousei num lugar e ao olhar para fonte, eis que uma árvore grande, com troncos enormes, cheio de curvas se revelaram para mim. Fiquei emocionado com a magnitude de tamanha beleza. Ela irradiava puramente a perfeição. Fui inundado por ela e acordei.