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Sonhos Lúcidos para o aprendizado

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   O sonho comum de fase REM, sem a presença da lucidez, já possui estudos bem avançados que apontam para o aprimoramento e consolidação de memórias. Dormir com qualidade, portanto, estaria implicando numa maneira bem simples e eficaz, para deixar nosso cérebro fazer o trabalho dele, organizando os novos conhecimentos adquiridos.

Quer se sair bem numa prova? Estude muito e durma com qualidade. Se precisar tire cochilos, mas estude bastante, durma mais um pouco, estude mais e durma mais um pouco. Se consegue ficar consciente no sonho, melhor ainda! Aproveite esse sonho e vá bater um papo com o professor sobre a prova 🙂

   Uma perspectiva interessante no caso dos sonhos lúcidos é que poderíamos utilizar o sonho, como um simulador virtual, em que a manipulação das diversas informações ou novos conhecimentos, pudessem ser acessados e trabalhados por meio de nossa vontade, sem deixar a mercê do funcionamento natural do cérebro.

   Talvez acelerar um processo de aprendizado? Como no caso do experimento envolvendo o aprimoramento de um exercício que envolvia coordenação motora(arremesso de moedas num copo).

   Existem muitas atividades que vão deixando de parecer complexas, na medida que temos oportunidade de praticá-las com mais frequencia. Uma grande diversidade de atividades esportivas e/ou jogos, dificilmente não envolve necessidade de intensos treinamentos, até atingir uma performance especial. Estou pensando agora numa atividade que tive que aprender hoje no trabalho, relacionada ao acesso de diversos aplicativos, análise e interpretação de dados… a coisa toda só ficou menos monstruosa, na medida que foi permitido praticar um treinamento inicial.

Existem estudos promissores conduzidos por Daniel Erlacher, na Alemanha associando o treinamento de habilidades motoras por meio de sonhos lúcidos.

   Se pegarmos exemplos de diferentes áreas do conhecimento humano, como as artes, invenções, ciências ou atividades físicas(esporte por exemplo)… veremos que elas poderão acabar funcionando de maneira diferente nos sonhos.

   Parece-me mais razoável que a área artística saia em vantagem. Como a imaginação ou criatividade é a principal força propulsora da mente enquanto sonhamos, o cérebro de alguém voltado para a arte provavelmente estará mais sensível a novos insights criativos, sem a necessidade de esforços mais profundos no estado desperto.

   Valeria então as sugestões de Salvador Dali, para que pintores cochilassem com seus pincéis próximos das telas…

   Por outro lado, novas intuições criativas não seriam tão fáceis assim para pesquisadores das diversas áreas científicas. O esforço intenso no estado desperto seria o combustível principal para novos insights durante o estado mental dos sonhos. Novas portas seriam proporcionalmente, mais facilmente abertas caso um trabalho intenso estivesse sendo realizado quando acordado.

  No caso de atividades físicas como tiro ao alvo(ou arremesso de moedas num copo), pelo experimento bem sucedido citado anteriormente, fica evidenciada a necessidade de algum treinamento inicial, suficiente para tornar possível a simulação na realidade mental dos sonhos.

  Soluções de problemas, das mais diversas áreas de estudo, certamente podem ser trabalhadas nos sonhos, mas também exigindo o abastecimento com premissas, dependendo da complexidade das questões envolvidas e o conhecimento prévio do sonhador. Não há como aprender a falar japonês sem algum aprendizado inicial na vigília. Se bem que já conversaram comigo em alemão nos sonhos e de ouvido eu anotei e consegui a tradução…! rsrsrs  mas aí já estamos entrando na questão das impressionantes informações guardadas pelo subconsciente.

  

        Tive recentemente um sonho lúcido dos bons e nessa última noite não lembrei de sonho algum. Exceto que no exato momento que despertei, flagrei-me num último momento no que parecia ser um sonho, comigo fazendo uma força extrema, para puxar uma barra, no exercício que é identificado como Pulley Frente! 
         Eu acordei sentindo a força extenuante que fazia para puxar aquela maldita barra!… Detalhe: eu havia aumentado minha carga desse exercício nessa mesma noite e me esforçado muito na execução das séries. Acordei com aquela exata sensação de quando realizei o treinamento.

Apesar de não ter sido um sonho lúcido, foi realmente engraçado presenciar meu cérebro trabalhando forte durante o estado mental dos sonhos. Eu estava literalmente “treinando pesado” enquanto sonhava! rsrsrsrs

         
        Daniel Erlarcher já demonstrou em uma pesquisa alemã(apresentado aqui nesse blog e no vídeo abaixo), resultados surpreendentes com sonhadores lúcidos que treinaram suas habilidades de arremesso, durante seus sonhos conscientes. . Conseguindo desempenho melhor ao acordar, ficamos com grande expectativa do que poderá advir nas próximas pesquisas. 

