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Pesquisas sobre sonhos lúcidos

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Será que existe um motivo que justifique a causa dos sonhos lúcidos? Por que temos sonhos lúcidos? Primeiramente é necessário um esforço para entender as causas do sonho em si.De antemão já adianto que existem diversas teorias e hipóteses. A natureza do sonho ainda é um grande desafio.

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Natureza dos sonhos

Uma questão intrigante é bem colocada pelo filósofo Owen J Flanagan, sobre a natureza dos sonhos.Nesse sentido, em seu livro Dream Souls, há diversos trechos que tratam da natureza do sonho e do sonho lúcido. Em especial, seriam eles uma espécie de adaptação evolutiva ou mero acaso da natureza?…

De acordo com Flanagan a hipótese acerca da natureza dos sonhos vai no sentido de um “efeito colateral”, em contrapartida gerado pela atuação do sono e da consciência. Por outro lado, Revonsuo enxerga os sonhos como uma adaptação da evolução humana. Sendo assim, existem algumas das principais teorias que precisam ser citadas:

Sonhos lúcidos possuem raízes na própria explicação sobre a natureza dos sonhos.

Teorias dos sonhos

Teoria da Ativação-Síntese, apresenta o sonho como uma espécie de subproduto das atividades cerebrais, durante o estado do sono.De acordo com os neurocientistas Alan Hobson e Robert McCarley, os criadores dessa teoria, a razão de existência do sonho como um tipo de efeito colateral dessa ativação neural.Sendo assim, nesse modelo, o córtex acabaria construindo o sonho para dar sentido as descargas que recebe.

Sobre a Teoria do Inconsciente, onde os sonhos analisados por Freud possuíam o caráter de manifestação de realização de desejos.Desse modo, desejos ou fantasias, especialmente aquelas não realizadas, tornar-se-iam manifestações através dos sonhos.

A Teoria da Simulação de Perigo, na qual os sonhos serviriam como uma espécie de preparação para enfrentarmos a dura realidade e seus desafios.Assim sendo, nessa teoria criada por Antti Revonsuo – filósofo, neurocientista e psicólogo – estaria melhor compreendido as razões pelas quais ocorrem mais pesadelos, quando estamos mais sujeitos a situações mais difíceis ou ameaçadoras.

No caso dos sonhos lúcidos…

De fato existem diversas outras teorias referentes aos possíveis motivos pelos quais todos sonhamos durante nossas noites de sono e essas são apenas algumas das teses mais defendidas. Todavia com relação aos sonhos lúcidos, as pesquisas apenas começaram…

Por que temos sonhos lúcidos afinal?

Por outro lado Mathew Walker, um neurocientista com vasta experiência no estudo do sono, faz uma sugestão ousada. Assim, para ele é possível que seja uma variação evolutiva da natureza, manifestando-se na nossa espécie. Em conclusão, prossegue afirmando até mesmo algo que seja capaz de propiciar vantagens tão fortes que implicariam em benefícios para algum tipo de seleção natural!…

Por fim Sidarta Ribeiro faz algumas considerações especiais sobre o tema. De acordo com o neurocientista brasileiro, existem elementos já antigos a serem considerados. Como por exemplo se tratar de um tipo de estado mental praticado por tanto tempo por monges tibetanos. Assim como na ioga nidra e no milam, todas as ações e não ações do praticante ocorrem num estado mental de liberdade interna, como no sonho lúcido.

Por que temos sonhos lúcidos ?

Sob o mesmo ponto de vista prossegue Sidarta Ribeiro, argumentando se tratar de um estado mental no qual, o sonho lúcido ocorre, em que as pessoas já estão com seus estoques de neurotransmissores bem recarregados. Nesse meio tempo, passaram-se várias fases REM, o cérebro já pode sonhar mais vigorosamente e está preparado para acordar, e assim, pode ocorrer de acabar despertando para dentro.

Nesse sentido, defende-se o estado do sonho lúcido como um estado dissociado, em que há uma mistura de estados mentais entre o estado de fase REM do sono, com o estado desperto da mente. Como se o corpo ainda estivesse dormindo, ainda sonhando, porém com o nível de consciência equivalente a vigília. Por outro lado, ainda há um debate se é ou não um “estado dissociado“.

Referências Bibliográficas

FLANAGAN, Owen J. Dreaming Souls: Sleep, Dreams, and the Evolution of the Conscious Mind. New York: Oxford University Press, 2000.

LENT, R. Neurociência – Da Mente e do Comportamento. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan. 2008, p.272-277.

RIBEIRO, S. O Oráculo da Noite. A História e a Ciência do Sonho. São Paulo: Companhia das Letras. 2019, p.135-140. 

WALKER. M. Por que nós dormimos. A nova ciência do sono e do sonho. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2018, p.71. 

