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Reality Checks ou Testes de Realidade

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A Técnica das Portas serve para prolongar e controlar a experiência do sonho lúcido. As portas podem ser uma das mais poderosas ferramentas da consciência. Sempre serão um dos maiores símbolos de passagem de um ambiente para outro. E na estrutura mental dos sonhos lúcidos, parecem ganhar uma dinâmica toda especial, na intima relação entre desejo x inconsciente.

Abrir uma porta no Sonho Lúcido, pode trazer um processo fascinante, com referência ao estado desperto. Também irá nos levar a um novo ambiente. Ao desejarmos algo em especial, podemos realizar uma equilibrada troca com o inconsciente: oferecemos um desejo honesto, ele nos retorna uma criação em cima disso.

Chamo de Técnica das Portas, uma das ferramentas mais eficientes – ao menos para mim – de interferência no sonho. Ideal para quem deseja prolongar o sonho, fazer aparecer alguém, um objeto ou cenário. Abordei algumas vezes sua utilidade e agora me atenho em sua aplicação detalhada.

Cabe destacar, a existência de uma grande diferença entre “controlar um sonho” e ficar consciente nele. Isso é constantemente debatido em nosso Fórum e Grupo sobre Sonhos Lúcidos. Aqui no site, alguns textos tratam disso, especificamente sobre essas diferenças. A conclusão mais comum – incluindo a de Stephen LaBerge é de que o esforço de tentativa de “controle do sonho” é inversamente proporcional a sua duração. Em poucas palavras: tente forçar o controle do seu sonho e você acordará mais rápido.

No livro Sonhos Lúcidos, de Stephen LaBerge, verificamos alertas do autor sobre evitar querer controlar os sonhos, quando ficamos conscientes.

Fica claro que não se deve ter como objetivo controlar o sonho. Trata-se de um erro mais comum para aquele que ainda não compreende que sonho lúcido é apenas estar consciente no sonho. Somos intrusos, munidos de nossa consciência, no estado mental dos sonhos. E é preciso que se respeite de maneira adequada essa estrutura. O Reino do Inconsciente.

Em situações nas quais eu desejo realizar algum experimento, brincadeira ou desafio, normalmente eu uso alguma porta ou estico meu braço para trás de outros objetos, desejando MUITO encontrar o que quero. Nunca deixou de funcionar.

No caso das portas, elas parecem funcionar como algo totalmente relacionado com o inconsciente. Eu não desejo coisa alguma em pormenores. Apenas alguém ou alguma coisa. Uma idéia de algo, mas destituída de detalhes.



Caso nos seus sonhos, sejam frequentes a presença de casas, aproveite a oportunidade para se utilizar de suas portas. Na imagem, uma antiga casa em que morei na minha infância.

 

Saber Desejar é a Chave

Num sonho lúcido recente, eu brinquei – participando de um Desafio Lúcido, com outros sonhadores lúcidos – de procurar uma Lâmpada Mágica, estilo Alladin.

No sonho, ao avistar uma cantina, percebi alguns objetos por ali e lancei minha mão sobre os artefatos, tateando, sem olhar diretamente e DESEJEI intensamente que a lâmpada do gênio fosse encontrada.

Gosto de lembrar sempre que os nossos sonhos são produtos do inconsciente. Temos que mentalizar, rebolar ou dançar nessa margem. Esqueça querer controlar algo diretamente. DESEJE algo mais ou menos desse jeito que tenho feito e deixe o Inconsciente ou a narrativa automática do sonho desenrolar o nó para você. É como se o inconsciente precisasse de espaço para aflorar toda sua força criativa. Devemos então, trabalhar nesse limiar entre o desejo consciente e criação inconsciente.

      Usando a Técnica das Portas

“(…)Nesse momento me esforcei para lembrar o que havia planejado no Estado Desperto. Lembrei que eu tinha pensando em saber a resposta do meu inconsciente sobre “qual seria a Mulher Ideal para mim”.  Adentrei mais para o fundo da casa e abri uma porta mas nada encontrei… era um recinto vazio… e pensei… bom, vou fazer de um jeito um pouco mais desejável… de maneira mais visceral eu desejei muito encontrar minha mulher ideal.

