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Afinal existem riscos na prática de sonhos lúcidos? Quais riscos ou perigos podem estar envolvidos no desenvolvimento dessa habilidade? Dito isso, não é incomum encontrar alegações estranhas sobre a aplicação de técnicas de indução, gerando ainda mais dúvidas, especialmente para quem está apenas iniciando. Todavia o alerta também deve servir para os mais experientes.

Os riscos na prática de sonhos lúcidos
Os riscos na prática de sonhos lúcidos.

O que dizem os especialistas?

Os riscos na prática de sonhos lúcidos já foram tema aqui no site e de fato, os monges tibetanos e a Dream Yoga ou Yoga dos sonhos são provas cabais da maneira como os sonhos lúcidos podem ser enriquecedores. Mas, como estamos no ocidente e a indução de sonhos lúcidos por técnicas é algo relativamente novo, certamente as coisas podem caminhar de maneira diferente. Ainda assim, o que se verifica entre os especialistas é majoritariamente o encontro de resultados positivos na prática do sonho lúcido. Mas não é uma unanimidade!

Sonhos lúcidos como algo benéfico

Além do histórico secular do uso dos sonhos lúcidos no oriente, existem diversas pesquisas que indicam resultados positivos para o perfil dos sonhadores lúcidos. De conformidade com esses estudos, foram verificados que ter sonhos lúcidos pode ser indicador de: boa saúde mental, bem estar, autoconfiança, pessoas socialmente ousadas, corajosas, entusiasmadas, calorosas, criativas, resilientes ou bem adaptáveis com relação ao estresse pós-traumático.

A tradição secular da prática de sonhos lúcidos por monges tibetanos
Existe uma tradição secular na prática de sonhos lúcidos por monges orientais.

Onde afinal está o risco na prática de sonhos lúcidos?

Diante de tantos indicadores bons, onde estariam os riscos em ter sonhos lúcidos? A princípio o problema está na maneira pela qual as pessoas se desgastam nessa busca. De fato, existem técnicas nada recomendáveis. Sou um dos críticos da Técnica CAT por exemplo, na qual o método envolve a privação de sono e por um período prolongado! A saber, as técnicas mais consagradas necessitam de cuidados ou pelo menos de atenção para um dos maiores fundamentos para quem se interessa em ter sonhos lúcidos: a qualidade do sono.


De acordo com a vasta* quantidade de resultados em pesquisas publicadas, referente aos prejuízos em função da privação de sono, o débito crônico de sono, qualquer coisa que envolva esse tipo de risco, deve ser evitado. De tal forma que se trata evidentemente de pessoas que estejam agindo de maneira descuidada com relação a sua higiene de sono. Mesmo que seja para ter sonhos lúcidos. Se acaso ainda exista dúvidas quanto a extrema gravidade em se prejudicar a qualidade do sono, recomendo uma leitura saborosa: Por que nós dormimos, de Mathew Walker.

Conclusão

Se existem riscos em ter sonhos lúcidos, o perigo para os interessados está na maneira como será essa indução. Caso haja ignorância ou descontrole nessa prática, como técnicas mal aplicadas, ansiedade, perda de sono, estresse ou qualquer comprometimento da qualidade do sono, deve-se suspender as tentativas de ter sonhos lúcidos. O problema até agora não se mostrou estar no sonho lúcido em si, mas sim nas tentativas distorcidas que possam trazer prejuízos para os praticantes. Por conseguinte, sempre é bom lembrar que os sonhadores lúcidos bons e experientes, tratam com carinho a qualidade do sono porque sabem que precisam chegar nas fases finais de uma jornada normal de sono. Como já foi bem esclarecido por aqui, os melhores e maiores sonhos lúcidos sempre acontecerão nas fases REM tardias, ou seja no ciclo final de uma bela noite de sono.

Referências Bibliográficas

Doll, E., Gittler, G., and Holzinger, B. (2009). Dreaming, lucid dreaming andpersonality. Int. J. Dream Res. 2, 52–57. doi: 10.11588/ijodr.2009.2.142

Gackenbach, J. (1988). “The psychological content of lucid versus nonluciddreams,” in Conscious Mind, Sleeping Brain: Perspectives on Lucid Dreaming, eds J. Gackenbach and S. LaBerge (New York, NY: Plenum), 181–220.
doi: 10.1007/978-1-4757-0423-5_9.

LaBerge, S. (2014). “Lucid dreaming: paradoxes of dreaming consciousness,” inVarieties of Anomalous Experience: Examining the Scientific Evidence, eds E. Cardeña, S. J. E. Lynn, and S. E. Krippner (Washington, DC: American Psychological Association), 145–173. doi: 10.1037/14258-006

* WALKER. M. Por que nós dormimos. A nova ciência do sono e do sonho. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2018