      É possível baixar um livro disponível na internet, sem custo algum, de um valor inestimável para todo interessado pelo tema dos sonhos. Trata-se de uma obra escrita em 1867, pelo Marques de Saint Denys, considerada rara por Freud e que não época não teve êxito em conseguir uma versão: “Dreams and the ways to direct them: pratical observations.” A importância para o tema dos sonhos, sonhos lúcidos e áreas relacionadas, como a psicologia, psicanálise, filosofia, neurociência é poderosa. Na psicologia e na psicanálise, os sonhos ganham especial importância, sendo utilizados como objeto de interpretação para se ter acesso a conteúdo da mente humana, podendo auxiliar no andar da terapia.

 

Saint Denys

 

         Trata-se de uma investigação, iniciada aos 13 anos de idade pelo autor, sobre o tema dos sonhos. Nessa idade começaram suas primeiras anotações e a percepção da capacidade de poder ficar consciente durante o sonho está explícita na obra, assim como os experimentos que consegue realizar.

      Está presente uma pesquisa histórica sobre os sonhos que é um tesouro para qualquer pesquisador ou interessado. Certamente meu livro ganhará um reforço considerável com algumas citações do nobre e estudioso francês. O livro do Marques de Saint Denys pode ser encontrado no domínio público em inglês ou francês. Segue link abaixo nas referências para quem quiser baixar.

 

Frase célebre do neurocientista Alan Hobson sobre o Marques Saint Denys:

O maior dos auto-experimentadores da história da pesquisa sobre o sono e os sonhos”.

 

Referências Bibliográficas:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

Livro de Saint Denys: Sonhos e como guiá-los

http://www.espacopersonne.com.br/artigo-sonhos-psicanalise

 

             A galantamina já é utilizada, especialmente nos EUA, há um bom tempo para indução de sonhos lúcidos. No Brasil, foi aprovada e regularizada pela FDS e pela ANVISA em 2001, mostrando resultados significativos no combate do transtorno cognitivo leve, alzheimer e na demência vascular.

             Pode ser adquirida em qualquer lugar, inclusive via site da amazon.com americana. Tomei conhecimento dessa pílula através de um texto e vídeo do jornalista Bruno Torturra ( https://revistatrip.uol.com.br/trip/te-vejo-nos-meus-sonhos ), onde ele descreve como foi a experiência dele em um curso promovido pelo Stephen LaBerge. Durante o curso e as tentativas de indução de sonhos lúcidos, Torturra acaba se deparando com a galantamina e consegue ter seu primeiro sonho lúcido. Chamo atenção, para o fato de que ainda assim, utilizando a galantamina, o jornalista também estava se utilizando das técnicas apresentadas no curso. A pílula isoladamente, parece ser bem menos efetiva.

 

castelo olho e mulher

 

             Pesquisadores da universidade de Wisconsin, dentre eles o próprio Stephen LaBerge, recentemente publicaram uma pesquisa sobre essa eficiência da galantamina para com a obtenção de sonhos lúcidos. A substância é utilizada em doses bem maiores para o tratamento de Alzheimer. Atua nos inibidores de acetilcolinesterase, resultando em interferência na fase REM e na memória. No caso os idosos sobre tratamento, relatam com alguma frequencia, aumento dos pesadelos.

O Experimento:

              Foram recrutados 121 participantes para o experimento. E não eram voluntários sem experiência com sonhos lúcidos. Eram pessoas com especial interesse por sonhos lúcidos e que tiveram treinamento em técnicas de indução como por exemplo a MILD.

Durante 3 noites seguidas, os voluntários ingeriram na seguinte sequencia:

  1. a noite: comprimido placebo;
  2. a noite: 4mg de galantamina;
  3. a noite: 8 mg de galantamina.

 

Resultados

Na primeira noite, esses participantes, ficaram em função apenas de suas técnicas de indução normais, pois o comprimido não continha galantamina e mesmo assim houve um total de 14% de voluntários que relatou ocorrência de sonho lúcido.

Pela segunda noite, tomaram o comprimido de 4 mg, resultando em 27.3% dos participantes relatando ocorrência de sonhos lúcidos.

Finalmente na terceira noite, ingerindo 8 mg de galantamina, 42.2% das pessoas relataram ocorrência de sonhos lúcidos.

Interessante ressaltar que desses 121 voluntários, 10 deles informaram que jamais haviam experimentado um sonho lúcido e na 3a noite, com a dose de 8 mg, 4 (quatro) pessoas confirmaram que tiveram a experiência. No total 57% dos voluntários ou 69 pessoas tiveram sonhos lúcidos. Efeitos colaterais foram anotados em 14 pessoas ou 12% dos participantes. Dentre esses efeitos: náusea, fadiga e problemas gastrointestinais.