         O fascinante dessa linha de pesquisa é que ela nos permite fazer nossas próprias experimentações. Ora, considerando que qualquer sonhador lúcido pode fazer seus próprios testes de melhora de desempenho… por quê não treinar uns arremessos de moedinhas ou algo do gênero?!

            Uma das pesquisas mais fascinantes que segue em estudo nos laboratórios de sono é a relação dos sonhos lúcidos com o desenvolvimento de habilidades motoras.
           Daniel Erlacher é um dos pesquisadores mais avançados nessa área de estudo dos sonhos lúcidos. Ele é um dos responsáveis pelo comparativo da percepção do tempo durante o sonho e quando desperto. Essa pesquisa já foi apresentada por

         Durante o estado mental dos sonhos, somos capazes de pensar de forma diferente. Como o cérebro está funcionando de outra maneira, é inevitável a chegada de sonhos psicodélicos, narrativas inusitadas e insights supreendentes. A literatura, áreas da ciência, da filosofia, da música e muitas outras estão carregadas de exemplos magníficos.
        Um dos sonhos mais fascinantes na história das invenções foi o de Elias Howe. Fazia algum tempo que o inventor buscava uma maneira de mecanizar o processo de costura. Até que numa noite foi acometido de um pesadelo, no qual se encontrava preso por uma tribo. Recebeu o ultimato: “Ou você faz uma máquia que costure nas próximas 24h ou morrerá!”

Elias Howe teve através de um pesadelo a resposta para um problema que revolucionou a  indústria do vestuário.

          Fracassou assim como na vigília. Finalmente quando a tribo se reuniu ao redor dele, descendo as lanças em sua direção, observou que haviam buracos em forma de olhos na ponta das lanças. Despertou suando na iminência de ser atingido pelas armas pontiagudas!…
          “Enquanto ficava ali tremendo, lembrando do sonho, lembrou-se daqueles buracos estranhamente colocados e compreendeu que, se colocasse um buraco naquela posição em sua agulha de costura sua idéia para a mecanização poderia funcionar. Este sonho levou a uma revolução na indústria do vestuário.”


Bibliografia:
PARKER Jennifer e ENNIS Maeve. Fique por dentro dos Sonhos. Cosac & Naify Edições, 2ª ed. 2001: São Paulo.


          

Existem benefícios que podemos usufruir dos sonhos lúcidos. Esse é um dos temas mais fascinantes, pois na medida em que se avançam as pesquisas, mais possibilidades vão surgindo. Ainda não se possui sequer, uma Teoria definitiva a respeito da finalidade dos sonhos em si, consequentemente ainda mais distante está o alcance de uma compreensão das fronteiras que podem ser derrubadas com o uso da consciência nos sonhos. Nos últimos anos porém, diversas pesquisas começaram a ser desenvolvidas. Existem estudos relacionando o desenvolvimento de habilidades motoras, possibilidade de auxílio no tratamento de certas psicoses, o próprio estudo da mente e da consciência e muito mais.
As fronteiras acerca dos benefícios que podemos obter com a exploração da consciência nos sonhos ainda estão sendo explorados.
    Tendo em mente essas considerações, resolvi elencar de memória algumas experiências marcantes que podem servir de exemplo de coisas para se provar com o uso do estado mental consciente nos sonhos:
      Voar:  para quem recém começou a conseguir ficar consciente dentro de um sonho, talvez naturalmente já tenha ocorrido essa incontrolável vontade de sair voando. De fato, pelos relatos nas comunidades, grande parte das vezes é o que se procura de início fazer. E é uma das melhores sensações nos sonhos.
     Ouvir música: uma das melhores experiências que tive. Não faço idéia de onde veio aquela música maravilhosa que eu mesmo toquei uma vez, a partir de uma guitarra muito louca que me fez ficar embevecido com tamanha arte. Arte pura e sublime.
Ouvir música ou se transformar num músico nos sonhos pode ser uma das melhores experiências com sonhos lúcidos.
    Fazer sexo: fazer sexo com quem amamos é um presente dos céus. E usar os sonhos como playground para brincarmos com isso é alucinante… chega a dar medo de ter alguma hemorragia cerebral! rsrsrsrsrs
    Explorar a memória: visitar alguma casa da infância! Até hoje tento visitar a primeira casa que tenho lembrança. Tinha 3 anos na época. Cheguei muito próximo algumas vezes. Conversar com familiares, amigos ou pessoas que já se foram…
Outra experiência que ainda tento fazer é a de voltar para uma sala de aula e fazer uma revisão de coisas importantes!…

Superação de traumas: Beverly D’Urso usou isso pra superar o forte trauma da perda da mãe. Pessoas com estresse pós-traumático, muitas vezes acometidas de fortes pesadelos, podem encontrar nos sonhos lúcidos uma ferramenta poderosa na amenização dos problemas ou na busca da sua solução.

