Tag

Insights

Browsing

  A Pesquisa    

      O que diferencia o sonho comum de um sonho lúcido? Ao buscar relacionar, através de uma recente pesquisa (VOSS, 2012), quais os principais elementos que diferenciam um sonho comum de um sonho lúcido, o estudo chegou aos seguintes resultados:  raciocínio, insights, controle, emoções positivas, memória e dissociação.

elementos

       Trata-se de uma pesquisa pioneira, portanto os próprios pesquisadores admitem que no máximo podem “tentar estabelecer algumas hipóteses”.  Chama-se a atenção para o fato de que substancialmente as principais características diferenciadoras dos sonhos comuns para os sonhos lúcidos são a capacidade de controle e o insight.

       Foi observada uma estreita relação entre o controle e o insight. De acordo com os dados levantados, a hierarquia de grau de importância desses elementos ficou assim elencada:

1º Insight,

2º Controle,

3º Emoções Positivas

4º Raciocínio,

5º  Memória

6º Dissociação.

       O estudo admite suas limitações ao considerar que obteve seus dados a partir das seguintes fontes: laboratório de sono, relatos escritos e questionários online. Ao se considerar a dificuldade de obtenção de experiências com sonhos lúcidos em laboratório, a pesquisa optou por também analisar as informações obtidas por questionários online. Isso porém, fragiliza um pouco a pesquisa, no sentido de não existir um controle dos experimentos e poder monitorar e analisar as ocorrências dos sonhos lúcidos, especificamente nas fases REM. Por conseguinte, os relatos considerados nos questionários online, podem perfeitamente advir de sonhos lúcidos de sonhos NREM.

mercy-s-dream-daniel-huntington
Mercy-s-dream-Daniel-Huntington

Comentários      

       A instigante escala produzida pelos pesquisadores, pode conduzir a novas pesquisas que consolidem ou não a importância dessas características. Particularmente, consigo perceber que praticamente todos elementos parecem corresponder em presença nos meus sonhos lúcidos.

     Com relação a alguma hierarquia entre esses elementos, talvez eu não estimasse o “controle” acima do raciocínio por exemplo.  Pelo menos em minhas experiências com sonhos comuns, não é tão incomum eu exercer algum controle da narrativa, seja sobrepujando algum obstáculo ou quebrando as regras do ambiente.

Referencias Bibliográficas:

Voss, U., Schermelleh-Engel, K., Windt, J. M., Frenzel, C., and Hobson, J. A. (2013). Measuring consciousness in dreams: the lucidity and consciousness in dreams scale. Conscious. Cogn. 22, 8–21. doi: 10.1016/j.concog.2012.11.001

Uma instigante pesquisa envolvendo sonhadores lúcidos, mostrou em média maior da presença de insights na resolução de problemas em comparação com a população que não relata ter esse tipo de experiência.

A pesquisa foi realizada na Universidade de Lincoln – Reino Unido, envolvendo a participação de 68 voluntários, entre 18 e 25 anos, dos quais 20 eram sonhadores lúcidos. As pessoas com capacidade de ficarem conscientes em seus sonhos, conseguiam índice 25% maior de acerto nos problemas apresentados.

A natureza das questões propostas eram acerca da determinação de uma palavra específica, numa sequencia de quatro palavras. Sequencia como: “areia, milha e idade”, sendo o resultado “pedra”. Os voluntários que conseguiam ficar conscientes em seus sonhos, apresentaram performance 25% superior e o pesquisador Dr. Patrick Bourke especula motivos para esse resultado:

“É  possível que para o sonhador lúcido ficar consciente enquanto dorme, deva ver além daquela realidade esmagadora do seu estado de sonho e reconheça que está sonhando”.

“A mesma capacidade cognitiva de pensar de uma forma diferente foi demonstrada quando se trata de resolver problemas durante o estado desperto.”

Fonte:
http://www.sciencedaily.com/releases/2014/08/140812121839.htm

O sonho lúcido pode ser uma ferramenta poderosa para solução de problemas. Quando sonhamos, o cérebro está funcionando de uma maneira diferente do estado desperto. A criatividade ganha um espaço gigantesco, com um recuo considerável da lógica, possibilitando insights espetaculares. Isso acontece mais especificamente nas fases REM do sono.

Os Sonhos Lúcidos podem servir de Laboratório de experimentos. Podemos acessar impressões que nosso subconsciente mantém guardado. Na imagem Amadeus Cho, considerado por Reed Richards a 7a pessoa mais inteligente da Terra. Um dos personagens mais divertidos da Marvel 🙂

Um experimento fascinante é buscar a computação do cérebro no estado mental dos sonhos. Como é um conhecimento bem difundido, a atividade cerebral nas fases REM do sono é especialmente ativa. Praticamente tão ativa como no estado desperto, produzindo sonhos intensos, vívidos de emoção e de estímulo aos sentidos.