Abri a mesma porta agora lá de dentro daquele recinto onde seu estava, estiquei minha mão para que a minha mulher ideal a tomasse e… desejando intensamente que essa fosse minha mulher ideal…  eis que surgiu uma mulher loira, de cabelo curto, pele clarinha e sedosa a qual acariciei com minha mão. E com vibrantes olhos escuros ela me fitava!…”

Parece existir uma forte relação, muito íntima entre portas e o inconsciente. Quando pensamos em portas no estado desperto, visualizamos uma passagem, para algo que está encoberto. Ao abrí-la, podemos acessar todo seu conteúdo. É uma analogia cabal com o inconsciente que permanece normalmente inacessível quando estamos acordados. Mas que nos sonhos, domina toda nossa estrutura mental. A presença da porta, nos permite bater um carimbo, sobre o que visceralmente estamos desejando. Nada que vá violentar o que o inconsciente está naturalmente nos trazendo.

Referência Bibliográfica:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

Uma das ferramentas mais simples para auxiliar na indução de sonhos lúcidos, é fazer um pequeno exercício de olhar para as mãos, durante poucas vezes ao dia. Isso é chamado de Reality Check ou Teste de Realidade. Existem diversas maneiras de se fazer um reality check. Pode ser acionando interruptores, observar a hora num relógio, puxar um dedo da mão, questionar-se como chegou até aquele local etc.. Nesse post vou dissecar mais essa incrível ferramenta de indução, mas vou me ater ao teste de realidade das mãos ou reality check das mãos.

As mãos nos sonhos tendem a refletir muito como de fato funciona a realidade sonhos: pouca lógica ou mecanicismo. O que a torna uma das ferramentas mais interessantes na indução de Sonhos Lúcidos. Na imagem, “A Mão”, de Salvador Dali.

Um reality check vai estimular ou nos condicionar, para em momentos específicos, trazermos à tona um pensamento crítico-reflexivo: “estou sonhando ou não?”

Os momentos ideais:

Certos momentos em nossas rotinas se destacam por algum tipo de peculiaridade. Preferencialmente, fique atento para eventos surpreendentes, situações que você perceba – observando seu Diário de Sonhos – ocorrerem com mais frequência nos sonhos, acontecimentos esdrúxulos ou até mesmo quando tiver que esperar em alguma fila, uma viagem ou de ócio. Em se encontrando em algum desses momentos, olhe discretamente para pelo menos uma de suas mãos e se pergunte:  “Estou sonhando ou não?”

Certos momentos no nosso dia-a-dia podem ser bem especiais para realização de um Reality Check. Não é preciso exercitar muitas vezes. Seguindo o Método de Tholey, parece razoável ficar entre 5x até 10x ao dia no máximo. O que importa é a qualidade da reflexão naquele momento.

Explicando a indução:

O mecanismo é bem simples. Ao se criar o condicionamento de questionar a realidade no estado desperto, invariavelmente esse tipo de comportamento será levado para os sonhos. Assim, mais cedo ou mais tarde, durante um sonho qualquer, ao vivenciar o mesmo tipo de evento, o comportamento condicionado será acionado, de forma automática(ainda não consciente ou lúcido) e ao se deparar com sua mão, eis que a estrutura inconsciente do seu sonho receberá um convidado muito especial: sua consciência!…  A sensação para quem nunca experimentou um sonho lúcido é assombrosa. É como visitar o interior da sua mente pela primeira vez. Numa espécie de mundo mental particular ou um emulador de realidade… se prepare para ser tomado pela euforia, descontrole, risos e exultação. Humilha todos os tipos de drogas ou alucinógenos indubitavelmente.

Como a mão é observada?

Varia bastante de pessoa para pessoa, mas como no estado mental dos sonhos, a lógica e o mecanicismo cedem um espaço colossal para a criatividade e imaginação, deixo a cargo do leitor, os infinitos tipos de mãos que poderão ser vistos.