 

Conclusões

             A galantamina de fato pode ajudar na indução de sonho lúcido. Especialmente se você já possui prática nas técnicas de indução convencionais. Apesar de vendida como suplemento nos EUA, é uma substância que merece alguns cuidados, pois pode sim provocar efeitos colaterais nada agradáveis. Dentre eles destaca-se as náuseas. A partir da dose de 4mg já é possível sentir esses efeitos – e é claro isso varia de organismo para organismo, sendo não tão ruim para péssimo – e com 8 mg eles podem estar ainda bem mais fortes. Não é a toa que no Brasil só é vendida sob prescrição médica. E é bem cara por aqui.

             Utilizada no tratamento do alzheimer e para o controle de defeitos cognitivos, a galantamina, porém é importante também reforçar importância de mais estudos com relação ao uso da mesma para efeitos sobre sonhos normais e lúcidos, especialmente sobre as alterações no sono e na atividade atividade cerebral durante o mesmo.

               Por fim, importante destacar que no próprio estudo, as técnicas de indução como MILD, Tholey, WBTB, etc.. possuíram considerável interferência nos bons resultados, como o próprio artigo (citado nas referências logo abaixo), deixa bem explícito.

 

Referência Bibliográfica:

LaBerge S, LaMarca K, Baird B (2018) Pre-sleep treatment with galantamine stimulates lucid dreaming: A double-blind, placebo-controlled, crossover study. PLoS ONE 13(8): e0201246. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0201246

https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0201246

GOMES, Alexandre de Mattos; KOSZUOSKI, Ricardo. Evidências atuais do impacto terapêutico dos inibidores da acetilcolinesterase no transtorno cognitivo leve e na demência vascular. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul,  Porto Alegre ,  v. 27, n. 2, p. 197-205,  Aug.  2005 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082005000200010&lng=en&nrm=iso>. access on  30  Oct.  2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082005000200010.

   O texto de hoje merece uma atenção bem especial. Trata-se de uma entrevista com o pesquisador brasileiro Alexandre Valença, o qual defende sua tese na área de sonhos lúcidos e com o bônus de um link (disponibilizado pelo entrevistado) para quem quiser colaborar, respondendo ao questionário. Cada pessoa que disponibilizar um tempo para responder, estará dando uma valiosa contribuição para o avanço do nosso tão estimado tema.

   Nosso entrevistado, Alexandre Valença é Psicólogo Clínico, Professor de Psicologia pela Universidade Santa Úrsula e Estácio, Mestre em História da Ciência, das Técnicas e Epistemologia pelo HCTE / UFRJ (2013). Doutorando pelo HCTE/ UFRJ, na linha de pesquisa de Epistemologia – Teorias da Mente, pesquisando as relações entre sono, aprendizagem, memória e processos criativos. Coordenador do Grupo de Reflexão Interdisciplinar Fórum Atenas, fundado em 1998, formado por profissionais e pesquisadores de diversos campos de conhecimento como Filosofia, Psicologia,Engenharia, Medicina, Antropologia e Astronomia,entre outros. O Grupo tem entre seus temas de estudo principais: Consciência,Epistemologia, Inteligência Artificial e Criatividade. Palestrante.

O link com o questionário, para colaborar com a pesquisa:

http://www.hcte.ufrj.br/sonhos-lucidos.htm

“O questionário que está online é uma ferramenta poderosa para o estudo epidemiológico dos sonhos lúcidos (SL) no Brasil”. 

1) Qual a origem do seu interesse pelo tema dos sonhos lúcidos? Quando e de que maneira isso aconteceu?

Bom começo! Gosto dessa questão porque ela remete a uma certa crise que tive ainda no meio do meu mestrado. E esta crise foi fundamental para mudar o tema e o rumo de toda minha pesquisa. A história é longa, então, vou contar a versão “remix”, como costumo dizer. No meio dessa “crise”, insatisfeito com o tema que eu estava desenvolvendo, resolvi participar de um Congresso de Neurociência que aconteceria em Belo Horizonte. Nunca tinha ouvido falar de sonhos lúcidos, até então. Isso devia ser 2011. Lá, entre muitas apresentações de trabalhos e palestras, o Sidarta Ribeiro comentaria o filme “Waking Life” (que recomendo a todos) e, em algum momento, o Sidarta mencionou a expressão “sonhos lúcidos”. Aquela junção de palavras, expressava um paradoxo fascinante – sonho e lucidez – ocorrendo de forma simultânea. Obviamente, não pude deixar de questionar o Sidarta sobre o tema. Daí, depois saímos para umas cervejas, falamos mais sobre sonhos lúcidos e o interesse pelo tema só aumentou.