    Virar um super-herói: minha especialidade. Aliás, meus primeiros sonhos na infância, como já relatei por aqui, foram criando todo um micro-universo particular de personagens. Super-heróis, vilões, civilizações, planetas, entidades cósmicas e dimensionais… são exercícios mentais simples que fortalecem nossa imaginação e criatividade.
Se divertir com sexo ou virar um super-herói, criar ou imaginar uma obra, um personagem, uma música ou resolver um problema… parece ser grande o número de benefícios que podemos extrair do estado mental dos sonhos.
    Mergulho no Inconsciente: os sonhos comuns propiciam isso. A psicanálise usa os sonhos como grande ferramenta. Quando ficamos conscientes nos sonhos, temos a oportunidade de ir ao encontro direto desse nosso interior. Explorar as raízes dos nossos medos, inseguranças e com possibilidades de romper com condicionamentos impostos.

Solução de problemas: perdi a conta das vezes que mencionei como o cérebro funciona de maneira diferente durante os sonhos em geral. Trata-se de um estado alterado de consciência em que nos livramos de certas amarras. Vide como gigantes de diversas áreas, a partir de sonhos comuns, obtiveram benefícios inestimáveis. Exemplos como a química(Mendelev e Kekulé), invenção(Elias Howe), literatura com o Frakenstein de Mary Shelley, Kublai Khan de Samuel Coleridge e os relatos de Stephen King. Na filosofia encontramos depoimentos de Bertrand Russell e Kant…

    Exercitar habilidades: provavelmente esse seja um dos maiores potenciais a serem explorados na aplicação prática dos sonhos lúcidos. Alguém aqui lembra do “Mini-simulador da Matrix” que usaram para treinar o Neo? Em que o Mouse tinha criado uma linda mulher de vermelho?… Lá o Morpheus ensina Mr. Anderson a compreender como ele poderia não apenas exercitar suas novas habilidades, como romper com os limites impostos pela pseudo-realidade.

O estado mental de consciência nos sonhos pode servir como uma surpreendente ferramenta para o desenvolvimento de habilidades.
    Está cada vez mais claro que possuímos um monumental simulador de realidade no nosso cérebro e todos podemos aprender a desenvolver o seu uso de maneira lúdica e experimental.
    A maneira mais eficiente e rápida de descobrirmos formas de aprimorar a utilização da consciência nos sonhos é pela troca de experiências. O que indubitavelmente estamos fazendo por aqui e nas demais comunidades. 😉

Há uma discussão corriqueira nas comunidades sobre sonhos lúcidos sobre o que é possível desenvolver através dos sonhos lúcidos. O que me chamou a atenção recentemente, foi uma declaração do neurocientista Sidarta Ribeiro( http://pt.wikipedia.org/wiki/Sidarta_Ribeiro ), sobre as possibilidades que os sonhos lúcidos podem nos trazer.

Mais especificamente, ele levanta a hipótese de aprendizado. Imagine como no filme Matrix, quando Neo está aprendendo Kung Fu e outras artes marciais através dos simuladores mentais.

“Se as pressões seletivas sobre a nossa espécie diminuírem ainda mais, o fenômeno do sonho lúcido pode ser usado de forma corriqueira como ferramenta de aprendizado”, diz Sidarta Ribeiro.
link da citação: http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_433086.shtml

Não é novidade o desenvolvimento de grandes soluções em diversas áreas científicas, através dos sonhos. Ou ainda inspirações para livros para autores renomados como Stephen King ou Neil Gailman. Seja Kekulé com a cadeia de benzeno, seja a maozinha na tabela periódica, a agulha da máquina de costura e por aí vai. Mas foram soluções em sonhos involuntários. As possibilidades para os sonhos lúcidos ainda são bem embrionárias.

O Sonho de Kekulé
“Eu estava sentado à mesa a escrever o meu compêndio, mas o trabalho não rendia; os meus pensamentos estavam noutro sítio. Virei a cadeira para a lareira e comecei a dormitar. Outra vez começaram os átomos às cambalhotas em frente dos meus olhos. Desta vez os grupos mais pequenos mantinham-se modestamente à distância. A minha visão mental, aguçada por repetidas visões desta espécie, podia distinguir agora estruturas maiores com variadas conformações; longas filas, por vezes alinhadas e muito juntas; todas torcendo-se e voltando-se em movimentos serpenteantes. Mas olha! O que é aquilo? Um das serpentes tinha filado a própria cauda e a forma que fazia rodopiava trocistamente diante dos meus olhos. Como se se tivesse produzido um relâmpago, acordei;… passei o resto da noite a verificar as consequências da hipótese. Aprendamos a sonhar, senhores, pois então talvez nos apercebamos da verdade.” – Augusto Kekulé, 1865