O índice de eficiência

Sempre defendo que o reality check deve ser usado como uma ferramenta suplementar ao Diário de Sonhos e um bom Método de Indução(Tholey, WBTB, MILD…). Utilizando apenas o reality check a frequência de sonhos lúcidos pode ser baixa, mas ao aplicar junto com algum desses métodos e o Diário, suas chances irão aumentar sensivelmente.

Com o tempo…

Algo muito interessante aconteceu comigo nesses últimos anos.  Não me considero um sonhador lúcido de alta frequência – bons voluntário, típicos de laboratório de sono, conseguem ficar conscientes em média 2 noites por semana – pois minha frequência é errática, mas ficando consciente em média 1 noite a cada 10 dias. Ainda assim, nos últimos anos reparei que eu mal chego a olhar minhas mãos nos sonhos. Apenas começo a pensar em olhar para elas e já sei que estou sonhando.

Minha hipótese é que com o tempo, vamos nos familiarizando a tal ponto com a estrutura do sonho que ao começarmos a execução da rotina condicionada, de olhar para as mãos nos sonhos, imediatamente já reconhecemos se tratar de um sonho. A tessitura da estrutura do sonho é rapidamente flagrada, antes mesmo de precisar olhar para as mãos.

Com o tempo, esse gatilho de consciência que são os reality checks, são acionados cada vez mais rapidamente ao ponto de nem precisarmos completar sua execução, com o processo se desencadeando de maneira quase imperceptível.

Exemplos de aplicação do Reality Check:

Tempos atrás eu estava sonhando muito que voava. Minha forma de locomoção nos sonhos de repente era só voando!… Aquilo chamou minha atenção e assim que percebi, passei a aplicar meus reality checks das mãos, imaginando-me durante o estado desperto que estava voando. Tive êxito logo em seguida. Na época aplicava Tholey com os Reality checks, sempre usando o Diário.

Caso esteja sonhando muito com gatos, acidentes, pássaros ou qualquer outro tema recorrente, pode aproveitar as situações em que acontecerem no dia-a-dia.

Prosseguindo o tema sobre as maiores dificuldades para ter um sonho lúcido, vamos recordar o que foi reunido até aqui:

1º – Diário de Sonhos: crucial para exercitar a capacidade de recordar os sonhos e reconhecer a estrutura do próprio sonho, aumentando as chances de flagrar conscientemente o estado mental do sonho.

2º – Qualidade do Sono: tema de capa da revista Superinteressante desse mês: “Nunca dormimos tão mal”.

É interessante comentar ainda sobre a qualidade do sono, do grande calcanhar de aquiles da maioria dos sonhadores lúcidos(eu incluído) com quem mantenho contato. Fica difícil dar atenção ao sono e aos sonhos quando nossa vida desperta está sempre naquele ritmo alucinante. Porém tão importante quanto a alimentação, o sono também vai ser protagonista em nos dar disposição e força mental para tudo.

Reportagem de capa da Superinteressante de novembro de 2013.

 Reality Checks ou Testes de Realidade


Avançando um pouco e tratando dos Reality Checks. É uma ferramenta auxiliar ou suplementar ao Diário de Sonhos e a um bom Método de Indução, mas que pode trazer ótimos resultados se acompanhados de uma boa carga reflexiva e autossugestão.

O termo “Teste de Realidade” cai perfeitamente bem, pois ao nos condicionarmos em realizar essas ações no estado desperto, acabamos executando essas mesmas ações durante os sonhos. E por lá a realidade poderá se comportar de maneira bem diferente…

Sabe-se que os mais consagrados costumam trazer algum resultado: olhar para as mãos, acionar um interruptor, puxar um dedo da mão tentando esticá-lo, observar um relógio etc..