Quando voltei para o Rio de Janeiro, pesquisei alguns artigos e levei a ideia pro meu orientador, Luis Pinguelli Rosa, que foi bem receptivo ao tema, já que gosta de desafios. O Pinguelli é um dos fundadores da linha de pesquisa que aborda Teorias da Mente e Estudos sobre a Consciência no HCTE/UFRJ, um programa de pós-graduação interdisciplinar, formado por pesquisadores de diversas áreas como Física, Astronomia, História, Engenharia, Matemática, Antropologia, Biologia, entre outros. O Sidarta acabou sendo co-orientador no meu Mestrado.

Assim, começava minha pesquisa sobre os sonhos lúcidos. Vale salientar que minha pesquisa sempre teve uma perspectiva interdisciplinar. No mestrado, o trabalho apontava as relações entre sonhos, aprendizagem, memória e criatividade desde a Antiguidade até a Neurociência contemporânea, passando por Freud e a neurofisiologia do sono. Agora, no doutorado, a pesquisa está mais focada nos sonhos lúcidos, mas sem perder a perspectiva interdisciplinar.

2) Já experimentou um sonho lúcido? Como foram suas experiências? (Caso sim, fique à vontade para relatar – ou não – a primeira e/ou uma bem marcante).

Já experimentei alguns e é uma sensação fantástica. Os mais incríveis foram – sem dúvida- poder experimentar a sensação de voar!  Esse é um dos maiores atrativos dos sonhos lúcidos: poder realizar coisas que – normalmente – não podemos realizar na nossa vida de vigília. Não é à toa que voar está entre os temas favoritos entre os onironautas, no mundo todo, como indicam algumas pesquisas. Mas, a maioria dos meus sonhos lúcidos tem curta duração.

Photo by Darius Bashar on Unsplash

Infelizmente, os sonhos lúcidos são menos frequentes do que nós gostaríamos. E eu, até agora, preferi não me dedicar mais fortemente às técnicas de indução. Aliás, mais à frente, podemos voltar à questão das técnicas de indução, que é um aspecto que vale ser mais investigado.

De toda forma, esse estado híbrido de consciência, onde podemos vivenciar certo controle sobre conteúdos oníricos, é instigante e marca quem já teve essa experiência. Conheço algumas pessoas que tem SL frequentemente e com um bom nível de controle sobre eles. O que fascina nos sonhos é que, quando estamos vivenciando determinadas situações nos sonhos,as emoções são intensas, e os fatos parecem reais (ao menos na grande maioria das vezes). Desta forma, os SL, que possibilitam manipular elementos do sonho, podem ser utilizados como pura diversão também. Como se fosse “mais um ambiente virtual”, onde podemos experimentar coisas que não são possíveis normalmente. Mas, assim como os “games”, precisamos investigar se uma exposição repetida/ frequente pode gerar ou estar correlacionada com algum malefício.

3) Qual o objeto principal da sua tese? Poderia nos contar sobre alguns objetivos e hipóteses levantadas?

Vou tentar explicar tudo numa linguagem bem coloquial, sem “academicismo”, já que o espaço aqui é de divulgação científica. A tese está dividida em duas frentes: uma investigação teórica, de caráter interdisciplinar, capturando dados sobre os processos oníricos desde a Antiguidade, começando na Mesopotâmia – onde temos o registro do que é considerado o primeiro “livro dos sonhos” –  até a Neurociência contemporânea, passando por Freud, Jung, neurofisiologia do sonho, e por relações com aspectos místicos e religiosos como os encontrados no Tibete e no xamanismo, por exemplo. Esse corpo teórico, bastante amplo e interdisciplinar, é fundamental para uma abordagem de um fenômeno complexo como os sonhos lúcidos.

As informações extraídas desse amplo levantamento indicaram alguns caminhos, algumas lacunas e novas questões para as quais não tínhamos respostas evidentes. Aí, entra a segunda frente da pesquisa: o questionário online sobre os sonhos lúcidos para tentar elucidar algumas dessas lacunas. Felizmente, Marlon, tivemos sua grande receptividade para divulgar a pesquisa e o link para o questionário aqui. Esse espaço é fundamental porque seu blog é, sem dúvida, uma referência no tema e para todos onironautas.

Então, um dos objetivos da tese é produzir um amplo painel do onironauta brasileiro. Pretendemos também, identificar  características psico-socio-ambientais-comportamentais que possam estar relacionadas com a ocorrência e frequência dos sonhos lúcidos, por exemplo.  Esses dados, dependendo da amostra, podem ser amplificados e vão dialogar com pesquisas semelhantes que estão ocorrendo em outros países.

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Temos, naturalmente, hipóteses de trabalho, mas… prefiro não mencionar as hipóteses, já que essa informação poderia contaminar de alguma forma as respostas  dos participantes da pesquisa. Contudo, tão logo os resultados estejam consolidados,  prometo divulgar aqui no site.

4) Em uma perspectiva acadêmica, na sua área, como é adentrar nessa seara? Quais as maiores dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento dessa pesquisa?