Ora, uma vez que durante o estado desperto, a mente esteja debruçada na busca por uma solução de alguma questão ou problema, passa a ser bem interessante, obter sugestões que nosso subconsciente possa oferecer. Possivelmente intuições que possam ter passadas despercebidas quando acordados.

São bem famosos os exemplos de cientistas(Kekulé, Mendelev…), músicos(Paul Mcartney), inventores(Elias Howe), filósofos(Descartes, Russel), escritores(Mary Shelley com Frankenstein, Stevenson com O Médico e o Monstro) e pintores(Dali…) que conseguiram obter resultados espetaculares a partir dos seus próprios sonhos.

“Aprendamos a sonhar, senhores, pois então talvez nos apercebamos da verdade.” – Augusto Kekulé, 1865.

       O Experimento.

 Problema a ser tratado:
Uma pessoa está em negociação, em função de uma reestruturação que está acontecendo na empresa. A empresa para qual trabalha está oferecendo uma proposta, contratando a empresa dela para que preste serviços. As negociações estão difíceis, com a empresa contratante cedendo muito pouco.

Meu experimento foi o de questionar meu subconsciente para que me desse uma resposta perante o problema: “Qual a melhor forma de apresentar nova contra-proposta?”

Eis o sonho-experimento que tive(na mesma noite):

    “Num ônibus eu estava de short de pijama. Estranhei muito a situação e olhei para a mão. Meus dedos estavam menores e tortos. Fui inundado com minha consciência. 
Vi a pessoa(versão do meu subconsciente) que tinha o problema na minha frente e não resisti em comentar com ela, mostrando as mãos…  parti de imediato para o experimento que era questionar meu subconsciente sobre: “como deveria ser feita A Proposta ?”

    O questionamento seria feito para o subconsciente, então fui até o fim do ônibus procurando pelo dono da empresa contratante. Vasculhei o ônibus sem êxito, mas encontrei um macaco, numa poltrona de passageiro. Questionei o brother que era bem parecido com um chipanzé, o qual respondeu com humor contagiante. Senti
algo engraçado. Caminhei mais pelo ônibus.


    Encontrei um homem com trajes bem formais, uma maleta de executivo e vi que era “O Sócio”. Questionei ele e a resposta foi que a mudança que acontecia, fazia sair de uma zona de conforto. O investimento seria preciso…  “

“O Sócio” que apareceu como resultado ali do meu subconsciente. Na imagem, O Observador, da excelente série Fringe… eeeeeiii!! Será que eu estava sendo “observado”?!?




   Tive então um falso-despertar.


Repassei o sonho-experimento pra pessoa que havia me solicitado. Até agora me sinto bastante fascinado com a experiência. Que talvez não seja tão útil no final das contas para o caso prático em si, mas mostra ser bem possível trabalharmos problemas com auxílio da consciência nos sonhos/sonhos lúcidos.

Parece-me mais eficiente para situações que conhecemos com mais profundidade os elementos e variáveis que estão envolvidas na situação-problema.

      O estado mental dos sonhos é pródigo em contribuir para soluções de problemas enigmáticos, criatividade em pinturas exuberantes, idéias para livros com histórias monumentais, melodias de músicas encantadoras e muito mais.

      Existem diversos outros exemplos, os quais rotineiramente gosto de citar: Kekulé, o matemático hindu Srinivasa Ramanujan, Mendelev, Mary Shelley com Frankenstein, Wagner com Ring Cycle, o poema de Kubla Khan… Salvador Dali e o Mr.Hyde de Robert Louis Stevenson!… São exemplos fascinantes que nos inspiram a explorar o fascinante mundo do estado mental dos sonhos.

O escritor Robert L. Stevenson foi despertado de seu pesadelo por sua esposa, pois o marido gritava. Ao ser desperto  questionou: “Por que me acordou? Eu estava tendo um ótimo conto com um monstro.” De acordo com a senhora Stevenson, o marido acordara logo após a primeira transformação.

      Entrementes, vale ressaltar um denominador comum entre a esmagadora maioria desses casos fantásticos: esses brilhantes sonhadores estavam sempre focados nas suas áreas.

     Durante o estado desperto, O autor do Médico e o Monstro, Robert L. Stevenson estava revisando uma obra sua, na qual eram, possivelmente, os primeiros passos para concretização do “Estranho caso do Dr. Jerkyll e Mr. Hyde”. Mary Shelley também estava voltando suas atenções, em vigília, para contretização de Frankenstein…

Frankenstein foi obra de Mary Shelley, após sonhar com um cientista horrorizado com o terrível ser que ele mesmo havia criado.