São ações simples, capazes de nos fazer perceber durante os sonhos que estamos apenas sonhando. A grande mágica é que no sonho a lógica e o mecanicismo não vão funcionar direito e por se tratar de um simulação mental, por vezes tentando emular a realidade desperta, resultará em erros, seja um interruptor que em vez de acender e apagar a luz quando o acionamos, resolve disparar luz estroboscópica, seja ainda uma mão com dezenas de dedos pequeninos, gigantes ou deformados.

Para aumentar a eficiência dos testes de realidade, é recomendável em primeiro lugar, escolher um que te seja de mais afinidade, capaz de ser realizado pelo menos umas 5x ao dia,  e claro, sem constrangimentos.

Por exemplo, no meu caso, eu utilizo o Reality Check das mãos. Costumo olhar para uma delas, algumas vezes ao dia, em momentos especiais que considero mais apropriados. Na fila de um supermercado, disfarçando que estou olhando a hora(relógio com o visor para baixo), numa viagem, ao encontrar alguma situação estranha, surpreendente ou bizarra.

Reality checks também são fenomenais para quem tem sonhos com temas repetitivos. Se os sonhos costumam acontecer dentro de casas, aproveite para fazer os reality checks quando estiver dentro de uma ou olhando para ela.

Sonhos recorrentes com casas, podem servir como ferramenta na indução de sonhos lúcidos. O Mètodo de Tholey ensina bem a aplicar isso. Reality checks também podem ser feitos quando estiver em uma que costume aparecer nos sonhos. O ideal é fazer junto o questionamento “estou sonhando ou não?”.

Caso seus sonhos aconteçam muito no trabalho ou com algum animal doméstico, aproveite e aplique quando estiver vivenciando essas experiências.

Por fim, é altamente recomendável que os Reality Checks sejam realizados com os questionamentos: “Estou sonhando ou não?” ou “Como cheguei aqui?”. Esse tipo de reflexão é que pode te catapultar de um sonho comum para um sonho lúcido.

Existem pesquisas com resultados animadores sobre a importância da reflexão, autossugestão e intenção/propósito, na indução da consciência nos sonhos. E os Reality Checks são uma excelente oportunidade para concretizar esses elementos. Já publiquei alguns desses resultados aqui no blog, em que há um “rankeamento” fascinamente, das mais diversas técnicas de indução.

O questionamento ou a reflexão durante nossos dias tão rotineiros, podem servir bem na indução de sonhos lúcidos. Fiz um texto recentemente, fazendo referência ao elevado índice de eficiência, alcançado pela reunião da motivação, reflexão e autossugestão, em pesquisas de laboratório de sono.

Minha experiência mais recente com a reflexão:

Foi num intervalo de almoço do trabalho, caminhando pelo shopping, deparei-me com um quadro magnífico, onde para meu deleite contemplei toda tripulação da ponte de comando da Enterprise(clássica), tocando todos juntos numa banda de rock!… Eu fiquei catatônico com a visão. Uau! Completamente hipnotizado comprei o quadro. O vendedor ficou comovido com minha cara de bobo que até deu um desconto sem eu pedir. Deve ter sacado de imediato que ali encontrara um cliente fiel.

Tudo isso pra chegar no quadro que me fez ter um belo sonho lúcido:

Na imagem o novo quadro que trouxe aqui para casa. Ele foi o responsável pelo sonho lúcido desse fim-de-semana.

Aconteceu que na noite seguinte ao escolher o lugar para pendurar o quadro, sonhei que eu estava admirando os detalhes da imagem… só que não era mais com toda a tripulação e só aparecia o Kirk!… Ahn!? Como assim meu chapa?!? Opa! “Estou sonhando!” 🙂

Consegui manter a consciência por um bom tempo e esse sonho lúcido me levou a revisar a importância, tão simples, do poder da reflexão ou do espírito crítico, no dia-a-dia.

No sonho em vez de contemplar toda a tripulação da série clássica(presente no quadro), deparei-me apenas com a imagem do Kirk.