Penso que as pesquisas sobre o tema têm trazido cada dia mais respaldo e interesse sobre os sonhos lúcidos. No campo das pesquisas científicas, os sonhos lúcidos ainda são um tema relativamente recente. Vale lembrar que as primeiras publicações do LaBerge aceitas em revistas científicas são da década de 1980. Além disso, acredito que o interesse pelos SL aumentou, sensivelmente, nos últimos anos. Mas, não percebo nenhum tipo de resistência ou desconfiança quanto ao fenômeno dos sonhos lúcidos, diferentemente do que ocorria até a publicação das pesquisas de LaBerge, que tornaram-se uma referência. Um quadro bem diferente das décadas anteriores, quando o fenômeno dos SL era visto com desconfiança, como algo contraditório por definição e, por isso, inexistente ou bastante duvidoso. Mas, após os experimentos realizados em laboratório, com alto nível de controle de variáveis e observação dos correlatos neurofisiológicos, os sonhos lúcidos são uma“realidade”.

As questões em pauta hoje , me parecem, estão na busca de melhor compreensão e delineamento do fenômeno, a busca de “causas” e/ou “correlações” com uma série de fatores e condições que favorecem sua ocorrência e frequência,que também investigamos através do questionário que está aqui no blog. Paralelamente a estes aspectos, há a necessidade de melhor compreensão dos correlatos neurofisiológicos envolvidos. Esta parte está relacionada com a questão que você levantou sobre as dificuldades envolvendo as pesquisas sobre SL. Vou retomar a questão na sequência.

A maior dificuldade para quem pesquisa sonhos lúcidos está no fato – como diversas pesquisas indicam – que os SL não são frequentes para a maioria dos indivíduos. Ou seja, as pessoas até têm SL, mas não frequentemente. Os números sobre ocorrência e frequência dos SL mudam bastante de país para país, conforme apontam diversas pesquisas. No entanto, a discrepância entre esses números pode ter relação, também, com questões metodológicas, sobre a própria definição do que é um “sonho lúcido”. Basta estar lúcido durante o sonho ou é necessário ter a habilidade de manipular/ controlar elementos do sonho? Essa discussão, que está presente no meu trabalho, é fundamental para delinearmos com clareza o que estamos chamando de “sonho lúcido”.

Voltando ao cerne da sua pergunta: temos, basicamente, duas grandes dificuldades envolvendo a pesquisa de sonhos lúcidos. Uma refere-se à questão da baixa frequência de SL na população em geral. A metodologia científica “pede” que nós tenhamos uma amostra grande o suficiente para que ela seja representativa e possamos ampliar os resultados. A outra dificuldade é que muito do que ainda podemos descobrir sobre os SL depende de uma maquinaria sofisticada, capaz de mapear a atividade cerebral durante a ocorrência dos sonhos lúcidos, o que exige um ambiente laboratorial, com o controle de diversas variáveis.

Nesse caso, duas dificuldades:

  1. a) O alto custo envolvido nessa maquinaria;
  2. b) Conseguir que indivíduos tenham SL num ambiente de laboratório, um ambiente controlado que não facilita o relaxamento dos sujeitos envolvidos no experimento.

Photo by Steve Roe on Unsplash

 

Sabemos que mesmo sonhadores lúcidos experientes, que tem SL frequentemente, encontram dificuldades de alcançarem a lucidez num ambiente de laboratório.

Outra questão é que o sonho (ainda) é uma experiência privada. É uma experiência de primeira pessoa.

Além disso, precisamos de mais investimento para pesquisas nessa área. Precisamos desenvolver parcerias para ampliar os estudos e acesso aos equipamentos necessários para aprofundar os aspectos neurofisiológicos envolvidos nos sonhos lúcidos.

Eu diria que essas são as maiores dificuldades.

5) Existem outras pesquisas instigantes, por exemplo, aquelas referentes ao aprimoramento de habilidades motoras. Alguma aposta sua, sobre futuras pesquisas promissoras na área dos sonhos lúcidos?

A parte de possíveis aplicações dos SL é muito instigante. Mas, também me traz preocupações, inclusive éticas. “Explorar” os sonhos, ocupar e direcionar esse “tempo” que é um tempo precioso, envolvido em processos fundamentais para nossa saúde e bem-estar, merece cuidado.

Sobre pesquisas futuras, pretendo, brevemente, investigar e comparar SL, meditação e imaginação ativa como “ferramentas” para o desenvolvimento de habilidades. Além disso, muitas ideias devem surgir com os resultados do questionário sobre os SL e da tese.

Nós falamos muito dos possíveis benefícios advindos dos sonhos lúcidos,mas precisamos investigar possíveis malefícios também. Por exemplo, se uma frequência acentuada de sonhos lúcidos pode trazer algum malefício ou distúrbio. Outra questão a ser conferida num futuro próximo é: se o sono e os sonhos “normais” (não lúcidos)estão envolvidos e favorecem os processos de aprendizagem , memória e criatividade ( como apontam pesquisas), uma alta frequência de SL pode prejudicar esses processos?

