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Fatores determinantes para ter Sonhos Lúcidos

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Uma vez atingido o objetivo de ter um sonho lúcido, um dos problemas mais recorrentes passa a ser: como ter mais sonhos lúcidos? Nesse sentido, aqui estarão reunidos os fatores mais determinantes para aumentar a frequência da lucidez nos sonhos.

Fatores determinantes

Os fatores determinantes para ter lucidez nos sonhos já foram debatidos num vídeo do Canal Sonhos Lúcidos. Mas sempre é bom relembrar: diário de sonhos, usar uma técnica e a motivação ou propósito.

A princípio esses requisitos defendidos por Stephen LaBerge, devem compor a rotina diária de qualquer candidato a manter frequência boa de sonhos lúcidos. Além disso, quero ressaltar a importância dada pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, referente ao despertar mais tardio ou aquela qualidade do sono que te possibilite possuir uma boa qualidade de sono.

Como ter mais sonhos lúcidos

De acordo com o neurocientista brasileiro, em seu livro Oráculo Probabilístico:

1 – Diário de Sonhos; assim sendo, crie esse hábito e o mantenha religiosamente.

2 – Reality Check durante o dia; pergunte-se “Será que estou sonhando?” Desse modo, deve-se aproveitar e olhar para mão, servindo como um bom teste de realidade.

3 – Ter boa qualidade de sono; nesse sentido é crucial conseguir chegar até as últimas fases REM do sono ou as “fases REM tardias”. Pois é nelas que nosso cérebro e mente estarão revigorados, abastecidos de toda carga necessária de neurotransmissores.

Fatores determinantes para ter mais sonhos lúcidos: diário de sonhos, bom sono, uma técnica, motivação.

Conclusão

Como resultado, a reunião dos requisitos sugeridos pelo pioneiro nas pesquisas sobre sonhos lúcidos, Stephen LaBerge, somadas ao fatores elencados por Ribeiro, certamente podem nos beneficiar com um aumento nas chances de ficar consciente nos sonhos. Por fim, o grau de eficiência das técnicas de indução sempre deve ser levado em consideração, como é o caso de técnicas como MILD, WILD, DEILD, FILD, THOLEY, Incubação, entre outras. Assim também como é o caso da técnica Mix, pesquisada por Denholm J.Aspy, pela universidade de Adelaide.

Referências Bibliográficas

1 – Reality Testing and the Mnemonic Induction of Lucid Dreams: Findings From the National Australian Lucid Dream Induction Study (2017) American Psychological Association 2017, Vol. 27, No. 3, 206–231 1053-0797/17/$12.00 http://dx.doi.org/10.1037/drm0000059.

2 – LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985 pg. 08   Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

2 – RIBEIRO, S. O Oráculo da Noite. A História e a Ciência do Sonho. São Paulo: Companhia das Letras. 2019, p.135-140. 

Prosseguindo o tema sobre as maiores dificuldades para ter um sonho lúcido, vamos recordar o que foi reunido até aqui:

1º – Diário de Sonhos: crucial para exercitar a capacidade de recordar os sonhos e reconhecer a estrutura do próprio sonho, aumentando as chances de flagrar conscientemente o estado mental do sonho.

2º – Qualidade do Sono: tema de capa da revista Superinteressante desse mês: “Nunca dormimos tão mal”.

É interessante comentar ainda sobre a qualidade do sono, do grande calcanhar de aquiles da maioria dos sonhadores lúcidos(eu incluído) com quem mantenho contato. Fica difícil dar atenção ao sono e aos sonhos quando nossa vida desperta está sempre naquele ritmo alucinante. Porém tão importante quanto a alimentação, o sono também vai ser protagonista em nos dar disposição e força mental para tudo.

Reportagem de capa da Superinteressante de novembro de 2013.

 Reality Checks ou Testes de Realidade


Avançando um pouco e tratando dos Reality Checks. É uma ferramenta auxiliar ou suplementar ao Diário de Sonhos e a um bom Método de Indução, mas que pode trazer ótimos resultados se acompanhados de uma boa carga reflexiva e autossugestão.

O termo “Teste de Realidade” cai perfeitamente bem, pois ao nos condicionarmos em realizar essas ações no estado desperto, acabamos executando essas mesmas ações durante os sonhos. E por lá a realidade poderá se comportar de maneira bem diferente…

Sabe-se que os mais consagrados costumam trazer algum resultado: olhar para as mãos, acionar um interruptor, puxar um dedo da mão tentando esticá-lo, observar um relógio etc..

São ações simples, capazes de nos fazer perceber durante os sonhos que estamos apenas sonhando. A grande mágica é que no sonho a lógica e o mecanicismo não vão funcionar direito e por se tratar de um simulação mental, por vezes tentando emular a realidade desperta, resultará em erros, seja um interruptor que em vez de acender e apagar a luz quando o acionamos, resolve disparar luz estroboscópica, seja ainda uma mão com dezenas de dedos pequeninos, gigantes ou deformados.