   O sonho:

(…)Percebi naquele momento que só podia estar sonhando. Caminhei um pouco pela sala e resolvi fazer umas flexões sobre o solo, pois lembrava que hoje seria dia de treinar pesado na academia. Caminhei mais um pouco pela casa e cheguei numa sala escura. Busquei uma saída para um lugar mais iluminado e fui até uma porta-janela de vidro grande que dava para uma grande paisagem com céu azul.

Abri ela e pensei em correr, mas ao começar minhas pernas se moviam muito em câmera-lenta. Resolvi voar. Estiquei o braço para cima e de imediato levantei vôo, facilmente. Sobrevoei prédios e paisagem. De repente pude me observar em um grande telhado espelhado e me vi com o uniforme do Super. Voei em diversos sentidos, sobre os prédios e próximo as nuvens.

Tentei lembrar algum experimento que desejava fazer. Lembrei do experimento do Oráculo probalístico. Cheguei próximo a um artefato gigante, cheio de folhagens e parecia um tipo de arbusto. Coloquei a mão lá dentro, com o objetivo de realizar o experimento(…).

Não chegou a ser um sonho lúcido com longa duração, mas a vividez estava excelente. A experiência do vôo como sempre estava perfeita. Ver o uniforme kryptoniano em mim então estava show 🙂

Mas o principal que vale a pena se aprofundar um pouco mais, é sobre o gatilho da minha consciência. Nesse caso, a percepção da retratação infiel da imagem sem a tripulação de Star Trek(ou Jornada nas Estrelas).
É interessante notar como foi a impefeição do quadro em especial que me fez despertar a consciência. Isso serve para ilustrar bem como podemos realizar questionamentos, como sempre sugeriu o psicoterapeuta alemão Paul Tholey, no nosso cotidiano, mais especialmente ainda quando nos deparamos com cenas inusitadas ou que nos levam a estranheza.

Lembro bem de naquela noite anterior, ter flagrado uma engraçada ilusão de ótica, num supermercado, quando olhava por uma janela. Parecia ser o de uma mulher flutuando como um fantasma pelo estacionamento. Questionei-me de imediato -percebendo simultaneamente se tratar do reflexo no vidro -“estou sonhando ou não?”. É esse tipo de reflexão, seja quando acrescentamos um olhar para as mãos ou outros reality checks que nos fazem conseguir acionar a consciência enquanto sonhamos.

O que realmente nos faz ficar mais conscientes quando estamos acordados? O que nos desperta do topor de uma rotina que nos engessa ou bitola os nossos pensamentos?

     Quando estamos tentando ficar conscientes nos sonhos, estamos tentando, de certa maneira, superar o fluxo natural do automatismo do subconsciente. Significa superar a narrativa natural do sonho e emergir, conscientes que estamos vivenciando a experiência do sonho.

     Um paralelo com o estado desperto, seria quando saímos de casa rumo ao trabalho e nos surpreendemos, ao chegar com rapidez(não vale em dia de engarrafamento, mas então aproveite e faça um reality checke! rsrs) e mal conseguimos recordar a sequencia de pensamentos que fomos acometidos… como se uma espécie de “automático do subconsciente” assumisse o comando, de modo muito parecido com os sonhos comuns.

     Os reality checks tem por objetivo romper esses automatismos, fazendo a gente se condicionar a pensar com frequencia acerca da realidade que estamos experimentando. “Como eu cheguei aqui?” ou “Estou sonhando ou não?”.

     Reparem como esses testes de realidade, repetindo eles algumas vezes durante o dia, fazem a gente refletir sobre os eventos que vivenciamos. Irão obrigar a uma inspeção da estrutura da realidade. E os sonhos são alvos fáceis frente a um escrutínio mecaniscista….

    Tenho recebido algumas queixas sobre falhas nos reality checks, seja o de olhar para  as mãos ou observar a hora num relógio. De fato, pode mesmo ocorrer de olharmos para as mãos e contemplarmos 5 dedos em cada uma das mãos… mesmo repetindo a técnica em seguida(mais raro). Também a hora no relógio, por vezes, pode aparecer bonitinha e em seguida os números terem mudado sem nos causar estranheza.