Então, até aqui, as pesquisas têm focado, sobretudo, nos benefícios. Temos uma ênfase nas possibilidades de utilização dos SL como “ferramenta” para o desenvolvimento de habilidades (cognitivas e motoras) e como recurso terapêutico no tratamento de pesadelos,decorrentes de estresse pós-traumático (como vítimas de violência, guerras, etc). Contudo,ainda temos que averiguar, cuidadosamente, possíveis disfunções e / ou correlações “mórbidas” dos SL com algumas alterações psíquicas. A “intensidade” dos SL é outra questão a ser conferida.

Uma aposta para o futuro? Que as pesquisas envolvendo os SL vão colaborar na compreensão de alguns distúrbios psíquicos. A possibilidade de “comunicação” com o sujeito que está sonhando e a leitura de dados dos correlatos neurais da atividade onírica em “tempo real”, é um caminho que me parece muito promissor.

 

 

6) É possível identificar áreas diversas desenvolvendo estudos, artigos e experimentos sobre a consciência nos sonhos. Neurofisiologia, psicologia, filosofia, psiquiatria, ciência do sono, entre outras. Tens vivenciado um pouco dessa interdisciplinaridade?

A interdisciplinaridade está presente na minha vida há muito tempo. Coordeno um grupo de estudos interdisciplinar, o Fórum Atenas – Filosofia – Ciências – Artes, que está completando 20 anos! Então, vivencio a interdisciplinaridade antes mesmo dela virar uma referência no meio acadêmico. Aliás, vale uma reflexão sobre a Interdisciplinaridade: principalmente nos últimos 10 anos CAPES/CNPQ (agências fomentadoras de pesquisas) e MEC mantêm um discurso de apoio e incentivo à interdisciplinaridade. O discurso, infelizmente, está longe de um apoio concreto, principalmente nos últimos tempos.  A formação nas Universidades ainda é altamente disciplinar e pouco espaço para os egressos de programas de pós-graduação interdisciplinares. Os concursos para novos docentes nas universidades produziram pouco espaço (vagas) para pesquisadores oriundos de programas interdisciplinares.

Isso acaba gerando um gap enorme entre o discurso de CAPES/ CNPQ / Ministério da Educação, e o espaço real para a interdisciplinaridade nas Universidades brasileiras. Os concursos para novos docentes/ pesquisadores continuam – na sua imensa maioria – exigindo uma formação extremamente conservadora com o pesquisador tendo que ter feito sua graduação- mestrado e doutorado – no mesmo curso. Então, se você é astrônomo ou psicólogo de formação (graduação) ,mas fez seu mestrado e/ ou doutorado em programa interdisciplinar, poderá encontrar dificuldades, infelizmente. Os programas de pós-graduação interdisciplinares estão gerando pesquisadores com enorme dificuldade de encontrarem espaço nas Universidades. Espero que esse quadro mude.

Mas, voltando ao cerne da sua questão. A minha pesquisa é marcada pela interdisciplinaridade. O trabalho começa trazendo a visão das sociedades antigas sobre os sonhos, começando com um livro encontrado na Mesopotâmia, escrito há milhares de anos, ainda em placas de argila, em escrita cuneiforme.A partir daí, produzimos um painel sobre a visão das sociedades antigas – como Grécia, Egito, China sobre os sonhos. Daí, passamos pelas abordagens da Psicanálise freudiana, da psicologia analítica de Jung, da Fisiologia, Filosofia e da Neurociência contemporânea. Então, é um trabalho profundamente interdisciplinar.

7) Uma das ferramentas do seu trabalho é o questionário que será divulgado aqui no site/Fórum/Grupo Facebook. Poderia nos informar da importância ou contribuição para o estudo dos sonhos lúcidos e outras áreas?

Esse questionário é uma parte de grande relevância para a pesquisa como um todo. O questionário, posso afirmar, é o mais amplo já realizado sobre os sonhos lúcidos no mundo. Foi uma opção bastante pensada realizar um questionário mais extenso, mais complexo, que pudesse aprofundar diversos aspectos ainda nebulosos sobre os sonhos lúcidos. Temos certeza que os resultados poderão nos ajudar bastante a compreender melhor diversos aspectos envolvendo os sonhos e os sonhadores.

O questionário que está online é uma ferramenta poderosa parao estudo epidemiológico dos SL no Brasil. Por quê? Porque, através dele produziremos um amplo painel envolvendo diversos aspectos dos sonhos lúcidos na população brasileira e, além disso, poderemos identificar fatores / características dessa amostra que possam ser generalizadas, dialogando com outras pesquisas realizadas em diversos países e, desta forma, contribuir para melhor compreensão dos sonhos lúcidos.