… René Descartes foi um exemplo magistral. Virou de ponta-cabeça o modo de pensar da humanidade. Nas palavras desse filósofo, na sua obra Meditations on the First Philosophy:
“Agora estou acordado, e percebo algo real; mas como minha percepção não é suficientemente clara, ao dormir desejo que meus sonhos possam me representar o objeto da minha percepção com mais verdade e clareza”.

    Os sonhos podem servir como uma máquina fabulosa, um computador magnífico, capaz de fazer nossa mente trabalhar de uma maneira diferente do estado desperto, onde por vezes, poderá resultar em soluções, insights ou criações até então não imaginadas durante a vigília.

Será possível atingir uma fórmula ou assinatura mental, na qual teremos acesso ao estado consciente nos sonhos, onde poderemos manipular simulações, aprimorando o estudo sobre objetos do nosso interesse?

   Interessante notar como tudo isso reflete a própria maneira de funcionar nosso cérebro, durante os sonhos. Reparem na natureza dos reality checks: interruptores, a quantidade de dedos na mão, a precisão de um relógio digital(com segundos) ou com ponteiros(idem).

    Sabemos que podemos sonhar as coisas mais psicodélicas ou surreais. Podemos atravessar paredes, saltar sobre prédios, voar ou nos transformar em qualquer criatura que habite nossa imaginação. Porém a lógica e o mecanicismo da vigília terão pouco espaço. Será praticamente impossível ler qualquer página de livro num sonho. Igualmente para o marcador de segundo num relógio. Caso tenha contado dez dedos na sua mão, olhe para o lado e observe novamente suas mãos!

  Um elemento primordial do estado mental dos sonhos que é corriqueiramente desprezado: as emoções. Especialmente os sonhos presentes na fase REM. Nesses sonhos, estaremos a mercê de uma carga de emoções muito mais intensa do que no estado desperto.

Aprender a refletir mais sobre as emoções que sentimos no estado desperto, pode se revelar numa poderosa ferramenta de indução de sonhos lúcidos.

      As emoções podem se revelar, como a mais poderosa ferramenta de indução de sonhos lúcidos. Na medida que somos obrigados a lidar com elas em nosso estado desperto, podemos tentar refletir com mais frequência, sobre o que realmente se passa conosco nessas situações. Sabemos que elas tendem a ecoar em nossos sonhos.

      Quanto maior for o impacto delas no estado desperto, proporcionalmente maior serão as chances de surgirem enquanto sonhamos. O psicoterapeuta alemão Paul Tholey sabia muito bem o que estava fazendo, ao sugerir em seu método, para nos questionarmos, refletirmos durante o estado desperto sobre esses sentimentos. Beverly D’Urso provavelmente obtém sua grande frequência de sonhos lúcidos aplicando isso. Parafraseando a doutora, é necessário uma vida mais lúcida, para obter sonhos lúcidos.

   
   
Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Strange_Case_of_Dr_Jekyll_and_Mr_Hyde

http://en.wikipedia.org/wiki/Frankenstein

Os sonhos lúcidos podem produzir experiências surpreendentes e assombrosas. É pacifico que se trata de um estado alterado de consciência e podemos ter surtos criativos ou insights na solução de problemas. Há diversos outros benefícios que estão sendo pesquisados, como a possibilidade no auxílio de tratamento de certas psicoses, desenvolvimento de habilidades motoras, memória, mente, consciência, entre outros.

Paul Mccartney sonhou com a melodia de Yesterday… que é a música mais regravada de todos os tempos.

Felipe Santos, 22 anos, guitarrista, promotor de vendas e onironauta colaborador desse blog, volta e meia nos presenteia ao compartilhar alguns de seus sonhos lúcidos. Na revista Info desse mês(janeiro), na reportagem “Enquanto você dorme”,  dá sua opinião sobre os sonhos lúcidos:
“A lucidez nos sonhos traz um nível de meditação e outro ponto de vista sobre a vida. Aplico isso desde meu primeiro sonho lúcido”.

Revista Info de Janeiro/2011 traz reportagem de 3 páginas sobre sonhos lúcidos, com o título “Enquanto você dorme”.

Assim como o Felipe e outros onironautas, também sou fascinado pelo que a consciência nos sonhos pode nos proporcionar. Uma das coisas que mais me instiga a continuar pesquisando e fazendo experiências com sonhos lúcidos, são essas possibilidades de usar nosso cérebro em uma diferente assinatura. O isolamento sensorial do mundo exterior, o acesso ao subconsciente… parece um território virgem, no mínimo ainda muito pouco explorado e que permite incontáveis tipos de experimentações.