    Um boa alternativa é ir migrando de reality check, até encontrar um que seja de maior eficiência, de acordo com uma afinidade própria. Meu caso por exemplo, olhar para as mãos e espelhos.

A melhor maneira de saber qual reality check é mais eficiente para você é por meio da experimentação.

      Voltando a questão, sobre o que realmente impacta no crescimento da consciência, enquanto estamos acordados; poderíamos cogitar que tudo aquilo que nos faz sair da rotina, acabaria por servir de estímulo num enriquecimento dessa lucidez… porém, não qualquer evento, mas algo que nos levasse a reflexões mais apaixonantes…!

      Quem sabe ouvir uma música nova e encantadora? Assistir uma aula genial de filosofia? Conhecer uma pessoa diferente, com uma visão peculiar sobre a vida? Experiências intensas que de modo formidável, poderiam arrancar essa nossa consciência da correria do dia-a-dia.

      Sonhos enfadonhos, sobre coisas corriqueiras podem ser os sonhos mais detestáveis para se anotar num Diário de Sonhos. Mas fica claro que ao experimentarmos viver com mais intensidade, coisas com que temos mais afinidade ou interesse nessa vida, poderemos provocar uma carga maior de sonhos mais radiantes ou com conteúdos mais fabulosos.

Conhecer pessoas interessantes, com visões diferentes e provocantes sobre a vida… escutar uma música nova e fascinante, assistir uma aula genial… são eventos que podem contribuir para o enriquecimento da nossa lucidez. No mínimo podem auxiliar para ter sonhos mais intensos e vívidos… exatamente um reflexo do que estaria acontecendo no estado desperto 😉

      Por fim, vale lembrar que mesmo tendo muita dificuldade pra fugir da rotina, ainda naqueles sonhos bobos que repetem o próprio dia-a-dia, ainda assim, existem ferramentas como o Método de Tholey que se aproveitam disso pra ajudar na indução da consciência.

        Anda esquecendo de fazer seus reality checks?! Seu Diário de Sonhos parece um queijo suíço, todo esburacado, de tantos dias que já andou pulando sem anotar sonho algum?… Bem, pensando nesses probleminhas, bem comuns na nossa rotina, resolvi montar um pequeno texto, resumindo ainda mais, num “Kit” mínimo com recomendações, para manter boas chances de ter sonhos lúcidos:

Procurando compensar nossas correrias do dia-a-dia, resolvi resumir os principais passos para manter nosso subconsciente acionado, enquanto somos obrigados a “viver no automático”.

       A) “Estou sonhando ou não?” continua sendo o mantra, seja ao se olhar num espelho, ao olhar para suas mãos ou olhar um relógio ou celular. Opte por reality checks que você se depara com mais frequência na sua rotina.

       B) É impossível conseguir escapar sempre de uma fila. Aquela fila medonha do supermercado ou do banco! Quando isso acontecer ou quando estiver num elevador, aguardando alguém, um ônibus, um jegue, uma consulta… enfim, ao ser obrigado a esperar algo, aproveite e questione sua realidade: “Estou sonhando ou não?”.

       C) Verificação de memória: faça isso logo após se questionar se está sonhando ou não, pergunte-se sobre o que estava fazendo antes de vir parar aqui? Os sonhos não costumam ser lineares e condicionar essa verificação algumas vezes por dia é realmente uma idéia brilhante(Dr. Tholey é o cara!).

       A reunião dessas dicas é um plágio descarado do Método de Tholey nos seus 3 primeiros passos, mas pega o principal que é construir o senso crítico-reflexivo. Uma vez que isso vire um hábito, as chances de sonhar que está fazendo isso, vão aumentar consideravelmente e o resultado será sua consciência brotando enquanto você sonha. Pelo menos mais do que não fazer coisa alguma.

     

    É o feijão com arroz. Para não enferrujar. Agora, para realmente aumentar dramaticamente suas chances, siga um Método(Tholey, MILD, WBTB, DEILD, WILD etc..). Todos principais, já consagrados pelos onironautas, estão