 

 

Vale lembrar que temos um estudo epidemiológico desenvolvido pelo Rolim (Sergio Arthuro Motta Rolim) para sua tese, em 2012.  Foi um trabalho pioneiro aqui no Brasil e sua pesquisa já trazia dados instigantes que colaboraram, juntamente com informações de outras pesquisas, para a criação desse questionário. Será valioso comparar alguns dados das duas pesquisas e também com outros estudos realizados em diversos países.

Quero aproveitar para agradecer, mais uma vez, o importante espaço para divulgar o questionário aqui no site. Aliás, esse site é, sem dúvida, de absoluta relevância na divulgação de tudo que acontece no “mundo dos sonhos lúcidos”. O site é uma referência e o Márlon incansável no trabalho de atualização, trazendo todas as novidades nas pesquisas, sempre antenado nos novos artigos, técnicas de indução, filmes & cia.

Bom,voltando ao questionário. Apesar de termos avançado bastante nas pesquisas sobre os sonhos e, especialmente, sobre os sonhos lúcidos nos últimos anos, muitas questões permanecem em aberto. Por exemplo, como mencionei anteriormente: existem características / fatores psico-socio-ambientais– comportamentais correlacionados com a ocorrência/ frequência de sonhos lúcidos nos indivíduos? Se sim, que fatores/ características seriam esses? É possível estabelecer relações de “causalidade”? Quais as “correlações” possíveis? Gênero, idade, qualidade e quantidade de sono, crenças, escolaridade, estados de humor, sonhos em “primeira pessoa’, nível de controle, intensidade do sonho, etc…. São muitas possibilidades!  E elas estão investigadas em nossa pesquisa e envolvidas neste questionário. Há uma pesquisa recente de LiatAviram e NiritSoffer-Dudek, por exemplo, apontando a relevância da questão da “intensidade” do sonho lúcido.

Essas são (entre muitas outras) questões instigantes, porque temos dados de pesquisas anteriores, em diversos países,com dados de ocorrência e frequência de sonhos lúcidos bem diferentes nas suas populações. Temos estudos em diversos países e com diferentes grupos de indivíduos, desde estudantes universitários até atletas de alta performance, da China ao Brasil.

Sabemos que ter sonhos lúcidos é uma habilidade que pode ser treinada, mas…ainda sabemos pouco sobre este ponto. A pesquisa busca saber, por exemplo, se os indivíduos costumam usar as “técnicas de indução” e se sentem que elas são eficientes. Queremos averiguar hábitos de sono, características pessoais, crenças dos indivíduos, etc. Claro que estaremos capturando uma experiência subjetiva, um relato de primeira pessoa, e o ideal é que possamos cruzar esses dados com investigações experimentais, em ambientes controlados. Mas, conhecemos a dificuldade de, mesmo um sonhador lúcido experiente, alcançar a lucidez num ambiente experimental. Então, o questionário é fundamental para coletar aspectos relevantes da experiência dos indivíduos, que podem colaborar para a compreensão deste fenômeno complexo.

Acredito que teremos informações novas, que fomentarão outras novas pesquisas e dados que podem corroborar achados envolvendo aprendizagem, desenvolvimento de habilidades, criatividade, entre outros.

O questionário investiga aspectos da manipulação e controle sobre os conteúdos oníricos, tempo médio dos sonhos, frequência, uso das técnicas de indução, pesadelos, nível de controle, etc. Mas, prefiro não falar muito do conteúdo questionário, até para não influenciar nas respostas. O melhor mesmo – para quem está curioso – é entrar no link e respondê-lo! Tenho certeza que quem tem interesse por sonhos lúcidos vai se sentir animado com as questões e não vai sentir o tempo passar. E, tenho certeza, que será uma colaboração importante para entendermos mais esse “estado híbrido de consciência” como a Ursula Voss, uma das mais importantes pesquisadoras sobre o tema, também gosta de chamar.

Então, finalizo convocando os amigos do site: participem e divulguem a pesquisa. rs.

Agradeço e desejo ótimos sonhos lúcidos para todos!

    Um novo estudo (2017), conduzido por Denholm J. Aspy¹, pela Universidade de Adelaide, procurou realizar um comparativo, em termos de eficiência, envolvendo três métodos de indução de sonhos lúcidos bem conhecidos:  reality checks (testes de realidade), MILD e WBTB.

Photo by Magda Ehlers from Pexels

      Existem algumas considerações sobre o estudo que merecem atenção. Apesar  de não ter sido o foco da pesquisa, a técnica WILD foi considerada mais complexa, exigindo maior experiência para indução do sonho lúcido e também levando em conta possíveis efeitos adicionais/colaterais como a paralisia do sono. Particularmente eu apontaria ainda nesse possível “combo”, a possibilidade de alucinações hipnagógicas/ hipnopômpicas. Ressaltando que é curioso notar que para boa parte das pessoas interessadas em sonhos lúcidos – e aqui estou me referindo a uma parte dos frequentadores do Site/ Fórum/ Grupo do FaceBook –  essas experiências parecem não causar qualquer apreensão, ao invés disso, parecem até desejarem que aconteçam.