Segue abaixo um relato bem bacana do Felipe, num de seus sonhos lúcidos envolvendo, autocontrole no estado mental do sonho consciente(controlando a euforia), psicodelia, surtos criativos, insights sobre assuntos que não domina no estado desperto:

“Tubos de tinta

OMG!!! Hoje foi demais! Tive um baita sonho lúcido hj no inicio da
manhã…não anotei na hora, mas fiquei gravando ‘mentalmente’ o sonho
antes de dormir de novo, lembrando os detalhes e de manhã escrevi
palavras chaves pra poder lembrar. (cumulo da preguiça uhauhahua)

Eu
estava com minha namorada a noite na avenida perto da minha casa
(diversos sonhos lúcidos com essa avenida hein), quando surgiu centenas
de cachorros malucos e raivosos correndo em nossa direção, alguns deles
até subiam nas paredes e muros, outros eram totalmente deformados e o
clima ficou muito assustador e cheio de adrenalina. Conseguimos
despistar o cães e ficamos mais calmos…eu respirei fundo e estranhei a
situação.
Felipe Santos e sua guitarra inebriado com os acordes musicais…

Fiz o teste de realidade de furar a mão…funcionou
perfeitamente! Todas as pessoas (inclusive minha namorada)
desapareceram. Fiquei lúcido, mas bem calmo…não queria estragar a
experiência.
Olhei ao redor, não havia ninguém, como estava escuro
logo providenciei que amanhecesse, o céu começou a mudar de cor e o
sonho ficou bonito e colorido.

Apareceu em minha mão uma criaturinha,
como se fosse alguém que toma pilula de nanicolina e começamos a
conversar…ele me perguntou alguma coisa a respeito de bruxas; minha
resposta foi incrível, lembro de ter filosofado, falei sobre preconceito
e religião, sobre como elas foram queimadas por serem diferentes. P.S:
NUNCA quis saber nada a respeito de bruxas, nem me interesso pelo
assunto, sinceramente não sei como pude falar tanto sobre isso, em
vigilia jamais falaria tais coisas 😮




Extraído do excelente quadrinho Epicuro o Sábio.


Enquanto caminhava e conversava
com o ‘nanicolina man’ a psicodelia ao redor tentava chamar minha
atenção: um carro atravessou na minha frente, de ré…um homem com olhos
de faról esbarrou em mim…procurei não dar bola pra essas projeções e
mantive o foco, bem calmamente…
Quando nossa capacidade de recordação está boa, nossos sonhos lúcidos podem ser experiências vívidas impressionantes.

Olhei pro céu pra contempla-lo, estava azul e verde *-* coisa linda e indescrítivel!
A
criaturinha desapareceu e tive a ideia de tentar criar o melhor cenário
possível…apareceu uma grande caixa de ferro em minha frente.Havia
logotipos e textos que não lembro nela…abri a caixa e haviam tubos de
tinta 😮 uhauhahuuha

Comecei a espalhar tinta pra todos os lados com
dois tubos q jogavam tinta azul e cinza metálico (minhas cores favoritas
e as cores da minha primeira guitarra). As cores tomaram conta do céu,
de tudo ao redor, e até de duas pessoas q estavam ali olhando, me
diverti muito…mas acabei acordando.
Essa foi uma das experiências mais proveitosas que tive. 🙂 “

         Durante o estado mental dos sonhos, somos capazes de pensar de forma diferente. Como o cérebro está funcionando de outra maneira, é inevitável a chegada de sonhos psicodélicos, narrativas inusitadas e insights supreendentes. A literatura, áreas da ciência, da filosofia, da música e muitas outras estão carregadas de exemplos magníficos.
        Um dos sonhos mais fascinantes na história das invenções foi o de Elias Howe. Fazia algum tempo que o inventor buscava uma maneira de mecanizar o processo de costura. Até que numa noite foi acometido de um pesadelo, no qual se encontrava preso por uma tribo. Recebeu o ultimato: “Ou você faz uma máquia que costure nas próximas 24h ou morrerá!”

Elias Howe teve através de um pesadelo a resposta para um problema que revolucionou a  indústria do vestuário.

          Fracassou assim como na vigília. Finalmente quando a tribo se reuniu ao redor dele, descendo as lanças em sua direção, observou que haviam buracos em forma de olhos na ponta das lanças. Despertou suando na iminência de ser atingido pelas armas pontiagudas!…
          “Enquanto ficava ali tremendo, lembrando do sonho, lembrou-se daqueles buracos estranhamente colocados e compreendeu que, se colocasse um buraco naquela posição em sua agulha de costura sua idéia para a mecanização poderia funcionar. Este sonho levou a uma revolução na indústria do vestuário.”


Bibliografia:
PARKER Jennifer e ENNIS Maeve. Fique por dentro dos Sonhos. Cosac & Naify Edições, 2ª ed. 2001: São Paulo.