Para aumentar a eficiência dos testes de realidade, é recomendável em primeiro lugar, escolher um que te seja de mais afinidade, capaz de ser realizado pelo menos umas 5x ao dia,  e claro, sem constrangimentos.

Por exemplo, no meu caso, eu utilizo o Reality Check das mãos. Costumo olhar para uma delas, algumas vezes ao dia, em momentos especiais que considero mais apropriados. Na fila de um supermercado, disfarçando que estou olhando a hora(relógio com o visor para baixo), numa viagem, ao encontrar alguma situação estranha, surpreendente ou bizarra.

Reality checks também são fenomenais para quem tem sonhos com temas repetitivos. Se os sonhos costumam acontecer dentro de casas, aproveite para fazer os reality checks quando estiver dentro de uma ou olhando para ela.

Sonhos recorrentes com casas, podem servir como ferramenta na indução de sonhos lúcidos. O Mètodo de Tholey ensina bem a aplicar isso. Reality checks também podem ser feitos quando estiver em uma que costume aparecer nos sonhos. O ideal é fazer junto o questionamento “estou sonhando ou não?”.

Caso seus sonhos aconteçam muito no trabalho ou com algum animal doméstico, aproveite e aplique quando estiver vivenciando essas experiências.

Por fim, é altamente recomendável que os Reality Checks sejam realizados com os questionamentos: “Estou sonhando ou não?” ou “Como cheguei aqui?”. Esse tipo de reflexão é que pode te catapultar de um sonho comum para um sonho lúcido.

Existem pesquisas com resultados animadores sobre a importância da reflexão, autossugestão e intenção/propósito, na indução da consciência nos sonhos. E os Reality Checks são uma excelente oportunidade para concretizar esses elementos. Já publiquei alguns desses resultados aqui no blog, em que há um “rankeamento” fascinamente, das mais diversas técnicas de indução.

  Quais fatores podem dificultar a nossa capacidade de ter sonhos lúcidos? Acredito que estou atravessando minha maior “seca” sem um bom sonho lúcido. Olhando meu Diário de Sonhos, acabo de verificar que já passei dos 40 dias sem conseguir ficar consciente nesse fabuloso estado mental. Meu recorde era 37 dias… 

Atravessando um deserto de abstinência da consciência nos sonhos… imagem extraída do livro Duna.

  Diário de Sonhos

   Observando meu mês com maior frequência de sonhos lúcidos esse ano, identifiquei o mês de agosto(quando tirei minhas férias), com o a frequência de 4 noites com sonhos lúcidos. Não foi surpresa, descobrir que também foi o mês com maior quantidade de dias de sonhos anotados. No ano anterior já havia acontecido a mesma coisa!… Mesma quantidade de sonhos lúcidos(4). Com a diferença, de que as férias haviam sido tiradas no mês de julho, e por conseguinte, a quantidade de sonhos lúcidos aumentou nesse mês também.

   As estatísticas se repetem em todos os meses que consegui anotar melhor no meu Diário. E admito que pela qualidade do meu sono não ser lá das melhores, acabo acordando com pressa e as anotações volta e meia são prejudicadas.

Anotar os sonhos é um pilar de sustentação da nossa capacidade de recordação dos sonhos. Sem isso sequer lembramos o que sonhamos.  Outra grande vantagem é ir exercitando nossa capacidade de reconhecimento da estrutura do sonho… isso com o tempo pode levar a flagrar naturalmente o momento em que se está sonhando.

  Resumindo sobre esse fator esmagador: anote pelo menos 1 sonho por dia no seu Diário de Sonhos e mantenha ele próximo da cama, anotando logo ao acordar.

   Isso leva a outro fator que considero de grande interferência: qualidade do sono.

   Qualidade do Sono.

   Como é de conhecimento da maioria dos sonhadores lúcidos, a consciência nos sonhos normalmente ocorre nas fases REM dos sonhos. As fases REM acontecem ciclicamente para qualquer pessoa saudável, durante uma boa noite de sono. 

    O que é de importância vital: essas fases REM vão aumentando no transcorrer da noite. Significa dizer que ao final de uma boa noite de sono, lá pela 7a e 8a hora do soninho gostoso, todos podemos chegar até uma bela sequencia de 45 minutos de sonhos intensos e vívidos. 

    No total de uma noite de sono em uma média padrão entre 7h e 8h de sono, é possível ter 25% de fases REM… isso dá cerca 2h de sonhos da fase REM ou de sonhos intensos e vívidos.

    Sono bom, significa ciclos saudáveis de sono e por fim as melhores fases REM para ter bons sonhos lúcidos.

   Retornarei no próximo post, para comentar sobre outros fatores como a escolha de um bom “Reality Check” e para adoção de um Método de Indução. Paralelamente sigo na busca por um belo Supersonho Lúcido para compensar essa minha abstinência.

Referências Bibliográficas:

Neurociência da Mente e do Comportamento

Robert Lent, coordenador – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008

https://www.sonhoslucidos.com/2011/11/hora-dos-melhores-sonhos.html