    A pesquisa dividiu e fez um comparativo entre as seguintes técnicas de indução: Reality Checks, MILD e WBTB, separando-as em 3 grupos da seguinte maneira:

  • Grupo 1 praticando Reality Checks isoladamente;
  • Grupo 2 aplicando Reality Checks com a Técnica WBTB; e
  • Grupo 3 utilizando Reality Checks com WBTB e MILD.

   Os resultados indicaram maior eficiência para o Grupo 3 que praticou Reality Checks, conjugado com as técnicas de indução WBTB e MILD. Vale ressaltar que mais de 60% dos voluntários dessa pesquisa, declararam-se não praticantes de qualquer técnica de indução de sonhos lúcidos até o início dos experimentos. Verificou-se uma intensificação na capacidade de recordação dos sonhos, para os praticantes da técnica MILD. A técnica MILD, de acordo com as conclusões do estudo, mostrou-se bastante apropriada para aqueles sem experiência prévia com técnicas de indução.

     Uma descoberta em especial referente a técnica MILD chama atenção: os voluntários, quando decidiram voltar a dormir e levaram menos de 05 minutos para cair no sono, foram aqueles com maior índice de ocorrência de sonhos lúcidos. A pesquisa aponta essa descoberta como o maior fator indicativo de incidência de sonhos lúcidos. Resumindo: no momento que o voluntário/sonhador, o qual estava aplicando a técnica MILD, resolvesse deitar para dormir, caso levasse menos de cinco minutos para entrar no sono, as chances de ter um sonho lúcido aumentavam consideravelmente.

Referências Bibliográficas:

1 – Reality Testing and the Mnemonic Induction of Lucid Dreams: Findings From the National Australian Lucid Dream Induction Study (2017) American Psychological Association 2017, Vol. 27, No. 3, 206–231 1053-0797/17/$12.00 http://dx.doi.org/10.1037/drm0000059.

Voltando a essa questão um tanto dramática, a qual já foi tema por aqui.   Dessa vez retorno ao assunto, destacando as pesquisas de laboratório, referente ao nível de eficiência.

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Imagino que a resposta mais simples a essa questão, continue sendo: “aquela que funciona melhor para você”. E ora, isso já vem sendo defendido aqui no site há um bom tempo. Partindo desse ponto, fazendo algumas novas reflexões e considerando os 10 anos de experiência, em pesquisas através do site (e para o site) –  existem de fato alguns fatores que não podem deixar de ser ressaltados.

Em 2011 (ver aqui) fiz um levantamento sobre as Técnicas mais conhecidas: MILD, Tholey, WBTB, Incubação, Reality Checks, WILD e DEILD. Apenas por experiência própria ou opinião pessoal, continuo sugerindo que se experimente por um tempo cada uma delas e seja feita uma avaliação do que é mais efetivo, de acordo com a própria individualidade e as dificuldades/peculiaridades da rotina de cada um.

 

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Uma pesquisa conduzida por Tadas Stumbrys, Daniel Erlarcher e outros ¹ realizou uma análise de diversas técnicas de indução de sonhos lúcidos, experimentadas em laboratório, para determinar a eficiência desses métodos de indução. Fiz uma adaptação em relação a metodologia que utilizaram para graduar, em diversos níveis esse grau de sucesso. Nessa minha adaptação, deve-se considerar as letras A como bom grau de eficiência e letra B, como razoável grau de eficiência. Letra C, como sendo baixo grau de sucesso.  Resumidamente, segue algumas das principais técnicas de indução:

 

Bom grau de eficiência na indução de sonhos lúcidos:

A – Tholey/ Autossugestão, Reflexão e Intenção

A – Autossugestão

A -Sugestão pós-hipnótica

A- WILD

 

Razoável grau de indução de sonhos lúcidos:

B – Estímulos luminosos

B – MILD

B -Intenção

B – Reflexão/Testes de Realidade

 

Baixo grau de indução de sonhos lúcidos:

C- SOM

C- Água

 

Chama a atenção como é importante a autossugestão. O Método de Tholey, quando bem aplicado, reúne não apenas a autossugestão, mas também intenção e reflexão, explicando seu bom nível de eficiência para indução da lucidez nos sonhos. Curiosamente a técnica WILD sempre foi uma das mais acessadas e pode ser vista na página inicial, entre as mais populares/visitadas.  A sugestão pós-hipnótica, certamente deve render um novo post aqui no site.

 

Fonte Bibliográfica:

(1) – STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.